Arquivos de Maio, 2005

Historieta Curtita XIII

Moveu-se rápido como um raio. Não, essa não é a melhor comparação. Moveu-se MAIS rápido que um raio, e sem deixar cair sequer um dos 8 civis inocentes que carregava nos braços. Suas asas batiam com força enquanto fazia um rasante pela avenida mais movimentada da cidade. Atrás dele, seu arquiinimigo disparava temíveis rajadas laser, enquanto, entre risadas maléficas, expunha seu complexo plano para contaminar o reservatório de água da cidade.

Mas os ataques não eram suficientes para atingi-lo, assim como o falatório não bastou para livrar o vilão da justiça.

Mais uma vez, ganhara do prefeito a chave da cidade. Voltava voando para o trabalho, pronto a reassumir sua identidade secreta, quando uma sirene soou.

Acordou chorando pela terceira vez na semana, num misto de tristeza e fúria com aquele rádio relógio que insistia em trazer-lhe ao mundo real. Chegando em casa depois do trabalho, queimou toda a coleção de quadrinhos.
Fez uma assinatura do jornal local.

Esses sonhos de super-heróis estavam tornando frustrante sua vida.

Segura, peão!

O grande problema de América, esse folhetim ridículo que a globo tem exibido nos últimos meses, tá longe de ser o incentivo imigração ilegal. Sou plenamente a favor da imigração. Quem tá a fim de se aventurar na terra do Tio Sam tem todo o direito de fazê-lo! Afinal, existe vida mais legal do que ganhar um salário mínimo em dólares limpando privadas dos outros, amargando uma sub-vida de empregada doméstica? Ou catar os pedaços de sanduíche que os molequinhos anglo-saxões derrubam no chão e passar o dia inteiro batendo papo com um esfregão imundo, trabalhando de servente de fast-food? Que tal curtir um esquema mais narcisista e ficar o tempo todo vendo o próprio reflexo nos sapatos dos figurões das grandes empresas multinacionais, pagando de engraxate? Essa vida de emoções e aventuras não é pra qualquer um. Ou você acha que seria capaz de cruzar o deserto mojave rezando pra não levar um tiro dos guardas da fronteira? Conseguirias tu, ó pobre mortal, caminhar pelos becos de Los Angeles de madrugada com o cu travado de medo de esbarrar em uma meia dúzia de skinheads com sangue nos zóio? Passar meses, anos, quem sabe, numa terra que não te quer, cercado de um povo que te deprecia, com um emprego de merda, sem ter o carinho e o apreço dos seus?

Pois é. Quem quiser passar pela experiência, fique vontade.
Mas divago.

O grande problema, eu dizia, é o esquema dos rodeios. Aquilo que mata. Porque cria toda uma atenção da mídia em cima desses rituais sádicos de tortura. E da mesma maneira que cria milhares de peões-por-conveniência - quero dizer, gente que nunca foi a um rodeio, mas que internaliza a “cultura” (perdoem-me por usar essa palavra levianamente) country -, também cria uma outra frente, tão ignorante quanto, que é a dos “amantes de animais”.

Todas a ideologias baseadas em cretinice e ignorância aparentemente sofrem desse mal: nascem de alguns pedaços de asno, espalham-se graças a outros pedaços de asno e são imediatamente confrontadas por uma mentalidade IGUAL e contrária. O igual encontra-se em maiúsculas e negrito pra deixar bem claro que a idiotice está presente dos dois lados da moeda, apenas em sentidos opostos. E, na boa, se a falta de inteligência vai pra esquerda ou pra direita, pra cima ou pra baixo, pra cá ou pra acolá, não perde, por isso, seu caráter emburrecedor, ainda merecendo ser lapidada por aqueles que a identificam como tal.

De todo modo, eu falava dos amantes de animais. A primeira coisa que me vem mente quando encontro essas pessoas é uma frase muito boa que meu cunhado sempre diz. Transcrevo: “Odeio quem trata bicho como gente e gente como bicho”. Assino embaixo.

Esse papinho de “direito dos animais” tá indo cada vez mais longe, principalmente graças estupidez desenfreada de neo-vegetarianos e outros grupelhos “politicamente corretos” com tendências ideológicas tremendamente questionáveis. Daqui a pouco vão criar a Declaração Universal dos Direitos Humanos dos Quadrúpedes, Bípedes Emplumados, Primatas e Seres Vivos Em Geral e vamos ter que fazer um boletim de ocorrência toda vez que espalharmos veneno de rato pela casa ou passarmos uma pomada contra micose.

E não se ria, minha senhora, porque a coisa caminha exatamente nesse sentido.

Pô, tudo bem você ser contra casacos de peles e putarias semelhantes. Um pobre texugo infeliz nasce no meio do mato, consegue se alimentar e crescer a duras penas, sobreviver aos seus predadores e passar alguns anos sem ser atropelado nas centenas de auto-estradas que cruzam seu habitat, só pra um idiota com uma espingarda lhe estourar os miolos pra fazer um chapéu bonitinho pro filho.

Tomarnocu! Matar um animal que conseguiu sobreviver s péssimas sacadas irônicas da natureza é o cúmulo da falta de consciência. Quer um chapéu de texugo? Crie um. Sério. Arranje um filhote e crie o bicho até ele ter tamanho suficiente. Se, ainda assim, você tiver coragem de matá-lo pra fazer um quepe com rabicho, vá em frente. Pode meter bala, inocular algum veneno potente nas veias dele ou esmagar a cabeça com um porrete rombudo.

Só não maltrata, que aí é sacanagem.

Maltratar animais é o grande problema. Matá-los, não, desde que seja um processo rápido e rasteiro. Pá, pou. Já era, aquele abraço, nos vemos no outro lado, se é que existe e se é que outras espécies vão pra lá.

Se o animal é SEU, então é sua PROPRIEDADE. Você tem todo o direito de acordar um dia, pegar uma pistola e estourar a cabeça do seu cachorro. É seu cachorro, caralho. Você pagou por ele, alimentou, vacinou, pagou as contas do veterinário, etc, etc, etc.

- Ah, então, pela sua linha de pensamento, eu posso fazer o mesmo com um filho? Porque com uma criança é a mesma coisa: eu alimentei, vacinei, paguei colégio, médico, imimimi, imimimi.

NÃO, sua mula, porque um filho não é uma PROPRIEDADE.
É o resultado de uma irresponsabilidade, com o qual você está arcando.

Mas continuando: rodeios são shows de tortura, como falei lá em cima. O que eu sempre digo pra quem curte esse tipo de maluquice é o seguinte: “Vou amarrar uma tira de couro puxando seu saco até o umbigo, subir nas suas costas e furar sua barriga com esporas, vamos ver se você não pula”.

Não veria problema nenhum se um rodeio fosse mais simples. O touro de um lado da arena, o peão do outro. O bovino investe agressivamente. O humano saca uma espingarda e dá um tiro certeiro entre os olhos do animal, que cai morto instantaneamente. Todo mundo come churrasco. Fim.

Isso, sim, seria uma beleza. Nada de bichos sofrendo, nada de crueldade. Apenas humanos exercendo seu direito biológico de devorar outras criaturas.

Porque lei natural é isso aí.

Soraya queimada

Eu queria ter um lança-chamas
Eu queria ter uma fogueira
Eu queria ter somente um fósforo
Eu queria ter uma vela acesaPra queimar Soraya
Pra ver torrar seu couro
Pra deixar somente o osso exposto ao sol

E depois da meia-noite
Soraya vai voltar
Ela vem, toda queimada, se vingar
Se vingar

Eu quero ver Soraya queimada
Soraya queimada
Porque Soraya me queimou
Eu quero ver, quero ver Soraya queimada
Soraya queimada
Porque Soraya me queimou

Eu queria ácido sulfúrico
E um litro de álcool tubarão
Eu queria uma tocha iluminada
Pra deixar Soraya igual carvão

E depois da meia-noite
Soraya vai voltar
Ela vem, toda queimada, se vingar
(Pode vir!)
Se vingar

Eu quero ver Soraya queimada
Soraya queimada
Porque Soraya me queimou
Eu quero ver, quero ver Soraya queimada
Soraya queimada
Porque Soraya me queimou

E doeu!

Notas:
1 - Isso é uma música, parem de me perguntar de onde diabos eu tirei a frase que uso no MSN.
2 - Eu posto letra de música a hora que me der vontade, porque quero mesmo é ver Soraya queimada!

Neísa - A Jabuticaba

Entre aqui e ouça a música.

Depois faça como eu: pegue uma tesoura bem afiada e fure seus tímpanos.
É melhor ser surdo do que ouvir uma merda dessas.

Telefone

- Alô?
- Bom dia… quem fala?
- Eu é que pergunto quem fala. Você ligou pra minha casa, não sou eu que tenho obrigação de me identificar.
- Ah, meu nome é Asnódio de Almeida*.
- Pois não, Seu Asno. Com quem o senhor gostaria de falar?
- Com a Senhora Idalci Pereira.
- Não é daqui não, cara.
- Aí é 326-****?
- É, sim.
- E a Dona Idalci não mora aí?
- Não.
- Tem certeza?
- Olha, cara, agora que você perguntou eu tô em dúvida. Não tenho certeza se uma pessoa da qual eu nunca ouvi falar não mora aqui no meu gigantesco apartamento de 3 quartos. Nunca ousei desbravar todo o território da minha casa. Você espera na linha enquanto eu pego dois cães de caça e algum equipamento de sobrevivência e vou procurar pra ver se ela não tá escondida em algum lugar?
- … Hã… eu…
- Mais alguma coisa?
- Não, desculpe pelo engano.
- Não foi nada.Tem certeza.

Oras, claro que eu tenho certeza, caralho. Sei bem quem mora na minha casa.

Pensando agora, eu deveria ter perguntado se ele tinha certeza que ela não morava na casa dele.

* Alguns nomes são fictícios, a fim de proteger a identidade das pessoas envolvidas no acontecido. E também porque eu não me lembro exatamente como o sujeito se chamava.

Das idiotices alheias

[Premissa ALTAMENTE estúpida]
O melhor tipo de suicídio é você se jogar de um prédio…

[Adendo Necessário]
Nenhum tipo de suicídio é bom, caralho. Bom é sexo bem-feito. Bom é tomar sorvete em dia muito quente ou em noite meio-fria. Bom é sair pra jogar sinuca com amigos, fechar o bar e depois esticar a madrugada no meio da esplanada falando merda e rindo até doer a barriga.

Suicídio é uma opção de merda tomada num momento em que sua vida está tão, mas TÃO ruim que morrer não é um problema tão grave assim.

Ou quando você tem sérios problemas mentais totalmente curáveis, mas prefere ficar alimentando uma depressão até ela acabar com você.

[Conclusão REALMENTE idiota]
…porque a queda é tão grande que você morre antes de bater no chão.

Só uma coisa a dizer:
Que bonitinho! MAS ESTÁ ERRAAAAAADO!

Se alguém morresse só por cair, saltar de pára-quedas seria uma experiência única na vida. Todo mundo bateria as botas antes do aparato abrir. Ninguém morre só porque está no meio do ar, indo a 150km/h em direção terra. Esse pensamento é extremamente IMBECIL e eu fico sinceramente constrangido sempre que um retardado vem com essa conversa pro meu lado.

As pessoas que pularam do World Trade Center no dia 11 de setembro de 2001, por exemplo, só morreram de fato quando bateram na calçada e tiveram suas tripas, ossos e o café da manhã tomado algumas horas antes espalhados por um raio de 500 metros.

É por isso que você morre. Seu corpo se arrebenta. Sabe quando você joga um balão d’água de uma altura muito grande? Então.

Ninguém morre porque tá vendo o chão chegando. A menos que tenha um ataque cardíaco em pleno ar de medo. Ainda assim isso é tão provável quanto um cara que já amarrou a corda no pescoço e tá prestes a se enforcar receber uma bala perdida bem no meio dos cornos antes de terminar sua última oração.

Então pense melhor antes de dizer asneiras.
Ou diga longe de mim, pelo amor de deus. Essas coisas me fazem repensar a afirmativa biológica de que eu e você somos da mesma espécie.