Monthly Archive for June, 2005

Releve, estou escrevendo de madrugada

As coisas vão piorar muito antes de melhorar. A máxima a ser seguida é essa.

Embora a sensação seja a de que a vida finalmente entrou nos trilhos e vai seguir como deve, antes que seja possível dar o suspiro de alívio e acreditar firmemente na possibilidade das nuvens se abrirem e o sol aparecer, antes disso já é possível sentir as gotas. O maldito cúmulus nimbus está apenas sobre sua cabeça. Você não teve sequer a chance de achar que tudo ficaria bem.

De certo modo isso é bom: às vezes é melhor não ter do que ter e perder. Ao contrário do que diriam as Polianas da vida.

Vão piorar. Muito. Melhoras, só depois.

O problema é que o depois demora a chegar, e quando chega nem sempre é reconhecido como tal. Porque quando você está até o pescoço enterrado na merda, convenhamos, ser puxado para fora geralmente desloca um ombro. E que tipo de melhoria é essa, que vem seguida de um porém? Será impossível a plenitude de alguma coisa que não seja o azar, nessa vida?

Só piorando. Seguimos ladeira abaixo e o declive vai até onde a vista alcança.

Dizem que pra baixo todo santo ajuda. Eu já acho que pra baixo o diabo empurra. “Diabo”, claro, metaforicamente falando, já que meu ceticismo não me permite acreditar em encarnações do bem, tampouco do mal. Se bem que a desgraça se multiplica e se propaga com tal facilidade que seria bem possível um dia eu passar a crer na personificação de tudo o que há de ruim. Mais do que isso: acreditaria que o nêmesis de tal figura já teria se rendido há muito.

Vai piorar muito antes de melhorar.

Isso SE um dia vier a melhorar. Eu não apostaria minhas fichas, se fosse você.

No orkut

Não é que eu seja solitário. Solitários somos todos. Sou apenas coerente.

Claro que ter amigos e uma namorada diminuiu o peso de ser sozinho, mas daí a eliminá-lo são outros quinhentos. Não acredito que exista qualquer coisa capaz de tal feito, seja conhaque com companheiros de bar, vida libertina ou remédios de tarja preta.

Isso tudo é placebo.

Sou sozinho e convivo bem com o fato. A melancolia da coisa toda só me pega em determinadas madrugadas, quando meu winamp - tocando de forma aleatória - escolhe apenas as músicas mais tristes, não encontro ninguém no MSN, não tenho com quem conversar, não consigo escrever, não acho nada aprazível para ler, tampouco sinto vontade de dormir. Em suma, quando sou tomado pela ausência de motivações e desejos.

Nessas horas sinto que deveria morrer, que minha vida acabou, que estou à margem, que sou um pária. Às vezes choro, admito. Mas geralmente fico só observando, por horas a fio, com olhos tristes, as luzes noturnas. Ou me visto e vou comprar um guaraná em qualquer lugar 24 horas, para caminhar, espairecer, sentir as ruas vazias e o quanto pode ser esmagadora a sensação de deslocamento.

Chego a achar que estou entrando em depressão novamente. Mas então me bate o cansaço ou o tédio. Daí consigo dormir e pronto: acordo no dia seguinte como se nada tivesse acontecido.

Doses cavalares de tristeza, acredito, são o combustível essencial de quem se propõe a pensar ou criar o que quer que seja. A amargura é o terreno mais fértil para a capacidade criativa.

Sem querer me comparar, pois limito-me à minha insignificância, mas vai ver se Sartre era um sujeito feliz, com arroubos de jovialidade e estojos da Hello Kitty!

Breve

- É, meu filho… os homens são muito pequenos…
- Eu sei, pai.

São muito, muito pequenos.

Supernova

Votei no Lula em 2002. Duas vezes.

E por pior que a situação esteja no momento, acredito que estaria bem pior se fossem os tucanos no comando. O que não me deixa, de maneira alguma, feliz com o quadro político atual.

O grande problema do governo petista foi achar que seria possível fazer, com jeitinho e boa-vontade, todas as mudanças necessárias para desintoxicar a máquina estatal. Foi achar que daria para ir contra a maré usando meias palavras e eufemismos.

A mudança que esse país precisa não será feita por ninguém dessa maneira. As transformações necessárias para finalmente arrancarmos nosso nome da lama só sairão no dia em que colocarmos, no palácio do Planalto, alguém que tenha colhões suficientes para admitir que só por meio da luta - inclusive armada - será possível subverter o quadro atual. Não se muda a situação vigente há centenas de anos com panos quentes e diplomacia, apenas com pulso firme e confronto direto.

Infelizmente o PT não tem o que é necessário para dar cabo do que acontece. E não é da índole do povo se opor ao que continua acontecendo, a despeito da inclinação da base governista, de maneira veemente. O jeitinho brasileiro está na política complacente de lula e nas reações modorrentas do povo.

No dia em que alguém resolver derrubar tudo o que está aí da maneira certa - pegando em armas e derramando sangue, porque só assim a coisa vai funcionar direito - serei o primeiro a apoiar e, se necessário, lutar junto.

Até lá, acho que só vou votar no PRONA…

O início do fim…

Seguinte: cansei desse negócio de ser inteligente. Agora quero ser bonito. Me matriculei numa academia, tô todo doído e entrevado, parecendo um velho com reumatismo. Vou queimar essa gordura extra e transformar esse corpo magrelo numa ode ao hedonismo e ao senso estético fútil da sociedade contemporânea (também preciso me lembrar de não falar de forma tão direta, ser menos específico e parar de usar palavras com mais de 3 sílabas).

Assim que minhas formas arredondadas de nerd ocioso derem lugar a outras, mais definidas e másculas, assim que eu passar a ser um reprodutor exemplar da espécie, hei de largar esse blog, criar um fotolog e colocar um monte de imagens minhas sem camisa, mostrando meus belos e torneados bíceps, tríceps, quadríceps, pentríceps, plexos, amplexos, ósculos e todos os outros músculos com nomes de remédios.

As mina vão pirar, mano.

É isso aí.

::UTOPIA DILUCULAR::
Porque o que dá dinheiro é beleza. Inteligência é para os fracos.

Ênfase

Minha vó tá me enlouquecendo com um problema que ela está tendo com aquela empresa picareta canalhota miserável conhecida como BancorBrás. De tanto ela ligar aqui em casa e eu reclamar, meu pai resolveu ligar pra ela e se meter no assunto pra resolver o problema.

O melhor foi o diálogo dele com ela.

- Ô ÍRIS, ME PASSA AÍ SEUS DADOS NA BANCORBRÁS QUE EU VOU RESOLVER O PROBLEMA, SENÃO VOCÊ E O PEDRO VÃO ME LEVAR À LOUCURA!!

Do lado de lá ela deve ter dito “não grita”. Ao que ele respondeu:

- Não tô gritando, tô falando com ênfase.

Preciso adicionar essa ao meu repertório.




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