Dia desses me perguntaram se eu sabia o por que do número de visitantes do Utopia nunca ter voltado ao que era, mesmo depois de um ano do meu retorno. Eu respondi que nunca tinha parado pra pensar nisso. Esse foi meu erro.
A idéia esteve na minha cabeça esses dias todos. Porque, embora continue não dando importância ao fato, meu lado teórico foi evocado. Eu não resisto a análises que possam resultar em teorias, é mais forte do que eu.
É claro que não cheguei a nenhuma conclusão definitiva, pois pra isso teria que ir atrás dos desertores para fazer perguntas que considero invasivas, que poderiam até soar como cobranças. E não só me sentiria mal ao perguntá-las como – pior ainda – poderia parecer, aos ouvidos de gente que eu não quero ver nem pintada de ouro, que eu gostaria que voltassem.
E essa foi uma das minhas conclusões. Baseado na minha infinita fé na humanidade (porque, embora não pareça, eu ainda acredito que as pessoas têm um mínimo de bom-senso, lá no fundo, bem no fundo, enterrado sob centenas de toneladas de inconveniência e falta de inteligência, todo quebrado e morrendo sem ar, mas está lá), presumi que quem não era bem-vindo deu-se conta do fato e picou a mula.
Como 75% de quem lia isso aqui não era bem-vindo, o número de visitantes caiu nessa faixa. De 400 e porrada visitantes pra cento e poucos, quando muito.
Mas claro que isso aí é viagem da minha parte. Meu lado racional só me permitiria crer numa bobagem dessas se eu estivesse sedado, amarrado, amordaçado e trancado numa sala escura com isolamento acústico no topo de um edifício de 160 andares flutuando na borda da galáxia.
Leitores de blog mostrando bom-senso. Sei, sei.
Não na realidade como a conhecemos.
Talvez essa “decadência” (e explicarei depois porque uso o termo entre MUITAS aspas) tenha acontecido por pura desistência. Porra, convenhamos: eu passei 8 ou 9 meses escrevendo em outro blog, usando outro nome, tentando desenvolver outro “estilo” e me esforçando pra cortar pela raiz o tom agressivo dos meus textos (essa última parte foi em vão, infelizmente).
Enquanto isso, quem lia isso aqui deve ter concluído que eu não voltaria mais e desistiu.
Eu, pelo menos, teria desistido.
Quem não largou mão simplesmente parou de ler blogs, ou arranjou o que fazer, sei lá. Esse negócio de visitar páginas pessoais dá no saco, basta ver que poucas pessoas continuam indo ao mesmo blog por mais de um ano. Precisa ser uma página EXCEPCIONALMENTE boa pra manter leitores por uma temporada maior que essa.
Hoje em dia só consigo ler diariamente o JMC e o blog do Beirola. O primeiro porque tô comendo o autor, o segundo porque me faz cair da cadeira de tanto rir.
ABRE PARÊNTESES:
E é sério isso. Já ganhei um hematoma no cotovelo, porque fui cair da cadeira e tentei me segurar na bancada da sala do computador.
Mas ninguém tem nada a ver com a minha idiotice.
FECHA PARÊNTESES
Os outros ali na lista de links eu visito uma vez por semana, leio tudo o que foi publicado, acho muito foda, fico com inveja e pronto. Até semana que vem. O resto do meu tempo na net gasto conversando no MSN (quando tenho paciência e/ou a companhia é boa), jogando MU Online ou lendo tirinhas (farei um post sobre minhas preferidas qualquer dia).
Presumo que seja um processo normal. Você conhece blogs, acha do caralho, lê 58 deles todos os dias, comenta com os amigos, faz novos amigos… e com o tempo vão caindo na mesmice, as pessoas vão deixando de escrever ou ficando repetitivas, você vai deixando de ler por falta de tempo/paciência, perde o saco pra escrever… é assim com tudo na vida, acho.
Óbvio que há a chance (e essa é a teoria na qual eu apostaria minhas fichas, se as tivesse) de nêgo simplesmente ter ficado de saco cheio. “Ah, tománocu esse moleque, fica surtado e fecha o blog todo bimestre. Sifudê!”.
Teria sido a minha reação, se fosse um dos leitores.
Também pode ser porque eu parei de pagar de intelectual pra comer as menininhas. Nunca se sabe…
Mas o que eu REALMENTE gosto de pensar é que um monte de gente que não me agradava morreu atropelado atrapalhando o tráfego. Ou o sábado. Ou o público. Ou qualquer outra proparoxítona que você quiser usar.
Bom, de todo modo, o que quer que tenha acontecido veio muito a calhar. Eu costumava ter 20 comentários por post, sendo 19 totalmente dispensáveis e UM que tinha graça OU era inteligente (ou as duas coisas, mas isso muito, muito raro). Agora eu tenho, no máximo, 6 comentários por post, em média. Desses, 3 costumam ser asneiras (é algo que não dá pra fugir) e 3 são realmente válidos. Embora a QUANTIDADE seja menor, a QUALIDADE aumentou muito.
Além do mais, gosto da liberdade que ter poucos leitores me dá. Não abro os comentários já prevendo alguma imbecilidade, tampouco venho escrever armado com todas as pedras que consigo encontrar. Sento aqui, rabisco minhas besteiras e, por mais idiotas que pareçam, e por mais que sejam raros os textos, saio de alma lavada. Digo o que quero dizer, da maneira que melhor me convém, sem aquela antecipação dos problemas que eu tanto costumava sentir na época das “vacas gordas”. Daí meu desprezo pelo termo “decadência”. Acho que a decadência foi antes: esse é o melhor momento do utopia. E, se não for, pelo menos é o MEU melhor momento, e é isso que importa: eu me sentir bem.
Porque só quem teve 450 visitas diárias durante 3 meses, com direito a invasão da caixa de e-mails e a leitores que curtiam exercitar a babaquice na caixa de comentários, sabe o quanto as pessoas podem ser desagradáveis na internet, e como a inconveniência delas cresce em progressão geométrica se o número de visitantes for muito alto.
Gosto do número de visitas baixo, gosto da maioria das pessoas que vêm aqui, aprecio a maior parte dos comentários e até respondo alguns deles.
Um relacionamento saudável com quem cai no erro de ler meus escritos, eu diria. =)