Archive for Abril, 2004

Os escurinhos do cinema

O que trouxe à baila os pensamentos do último post foi uma visita feita ao site Cinema em Cena ontem. Passeando pela sessão CineNews, vi uma notícia que me interessou. Em linhas gerais, avisava que a Marvel e a Universal têm interesse em fazer um filme sobre Namor, o príncipe submarino. Vide figura abaixo.

Namor
Namor, o príncipe submarino

Esse aí em cima é o Namor. Um sujeito de estatura mediana. Branco. Cabelos pretos. Convenhamos: não é difícil encontrar um ator com esse tipo de descrição, é? Não, não é. Então existem inúmeras boas opções. Fizeram uma boa opção?

Não. Não fizeram. Seguindo essa linha de pensamento “politicamente correto”, esse aqui é o ator mais cotado, até agora, para encarnar o rei da Atlântida:


The Rock

Um ator negro e brutamontes. Não bastasse não ser da mesma cor também mudam o tipo físico do personagem? Já não foi suficiente terem colocado a Halle Berry como Mulher-Gato e o Michael Clarke Duncan pra fazer o Rei do Crime?

Querem colocar mais atores negros como protagonistas, coloquem. Façam filmes sobre super-heróis negros. Se não existem muitos - e realmente não existem, mas isso é assunto pra outro post -, que inventem. Mas mudar personagens que já existem é sacanagem das grossas com os fãs de quadrinhos. Não é questão de preconceito, é pra permanecer fiel ao personagem. Acho ruim um ator negro interpretando um personagem branco e também ficaria irritado se fosse o contrário.

A continuar nesse pé, podem esperar o Will Smith no papel de Super-Homem e o Samuel L. Jackson como Lex Luthor (bom, pelo menos ele tem uma bela careca).

Mais informações sobre o filme do Namor aqui.

Minoria sem socorro

Poucas coisas são mais odiáveis do que essa onda de ser politicamente correto que vem corroendo a sociedade nos últimos anos. É tal a homogeneização de comportamentos com a motivação única de evitar problemas com os infindáveis grupos defensores de direitos de tudo o que existe que chega a ser enojante. Tome como exemplo qualquer reality show da Globo. Sempre há, entre as cartas marcadas do programa, um homossexual afetado, um negro e um pobre.

E não fazem isso por respeito às centenas de milhares de homossexuais afetados, negros e pobres do país. Fazem só pra calar a boca dos politicamente corretos de plantão, que não hesitariam em sair com placas de “Abaixo o Fascismo”, “Não ao Ku Klux Klan” e “Dignidade Já!”. Eles deviam colocar, no próximo Big Brother, um Negróide, um Índio, um Homossexual, um Deficiente Físico, um Estrangeiro, um Aidético, um Judeu, um Muçulmano, um Nipônico, um Pobretão, um Multimilionário, uma vaca (ou um frango, ou um porco), um Nordestino e uma Mulher. Talvez arranjassem espaço pra uma pessoa “normal”, se encontrassem uma. E que por “normal” não se entenda que esses outros são aberrações sociais, mas que um sujeito branco, heterossexual, natural do Brasil, de classe média e fisicamente pleno (sem doenças ou deficiências) é cada vez mais raro.

Fico me perguntando: eu sou um Brasileiro, hetero, branco, de classe média, sem deficiências. Caso um negro me chame de branco safado, a quem vou recorrer? Caso uma mulher me trate como um objeto ou me dê porrada, a quem devo prestar minhas queixas? Se um deficiente físico quebra minha perna com a muleta deliberadamente, quem virá em meu socorro? E se um índio invade minha casa, que instituição intervém a meu favor? Se eu tento arranjar emprego num cabeleireiro e todo mundo me ridiculariza por ser hetero, farão passeatas por mim? E se um bando de judeus veta minha entrada em sua sinagoga só porque eu não compartilho de sua fé, que antigos maus tratos sofridos por meu povo poderei trazer à tona para que os outros se compadeçam de minha situação? E quem vai me alimentar e me auxiliar, se o governo cada vez mais apoiar a renda nacional nas minhas costas, já que os ricos - em sua maioria - dão-se o direito de não contribuir com as reservas monetárias do país?

Mas a questão mais importante é: se eu fundar um grupo só com “pessoas iguais a mim”, serei chamado de quê?

Mote:

Okay, mandemos tudo à merda, okay?

Eu adoro esse template

Quando comecei a escrever onde tenho andado ultimamente, coloquei essa aparência. Mas percebi que seria entregar demais o ouro aos ladrões e tirei. Além do mais, o outro título não ficou tão bem ali em cima quanto o daqui. Preferi fazer outro layout. Que também acho bonito (não iria colocar na minha página uma aparência que julgasse feia, lógico), mas não é tão bacana quanto esse aqui.

Esse aqui é um charme.

Sobre Amélie Poulain - Post raivoso!

Me lembro de quando Amélie Poulain saiu nos cinemas e eu vi o cartaz do filme. Li críticas muito boas a respeito. Cá com os meus botões, admito que pensei:

– É um filme francês e a atriz principal tem cara de débil mental. Será que dá mesmo pra sair mato desse coelho, ou esse povo se impressiona com qualquer imbecilidade, desde que venha em outra língua que não o inglês?

Digo, sem nenhum pudor, que havia muito preconceito da minha parte com relação ao filme. Mas também devo dizer, em minha defesa, que algumas pessoas cujas opiniões eu considero muito fizeram críticas bastante elogiosas à película, então havia aqui comigo uma ponta de vontade de estar errado na minha posição. Cheguei a alugar um DVD do filme em 2002, mas terminei por não assistir. Voltei a locá-lo fim de semana passado.

Prepare-se para uma frase em negrito, toda em maiúsculas, centralizada e em fonte maior do que a padrão:

CARALHO, MAS QUE MERDA DE FILME!

Eu tinha razão! Como a maior parte das produções daqueles malditos francos comedores de lesmas, essa merda de filme devia ser banida de todas as locadoras. Ou então deveria vir com um aviso na capa: CUIDADO! PRODUÇÃO PRETENSIOSA E SEM GRAÇA! RECOMENDA-SE NÃO NUTRIR ESPERANÇAS DE VER UM BOM FILME AO ALUGAR ESTA PORCARIA! Não bastasse a atriz principal ter cara de imbecil, andar como uma imbecil, falar como uma imbecil, olhar como uma imbecil, ela não diz nada durante o filme que não seja tremendamente imbecil! Além disso, todos os coadjuvantes pecam pela extrema falta de inteligência. A trama é idiota, as subtramas não têm graça, as piadas não têm apelo, os diálogos são plenamente dispensáveis.

O que mais me impressiona não é que o filme seja uma merda. Oras, é um filme francês. Não podia ser grande coisa. O que REALMENTE me assusta é o sem-número de menininhas de internet débeis mentais e blogueiros adoradores de imbecilidade que saem por aí apregoando que o filme é uma produção digna de ser vista.

A burrice, como eu já disse e não me canso de dizer, é realmente epidêmica.

P.S.: Fica a pergunta: o que há de “fabuloso” nesse lixo, afinal? (por puro exercício de retórica, é claro).