O grande problema de América, esse folhetim ridículo que a globo tem exibido nos últimos meses, tá longe de ser o incentivo imigração ilegal. Sou plenamente a favor da imigração. Quem tá a fim de se aventurar na terra do Tio Sam tem todo o direito de fazê-lo! Afinal, existe vida mais legal do que ganhar um salário mínimo em dólares limpando privadas dos outros, amargando uma sub-vida de empregada doméstica? Ou catar os pedaços de sanduíche que os molequinhos anglo-saxões derrubam no chão e passar o dia inteiro batendo papo com um esfregão imundo, trabalhando de servente de fast-food? Que tal curtir um esquema mais narcisista e ficar o tempo todo vendo o próprio reflexo nos sapatos dos figurões das grandes empresas multinacionais, pagando de engraxate? Essa vida de emoções e aventuras não é pra qualquer um. Ou você acha que seria capaz de cruzar o deserto mojave rezando pra não levar um tiro dos guardas da fronteira? Conseguirias tu, ó pobre mortal, caminhar pelos becos de Los Angeles de madrugada com o cu travado de medo de esbarrar em uma meia dúzia de skinheads com sangue nos zóio? Passar meses, anos, quem sabe, numa terra que não te quer, cercado de um povo que te deprecia, com um emprego de merda, sem ter o carinho e o apreço dos seus?
Pois é. Quem quiser passar pela experiência, fique vontade.
Mas divago.
O grande problema, eu dizia, é o esquema dos rodeios. Aquilo que mata. Porque cria toda uma atenção da mídia em cima desses rituais sádicos de tortura. E da mesma maneira que cria milhares de peões-por-conveniência - quero dizer, gente que nunca foi a um rodeio, mas que internaliza a “cultura” (perdoem-me por usar essa palavra levianamente) country -, também cria uma outra frente, tão ignorante quanto, que é a dos “amantes de animais”.
Todas a ideologias baseadas em cretinice e ignorância aparentemente sofrem desse mal: nascem de alguns pedaços de asno, espalham-se graças a outros pedaços de asno e são imediatamente confrontadas por uma mentalidade IGUAL e contrária. O igual encontra-se em maiúsculas e negrito pra deixar bem claro que a idiotice está presente dos dois lados da moeda, apenas em sentidos opostos. E, na boa, se a falta de inteligência vai pra esquerda ou pra direita, pra cima ou pra baixo, pra cá ou pra acolá, não perde, por isso, seu caráter emburrecedor, ainda merecendo ser lapidada por aqueles que a identificam como tal.
De todo modo, eu falava dos amantes de animais. A primeira coisa que me vem mente quando encontro essas pessoas é uma frase muito boa que meu cunhado sempre diz. Transcrevo: “Odeio quem trata bicho como gente e gente como bicho”. Assino embaixo.
Esse papinho de “direito dos animais” tá indo cada vez mais longe, principalmente graças estupidez desenfreada de neo-vegetarianos e outros grupelhos “politicamente corretos” com tendências ideológicas tremendamente questionáveis. Daqui a pouco vão criar a Declaração Universal dos Direitos Humanos dos Quadrúpedes, Bípedes Emplumados, Primatas e Seres Vivos Em Geral e vamos ter que fazer um boletim de ocorrência toda vez que espalharmos veneno de rato pela casa ou passarmos uma pomada contra micose.
E não se ria, minha senhora, porque a coisa caminha exatamente nesse sentido.
Pô, tudo bem você ser contra casacos de peles e putarias semelhantes. Um pobre texugo infeliz nasce no meio do mato, consegue se alimentar e crescer a duras penas, sobreviver aos seus predadores e passar alguns anos sem ser atropelado nas centenas de auto-estradas que cruzam seu habitat, só pra um idiota com uma espingarda lhe estourar os miolos pra fazer um chapéu bonitinho pro filho.
Tomarnocu! Matar um animal que conseguiu sobreviver s péssimas sacadas irônicas da natureza é o cúmulo da falta de consciência. Quer um chapéu de texugo? Crie um. Sério. Arranje um filhote e crie o bicho até ele ter tamanho suficiente. Se, ainda assim, você tiver coragem de matá-lo pra fazer um quepe com rabicho, vá em frente. Pode meter bala, inocular algum veneno potente nas veias dele ou esmagar a cabeça com um porrete rombudo.
Só não maltrata, que aí é sacanagem.
Maltratar animais é o grande problema. Matá-los, não, desde que seja um processo rápido e rasteiro. Pá, pou. Já era, aquele abraço, nos vemos no outro lado, se é que existe e se é que outras espécies vão pra lá.
Se o animal é SEU, então é sua PROPRIEDADE. Você tem todo o direito de acordar um dia, pegar uma pistola e estourar a cabeça do seu cachorro. É seu cachorro, caralho. Você pagou por ele, alimentou, vacinou, pagou as contas do veterinário, etc, etc, etc.
- Ah, então, pela sua linha de pensamento, eu posso fazer o mesmo com um filho? Porque com uma criança é a mesma coisa: eu alimentei, vacinei, paguei colégio, médico, imimimi, imimimi.
NÃO, sua mula, porque um filho não é uma PROPRIEDADE.
É o resultado de uma irresponsabilidade, com o qual você está arcando.
Mas continuando: rodeios são shows de tortura, como falei lá em cima. O que eu sempre digo pra quem curte esse tipo de maluquice é o seguinte: “Vou amarrar uma tira de couro puxando seu saco até o umbigo, subir nas suas costas e furar sua barriga com esporas, vamos ver se você não pula”.
Não veria problema nenhum se um rodeio fosse mais simples. O touro de um lado da arena, o peão do outro. O bovino investe agressivamente. O humano saca uma espingarda e dá um tiro certeiro entre os olhos do animal, que cai morto instantaneamente. Todo mundo come churrasco. Fim.
Isso, sim, seria uma beleza. Nada de bichos sofrendo, nada de crueldade. Apenas humanos exercendo seu direito biológico de devorar outras criaturas.
Porque lei natural é isso aí.