As coisas vão piorar muito antes de melhorar. A máxima a ser seguida é essa.
Embora a sensação seja a de que a vida finalmente entrou nos trilhos e vai seguir como deve, antes que seja possível dar o suspiro de alívio e acreditar firmemente na possibilidade das nuvens se abrirem e o sol aparecer, antes disso já é possível sentir as gotas. O maldito cúmulus nimbus está apenas sobre sua cabeça. Você não teve sequer a chance de achar que tudo ficaria bem.
De certo modo isso é bom: às vezes é melhor não ter do que ter e perder. Ao contrário do que diriam as Polianas da vida.
Vão piorar. Muito. Melhoras, só depois.
O problema é que o depois demora a chegar, e quando chega nem sempre é reconhecido como tal. Porque quando você está até o pescoço enterrado na merda, convenhamos, ser puxado para fora geralmente desloca um ombro. E que tipo de melhoria é essa, que vem seguida de um porém? Será impossível a plenitude de alguma coisa que não seja o azar, nessa vida?
Só piorando. Seguimos ladeira abaixo e o declive vai até onde a vista alcança.
Dizem que pra baixo todo santo ajuda. Eu já acho que pra baixo o diabo empurra. “Diabo”, claro, metaforicamente falando, já que meu ceticismo não me permite acreditar em encarnações do bem, tampouco do mal. Se bem que a desgraça se multiplica e se propaga com tal facilidade que seria bem possível um dia eu passar a crer na personificação de tudo o que há de ruim. Mais do que isso: acreditaria que o nêmesis de tal figura já teria se rendido há muito.
Vai piorar muito antes de melhorar.
Isso SE um dia vier a melhorar. Eu não apostaria minhas fichas, se fosse você.