Monthly Archive for October, 2004

Resolução n.º 35073/194, de 29 de Outubro de 2004

- Andei pensando…
- Mentiroso.
- Não me interrompa. Andei pensando e acho que só vou escrever diálogos a partir de hoje.
- Diálogos?
- É. Sabe, quando pessoas estão conversando? Então. Diálogos.
- Por quê?
- Sei lá… acho que a dinâmica do meu texto é melhor quando ele é feito inteiramente de diálogos.
- Hum…
- Daí acho que só vou usar esse tipo de texto agora.
- Dinâmica?
- Diálogo.
- Não. Cê disse que a “dinâmica” é melhor?
- Foi.
- Como assim? Que dinâmica?
- Acho que as ironias ficam mais fáceis de fazer, por exemplo. Que o teor fica mais didático.
- Ironias fáceis? Teor didático? Cê tá querendo escrever o quê? Um blog ou uma cartilha?
- Um blog.
- Eu não gosto dos teus diálogos. Acho meio fracos.
- Ô novidade! Cê acha tudo o que eu escrevo fraco.
- Mas eu acho os diálogos mais fracos do que os textos fracos.
- Impressionante como você é incapaz de me fazer um elogio.
- Só sou sincero, desculpe.
- No dia em que você me elogiar, juro que vou pra praça de alimentação do shopping mais movimentado da cidade com uma daquelas calças sadomasô em que as nádegas ficam de fora.
- Se você me der sua palavra de que vai cumprir esse juramento eu te elogio AGORA, pego minha câmera e te levo pro shopping.
- Mas precisamos passar numa loja de artigos sexuais antes pra eu comprar a tal calça.
- Pode ser providenciado.
- Feito!

Bebamos ao morto!

Impressionante.

O cara morreu não tem nem 24 horas e só no Terra já podem ser encontrados mais de 20 (!!!) links diferentes tratando do mesmo assunto: Serginho do São Caetano.

A imprensa brasileira é foda. Nêgo mordisca um assunto e não larga até que os espectadores fiquem exaustos de ler, ouvir e ver a respeito. Depois de um ou dois meses ininterruptos de todos os jornais batendo na mesma tecla, o assunto cai em um limbo jornalístico e não é mais comentado. Se tanto, surge em uma notinha de 40 toques em qualquer oitava página do terceiro caderno de um jornalzinho mequetrefe.

Foi assim, por exemplo, com o Pedrinho. Alguém se lembra do Pedrinho? Aquele que foi “subtraído” (adoro esse eufemismo) do hospital ainda bebê por uma tal de Vilma qualquer coisa? O que houve com o moleque? Tá morando onde? O que houve com a tal Vilma? Tá presa? Morreu? Tá solta?

Pouca gente sabe o que aconteceu com o caso porque o assunto saiu de moda.

E nesse país as coisas funcionam assim: tá na moda, todo mundo sabe, todo mundo conhece, todo mundo usa. Saiu de moda, ninguém mais fala a respeito. Se você toca no assunto “Iiiih, isso é notícia velha”.

Povinho de memória curta.
Gentinha influenciável.
Jornalistas de merda!

Comentários comentados*

Uma pessoa muito versada nas artes de babar o ovo ao mesmo tempo em que os esmaga fez um comentário tão belo no último post que me sinto na obrigação de reproduzi-lo e adicionar alguns pontos que, em seu ímpeto de fúria, o infeliz esqueceu de ressaltar. Vamos lá:

“Sobre o post de baixo.”

Apesar de toda a inteligência que o cibercrítico demonstrou, parece que não notou ainda que os postes têm uma caixa de comentário correspondente. Se queria falar do poste abaixo, que comentasse na caixa do poste abaixo, oras. Óbvio que com uma inteligência tão superior ele não precisa se prender a esses detalhezinhos mundanos que regem a vida de pobres mortais como eu.

“Cara, vc escreve bem pra caralho e embora finja que nao acha isso, tu bem sabe que muita gente le seu blog com certa assiduidade.”

Notem: essa é a parte em que ele baba meus ovos e tenta catapultar meu ego só para chutá-lo bem nos joelhos algumas linhas abaixo. Se fosse algum amigo meu ou um conhecido que eu tenho garantias de ser uma pessoa sincera, juro que ficaria me sentindo tremendamente mal depois do que ele escreveu a seguir.

“Mas eu to de saco cheio de vc ficar esculhambando o mundo como se fosse um rockstar pau no cu que manda a plateia se fuder e todo mundo acha o maximo.”

(Ele diz isso porque eu ainda não comecei a quebrar guitarras aqui no blog)

Mas não é nenhum amigo meu. Nunca li um comentário dessa figura.
Então foda-se.

Eu diria pro cara nunca mais ler meu blog, mas ele vai chegar a essa brilhante conclusão sozinho. Não há nada melhor do que uma pessoa que se enfurece contigo e conclui, por si mesma, o que deve fazer pra que isso nunca mais ocorra. Acredite: me poupou um tempo precioso. =)

“Ja sei ate o que vc vai pensar: Vai se fuder! Nunca mandei esse babaca ler o que eu escrevo aqui!!!”

Biduzão.

“Larga de ser hipocrita Seu Ranzinza…”

Dois pontos a ressaltar nessa parte:

1. Seu Ranzinza. Leia de novo: Seu Ranzinza. Porra, o desconhecido, não bastasse me chamar de Ranzinza com letra MAIÚSCULA no começo, ainda usa um termo de tratamento que denota respeito. Fodão! Isso, sim, foi MASSA.

2. Hipocrisia. S. f. 1. Afetação duma virtude, dum sentimento louvável que não se tem. 2. Impostura, fingimento, simulação, falsidade. 3. Falsa devoção.

Essa é a descrição que o tio Aurélio dá pra hipocrisia, já que classifica hipócrita como “que tem, ou em que há hipocrisia”. Não entendi, até esse ponto, o que meu novo Guru tinha classificado como hipócrita na minha atitude de dizer que não faço – e não faço MESMO, ressalto aqui – a menor questão de fazer amizade com qualquer leitor desta bagaça. Mas ele meio que se explica, embora mal e mal, na seqüência:

“se vc nao se importasse de verdade, nao teria blog e muito menos esse sistema de comentarios.”

Peraí! O cara tá me chamando de hipócrita porque eu tenho um blog com sistema de comentários mas me dou o direito de desprezar 90% do que é escrito ali na chácara do satanás?

Alguém aí viu um pop-up de “comentem por favor”, um pedido do tipo oculto em algum post, viu um outdoor do utopia enquanto voltava pra casa com uma foto minha dando jóinha acompanhada dos dizeres “leiam meus escritos e sejam meus amiguinhos” ou recebeu um SPAM da minha parte intitulado “AJUDE, POR FAVOR”, cujo texto de teor meloso contava a história de um menininho candango magricelo com uma doença grave que precisa de visitas em sua página, pois recebe R$ 0,05 a cada uma delas, dinheiro crucial para pagar pelo tratamento dessa doença horrorosa que ele tem que é a de escrever na internet?

Não?
Imaginei.

Isso implica em dizer o seguinte:

Quem visita esta porra faz isso porque QUER. Eu não pedi.
Quem comenta nesta merda faz isso porque QUER. Eu não pedi.
Eu sou ácido pra caralho desde sempre e nunca disse que faria o contrário.

Então estou totalmente de acordo com minha política, não havendo, da minha parte, qualquer hipocrisia.

“Leio seu Blog porque gosto de ler um texto bem escrito”

Novamente utilizando-se da prática de lamber os ovos e depois mordê-los. Essa foi a lambida…

“mesmo que falando um monte de merda”

Essa foi a mordida. Diz que eu escrevo pra caralho, que eu sou foda, que eu sou um gênio, que eu sou praticamente um Paulo Coelho cibernético, e depois que eu só digo asneiras, que eu não tenho uma idéia que preste, que eu sou um cabeça de vento, que eu sou praticamente um Paulo Coelho cibernético.

“Porem, eu to cansado de vc.”

MEU DEUS! POR FAVOR, DIGA QUE NÃO É VERDADE!
OH, COMO VOU DORMIR ESSA NOITE? O QUE FAREI DAQUI POR DIANTE? ACHO QUE SEREI IMPOTENTE PRO RESTO DA VIDA!

Ei, já viram o sapinho?

“Muita gente deve se cansar de vc.”

Eu não conheço tanta gente assim.

“Pq vc se acha superiorzinho o suficiente pra so ver os defeitos dos outros.”

Alguém me viu ressaltando o defeito de alguém em particular aqui? Não?
É porque eu sou muito tolerante com os defeitos dos outros. Mas só de quem eu conheço e gosto.

Quem eu não conheço – e se o cara leu direitinho o poste intitulado Política de Privacidade, já deve saber – pode ir se lascar.

“Vc se diz um chato cheio de defeitos so pra se sentir mais a vontade pra se sentir impaciente com os outros.”

Ih, calma lá! Foi muito dinâmico! Deixa eu desenrolar o raciocínio: então eu falo mal de MIM pra me sentir melhor COMIGO MESMO e então não ter paciência com OS OUTROS? Que tipo de lógica é essa? Se eu me achasse tão superior, já me sentiria muito bem comigo mesmo só por existir e ia falar mal dos outros enquanto enumerasse minhas centenas de milhares de qualidades.

Na verdade eu me digo um chato cheio de defeitos porque eu sou chato e cheio de defeitos. Assim como todo mundo. É foda admitir, mas eu também sou humano. (Droga!)

(Aliás, eu só não falo bem de mim mesmo porque minha insuperável modéstia me impede de falar das minhas qualidades admiráveis.)

“Provavelmente vc nao deve estar interessado em nada disso que eu escrevi aqui”

Meu deus, será um vidente? Como foi que ele adivinhou?
Deve ser um discípulo de Omar Cardoso.

Mas na verdade eu me interessei pelo que ele escreveu, sim. Não por tudo, claro. Mais por essa parte aqui, ó:

“mas e so pra te avisar que eu me cansei de visitar essa merda morbida. Essa e minha ultima visita. Boa sorte e foda-se!!!”

Amém! Oxalá! Namastê! Paz e luz!

Que nunca mais volte, que me dê sossego eterno.
Embora eu duvide. Já ouvi esse papinho de “nunca mais volto aqui” mais de uma vez. Regra geral: sempre voltam.

* Título descaradamente copiado do Hoje é um bundinha

Esquizofrenia

- Cê pega mulher pra caralho, né?
- Claro que não. Olha pra mim! Vê se eu sou o tipão que pega mulher aos borbotões?
- Ah, manda a real. Essa conversinha de “sua opinião que se foda”, esse ar de “tô cagando pro que você pensa” e teus textos de “toma aqui a verdade na tua cara e vê se agüenta o tranco” são só pra deixar a mulherada atrás de você.
- Deixa eu ver se entendi: na sua cabeça, então, não há nada mais irresistível do que uma pessoa que não só discorda de tudo como faz questão de deixar isso bem claro? É isso? Ser chato é o tipo de coisa que atiça os seus hormônios?
- Mas você não é chato.
- A descrição que você fez soou bem chata, pra mim.
- Ah, cê entendeu. E não muda de assunto. O fato é que você é um pegador.
- É, eu sou um pegador, sim. Ô! É só eu adentrar um recinto e a mulherada de imediato entra em polvorosa. Os olhares percorrem meu corpo, ardendo com lascívia. As bocas sussurram meu nome, as faces enrubescem, as mentes ficam vazias, retornam para seu estado primitivo e tudo o que as fêmeas passam a desejar, a partir de então, é o contato carnal puro e simples com o macho alfa aqui. Algumas choram, outras, ignorando a presença de estranhos, não conseguem conter o desejo que escorre delas qual pororoca do amazonas e levam as mãos às suas fontes personalizadas de prazer. O objetivo de todo ser vivo com dois cromossomos X num raio de 20 metros é sentir dentro de si a presença inenarrável deste que vos fala. Pode crer.
- …
- …
- Além de tudo é um poeta, veja só.
- Você perdeu completamente o contato com a realidade, na boa.

Política de Privacidade

Não gosto de pessoas, e não é de hoje. Não sou um misantropo, um eremita, um anti-social, nada disso. Detesto inclusive quem carrega no peito esse tipo de título, diga-se de passagem.

O fato é que eu não tenho muita paciência com as pessoas e suas características. Nem com as minhas esquisitices eu sou tolerante, por que diabos seria diferente com as alheias? Minha posição de isolamento não é por antipatia. Passo longe de ser um cara antipático, a despeito do que possa pensar e dizer a grande maioria dos leitores e ex-leitores desse blog. O que me move é pura chatice. Eu SEI tratar bem as pessoas, quando não me sinto tentado a agir em contrário, ou não teria por aí tanta gente achando que é meu amigo. Mas saber tratar bem quem vem falar comigo não significa que eu queira fazê-lo, e é aí que reside toda a questão. Não quero tratar ninguém bem pela internet ultimamente.

Ando cansado de gente cibernética, inclusive dos meus supostos “amigos” (com direito a aspas e teor cínico). Entretanto, por influência da Consciência Cósmica Universal ou qualquer baboseira dessas, é exatamente nessas fases – quando não quero ver pessoas nem pintadas de ouro – que me aparece um monte de gente que eu não conheço querendo falar comigo sabe-se lá o quê. Por isso a necessidade de escrever isso aqui para todos os poucos que ainda lêem essa página:

Não faz diferença quem você é, quão interessante você se acha ou o que você tenha a dizer. Eu não me interesso em saber, não me diz respeito e eu quero mais é que você vá se lascar. Parafraseando o saudoso Double: “Não vim aqui pra fazer amigos”. De “amigos” de internet eu já tô cheio. Preciso é me livrar de alguns, a bem da verdade.

Espero que a mensagem tenha ficado suficientemente clara.

Mundo dos machos

Mantendo a política misógina do último post, brindá-los-ei (ah, as mesóclises, que garbosas, que elegantes) com uma música do Falcão que vem entretendo meus últimos dias.

A mulher que eu arranjei é uma mala
Não vale nada, eu não quero mais amá-la

Eu não sei qual o meu crime
Ou se é queima de karma
Mas eu muito já sofri
Nas unhas dessa infeliz
Dessa desclassificada

Essa mulher desgraçada
Só me dá raiva e gastura
É a cruz no meu caminho
É o que há de mais fino
Em matéria de grossura

A mulher que eu arranjei é uma mala
Não vale nada, eu não quero mais amá-la

Ela é sem compostura
Como se fosse um político
É ruim que nem topada
É pior do que pancada
Na região dos testículos

Viver com essa “pustema”
Só eu mesmo é que agüento
Pra mim é grande castigo
E o que ela faz comigo
Não se faz nem com jumento!

A mulher que eu arranjei é uma mala
Não vale nada, eu não quero mais amá-la

Ela xinga e me aporrinha
Me irrita, me deixa mudo
Não sabe que a liberdade
É um pássaro voando
Com gaiola e tudo

Mas eu não penso em vingança
Porque isso é muito feio
Mas, porém, não existe nada
Como um dia atrás do outro
Com uma noite no meio

A mulher que eu arranjei é uma mala
Não vale nada, eu não quero mais amá-la