- Fica quietinha e não vai te acontecer nada, tia.
- Hã?
A mulher, que caminhava distraída, de início não entende a ordem do garoto que, surgido do nada, a acompanha, até ver que ele carrega uma arma. Seu sangue gela.
- Mandei ficar quietinha e não vai te acontecer nada.
- Tá, tá, tudo bem.
- Caminha comigo.
Eles seguem pela rua escura até um beco. Ele a manda entrar.
- Agora cê vai fazer tudo o que eu mandar.
- Olha, eu tenho dinheiro, tenho um celular, eu…
- Bah. Isso aí eu também tenho. Quero não.
- O que você quer?
- Primeiro, que você cale a boca. Agora solta essa bolsa aí no chão. E o celular também.
Ela obedece, já temendo o que pode acontecer ali naquele local deserto e escuro e imaginando o que fazer para impedir o pior.
- Agora obedeça cada comando meu.
- Tá, tá, tudo bem, só não me machuca, por favor, não faça nad…
- CALABOCA.
- …
- Agora preste bem atenção.
- … - ela chora.
- PÁRA DE CHORAR!
- … - ela pára.
- Vamos lá. Coloque as duas mãozinhas pra frente. Vai, vai, vai, vai.
Ela obedece, com medo.
- Pra cima e pra baixo, é assim que se faz.
A mulher segue as ordens.
- Pode quebrar o pescocinho pro lado. Vai, vai, vai, vaaaaai.
Sem entender muito bem, ela acata.
- Faz carinha de quem tá gostando demais. Carinha de quem tá gostando demais.
- Fazer o quê?
- Carinha de quem tá gostando demais, porra.
- E como é isso?
Ele mostra, colocando entre os dentes o dedo mínimos da mão direita, enquanto sorri com lascívia.
- Ah, entendi.
- Agora você vai repetir tudo isso.
- Tá.
Ele tira um cavaquinho de trás de uma lata de lixo próxima e puxa um sambinha. Manda ela dançar.
Passam a noite inteira. Ele tocando. Ela sambando.
Se divertem tanto que marcam outra sessão pra semana seguinte.