Arquivos de Junho, 2004

Seis e mais…*

Retirado do Onipresente Ausente.
Pegue seu Winamp, Media Player ou o que quer que você use para tocar música no seu computador. Selecione a reprodução aleatória de TODAS as músicas da biblioteca.

1 - Seatbelts - Digging my potato
2 - Muse - Plug in baby
3 - NOFX - Vincent
4 - J:/Drive - A world awaits Chrono
5 - NewOrder - Regret
6 - E.S. Posthumus - Pompeii

…e mais seis:

7 - Seatbelts - Go go cactus man (guitar version)
8 - L’Arc~en~Ciel - Singin’ in the rain
9 - Loser Manos - À palo seco
10 - Chico Buarque - Deus lhe pague
11 - Dave Matthews Band - Space between (acústico)
12 - The Smiths - The more you ignore me

* Antes que você venha dizer “Pedro, seu beócio, você esqueceu o acento no ‘e’ ali no título”, eu já adianto logo: beócio é você. O título completo seria “Seis e mais seis”. Animal.

TCR - Terapia de Controle da Raiva

Vamos a um diarinho raivoso, daqueles antigos, do tipo que se via no velho buteco e no começo desta enfadonha página pessoal, antes de eu concluir que falar de mim mesmo não é válido e começar a partir para outros assuntos, que rendiam muito, muito menos pano pra manga.

Não fosse pelo ótimo fim-de-semana que passei, tenho certeza que todo esse sangue fluindo rápido pelos meus braços e pernas, o estômago frio e os dentes cerrados seriam motivo mais do que suficiente para eu sair socando tudo o que me surgisse diante dos olhos, até esfolar as mãos e não agüentar agredir mais nada fisicamente. A partir daí seria a vez das ofensas verbais contra todo mundo que me dissesse oi ou respirasse a menos de cinco metros de onde eu estou.

Mas os dois últimos dias foram realmente muito bons, e cada vez que me surge o ímpeto de ser agressivo contra algo, quer mova-se ou não, quer seja um organismo vivo ou uma parede inocente, minha namorada me vem mente e, em anexo, minha promessa de nunca mais - e nunca mais quer dizer nunca mais mesmo, daqui pro resto da minha vida - socar coisas feito um boxeador em frenesi pra extravasar a raiva. O difícil é saber como lidar com a adrenalina na corrente sangüínea e com a pouca oxigenação do cérebro enquanto meus góbulos vermelhos se reúnem nas artérias, esquecendo-se de que meu cérebro, nessas horas, precisa muito mais de ajuda do que meus músculos. Me sinto tão pouco inteligente quando fico assim que chego a precisar do corretor ortográfico do word na hora de escrever, pois me foge mente a grafia correta de algumas palavras. Estou aqui me perguntando, por exemplo, se sangüíneo tem ou não um acento agudo no i. Felizmente esse tipo de preocupação fugaz serve para distrair minha atenção de coisas mais imediatas, como as mãos tremendo e as sobrancelhas crispadas.

Os pensamentos tornam-se, a partir do momento em que algum gatilho faz disparar a raiva, um amontoado de motivos pra não sentir o que eu estou sentindo, e geralmente não funcionam, dado o tempo que eu levo pra me acalmar. Dias. Embora dentro de algumas horas eu pareça estar tranqüilo novamente, até conseguir olhar para a razão do meu acesso de fúria e não sentir um frio na barriga são necessários alguns dias de pensamentos vingativos e repetições ininterruptas de mantras, tais como “não vale a pena socar outro ser humano”, “agredir quem te irritou não vai resolver o problema”, “a Paula não vai ficar feliz em saber que você fez isso, então só vai te trazer mais dor-de-cabeça”. Coisas assim.

Eu admito que iria jogar videogame, não fosse o fato de estar nervoso me fazer pressionar o direcional e os botões do controle com tanta força que já quebrei mais de um joystick tentando usar playstations, mega drives, super nintendos, master systens e outros consoles como forma de terapia.

A solução é ler alguma coisa - geralmente revistas em quadrinhos com muita violência em excesso, e minha opção atual tem sido as edições de Blade: A Lâmina do Imortal - e ouvir música no último volume - no momento são três: Thumper - Times of distortion, Protricity - Brainsick Metal e Chikusho Sound Team - Airbased. Remixes de músicas de jogos de videogame. A primeira de Chrono Trigger, as duas outras de Mega Man X. Todas bem pauleiras, barulhentas até o osso, incômodas a não mais poder.

Porque quando eu fico nervoso passo a encher o saco de todo mundo da casa, na esperança de que alguém reclame. Assim posso arranjar uma briga e ter um motivo pra ir em cima de alguém.

Eu sei, não é uma atitude racional.
Mas quem disse que eu estou raciocinando agora?

Castigo merecido

Desde que escrevi o post abaixo não consigo tirar aquela música do Molejo da cabeça.

Alguns dos que leram também devem estar passando por esse tormento. E me pergunto se estou sendo castigado por causar tal sofrimento aos pobres cinco leitores dessa página.

Se for castigo, é injusto.

Porque aquele é um sambinha bacana.

Quem samba com Molejo samba diferente, viu?

Dançando conforme a musica

- Fica quietinha e não vai te acontecer nada, tia.
- Hã?

A mulher, que caminhava distraída, de início não entende a ordem do garoto que, surgido do nada, a acompanha, até ver que ele carrega uma arma. Seu sangue gela.

- Mandei ficar quietinha e não vai te acontecer nada.
- Tá, tá, tudo bem.
- Caminha comigo.

Eles seguem pela rua escura até um beco. Ele a manda entrar.

- Agora cê vai fazer tudo o que eu mandar.
- Olha, eu tenho dinheiro, tenho um celular, eu…
- Bah. Isso aí eu também tenho. Quero não.
- O que você quer?
- Primeiro, que você cale a boca. Agora solta essa bolsa aí no chão. E o celular também.

Ela obedece, já temendo o que pode acontecer ali naquele local deserto e escuro e imaginando o que fazer para impedir o pior.

- Agora obedeça cada comando meu.
- Tá, tá, tudo bem, só não me machuca, por favor, não faça nad…
- CALABOCA.
- …
- Agora preste bem atenção.
- … - ela chora.
- PÁRA DE CHORAR!
- … - ela pára.
- Vamos lá. Coloque as duas mãozinhas pra frente. Vai, vai, vai, vai.

Ela obedece, com medo.

- Pra cima e pra baixo, é assim que se faz.

A mulher segue as ordens.

- Pode quebrar o pescocinho pro lado. Vai, vai, vai, vaaaaai.

Sem entender muito bem, ela acata.

- Faz carinha de quem tá gostando demais. Carinha de quem tá gostando demais.
- Fazer o quê?
- Carinha de quem tá gostando demais, porra.
- E como é isso?

Ele mostra, colocando entre os dentes o dedo mínimos da mão direita, enquanto sorri com lascívia.

- Ah, entendi.
- Agora você vai repetir tudo isso.
- Tá.

Ele tira um cavaquinho de trás de uma lata de lixo próxima e puxa um sambinha. Manda ela dançar.

Passam a noite inteira. Ele tocando. Ela sambando.
Se divertem tanto que marcam outra sessão pra semana seguinte.