Dia desses (acho que foi há umas duas semanas) estava vendo uma pegadinha no Domingo Legal.
Não, não tinha nada de bom passando nem nos canais a cabo. Programação de TV no fim de semana é reconhecidamente uma das coisas mais desagradáveis do mundo. Num TOP 5, fica ali entre pedra nos rins e vendedores da Herbalife. Uma desgraça, realmente.
Enfim. A pegadinha consistia no seguinte: um cara estava na praia vendo o tempo passar (um paulista na costa paulista, como parece evidente se considerarmos o programa do qual estamos falando) e era abordado por uma mulher. Que não era uma mulher qualquer. Não era uma fêmea mundana como essas que vemos no trabalho, no trânsito ou andando pela rua. Era uma legÃtima Gostosa de Propaganda de Cerveja.
Apenas a presença de tal espécime em local tão simplório já seria suficiente para qualquer cara com o mÃnimo de inteligência perceber que aquela situação não podia ser real.
Os caras não percebiam, claro. Paulistas legÃtimos.
De todo modo, a Gostosa de Propaganda de Cerveja abordava os feinhos e já chegava mandando bronca. Elogiava o sujeito com frases como “nossa, como você é bonito” (mentiras deslavadas, devo dizer). Nesse momento, enquanto o fino tecido da realidade se contorcia ao meu redor e o universo ameaçava sumir sob as avassaladoras forças da Entropia e do Caos, o zé ninguém na TV secretamente controlava o Ãmpeto de se ajoelhar e gritar para os céus todas as preces conhecidas de agradecimento pela graça alcançada ao mesmo tempo em que começava a jogar seu charme (???) em cima da mulher, crente que ia conseguir dar-lhe uns cato.
Só que não se tratava de uma mulher qualquer, eu já disse, mas é sempre bom ressaltar: era uma Gostosa de Propaganda de Cerveja.
Por que eu bato tanto em cima dessa tecla? Por um motivo muito simples: era uma GOSTOSA DE PROPAGANDA DE CERVEJA. Agora pare e pense: quantas mulheres que você conheceu mereciam esse tÃtulo? Quantas delas você pegou?
E vocês, mulheres, pensem no representante masculino desse seleto nicho biológico: quantos sujeitos vocês conhecem são dignos de receber o tÃtulo Bonitão de Comercial do Prestobarba? Quantos deles vocês já pegaram?
Considerando que os leitores desta página, assim como eu, são pessoas normais (i.e. não são exemplos de beleza, embora também não o sejam de feiúra), a resposta a essas perguntas é muito simples: zero.
Ou seja, é um FATO: Gostosas de Propaganda de Cerveja e Bonitões de Comercial do Prestobarba NÃO são seres normais, não se relacionam com pessoas normais, não vão a lugares normais. Vivem em uma esfera de realidade diferente da nossa, estão submetidos a outras leis fÃsicas e variáveis atômicas.
São semideuses, é isso que são.
E eu vou te dizer: é mais fácil você acordar de madrugada pra ir ao banheiro e no caminho topar com um legÃtimo Dodô das Ilhas MaurÃcio comendo uma alface roubada da sua geladeira do que encontrar uma mulher ou homem desses. Se já é difÃcil encontrá-los, que dirá conseguir sua atenção. Essa é uma tarefa impossÃvel para seres humanos corriqueiros.
A menos que você seja uma Gostosa de Propaganda de Cerveja, um Bonitão de Comercial do Prestobarba não irá te tratar de outra maneira que não seja com condescendência (e vice-versa). Acostume-se a isso. Entidades superiores não têm razão para dar qualquer atenção a pobres complexos biológicos formados de carbono, como nós.
Essa minha postura com relação a pessoas cuja beleza transcende o patamar da normalidade já foi vista como falta de auto-estima ou, numa linguagem mais corriqueira, falta de confiança no meu “taco”. Não sofro de nenhum desses dois problemas, é bom ressaltar. Apenas sei qual o meu lugar no universo e não pretendo ir contra as leis responsáveis pela manutenção do Status Quo. Porque é exatamente isso que irá acontecer no dia em que um reles mortal ousar dar uma buzinada nos belos, túrgidos, firmes e perfeitos peitos de uma GPC: o fim da realidade como a conhecemos.
Tanto é verdade que a produção do programa do Gugu, apesar de flertar com os incomensuráveis riscos decorrentes de tal acontecimento, no último momento sabia que se manter naquela direção era perigoso demais e contornava a situação. A Gostosa de Propaganda de Cerveja acabava abandonando o feinho por um reprodutor mais adequado à sua casta e ia embora, deixando o humano normal a ver navios (literalmente, se considerarmos o local do acontecido).
Já me deparei - na internet, claro - com uma - suposta - representante da classe. E ela - supostamente - se agradou das minhas coisas.
Depois de muito refletir, concluà que:
a) Ela está mentindo quanto a ser quem diz ser, ou
b) Ela está mentindo quanto a estar interessada em mim
c) As duas alternativas estão corretas.
E deixei pra lá.
Compreendam: não quero ser o responsável pelo fim deste plano de existência.
