Archive for Agosto, 2004

Agosto - Mês do cachorro louco

Fere meu ceticismo ceder a superstições, assim como vai contra minha lógica racional usar de títulos baseados puramente em coincidências (que existem SIM, antes que algum fanático por Destino e Consciência Cósmica venha me encher o saco com explicações baseadas em pseudo-ciências que não explicam coisa alguma). Mas não vejo outra maneira de classificar o mês que se passou. Nunca situações desagradáveis sucederam à minha volta com tal freqüência e intensidade. A semana passada, em especial, foi uma seqüência de desgraças.Na terça-feira, a mãe da minha namorada tropeçou e quebrou o pé. Dona Lourdes é enfermeira. Trabalha em dois hospitais e ainda faz faculdade. Saía de um plantão e ia para outro, quando tropeçou na rua e quebrou o pé. Por culpa do cansaço, acredito.

Na quarta, cerca de 11 da noite, meu pai saía da casa da mulher com quem trabalha. Um moleque de rua o abordou pelas costas, com um canivete. Pediu carteira, celular e dinheiro. Sorte que o velho é um sujeito tranqüilo e nada ruim aconteceu. Os documentos foram recuperados depois, os cartões foram todos bloqueados, o celular já era - mas ele já comprou outro - e o dinheiro era pouco - 21 reais, apenas.

Na quinta, o golpe maior: minha bisavó, há quase duas semanas na UTI, morreu. Vovó era velhinha, então era compreensível que desse uma saída pra descansar qualquer hora dessas. Mas sinto falta dela, de todo modo. Passei a tarde toda no velório, acompanhei o sepultamento e depois fui para a casa da minha vó.

Na sexta morreu o pai de um grande amigo, também já velhinho, por problemas respiratórios.

Hoje é dia 31 e espero que a meia-noite chegue antes que essa data também se torne traumática…

Suporte técnico!

É absurda a falta de caráter das grandes empresas. Cercam-se se artimanhas e supostas “promoções”, tudo para passar a perna no público. Não procuram cativar, e sim tomar o máximo de dinheiro possível dos clientes.

Minha madrasta comprou uma multifuncional HP PSC 1315 aqui para casa. Uma beleza, mas com um probleminha: precisa de porta USB para funcionar e meu computador, um Pentium III 600 mhz, não veio com esse maldito buraco. Todos os técnicos que consultamos mostraram o mesmo espanto:

- Ué… um PIII sem USB? Quando você comprou isso? Em 2001? Quem foi o maluco que te vendeu esse negócio? Porta USB é padrão, todo computador tem que ter.

Fomos reclamar com o idiota que nos vendeu o aparato. O sujeito se prontificou a instalar a placa com a USB. Até aí, tudo em paz. Dor de cabeça, mas sem qualquer custo financeiro, o que já é vantagem. O computador voltou hoje, instalei a máquina e me preparava para ligar a impressora quando percebi que os dois cabos que vieram com ela - e que eu presumia ser um para a fonte e um para a CPU - na verdade são só para a fonte. DOIS cabos só pra ligar essa porcaria na tomada.

Entrei na internet, essa maravilha da civilização moderna, fui à página da HP e acessei o suporte técnico.

Thais: Boa tarde, bem-vindo ao site da HP. Em que posso ajudar?

Pedro Nunes: Boa tarde, Thais. É o seguinte: minha família comprou uma multifuncional HP, modelo PSC 1315, mas na hora de instalar eu dei pela falta do cabo USB para ligá-la ao computador. O componente veio faltando ou ele não vem junto com a impressora e precisa ser adquirido separadamente?

Thais:: Boa tarde Sr Pedro. Informo-lhe que o equipamento não acompanha o cabo USB, o mesmo é vendido separadamenete.

Pedro Nunes: Ah, tá. Então, até que eu adquira o cabo USB, minha multifuncional não é nada além de um peso de papel muito bacana.

Pedro Nunes: Deixa eu ver se eu adivinho: a hp também vende cabos USB?

Thais: Não Sr Pedro.

Thais: Esse cabo pode ser adquirido em qualquer loja de informatrica.

Pedro Nunes: Que bom. Fico feliz em ver que a HP se esforça para manter a economia rodando, em vez de proporcionar maior conforto aos seus clientes. Então vou lá comprar o cabo de outra empresa, porque dar lucro pra vocês duas vezes não rola. Obrigado, Thais. Boa tarde e não fique ressentida. Sei que não é você a responsável pela pilantragem da empresa, mas faça o favor de repassar aos seus superiores a minha reclamação, ok? Obrigado.

É cada uma…

Eu não queria dizer isso, mas… eu avisei

Há um ano…

…e um dia, pra ser mais preciso, eu escrevi um post tirando um sarro merecido com todos os pouco-inteligentes que embarcaram naquela de Flashmob. Heim? Nem lembrava mais disso, né? Eu imaginei. E foi justamente o que eu disse: que era uma modinha relâmpago, que todo mundo ia entrar naquela porra e que um ano depois ninguém mais ia se lembrar.

Fui xingado, sacaneado, me tornei motivo de piada. Um rockeiro (!) punk (!!) bissexual (!!!) e histérico, que ficou injuriado a ponto de fazer comentários me ofendendo. Alguns dias depois a menina deu um jeito de fazer um trote com amigos meus. Enfim, a mona deu um xilique. Ficou furiosa porque eu falei mal de flashmobs, veja só, que audácia da filombeta. Tinha que ser um rockeiro viado…

Enfim. Um ano depois, não se ouve mais falar em flashmobs. Os estadunidenses pararam, a gente parou também. Afinal de contas, se o mestre não mandar…

¡Ay, caramba!

De tempos em tempos meu nedstat cumpre sua única função neste blog: indicar bons blogs com link para cá (ou não). O último ao qual fui apresentado é o ¡Ay, caramba!, do Flávio e sua garrafinha térmica (que vem com uma lancheira dos Ursinhos Carinhosos!).

O rapaz é um artista da fotografia. Vá ver o mundo pela lente da câmera dele.

Seu animal!

- Aquele cego pra quem eu li aquela prova do concurso do Banco do Brasil é totalmente contra esse negócio de cão-guia.
- Sério? Por quê?
- Porque é crueldade com o cachorro, você o força a viver em função de você.
- Oras. O cachorro não faz mais que a obrigação dele. Esses animais estúpidos abaixo da gente na escala evolutiva tem mais é que se dobrar às nossas vontades e seguir nossos desígnios.
- … (cara de desprezo)-=-=-=-=-=-
- Tem um homem que passa aqui na rua com uma carroça direto. Eu tenho um ódio dele!
- Ué, vó. Por quê?
- Ele fica chicoteando o cavalo sem parar. O bichinho tá carregando ele, ganhando o pão dele e ele ainda fica maltratando o animal.
- Tá certo ele, pro cavalo saber quem é que manda. Estamos no topo da escala evolutiva, o que nos dá o direito de submeter qualquer animal aos nossos desígnios, e eles têm mais é que obedecer.
- … (cara de desprezo)

Eu vou anotar essa frase pra usar sempre que me der vontade de irritar alguém. É impressionante como as pessoas se enfurecem quando você diz isso. Experimente.

Didjêis Olímpicos

De todos os esportes olímpicos, são poucos os que eu tenho paciência suficiente para assistir. Vôlei de praia é um deles. E não é pelas as mulheres pulando de biquíni, pois é fato notório que corpo atlético e corpo bonito são coisas diametralmente opostas.

O bacana do vôlei de praia, na verdade, é o clima de festa em torno do evento. Nada da austeridade das lutas, da rixa velada dos esportes de quadra, do ar aristocrático do hipismo, da vela, do tiro e do arco, do classicismo arcaico do atletismo, nada disso. É um esporte esculachado por natureza, largadão, bem coisa de churrasco de domingo à tarde mesmo. E isso apenas se confirma pela platéia de bermudão e camisa regata, tomando um sol enquanto assiste o jogo, pelas dançarinas que invadem a quadra nos intervalos e pela música tocada ao fundo por algum didjêi.

Didjêizinho miserável, vou te contar.

O cara não toca UMA música completa. UMA que seja. E o pior não é isso: é que em todo jogo que eu assisto ele toca um trecho minúsculo de uma música. Só uma frase, que eu acabei decorando:

“She said goodbye too many times before”

Entrei no google assim que pude, procurei pelo trecho e encontrei: a música se chama This love e é de responsabilidade de um(a) tal Maroon 5. Baixei a MP3 pra me livrar dessa praga repetindo-se tal e qual o refrão de Anna Júlia nos fundos da minha cabeça. Pois ainda não consegui parar de ouvir.

Porque a música é bacana. Isso é que mata…