Arquivos mensais para November, 2004Page 2 of 2

Vindicated

Hope dangles on a string
Like slow spinning redemption
Winding in and winding out
The shine of it has caught my eye
And roped me in
So mesmerizing, and so hypnotizing
I am captivated,
I am…

Vindicated
I am selfish
I am wrong
I am right
I swear I’m right
Swear I knew it all along
And I am flawed
But I am cleaning up so well
I am seeing in me now the things you swore you saw yourself

So clear
Like the diamond in your ring
Cut to mirror your intention
Oversized and overwhelmed
The shine of which has caught my eye
And rendered me so isolated, so motivated
I am certain now that I am…

Vindicated
I am selfish
I am wrong
I am right
I swear I’m right
Swear I knew it all along
And I am flawed
But I am cleaning up so well
I am seeing in me now the things you swore you saw yourself

So turn
Up the corners of your lips
Part them and feel my finger tips
Trace the moment, fall forever
Defense is paper thin
Just one touch and I’d be in
Too deep now to ever swim against the current
So let me slip away
So let me slip against the current
So let me slip away

Vindicated
I am selfish
I am wrong
I am right
I swear I’m right
Swear I knew it all along
And I am flawed
But I am cleaning up so well
I am seeing in me now the things you swore you saw yourself

Like hope
Dangles on a string
Like slow spinning redemption…

(Dashboard Confessional)

Há um ano (e seis meses…) e com algumas modificações leves

Historieta Curtita VI

As mãos nos bolsos mostravam o ar despreocupado do sujeito caminhando às duas e meia da manhã. A cabeça baixa e o olhar singrando o concreto rachado da calçada deixavam claro que sua mente viajava por planos de realidade particulares, alheios àquele que o rodeava. No discman, oculto num bolso do casaco, um cd tocava algo cujo nome ele não conhecia. Nem era sua aquela coletânea. Tinha pêgo por engano na casa de um amigo. E agora ouvia. Conhecia aquela voz roufenha de algum lugar. Na verdade, estava viciado naquela música, mesmo sem saber o que era. Achava-a boa e a mantivera tocando no repeat nas últimas horas. Seus caminhar, no compasso tranqüilo da bateria, ecoava pela rua vazia. Dobrou uma esquina, desceu uma escadaria e passou por baixo de uma marquise, enquanto assobiava e, por vezes, cantarolava alto, parecendo ignorar o adiantado da hora e o fato da música só estar em seus ouvidos:

“Come on try a little
Nothing is forever
There’s got to be something better than
In the middle…”

Uma sombra se moveu rápida atrás dele, que virou imediatamente, por instinto. Deu com um cano escuro apontado para o rosto. Na outra extremidade, um sujeito de gorro e casaco disse algo que ele não ouviu, graças aos fones. Ergueu as mãos com cautela, avisando que iria tirar o aparelho do ouvido, e pôde escutar:

- Passa o walkman, mano. Dá esse tênis aí, passa o relógio, a carteira e o casaco. Anda, maluco, anda. Não olha pra mim, filha da puta. Anda logo.

Tentava baixar a cabeça mas não conseguia. Os olhos vermelhos e a língua enrolada do ladrão traíam seu estado. Definitivamente não estava em condições normais de temperatura e pressão. Um gato se moveu num beco ao lado, derrubando algumas latinhas de alumínio e fazendo um barulho não tão alto, mas que soou como as trombetas do apocalipse devido ao silêncio do horário e à tensão da situação.

Pensou que fosse morrer. Mas o marginal olhou pro lado, assustado. Com certeza seus sentidos afetados transformaram aquele som em alguma coisa muito maior do que era de fato. Ele aproveitou a deixa e colocou em prática todos os anos de treino em taekwondo. Puxou a mão que segurava a arma e chutou o rosto do assaltante com tanta força que sentiu alguma coisa ceder, provavelmente uma vértebra. O ladrão caiu com uma respiração chiada, arquejou alguma coisa e fechou os olhos. Parecia morto.

Ele recolocou os fones. Abaixou-se, revistou os bolsos. Encontrou dois relógios, um punhado de notas de dez e um cordão de ouro. Pegou a arma também. Guardou tudo consigo e continou andando. Pensou nos seus merecidos cem anos de perdão. Recolocou os fones para ouvir sua parte favorita da música. Assobiou e apertou o passo, enquanto cantava.

“I’m so alone, and I feel just like somebody else
Man, I ain’t changed, but I know I ain’t the same
But somewhere here in between the city walls of dyin’ dreams
I think your death, it must be killin’ me…”