Arquivos de Maio, 2004

Ives Saint Laurent vs. fotolog.net

Desrespeitosa, mal-aplicada e burra. São alguns adjetivos que podem ser atribuídos a essa censura que o fotolog.net (e serviços semelhantes) costuma fazer. Qualquer foto mais ousada (e não precisa ser MUITO ousada, uma garota de costas usando biquíni e ostentando uma bela bunda é mais do que suficiente) já se torna desculpa para os administradores detonarem a página. Independentemente do usuário ser “gold” ou não.

É muito compreensível que os donos do serviço não estejam a fim de levar um processo por incentivo ` pornografia infantil apenas porque uma guria de 16 anos mais afoita resolveu aparecer como veio ao mundo diante de seus amigos da internet, então fotos com nudez devem ser desencorajadas. Mas não há registros, que eu saiba, de fotos de nudez no peitolog, por exemplo, então por que a perseguição?

Lembro-me de, em idos de 95, ver no Jornal Nacional a então novata no mundo da moda Gianne Albertoni, com seus 14 ou 15 anos, desfilar usando uma blusa totalmente transparente, sem mais nada por baixo. Era isso o que se via. Os seios de uma garota de 15 anos no horário nobre da TV brasileira. Melhor exemplo de exposição de menores não consigo me lembrar. Alguém foi processado? Não.

Se Versace mostrar uma adolescente seminua, é moda. Se uma adolescente seminua se mostrar na internet, é um acinte contra todas as normas sociais, a moral e os bons costumes.

Que mundo injusto, esse nosso.

Experimentalismos

Desde moleque eu tenho a maior vontade de preparar um pacote de Tang com leite em vez de água. Só me falta coragem pra beber o resultado da experiência.

Samuel L. Jackson

É a figura mais carimbada de Hollywood. Deve ter um agente muito bom e gostar muito do que faz, porque, na boa, o cara estréia uns 10 filmes por ano! Qual é a dele, afinal? Quer bater um record? É um mercenário sem qualquer critério e faz qualquer filme por dinheiro? Teve sua família seqüestrada e anda louco atrás de dinheiro pra pagar o resgate, por isso pega qualquer papel que apareça na frente?

O cara deve dormir dentro de um trailer nos estúdios de alguma empresa de cinema, porque não é possível alguém fazer tantos filmes por ano. Já chegou ao ponto de ter três produções no cinema, todas com ele no elenco.

Haja paciência, Shaft! Haja paciência!

Vá tirar umas férias, porra!

Novidades não tão novas assim…

Acostumem-se, pois, aos meus sumiços momentâneos, velhos leitores do utopia que ainda me vêem como o cara que atualiza o blog pelo menos uma vez por dia. Agora só publico textos quando me sinto suficientemente inspirado para tal. Hoje, então, ainda devo escrever mais uma ou duas coisinhas, nada muito importante.

No meu exílio aprendi a ser parcimonioso com minhas idéias, desencanado da minha página e econômico com meus textos. Também me acostumei a ser um pouco mais educado. Mas só um pouco, para não deixá-los mal-acostumados.

Lembrem-se que sou um partidário de Nicolau Maquiavel e de sua obra O Príncipe, daí acreditar que distribuir bondade em doses homeopáticas e crueldade em ondas avassaladoras é a única maneira de manter as pessoas na linha.

Sbumer®

Abri uma nova embalagem de Sucrilhos® hoje e encontrei um Sbumer®! MASSA! Agora eu tenho um Sbumer®!

- Um o quê?

Sbumer®, filho.

- Sbrubles?

Sbumer®, caralho.

- Que porra é essa?

Acuma?

Você não sabe o que é um Sbumer®?

Cê é burro, heim?

Entra aqui e dá uma olhada (preste especial atenção no cara que ensina como jogar o Sbumer® dizendo “Tem que dar uma desmunhecada”. O Marco vai tirar de letra).

Aliás, entra logo no site do Sucrilhos®, que é muito bacana. Lá você encontra joguinhos, dicas de esportes, imagens de embalagens antigas dos produtos Kellog’s® e outras coisas que não servem para nada além de te fazer perder o seu precioso tempo e gastar seu rico dinheirinho em bobagem. Tudo naquela linguagem “radical” ridícula do Tigre Tony®, tentando ser descolado e bancando o idiota. Há uma sessão em especial que ensina receitas com os cereais. Tem até uma preparada com Froot Loops, mas essa eu sei que ninguém vai querer fazer, porque, como é de conhecimento público, Froot-Froot-Froot Loops é uma merda, sacou?©

Enfim. Se você olhou o que eu te mandei olhar, já sabe que um Sbumer® é um bumerangue. Quando vi a figura na embalagem pensei que cada haste tivesse o mesmo comprimento da caixa do cereal. Qual nada! É pequenininho. Mas é um bumerangue, de todo modo. Eu já tive um, certa vez, mas nunca consegui jogar aquilo direito. Um dia, enquanto eu tentava arremessar certo de uma vez por todas, um garoto da minha rua, que era muito maior que eu, quebrou impiedosamente o meu brinquedo só porque eu acertei a cabeça dele por acidente. Até hoje me lembro do nome daquele filho da puta. Gustavo. E um dia hei de ter minha vingança.

Mas o assunto é o meu FANTÁSTICO Sbumer®. Esse fim de semana acho que vou ao parque da cidade brincar com ele (se você preza pela sua segurança, aceite meu conselho e não apareça por lá no sábado). Mas antes vou abrir mais duas caixas de sucrilhos, e zás… zás… aí vou pegar peças de outras cores e… e… zás… zás… e vou montar um Sbumer® multicolorido, e… zás… zás. BATUTA!

VALEU, TIGRE TONY!

Siciliano

Loja cheia de clientes. Era normal, àquela hora da noite, que as pessoas, saídas de seus trabalhos, fossem para o shopping relaxar e acabassem entrando na livraria. Naqueles quinze meses como funcionária ali aprendera a identificar, só de olhar, o que cada cliente procurava. Senhora com pinta de madame que cria yorkshire? Auto-ajuda ou decoração. Garoto com camiseta do Legião Urbana? Vai perguntar onde encontrar O Apanhador no Campo de Centeio. Senhor de terno e celular de última geração? Procura por A Ditadura Alguma Coisa. Raramente errava.

Viu então um homem jovem entrar, olhando para os lados, desconfiado, como faziam todos. Calça jeans, camiseta e camisa aberta por cima. “Atrás de livros de informática”, pensou. Mas o rapaz circulou pela loja inteira: deu uma olhada na sessão de CDs e DVDs, folheou uns livros Esotéricos e de Auto-Ajuda, leu trechos de obras da sessão de Literatura, passeou pela parte de Revistas… parecia não saber o que queria. Intrigada, ela se aproximou.

- Posso ajudá-lo, senhor?
Despertou-lhe de alguma reflexão momentânea.

- Heim? Ah, oi. Boa noite.
- Boa noite. A sessão de informática é lá em cima.
- Ah, é? Ah, é. É. Eu sei. Obrigado.
- Não é o que o senhor está procurando? - estranhou estar errada.
- Quem, eu? Não. Não.
- O que o senhor procura, então?
- Tô procurando uma namorada.

A resposta dada assim, de sopetão, pegou-a desprevenida. Ficou sem saber o que dizer. Ele continuou, sorrindo.

- Mas eu sei que isso vocês não vendem, e também não pretendo comprar uma. É o tipo de coisa que você tem que fazer por merecer.

Achou graça da franqueza dele e sorriu de volta. Interessara-se pelo rapaz. Estava solteira, ele parecia inteligente e divertido. Além do mais, mantinha um ar distraído e desinteressado que tinha lá o seu charme. Resolveu entrar no jogo.

- É, é verdade. Mas que tipo de namorada você procura? Talvez eu possa te ajudar.
- Hm? Que tipo? Ah, sim. Que tipo. Claro. Bom, cabelos pretos, mais ou menos um metro e sessenta e oito, olhar desafiador, inteligente e divertida. É. É uma mais ou menos assim que eu procuro. Você a viu por aí?
- Um e sessenta e oito, é? A altura é importante assim?
- Importante? Se é importante? Hm, nunca parei pra pensar nisso. Não. Acho que não dou muita bola pra altura, não. A menos que seja uma mulher de dois metros e meio, porque aí, convenhamos, vai parecer um gigante perto de mim, e eu vou parecer um anão perto dela, e… Enfim. Altura não é importante, afinal.
- Então se fosse um e sessenta e cinco não teria problema? - era a altura dela.
- Problema? Problema nenhum. É. Nenhum.

Riram. Conversaram por quase vinte minutos, e ela já tinha concluido que aquele era o homem perfeito pra ela: gostava de ler de tudo - isso lhe dissera ele -, ouvia vários estilos musicais, adorava cinema, era caseiro e gostava de escrever. Também sabia ser simpático e tinha uma boa conversa. Resolveu chamá-lo pra sair no fim do expediente.

- Então, sabe o que é? A loja fecha às nove, e…
- Ah! Encontrei!
- Hã?
- Encontrei.
- Encontrou o quê?
- A namorada.

Seu coração bateu mais forte. Sorriu, concluindo que ele percebera suas intenções.

- Ali está ela - disse ele, e acenou para uma moça que entrava na loja -, dez minutos atrasada. Muito obrigado pela companhia. Foi um prazer conversar contigo.

Ele abraçou a menina e foi embora.

Entrou uma senhora e ela pensou: “Paulo Coelho”.
Não deu outra.
Afiada como sempre.