Arquivos mensais para May, 2004Page 2 of 6

Bois de Gerião - Dia de sábado

Então vem
Vamos sair com seus amigos
Andar por toda a cidade
Fazer a paz com os inimigos
Pra perceber que a vontade
De ser feliz traz um alívio
E se livrar dessa maldade
Que se disfarça de coragem
Dentro do seu coração

Pessoas quantitativas

Acumular é um hábito comum. Quando a questão é monetária, torna-se relativamente compreensível (desde que não se trate de um daqueles malucos que querem ter em excesso e gastar o mínimo possível, porque isso é avareza das brabas, que eu classificaria como doença mental digna de internação imediata no HPAP - um manicômio aqui em Brasília -, com direito a choque nas têmporas e algodãozinho na boca). Algumas outras coisas, entretanto, não têm a menor utilidade prática, sendo inclusive tremendamente incômodas, pois ocupam espaço e juntam poeira. Mas são guardadas assim mesmo por alguns loucos. Chaveiros, revistas e postais são exemplos que eu consigo encontrar aqui em casa, entre os meus pertences. Com um pouco de imaginação, pode-se incluir nessa lista desde ímãs de geladeira até mulheres.

Coleções como as minhas não me causam estranheza (mas só porque eu não páro pra pensar muito a respeito), mas algumas feitas na internet… ah, essas me deixam com a pulga atrás da orelha (aliás, a expressão “ficar com a pulga atrás da orelha” também me deixa com a pulga atrás da orelha, mas não é sobre isso que pretendo falar, então deixemos pra depois).

Quem faz parte do Orkut (e é mais fácil listar quem não faz, já que brasileiros são a maior desgraça da internet e correm feito loucos atrás de qualquer coisa que não conhecem, como o bando de macacos curiosos que são) deve ter uma noção do que eu estou falando. Pessoas que colecionam “amigos” e “comunidades” incansavelmente. Qual o propósito disso eu não sei, sinceramente. É uma incógnita. Entre nas comunidades mais numerosas e veja o a quantidade de pessoas que realmente escrevem, criam novos tópicos, participam, enfim. Ínfima.

Já criei duas, por lá: Aumente um ponto, que abandonei por se tornar grande demais (e porque aqueles retardados analfabetos começaram a escrever ESTÓRIA, e eu me recuso a conviver com gente que escreve ESTÓRIA) e uma outra que deletei. Tinha mais de 30 membros e ninguém escrevia nada.

Também deve ter umas cinco pessoas na minha lista de amigos com quem eu nunca falei. Só soube quem são porque mandei uma mensagem perguntando “Quem diabos é você?” ou fui falar com conhecidos: “Cara, cê sabe quem é fulano de tal?”. O que me deixa intrigado nessa história é de onde essas pessoas tiraram que nós somos amigos. Tem gente no meu ICQ com quem eu falo todo dia, praticamente, que não considero amigos meus. Eu, heim.

A mesma coisa com links de blogs. Algumas páginas fazem listas intermináveis com todos os blogs existentes. Oras, caralhos! Pra isso já existe o blogs.com.br! É óbvio que ser humano algum lê aquela quantidade absurda de páginas todos os dias. É humanamente impossível. Provavelmente é só uma atitude diplomática. O típico papo “mostra o seu que eu mostro o meu”. A pessoa te linka e acha que você, por educação, fará o mesmo. Um pacto silencioso. Babaquice das grossas, também.

Então, antes de me adicionar à sua lista de amigos do orkut, faça-se as seguintes perguntas:

a) Eu faço parte da sua lista de amigos do ICQ, MSN ou te conheço pessoalmente?
b) Eu já te mandei um e-mail ou já respondi uma mensagem sua?
c) Eu sei da sua existência?

Se você respondeu “Não” a pelo menos duas dessas perguntas, na boa, não somos amigos e eu nem sei que você existe. Que bom que você gosta do meu blog, mas isso não é o suficiente pra me chamar de amigo. Deixa de ser enturmão.

Antes de entrar em uma comunidade, considere:

a) Você tem alguma coisa PERTINENTE que quer adicionar às discussões?
b) Você pretende ler com freqüência as novidades postadas?
c) Você participa ativamente das outras comunidades de que faz parte?

Se respondeu “Não” a duas dessas perguntas, pra quê entrar? De que adianta fazer parte de 300 comunidades se você só escreve em três? Não entre só porque seus amigos te convidaram. Analise o assunto e se você se dispõe a discuti-lo. Tenha o mínimo de personalidade, seu maria-vai-com-as-outras.

E, finalmente, antes de linkar um blog, pergunte-se:

a) Você lê a página com alguma freqüência? Pelo menos uma vez por semana?
b) Você lê os textos inteiros ou pensa “Nossa, dez linhas! Que texto grande. Vou ler não.”?
c) Você realmente GOSTA do que lê?

Se respondeu “Não” a duas dessas perguntas, não linka. Sério. Não vai fazer falta nenhuma, acredite.

Agora pare de colecionar amigos na internet e vá juntar itens que valham dinheiro.

Seja… sei lá… um numismata.

Os Irmões

Hoje à noite tem show dos Loser Manos no antro dos dorme-sujo, dos pseudo-comunistas, dos proto-revolucionários e dos intelectualerdas de plantão. O lugar mais mal-freqüentado e feio da cidade. A UnB.

Embora esteja animado para rever os caras tocando ao vivo, quase um ano depois do último show deles aqui em Brasília, ando receoso do número e do tipo de gente que vai comparecer ao local. Fãs de LH, de uns tempos pra cá, vêm se tornando tão imbecis, ridículos e tacanhos quanto os mais ferrenhos defensores de Legião Urbana e Iron Maiden, e é uma merda quando as pessoas que gostam da mesma banda que você começam a agir de maneira tal que depõem contra ela. Eventualmente olho pra algumas pessoas e me pergunto “Porra, esse débil mental e eu temos um gosto em comum, deve ter algo muito, muito errado comigo e eu talvez deva rever meus valores!”.

Pois hoje será o dia de rever os valores. Caso o público do show aja da maneira como eu espero que ajam, ou seja, sendo imbecis ao extremo, vou me fazer a promessa de nunca mais ir a uma apresentação dos sujeitos, a menos que haja uma área VIP na qual possa ficar, de modo a não me misturar com a patuléia BAGRE QUE SÓ FALA MERDA.

Porque fã de Los Hermanos, ultimamente, é isso. Um bando de bagre que só fala merda.

Constatação

É um crime contra a marinha mercante o fato de eu ser um homem de terra. Minha veia pra o comércio marítimo internacional é inegável. Honro o sangue lusitano correndo nas minhas veias.

Devo ter sido um grande navegador em encarnações passadas, no século XVII.

Que perda para a marinha, meu deus. Que perda…

A influência da farinha na alimentação cearense

Mas eu nasci nu
Mas nasci contente
É por isso que eu tenho essa cara linda
É por isso que eu tenho esse corpo forte
É por isso
É por isso
É por isso que o Brasil não vai pra frente.

Tróia

Difícil falar sobre Tróia. Tenho dificuldade para falar de coisas que eu gosto, porque sinto como se estivesse sendo parcial e babão. Na hora de falar mal não tenho dificuldade alguma, porque me sinto parcial, mas raivoso, e raivoso eu já me acostumei a ser, então…

Então estou fugindo do assunto, o que faço quando não sei o que dizer. Típico.

Tróia é uma bela história. Bela mesmo. O conto da Guerra de Tróia, digo. Tanto é que sobrevive até hoje conhecida por grande parte das pessoas, mesmo as que não têm o hábito de ler. Não é passada por livros, mas contada pelos pais a seus filhos. Mesmo hoje. Mesmo aqui. Em qualquer lugar. Porque é surpreendente, é triste, é bonita, é poética e impensável. E talvez, só talvez, seja verdadeira.

E como não contar algo tão bonito, se pode ter sido verdade?

Os gregos fizeram grandes histórias, e muitas delas são tão sensacionais que a humanidade não se permite esquecer. Poucos povos merecem tanta atenção nesse sentido quanto eles, os Helenos. Aparentemente seria fácil fazer um filme lendário: era só escolher uma história grega, filmar e pronto. Tem-se uma produção memorável.

Grave erro, pensar assim. Já que péssimos diretores conseguem estragar até as melhores histórias, a dificuldade da indústria cinematográfica era transferir uma lenda para as telas sem que ela perdesse aquilo que a torna inesquecível, seja o que for.

Pois foi feito.

Vemos um Aquiles dividido entre sua natureza e seu caráter, um Heitor honrado e justo, infelizmente jogado em uma guerra que preferiria evitar, e um Príamo grandioso, sábio, por quem é impossível não nutrir respeito e admiração. Ironicamente, entretanto, outros grandes personagens da lenda - os mais importantes, na verdade - são submetidos às necessidades hollywodianas: Agamenon é retratado como vilão, Páris torna-se uma figura covarde e egoísta, atraindo a antipatia do público, e Helena, embora extremamente bonita, é interpretada de forma insossa pela linda alemã Diane Kruger. Ulisses é um caso à parte: guerreiro sábio e experimentado, mas aparentemente decadente, como um grande herói em fim de carreira.

Fica-se sem saber para que lado “torcer” no desenrolar do filme. E acredito que isso seja um sinal de que os personagens foram bem desenvolvidos.

Sobre as batalhas não há muito o que dizer. É preciso vê-las, pois é onde se nota porque Aquiles é tão reverenciado como guerreiro. Sua primeira luta no filme, contra um gigante de homem que chega a dar medo, deve durar uns 30 segundos, se tanto. E na luta contra Heitor… bem, vá ver por si mesmo. O filme vale o seu ingresso.