Arquivos de Julho, 2004

CARALHO! QUE MERDA!

Seguinte: quando você tá ouvindo uma rádio online e começa a tocar o tema de Platoon, tocado pelo Homeworld, você tem a OBRIGAÇÃO MORAL de passar o link adian…

Esquece o que eu tava escrevendo. Depois de 30 segundos a música virou um remix.

ISSO É SACRILÉGIO, CARALHO!

Hobby

Minha namorada tem uma amiga que vive em Belém, a Dy. Em dezembro último ela veio a Brasília e trouxe, de presente pra Paula, um… hm… cara, não sei como definir aquele negócio. Parece um quebra-cabeça. São umas placas de madeira com pecinhas destacáveis e um papel que numera todas, de 1 a infinito. O que você tem a fazer é destacar as peças e montar de acordo com o papel. Encaixe 1 com encaixe 1, encaixe 2 com encaixe 2, assim por diante.

Parece difícil? Impressão sua. Quero dizer, claro que depende do objeto a ser montado. Em dezembro, por exemplo, a Paula ganhou uma miniatura do Cutty Sark. E não é que o barco seja difícil de montar, o problema dele é que são MUITAS peças (essa miniatura tinha 4 placas) e algumas vinham defeituosas, ou seja, não se encaixavam como deveriam, o que exigia que eu mantivesse por perto uma lixa e uma faca, pra poder “moldá-las” com a forma necessária.

Ok, foi foda montar aquele barco. Mas eu consequi, é isso que conta. Enfim. Gostei tanto do exercício que a Paula pediu à Dy que trouxesse outras miniaturas. Ela trouxe duas: uma da Torre Eiffel e uma de uma aranha. São meus novos vícios, por isso essa demora em escrever por aqui.

Estou pensando em fazer um curso qualquer de modelismo. Sério, acho que tenho mão pra coisa. Só preciso aprender algumas técnicas bacanas de pintura e pronto. Poderei montar coisas como isso aqui.

Tá, eu sei que não é pra tanto, mas me deixa ter esperanças, porra.
Alimente meus sonhos e quem sabe se um dia, daqui a muitos anos, eu não monte alguma coisa em sua homenagem e te venda por um preço bacana?

Heim? Presente? Ah, amigão, tá querendo demais da vida, né não?

Perguntas imbecis, respostas cretinas

Passou, no telejornal local do meio-dia, uma matéria sobre a instalação do sistema de esgoto em um bairro pobre de Brasília. Na verdade, uma invasão, um negócio totalmente irregular, mas que o nosso querido (cof, cof, cof…) governador faz questão de manter como curral eleitoral.

Enfim. Estão (depois de 5 anos) instalando o encanamento de esgoto no lugar. E a repórter que cobria a matéria, como a maioria dos jornalistas, não prima pela inteligência. Foi perguntar a algumas pessoas O QUE ELAS ACHAVAM DA INSTALAÇÃO DO SISTEMA DE ESGOTO!

- O que você acha da instalação do sistema de esgotos?

Uma pergunta dessas merecia umas respostas cretinas.

- Ah, eu sou contra. Esses caras vão cortar o meu barato. É que eu tenho um problema nasal sério, só sinto alguns tipos de cheiros, e esgoto é um deles. Então era um prazer sair de casa, respirar fundo e sentir o odor da merda boiando pela rua a céu aberto. Se acabarem com isso, minha vida será um vácuo olfativo. Vou te contar, minha filha, o governo parece que me persegue, acaba com todos os meus prazeres, é uma tristeza.

- Eu acho que é só mais uma ferramenta do SISTEMA pra controlar o povo, tá sabendo? Isso aí, ó, é a típica atitudezinha IMPERIALISTA desses cretinos safados escravos do FMI, tá ligada? Essa que é a verdade, tá sabendo? Eu tenho PROVAS de que é pelo sistema de esgotos que o GRANDE IRMÃO - assim mesmo, em negrito, tá sabendo? - MONITORA as vidas da população, tá ligada? Os ratos, tá sabendo, os ratos que caminham pelo sistema de esgoto? Então, eles tão tudo CHIPADO! É, chipado, manja, chip de computador? Pode crer, tão tudo CHIPADO pra ficar DE OLHO na população! Já viu rato em casa de rico? Não tem, né? Mas em casa de pobre é cheio, pode ver, é cheio de rato, tô te dizendo. Essas doença que eles passam… vixi… tudo conspiração, ó, pra manter o povo NA LINHA! É por isso - É POR ISSO - que eu convoco a juventude SOCIALISTA ANARQUISTA PUNK ROQUEIRA A SE UNIR PRA MANDAR TOMAR NO C… [corta]

- Heim? Vão instalar sistema de esgoto aqui? Sério? Achei que esses canos enormes jogados e esses buracos cavados pela rua de terra batida fossem só pra gente cair e quebrar a perna e pros sem-teto terem onde se abrigar e pros ratos poderem criar suas tocas com mais facilidade e pras crianças terem onde brincar com água parada pra ter mais verminoses do que já tem. Mas é só pra instalar o sistema de esgoto, né? Puxa, que bacana.

Poetas (ruins) que não me fazem falta

Neruda nasceu há 100 anos (e alguns dias). Morreu há 30.

E eu não sinto um pingo de falta do sujeito. Sinceramente.

Ana Carolina está “calada” (leia-se: não ouço aquelas músicas ruins e sem rima dela) desde o fim de celebridade. E juro que também não sinto a menor falta da sucedânea de Zélia Duncan.

Espero que ambos continuem quietos e longe dos meus olhos e ouvidos.

O mundo será um lugar mais feliz para mim, seguindo essas duas regras simples.

Republicação - Perguntar não ofende

Thiagão é um dos leitores mais legais disso aqui. Lê há muito tempo (desde que começou, acho), nunca falou merda, nunca me encheu o saco, nunca se meteu na minha vida. Nos poucos contatos que tivemos, foi um sujeito bem bacana.

Como li no blog dele que andava com saudade desse texto, aí vai um repeteco.

Bicotas, guri.

- Sabe, Letícia, eu fico impressionado como algumas pessoas reagem a perguntas.
- Impressionado por quê?
- Porque elas agem como se tivessem sido ofendidas, sabe? Quero dizer, ninguém deve se ofender por causa de uma pergunta.
- É verdade.
- Dúvidas são naturais do ser humano. Se alguém te fez uma pergunta é só porque considerou uma possibilidade. Concorda?
- Concordo.
- Pois então. É melhor uma pessoa considerar uma possibilidade e te perguntar algo do que partir de um preconceito e simplesmente inferir uma coisa a seu respeito, que pode muito bem não ser verdade. Você não acha?
- Tem toda razão.
- Pô, quando uma pessoa te faz uma pergunta está apenas dando vazão a uma necessidade de saber mais sobre você. Né não?
- Boto fé.
- E se ela quer saber mais sobre você provavelmente é porque te acha interessante e julga que te conhecer melhor é importante. Isso é altamente lisonjeiro. Tô certo ou tô errado?
- Certíssimo.
- E perguntar não ofende. Também tem isso.
- É, tem isso.
- Se uma pessoa te fez uma pergunta é porque confia em você e acredita que você será honesto e não faltará com a verdade na hora de responder. Tenho ou não razão?
- Toda.
- Ou você perguntaria algo a uma pessoa mentirosa? Num caso desses não é melhor tirar suas próprias conclusões?
- Com certeza.
- O fato de alguém ter uma dúvida a seu respeito não significa, necessariamente, que já concluiu algo sobre você. Se fosse uma conclusão não haveria necessidade de pergunta. Né?
- Só é.
- Você é uma pessoa inteligente, Letícia.
- Obrigada.
- Você cospe ou engole?
- Eu… hã… quê?
- Você cospe ou engole?
- Ah… eu… o… COMO É QUE É?
- Tô só fazendo uma pergunta, pô.
- VAI TOMAR NO CU!
- Ih, não precisa se ofender. Foi só uma perguntinha.
- Canalha.
- Cê fez cara de quem engole e tá com vergonha de dizer.
- ARGH!
- Já que você não respondeu, eu vou tirar minhas próprias conclusões…

Perfeição

É um consenso: perfeição não existe. Muito pelo contrário, já que o caos é imperativo no universo e rege o funcionamento (ou não) do todo. Por acreditar nisso, dá pra você ter uma idéia do quanto me emputece ver pessoas exaltando a suposta “perfeição” do ser humano na hora de “provar” a existência de deus, né? E não estamos falando de perfeição de caráter, de pensamento, de ideologia, de comportamento, nada disso. Costumam elogiar a perfeição do nosso organismo. A sobreposição de sistemas interdependentes que forma nosso maquinário.

Dizer que o corpo humano é a máquina perfeita é a mesma coisa que falar que o Windows é o sistema operacional supremo: merda das grandes. Afinal de contas, nossa engrenagem “sem defeitos” têm uma lista infinita de “bugs” que não precisam de qualquer agente causador pra terem início: diabetes, glaucoma, vários tipos de câncer, leucemia, úlcera, asma, hérnias, incontáveis síndromes, etc, etc, etc. Adicionando-se a esses os problemas causados por efeitos externos - como bactérias e vírus -, e considerando ainda todos os problemas mentais possíveis, dá pra fazer inúmeras versões de O Pulso.

Agora me diz: o que há de perfeito em um mecanismo todo bichado que não pode sequer ser reiniciado? Pois é, eu também não sei.

Pessoas falando de religião não-raro só dizem merda.