A data fatídica se aproxima.
E meu humor já começa a sofrer os efeitos.
Senta que lá vem a história.
A data fatídica se aproxima.
E meu humor já começa a sofrer os efeitos.
- It’s bleeding demised.
- It’s not, it’s pining.
- It’s not pining, it’s passed on. This Brizola is no more. It has ceased to be. It’s expired and gone to meet its maker. This is a late Brizola. It’s a stiff. Bereft of life, it rests in peace. If you hadn’t nailed it to the PDT, it would be pushing up the daisies. It’s rung down the curtain and joined the choir invisible. This is an ex-Brizola.
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Pois é, morreu o padrasto do meu irmão.
E ninguém acredita quando eu conto (que ele era padrasto do meu irmão, não que ele morreu, porque a mídia também falou da morte dele).
Alguém marcou ponto no bolão pé na cova em cima do véio?
Eu sempre fui um depósito de revistas velhas, aos olhos dos meus amigos. As pessoas vêm à minha casa, entram no meu quarto e vêem aquele monte de gibis espalhados pela estante, pelo chão, atras da tevê, sobre o sofá, e logo percebem que quando precisarem se livrar de velhas publicações largadas em suas casas podem mandar pra cá que eu irei aconchegá-las na minha bagunça.
Todas as revistas de nudez que já tive chegaram até mim desse modo, já que eu nunca fui abonado, então poupava o pouco que me chegava às mãos com a finalidade de comprar revistas mais importantes (Homem-Aranha), em vez de jogar meu dinheiro fora com essas bobagens de mulher pelada.
Nessa brincadeira de acolher revistas órfãs, um dia chegou às minhas mãos umas edições da Animax, uma revistinha pequena que tratava de animes e mangás. Passei a comprar as outras que saíam em bancas, e o título, obviamente, foi cancelado, já que eu sou um belo exemplar do Homo Hotarius Cancellus (aquele cara que sempre começa a comprar revistas logo antes de seu cancelamento). Lendo uma das edições da Animax me deparei com um esquema que não conhecia: Fansubbers.
Os Fansubbers.
Existem pessoas que gostam de animes. Que gostam MUITO de animes. Que são FANÁTICAS por animes, do tipo que chega a se irritar quando vê alguém falando mal de um anime do qual gosta. Fanáticos XIITAS, que chegam até a aprender japonês (pra você ver até onde vai a capacidade do ser humano de ser doente). Pessoas que são TÃO, mas TÃO fanáticas por animes que chegam a fazer isso:

Quando uma pessoa é fanática a ponto de saber japonês e tem alguma grana sobrando, cria um Fansubber. Importa, lá da terra do sol nascente, uns DVDs ou VHSs originais de desenhos que nunca passaram no Brasil (porque aí seria pirataria, que é um negócio muito, muito feio, bobo e chato), traduz, reproduz algumas cópias e vende a preço de custo. Dessa forma, recupera o dinheiro investido, que pode ser investido de novo, em novas produções, novos episódios, novos planetas, novas civilizações e… ehr. Enfim.
Compra animes japoneses inéditos aqui, legenda, vende, compra mais, legenda mais, vende mais, ad infinitum. Deu pra entender? Pois é. Eu vi na revista um desses que se localizava AQUI! EM BRASÍLIA! Fiquei eufórico.
Liguei lá e pedi pra me mandarem o catálogo deles. A moça, muito simpática, disse que de 15 em 15 dias eles faziam mostras de anime no SESC da 504 sul a 4 reais a entrada. Me escalei e compareci no fim-de-semana seguinte. Isso foi no começo de 99.
(Aliás, assisti os OVAs de Mahou Tsukai Tai naquele sábado e ri pra caralho, mas isso não tem nada a ver com o assunto)
Só a partir de então meu interesse por produções japonesas realmente cresceu. Antes eu achava legaizinhas aquelas putarias hentai que os amarelos faziam, mas acabava por aí. Depois do BAC (Brasil Anime Clube) é que passei a gostar de animes. Foi quando comecei a comprar Ranma, na época único mangá publicado no Brasil.
Atualmente o BAC nem existe mais, que dirá as mostras de anime. Ando totalmente fora das novidades. Mas nem me preocupo. Tomei um nojo tão grande daquele povo fanático que nem ao Kodama (uma convenção anual de anime e mangá daqui de Brasília) eu vou.
Mas ainda compro mangás. Três: Vagabond, Blade - A Lâmina do Imortal e Yuyu Hakusho (EVA não, porque é uma merda).

Hoje comprei a trigésima primeira edição de Vagabond. Trigésima primeira! São dois anos e sete meses comprando essa bagaça, olha só! E a cada edição fico mais ansioso pela próxima. Apesar de já ter lido os dois livros sobre Musashi (publicados pela Estação Liberdade, com umas 900 páginas cada um), o enfoque dado por Takehiko Inoue ainda é surpreendente e todas as mudanças feitas por ele na história só melhoraram seu dinamismo. Com relação à arte… bom, graficamente fica entre as publicações mais deslumbrantes que já vi. É DISPARADO a revista mensal mais bonita publicada no Brasil. O traço é realmente excepcional, e evolui a cada edição.
Se você mora em São Paulo e nunca leu Vagabond, vá à Animangá ou a qualquer outra loja especializada em quadrinhos e folheie os números um e dois. Se não gostar, paciência. Mas, se gostar, compre logo até a trigésima primeira e passe a acompanhar.
Não vai se arrepender, acredite.
Eu baixei aquele vídeo Pira, Pira, Pirô, do Hermes & Renato, e tô rindo sem parar dessa merda já tem quase uma semana.
Tudo ali é genial. Desde a dançarina peluda até o morto fazendo \o\ /o/ no segundo “Mata! Mata!”.
FODA!
- Alô?
- Oi. Por favor, o Adamastor?
- Sou eu.
- Tudo bem?
- Tudo. Quem é?
- É a Luzinete.
- Luzinete…?
- É. Você não me conhece. Eu sou amiga da Leidislene.
- Que Leidislene?
- A Leidislene. Foi ela que me disse pra falar com você.
- Oxe. Leidislene de onde?
- Ah, lá da Pracinha.
- Hm. É uma ruiva de cabelos longos e encaracolados?
- Não. É uma morena de cabelos curtos lisos.
- Pô. Então não conheço.
- Claro que conhece. Você não é o Adamastor?
- Sou, mas…
- Então. Ela me deu seu telefone e me falou pra te ligar.
- Hein? Mas eu não conheço nenhuma Leidislene de cab…
- Acho que ela é a fim de você.
- Opa. De mim? Sério?
- Mas acho que ela não tem coragem de chegar. Medo bobo.
- Diz pra ela que eu não mord… Porra! Olha, você tá falando com o cara errado.
- Claro que não tô. Eu nunca esqueço uma patada.
- Hein? Quem te deu uma patada?
- Você.
- Eu?
- Você.
- Que história é essa?
- Mas tudo bem, eu não guardo rancor.
- Eu nunca te dei uma patada.
- Deu, sim.
- Como foi isso?
- Ah, foi pela internet. Numa sala de bate papo do Terra.
- Eu não entro no chat do Terra. Entrava há muito tempo, não entro mais.
- Mas nesse dia você entrou.
- Não era eu. Como foi a patada?
- Mas e então, o que você faz?
- Ah, eu estudo e trab… peraí! Essa sua ligação é um engano. Você tá falando com o Adamastor errado.
- Claro que não tô. Só pode ser você. O amigo da Leidislene…
- Eu não conheço essa Leidislene! Eu conheci uma há anos mas não nos falamos há… há… há anos, oras.
- …que freqüenta o chat do Terra…
- Eu não freqüento mais o chat do Terra. Em que canal foi isso? No Cu_do_judas?
- Não. No facul_do_judas.
- Eu nunca entrei nesse canal.
- Claro que entrou. Até me deu uma patada.
- Olha, você tá falando com a pessoa errada. Não fui eu.
- Foi, sim. Ei, cê tá com fome?
- Já disse que não fui eu, cacete. Tô, sim. Por quê?
- Quer sair pra comer algo?
- Bora.
- Então eu passo aí e te pego. Onde você mora?
- Ah, na quadra X, bairro N, prédio D.
- Beleza. Daqui a 15 minutos tô aí.
- Tá certo. Tô esperando.
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Quando é que eu ia imaginar que, um ano depois, estaria namorando com uma guria esquisita a esse ponto? E gostando dela cada dia mais.
Olha aí, veja você.
Estava vendo dia desses o Arnaldo Jabor - que inclusive é um sujeito de quem eu não vou com a cara - falando sobre a tentativa de algumas facções do poder legislativo de impedir os procuradores da república de “procurar”.
Dessa forma, vários processos que estão tramitando no Ministério Público - o do Hildebrando Paschoal, o da máfia dos Vampiros, etc, etc, etc - seriam cancelados. Não, não é engavetados. Digo jogados fora mesmo, apagados dos anais (ui!) da justiça.
Fiquei imaginando a situação. Telejornais e rádios avisando que não há mais a possibilidade de qualquer mutreta ser desenterrada pelo MPU, analistas políticos dizendo que isso é uma pouca-vergonha, Ana Paula Padrão girando cinco vezes naquela cadeira dela, falando a respeito da nova lei e de suas (supostas) finalidades. A mídia discutindo a sacanagem, enfim. E imaginei as pessoas ouvindo tudo isso, assistindo a tudo isso, reclamando em suas casas, sentadas em seus sofás, impassíveis. Depois desligando a TV e indo dormir.
E eu imaginei, no dia do acontecido, um cidadão qualquer que, plenamente insatisfeito com essa falta de caráter legislativa, saísse conclamando as pessoas a seguir com ele até a frente do Congresso Nacional, onde reclamariam seu direito de saber quando um político se aproveita de sua situação para afanar dinheiro público ou passar por cima de seus compatriotas. Imaginei esse sujeito batendo nas portas das casas, apertando os botões dos interfones, parando outros cidadãos no meio da rua e dizendo pra todo mundo catar pedaços de pau, pedras e ir até a sede do poder para exigir justiça ou fazê-la com as próprias mãos.
E imaginei as pessoas, acostumadas a não reagir, dizendo pra ele que tinham mais o que fazer, que tomar uma atitude dessas não ia dar em nada, que não podiam segui-lo, que precisavam fazer o janter, que tinham outras urgências, como pegar os filhos na escola ou levar o cachorro pra passear.
E é uma situação de merda, porque o pior de tudo não é a falta de caráter dos políticos ou a péssima qualidade do gosto do eleitorado. O pior de tudo é que as pessoas não se comovem, não se juntam, não brigam, não vão atrás, não se interessam, não se fazem ouvir. Brasília tem dois milhões de habitantes, e se metade desse povo largasse tudo o que estivesse fazendo e fosse até o Congresso e gritasse e xingasse e brigasse e, diante da inevitabilidade, enfiasse a porrada em todo mundo lá dentro, ah, esses canalhas pensariam duas, três vezes antes de terem essa horrível certeza de poderem fazer o que quiserem, porque somos todos uns abestados.
E enquanto eu pensava nisso, e imaginava uma maneira de acordar as pessoas para a gravidade da situação, um brado gigantesco soou pela quadra. Gol do Flamengo.
Esse povo realmente não tem solução…