Archive for Maio, 2005

Contos à meia-noite

Descobri ontem um programa sensacional que, incrível!, é transmitido pela TV Nacional (conhecida como TV Cultura em São Paulo e sei lá que outras cidades do país): chama-se, como acusa o título do post, Contos à meia-noite.

Sei que não deveria, mas vou explicar do que se trata: à meia-noite (como parece óbvio) um ator lê um conto. Não posso dizer que todos os contos são bons, ou que a escolha dos atores é digna de nota, nem nada disso. Só assisti o programa uma vez, e foi às 00:00 de hoje, quando Antônio Abujamra (que não me agrada muito, na verdade, mas dessa vez se saiu muito bem) leu um conto intitulado “Uma vela para Dario“, do Dalton Trevisan.

Texto sensacional, preciso ressaltar.

Têm me surpreendido, esses dias, a quantidade de bons programas transmitidos pela TV Nacional (ou Cultura, o nome é o de menos). Eu costumava dizer que o canal era um porre (e é mesmo, a maior parte do tempo), com suas nuances “intelectuais” e suas dinâmicas “culturais”. Mas algumas coisas que tenho visto por lá (a saber: Re-corte Cultural, Zoom e, agora, Contos à meia-noite) estão me fazendo mudar de idéia, em termos. Deixei de achar a programação toda uma merda, agora apenas parte dela não presta. Uns 80%, digamos.

Os outros 20% merecem toda atenção.

O conto de hoje será narrado pela Beatriz Segall. Estarei atento diante da TV, quero ver se o quadro realmente presta ou se eu apenas tive sorte de pegar um episódio muito bom.

Os Incríveis

Conheceu uma guria pela internet. Resolveram se encontrar.
Ela tinha o queixo do Sr. Incrível.

Ele ficou invisível e foi embora rápido como uma flecha.

Mantendo a política

Seguinte: eu tava com uns 160 amigos no Orkut.
É gente demais. Não conheço tantas pessoas assim, também não tenho nem um quinto desse número de “amigos”.

Então limei uma galera da minha lista. Em especial os que estavam em status de “conhecido” ou “não conheço”, quero dizer, gente que eu conheço só da internet e, mesmo assim, BEM superficialmente (ou seja, com quem nunca conversei por mais de 5 minutos ou com quem nunca troquei mais de um ou dois e-mails por mera formalidade).

Se você foi deletado, não se ofenda. Não foi nada pessoal.
Afinal de contas, eu nem te conheço.

Há dois anos e três dias, com leves modificações…

FALA INSUPORTÁVEL:
Tá sumido.

RESPOSTAS POSSÍVEIS:
- Tava te evitando.
- Tô fugindo da polícia.
- Seus pais pararam de depositar grana na minha conta pra eu fingir que gosto de você, então eu resolvi que não ia mais te aturar.
- Te coloquei na invisible list só de sarro.
- Tava no Marrocos, fazendo uma operação de mudança de sexo.
- Cheguei conclusão que você é má influência pra mim.
- Fui raptado por extraterrestres e não consigo ficar muito tempo sentado por causa da sonda anal.

FALA INSUPORTÁVEL:
Novidades?

RESPOSTAS POSSÍVEIS:
- Finalmente assassinei meus pais e agora tô com a burra cheia de dinheiro por causa da herança. =)
- Tô viciado em heroína. =)
- Comecei a minha própria boca de fumo. =)
- Tô montando um exército rebelde socialista pra seqüestrar todas as lojas do McDonalds e fugir pra Cuba. =)
- Armei um assalto a banco, deu certo e agora eu tô pensando em seguir carreira. =)
- Descobri que eu caí do espaço numa nave vinda de um planeta extinto e tenho o poder de soltar arrotos supersônicos. Passei a lutar contra o crime e sou patrocinado pela Coca-cola. =)
- Minha irmã perdeu um antebraço num acidente e agora o apelido dela é “punhetinha”. =)

FALA INSUPORTÁVEL:
O que você tá fazendo?

RESPOSTAS POSSÍVEIS:
- Tentando convencer sua mãe a não gritar enquanto marco meu nome a ferro quente na bunda dela, mas tá difícil.
- Invadindo o site da microsoft e trocando a foto do perfil do Bill Gates pelo vídeo da Paris Hilton pagando um boquete. Peraí que cê tá me desconcentrando!
- Baixando vídeos de travestis trepando com cachorros. Quero fazer um documentário a respeito.
- Comprando armamento pesado de um site na Argélia, pra começar a criar meu próprio grupo paramilitar.
- Coisas mais interessantes do que te dar atenção, como depilar os pêlos da bunda com um pedaço de fita isolante ou cortar as unhas do pé usando uma tesoura cega.
- Colocando você na ignore list por causa dessa pergunta imbecil.

Retornos e números

Dia desses me perguntaram se eu sabia o por que do número de visitantes do Utopia nunca ter voltado ao que era, mesmo depois de um ano do meu retorno. Eu respondi que nunca tinha parado pra pensar nisso. Esse foi meu erro.

A idéia esteve na minha cabeça esses dias todos. Porque, embora continue não dando importância ao fato, meu lado teórico foi evocado. Eu não resisto a análises que possam resultar em teorias, é mais forte do que eu.

É claro que não cheguei a nenhuma conclusão definitiva, pois pra isso teria que ir atrás dos desertores para fazer perguntas que considero invasivas, que poderiam até soar como cobranças. E não só me sentiria mal ao perguntá-las como - pior ainda - poderia parecer, aos ouvidos de gente que eu não quero ver nem pintada de ouro, que eu gostaria que voltassem.

E essa foi uma das minhas conclusões. Baseado na minha infinita fé na humanidade (porque, embora não pareça, eu ainda acredito que as pessoas têm um mínimo de bom-senso, lá no fundo, bem no fundo, enterrado sob centenas de toneladas de inconveniência e falta de inteligência, todo quebrado e morrendo sem ar, mas está lá), presumi que quem não era bem-vindo deu-se conta do fato e picou a mula.

Como 75% de quem lia isso aqui não era bem-vindo, o número de visitantes caiu nessa faixa. De 400 e porrada visitantes pra cento e poucos, quando muito.

Mas claro que isso aí é viagem da minha parte. Meu lado racional só me permitiria crer numa bobagem dessas se eu estivesse sedado, amarrado, amordaçado e trancado numa sala escura com isolamento acústico no topo de um edifício de 160 andares flutuando na borda da galáxia.

Leitores de blog mostrando bom-senso. Sei, sei.
Não na realidade como a conhecemos.

Talvez essa “decadência” (e explicarei depois porque uso o termo entre MUITAS aspas) tenha acontecido por pura desistência. Porra, convenhamos: eu passei 8 ou 9 meses escrevendo em outro blog, usando outro nome, tentando desenvolver outro “estilo” e me esforçando pra cortar pela raiz o tom agressivo dos meus textos (essa última parte foi em vão, infelizmente).

Enquanto isso, quem lia isso aqui deve ter concluído que eu não voltaria mais e desistiu.

Eu, pelo menos, teria desistido.

Quem não largou mão simplesmente parou de ler blogs, ou arranjou o que fazer, sei lá. Esse negócio de visitar páginas pessoais dá no saco, basta ver que poucas pessoas continuam indo ao mesmo blog por mais de um ano. Precisa ser uma página EXCEPCIONALMENTE boa pra manter leitores por uma temporada maior que essa.

Hoje em dia só consigo ler diariamente o JMC e o blog do Beirola. O primeiro porque tô comendo o autor, o segundo porque me faz cair da cadeira de tanto rir.

ABRE PARÊNTESES:
E é sério isso. Já ganhei um hematoma no cotovelo, porque fui cair da cadeira e tentei me segurar na bancada da sala do computador.

Mas ninguém tem nada a ver com a minha idiotice.
FECHA PARÊNTESES

Os outros ali na lista de links eu visito uma vez por semana, leio tudo o que foi publicado, acho muito foda, fico com inveja e pronto. Até semana que vem. O resto do meu tempo na net gasto conversando no MSN (quando tenho paciência e/ou a companhia é boa), jogando MU Online ou lendo tirinhas (farei um post sobre minhas preferidas qualquer dia).

Presumo que seja um processo normal. Você conhece blogs, acha do caralho, lê 58 deles todos os dias, comenta com os amigos, faz novos amigos… e com o tempo vão caindo na mesmice, as pessoas vão deixando de escrever ou ficando repetitivas, você vai deixando de ler por falta de tempo/paciência, perde o saco pra escrever… é assim com tudo na vida, acho.

Óbvio que há a chance (e essa é a teoria na qual eu apostaria minhas fichas, se as tivesse) de nêgo simplesmente ter ficado de saco cheio. “Ah, tománocu esse moleque, fica surtado e fecha o blog todo bimestre. Sifudê!”.

Teria sido a minha reação, se fosse um dos leitores.

Também pode ser porque eu parei de pagar de intelectual pra comer as menininhas. Nunca se sabe…

Mas o que eu REALMENTE gosto de pensar é que um monte de gente que não me agradava morreu atropelado atrapalhando o tráfego. Ou o sábado. Ou o público. Ou qualquer outra proparoxítona que você quiser usar.

Bom, de todo modo, o que quer que tenha acontecido veio muito a calhar. Eu costumava ter 20 comentários por post, sendo 19 totalmente dispensáveis e UM que tinha graça OU era inteligente (ou as duas coisas, mas isso muito, muito raro). Agora eu tenho, no máximo, 6 comentários por post, em média. Desses, 3 costumam ser asneiras (é algo que não dá pra fugir) e 3 são realmente válidos. Embora a QUANTIDADE seja menor, a QUALIDADE aumentou muito.

Além do mais, gosto da liberdade que ter poucos leitores me dá. Não abro os comentários já prevendo alguma imbecilidade, tampouco venho escrever armado com todas as pedras que consigo encontrar. Sento aqui, rabisco minhas besteiras e, por mais idiotas que pareçam, e por mais que sejam raros os textos, saio de alma lavada. Digo o que quero dizer, da maneira que melhor me convém, sem aquela antecipação dos problemas que eu tanto costumava sentir na época das “vacas gordas”. Daí meu desprezo pelo termo “decadência”. Acho que a decadência foi antes: esse é o melhor momento do utopia. E, se não for, pelo menos é o MEU melhor momento, e é isso que importa: eu me sentir bem.

Porque só quem teve 450 visitas diárias durante 3 meses, com direito a invasão da caixa de e-mails e a leitores que curtiam exercitar a babaquice na caixa de comentários, sabe o quanto as pessoas podem ser desagradáveis na internet, e como a inconveniência delas cresce em progressão geométrica se o número de visitantes for muito alto.

Gosto do número de visitas baixo, gosto da maioria das pessoas que vêm aqui, aprecio a maior parte dos comentários e até respondo alguns deles.

Um relacionamento saudável com quem cai no erro de ler meus escritos, eu diria. =)

Fuga das galinhas

Quando era moleque, eu nutria certos ímpetos sádicos que, felizmente, desapareceram com o tempo. Dentre as coisas que costumava fazer, eu eletrocutava gatos, aprisionava passarinhos, sacaneava cachorros inquietos e queimava ratos ainda vivos.

Era divertido.

Mas uma das minhas brincadeiras preferidas era levar um pacote de traques pra fazenda do meu avô. Você sabe, aquelas bombinhas fraquinhas, que não causam nenhum dano ao explodir, só fazem um barulho meio xarope. Eu adorava aquilo.

O que eu fazia era o seguinte: acendia o traque, jogava dentro do galinheiro e esperava estourar. As galinhas saíam em polvorosa, cada uma correndo pra um lado, batendo as asas, soltando penas, se esgoelando. A comoção das penosas conseguia ser mais engraçada que culto de descarrego da Igreja Universal.

Depois de alguns segundos nessa atitude “corram pelas suas vidas”, acho que elas percebiam que não havia nenhum perigo imediato, que aquele barulho todo não vinha das trombetas do apocalipse, que o céu não estava tomado por bolas de fogo, tampouco era dia da minha família se reunir (uma delas sempre morria nessas ocasiões, pra enfeitar nossa mesa do almoço).

Então voltavam s suas vidas costumeiras de galinhas.

Quando comecei a participar de uma lista de discussão de RPG, notei que os humanos também se comportam assim. Tudo o que a mídia tem que fazer é mostrar o RPG de maneira inadequada e pronto: os RPGistas se descontrolam. O último episódio se deu no Espírito Santo, com alguns assassinatos que, depois da prisão dos acusados, foram atribuídos ao RPG.

Pronto. começou a temporada da Gaiola das Loucas. Na lista de discussão, mensagens de “o que você pode fazer pelo RPG” estão sendo repassadas. Discute-se o “futuro” do jogo. Fizeram até um texto explicativo sobre o que é o RPG e quais os seus “benefícios”. Junto com essa “cartilha”, a mensagem dizia que o pessoal da lista deveria imprimir o texto e distribuir para os amigos de escola/faculdade/trabalho, repassar para os parentes, ler para os bichos de estimação da família, deixar cópias nas caixas de correios dos vizinhos, colar atrás das portas das cabines de todos os banheiros públicos nas redondezas e se certificar que qualquer outro ser humano num raio de 1200 km tomasse conhecimento daquilo.

Uma frescura que só vendo.

O meu erro, entretanto, foi presumir que apenas os RPGistas são assim, frescos, afetados e escandalosos. Blogueiros não são diferentes. É só um blog ser processado e pronto, está armado o circo. Uns levantam a voz e escrevem gigantescos textos defendendo “a liberdade de expressão”, outros contatam seus advogados, ainda há aqueles que publicam especificações legais e, claro, os Discípulos de Omar Cardoso vêm com teorias conspiratórias e previsões de fim da realidade como a conhecemos. A comoção dura alguns dias, s vezes semanas, eventualmente meses…

…e é impressionante que nunca acontece NADA!

A humanidade - não só os blogueiros, não só os RPGistas - é isso aí: galinhas ao som de traques. Somos todos uns cagões!