Aprendizado é um processo natural da vida. E longe das filosofias que acreditam no ser humano como o umbigo - cheio de pêlos de cobertor - do universo, é parte da vida de qualquer ser vivo. Gamo que não aprende a pular mais longe fica pra almoçar com as leoas.
Pessoas inteligentes aprendem por observação. Não precisam passar pela situação para descobrir qual das encruzilhadas do caminho conduziu para a beira do abismo, só ficam de butuca nos outros peregrinos e, pelas quedas deles, aprendem.
Pessoas normais caem, percebem qual foi a burrada e tocam a seguir o caminho. Ali na frente caem de novo, mas dessa vez em outro buraco, em outra situação, por outros motivos. E assim vão acumulando cicatrizes e conhecimento. Depois de um tempo, já conseguem prever as quedas. Aprenderam, afinal.
Pessoas burras não aprendem de jeito nenhum. Caem, quebram a bacia, ficam um tempo de molho, levantam e pulam do mesmo lugar. Por conseqüência, fraturam a bacia de novo (e um fêmur, porque desgraças só tendem a aumentar). Saem praguejando contra a queda, contra a gravidade, contra o filho da puta que colocou o buraco naquele maldito lugar estratégico. A culpa é de todo mundo, menos da anta que se jogou duas vezes contra o chão. Pessoas inteligentes geralmente ficam de olho nessas cavalgaduras, porque sabem que 50 metros à frente elas vão pular no próximo buraco que encontrarem. E é divertido ver essas coisas (ei, quem disse que inteligência e sadismo são caracterÃsticas incompatÃveis?).
Eu aprendi com meus trancos e barrancos, afinal. Não com as pessoas com quem convivi em dois anos de blog, nem com os erros de outros sujeitos que escreviam (ou escrevem) páginas pessoais. Aprendi sozinho, como é da minha natureza. Observando minhas burradas e analisando os pontos falhos. As pessoas, em geral, não têm nada a me ensinar. Não porque eu seja mais inteligente que elas, de forma alguma, mas pelo simples fato que não tenho por ninguém consideração suficiente para aceitar alguma lição.
Sim, menosprezo meus semelhantes. E você com isso? Vá conversar com um psicólogo, se está atrás de alguém que encha sua bola.
O fato é que aprendi, como dizia. E o que aprendi é muito, muito simples: não se escreve um blog quando se está triste. Ou com raiva. Ou feliz demais. Blogs demandam isolamento sentimental.
Só escrevo no utopia quando me sinto psicologicamente equilibrado para tal tarefa. Porque longe de mim dar pano para manga e criar, outra vez, a situação da qual tanto tive que me esforçar para fugir meses atrás. Centenas de leitores, centenas de chatos, centenas de pessoas sem inteligência dizendo centenas de asneiras aqui diariamente.
Não. Sentimentos tendem a criar relações de identificação. E identificação gera leitores.
E leitor - perdoem-me, leitores, pela sinceridade escancarada - só diz merda.
O negócio é expor idéias. E nem com isso ando muito feliz, porque dia desses parei pra reler algumas coisas antigas, que eu tenho guardadas em CD. Reli textos e mais textos.
Meu deus, que quantidade absurda de coisas dispensáveis. O que eu fiz durante esses dois anos, afinal? Se morrer amanhã, é aquilo que vai ficar como resultado da minha existência. Todas as asneiras, todas as cretinices, todas as idiotices, todas as burrices, ices, ices, ices, ices que parei para escrever durante dois anos de blog. E não há nada que preste, nada de que me orgulhe ou que reescreveria hoje, se pudesse, se nunca tivesse escrito antes e o pensamento me ocorresse. Só asneiras.
Me achava tão melhor do que aquilo… Me pergunto se meus textos pioraram ou se eu melhorei. Ou se meus textos melhoraram e eu piorei, vai saber.
Procuro pensar que melhorei, na verdade, e que tudo o que sair dos meus dedos, daqui por diante, será muito melhor do que tudo o que já escrevi antes. E é esse pensamento, o incessante recitar desse mantra, que me permite continuar, letra por letra, essa oração, essa linha, esse parágrafo, esse texto.
Porque ando me sentindo burro, ultimamente. A impressão que tenho é que estou me jogando do mesmo buraco e quebrando continuamente um pedaço a cada vez que, sentado diante do branco infinito, resolvo desenhar a minha idéia com frases.
Estou com vergonha, admito.
Daà meu sumiço.