Arquivos de Outubro, 2004

O próximo!

Aí, dá uma flagrada. Se liga naquela barra ali em cima. Não tá dando pra ver? Vá pro topo do blog. Aperta a tecla HOME aí do seu teclado, se estiver com preguiça de levar a mão até o mouse.

Foi lá? Então. Perceba que aquela barra tem um botão no canto direito onde se lê “next blog”. Quando você clica naquela porcaria, abre um outro blog que não tem porra nenhuma a ver com o que você está lendo no momento. Você pode ir de uma página com idéias relativamente bem embasadas, como esta, para uma cheia de pensamentos vazios e desarticulados, escrita provavelmente por um wiccan.

Por isso, fique longe daquele botão.

Leitores de outros blogs estão usando aquela porcaria, o que enlouquece o meu nedstat. O pobre infeliz já registrou visitas daqui, daqui, daqui, daqui, daqui e daqui.

Essas marmotas do blogger inventam cada besteira de vez em quando…

Borboletas no sótão

Na época do pseudônimo, tinha saudade do meu nome. Tive, porém, paciência suficiente para me manter quieto sob a nova alcunha. Esperei o tempo necessário para que, quando voltasse, ainda tivesse meu sossego.

Agora estou aqui. Tenho o nome, tenho sossego, tenho o layout que gosto, digito da maneira que quero. Mas sinto saudade do pseudônimo.

Em outra época, não pensaria duas vezes: escreveria duas páginas. Hoje, porém, mal consigo escrever uma, por pura incapacidade (já que falta de tempo é um problema bem mais fácil de resolver).

Argh!
Isso é excesso de tempo livre. Preciso ocupar minha cabeça com alguma coisa. Vou estudar.

Os diálogos mais fodões de todos os tempos

Pearl (Lucy Liu): Eu tenho alguns minutos livre.
Porter (Mel Gibson): Vá cozinhar um ovo.

O Troco.

Olhaê o Corrê-i-ô!

Sai na capa do jornal de hoje: na pista do Park Way - uma área nobre, porém isolada, aqui de Brasília - um ônibus caiu sobre um gol, matando a motorista de imediato e ferindo mais 27 pessoas. Passageiros do ônibus, logicamente.Meu primeiro pensamento, considerando o fato de não haver sequer UM viaduto ou quaisquer construção semelhante na pista do Park Way é: Caralho! De onde caiu essa porra? De uma árvore?

Fico sabendo, lendo a desgra… a notícia, que durante a chuva de ontem, devido a uma aquaplanagem (palavra bacana, essa) na pista, o ônibus perdeu a compostu… a direção, atravessou o canteiro (derrubando um poste de luz no processo, para dar uma idéia da baixa velocidade a que o veículo devia estar) e foi tombar na pista que vai em sentido contrário. Em cima do gol, que não tinha nada a ver com o assunto. Graças a deus não está chovendo ônibus por aí, ou eu ia ser obrigado a reforçar meu guarda-chuva.

Ha… ha… ah. Piada estúpida. Enfim.

Havia, no ônibus, uma mulher chamada ARLEIDE. Veja só se isso lá é nome de gente? O pai deve se chamar Arlindo e a mãe alguma coisa que termine com eide. Rosineide, Juriscleide, Marineide, vai saber. Pior ainda: a tal Arleide tem uma irmã chamada ARLEILA! Sobreviveram, as duas. Não bastasse terem esses nomes, ainda sofrem um acidente de ônibus. Isso, sim, é uma merda de vida.

O mais surpreendente foi que um motorista que vinha pouco atrás do tal Gol esmagado NOTOU o ônibus agindo de maneira meio esquisita na pista contrária e começou a frear imediatamente. Era um Santana com 4 tripulantes (por que ninguém usa o termo ‘tripulação’ na hora de falar dos passageiros de um automóvel?). O carro chegou a bater no baú tombado, mas ninguém se machucou.

Isso, sim, é um motorista atencioso, olha aí, veja você.

Quem quiser pode ler a matéria completa aqui. Prestem especial atenção aos sobrenomes dos colaboradores: Filgueira, Fróes, Jabur e Librelon. Onde o Correio encontra essas pessoas, afinal?

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No caderno C, onde fica a sessão de quadrinhos (única coisa que eu leio diariamente, já que publicam tirinhas do Henfil), bato o olho numa crítica musical do Thiago Faria. Thiagão é ex-blogueiro e ex-leitor do Utopia (acho). Gente boníssima. Nessa coluna, escreveu sobre o novo álbum da Björk. Heh. Certo.

Na crítica ele usa, para classificar a trajetória musical da islandesa, adjetivos como “intimista”, “ultrapessoal”, “minimalista”, “experimental”, “cerebral”, “ousada”, “agonizante” e “tensa”, entre outros. Qualquer um com 3 pontos de Q.I. funcionais sabe que a existência de apenas UM desses termos, em linguagem de crítico de jornal, significa que o CD, o filme, o livro, a exposição ou qualquer que seja a manifestação artística abordada é chata. A junção de todos eles em apenas um texto quer dizer que, além da chatice, a obra em questão é dotada de um teor proto-intelectual capaz de levar às náuseas até mesmo o mais empertigado leitor do caderno Pensar.

Em outras palavras: fiquem longe de Björk. Faz mal para o cérebro.

E para o estômago, para os cabelos, para os dentes, para as unhas e para a pele, caso você seja daquelas pessoas que classifica o bem-estar da massa encefálica como item de segunda necessidade.

Na rua dos bobos, n.º 0

Meu pai caminha pela casa, após tomar banho, dando gritinhos:
- Agüinha é tão bom. Ai, agüinha é ótimo.

Velho viado.

Depois, após flagrar meu irmão vendo um programa de fofoca na TV, muda o discurso:
- Viva o Leão Lobo, viva o Leão Lobo. O Leão Lobo é o máximo. Viva o Leão Lobo.

É uma bichona incurável, não tem jeito.

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Eu vejo TV no quarto com a patroa. Zapeando, coloco na MTV. Está começando aquele Meninas Veneno (argh!), com a Marina Person (ARGH!). Solto um impropério e mudo de canal:

- E aí, galera? Tá começando mais um Meninas Vene…
- Ah, Person, vai tomar no cu!

A Paula me olha com cara de “que porra foi essa, moleque?”. Eu tento me explicar.

- Ah, não gosto dessa tia. Mulher antipática do caralho.
- Falou o Sr. Simpatia.
- Mas eu nunca disse que sou simpático. Muito pelo contrário.
- Então vai tomar no cu!

Impossível discutir com essa guria.

Sobre o que se sabe (e o que se pensava saber)

Aprendizado é um processo natural da vida. E longe das filosofias que acreditam no ser humano como o umbigo - cheio de pêlos de cobertor - do universo, é parte da vida de qualquer ser vivo. Gamo que não aprende a pular mais longe fica pra almoçar com as leoas.

Pessoas inteligentes aprendem por observação. Não precisam passar pela situação para descobrir qual das encruzilhadas do caminho conduziu para a beira do abismo, só ficam de butuca nos outros peregrinos e, pelas quedas deles, aprendem.

Pessoas normais caem, percebem qual foi a burrada e tocam a seguir o caminho. Ali na frente caem de novo, mas dessa vez em outro buraco, em outra situação, por outros motivos. E assim vão acumulando cicatrizes e conhecimento. Depois de um tempo, já conseguem prever as quedas. Aprenderam, afinal.

Pessoas burras não aprendem de jeito nenhum. Caem, quebram a bacia, ficam um tempo de molho, levantam e pulam do mesmo lugar. Por conseqüência, fraturam a bacia de novo (e um fêmur, porque desgraças só tendem a aumentar). Saem praguejando contra a queda, contra a gravidade, contra o filho da puta que colocou o buraco naquele maldito lugar estratégico. A culpa é de todo mundo, menos da anta que se jogou duas vezes contra o chão. Pessoas inteligentes geralmente ficam de olho nessas cavalgaduras, porque sabem que 50 metros à frente elas vão pular no próximo buraco que encontrarem. E é divertido ver essas coisas (ei, quem disse que inteligência e sadismo são características incompatíveis?).

Eu aprendi com meus trancos e barrancos, afinal. Não com as pessoas com quem convivi em dois anos de blog, nem com os erros de outros sujeitos que escreviam (ou escrevem) páginas pessoais. Aprendi sozinho, como é da minha natureza. Observando minhas burradas e analisando os pontos falhos. As pessoas, em geral, não têm nada a me ensinar. Não porque eu seja mais inteligente que elas, de forma alguma, mas pelo simples fato que não tenho por ninguém consideração suficiente para aceitar alguma lição.

Sim, menosprezo meus semelhantes. E você com isso? Vá conversar com um psicólogo, se está atrás de alguém que encha sua bola.

O fato é que aprendi, como dizia. E o que aprendi é muito, muito simples: não se escreve um blog quando se está triste. Ou com raiva. Ou feliz demais. Blogs demandam isolamento sentimental.

Só escrevo no utopia quando me sinto psicologicamente equilibrado para tal tarefa. Porque longe de mim dar pano para manga e criar, outra vez, a situação da qual tanto tive que me esforçar para fugir meses atrás. Centenas de leitores, centenas de chatos, centenas de pessoas sem inteligência dizendo centenas de asneiras aqui diariamente.

Não. Sentimentos tendem a criar relações de identificação. E identificação gera leitores.

E leitor - perdoem-me, leitores, pela sinceridade escancarada - só diz merda.

O negócio é expor idéias. E nem com isso ando muito feliz, porque dia desses parei pra reler algumas coisas antigas, que eu tenho guardadas em CD. Reli textos e mais textos.

Meu deus, que quantidade absurda de coisas dispensáveis. O que eu fiz durante esses dois anos, afinal? Se morrer amanhã, é aquilo que vai ficar como resultado da minha existência. Todas as asneiras, todas as cretinices, todas as idiotices, todas as burrices, ices, ices, ices, ices que parei para escrever durante dois anos de blog. E não há nada que preste, nada de que me orgulhe ou que reescreveria hoje, se pudesse, se nunca tivesse escrito antes e o pensamento me ocorresse. Só asneiras.

Me achava tão melhor do que aquilo… Me pergunto se meus textos pioraram ou se eu melhorei. Ou se meus textos melhoraram e eu piorei, vai saber.

Procuro pensar que melhorei, na verdade, e que tudo o que sair dos meus dedos, daqui por diante, será muito melhor do que tudo o que já escrevi antes. E é esse pensamento, o incessante recitar desse mantra, que me permite continuar, letra por letra, essa oração, essa linha, esse parágrafo, esse texto.

Porque ando me sentindo burro, ultimamente. A impressão que tenho é que estou me jogando do mesmo buraco e quebrando continuamente um pedaço a cada vez que, sentado diante do branco infinito, resolvo desenhar a minha idéia com frases.

Estou com vergonha, admito.
Daí meu sumiço.