Arquivos de Agosto, 2005

Bah

Hoje eu já QUASE escrevi uns 5 posts aqui. Todos curtinhos, vagos, sem qualquer relevância ou profundidade. Provavelmente coisas das quais eu iria me arrepender depois de ter escrito.

De todo modo, “quase” não é pra mim. Não gosto de “quase”. “Quases” ressaltam de maneira extremamente veemente a minha mediocridade. Chega de “quases” aqui!

Vamos às baboseiras ralas.

Aviso!

Só pra deixar claro: assim que for deflagrada a revolução, os primeiros a irem pro paredão (depois dos burocratas, advogados, vendedores da herbalife e outros tipos sociais pouco respeitáveis) serão essas pessoas que tiram fotos mandando beijo pra câmera.

Coisa mais cretina. Tománocu!

Literato é a mãe!

Em idos de 99, numa tarde ociosa de domingo, estando quebrado meu computador, desligada a minha TV a cabo e eu de cama, adoentado devido a uma gripe particularmente fodona, não tive outra opção senão assistir Domingo Maior e Faustão.

Naquele dia, entre devaneios febris, espirros, dor-de-cabeça e um enorme desgosto por estar vivo (sensação, aliás, que deveria ser incluída entre os sintomas da gripe), concluí que perdi um gigantesco tempo da minha vida na atividade mais inútil e despropositada existente: a leitura. Percebi que todos os livros lidos por mim até então não tinham me acrescentado nada. Que me deram, sim, algum conhecimento, mas nada de muito útil, nada que fosse me levar adiante na vida, que fosse - sendo cruamente sincero - me render algum dinheiro, porque é isso que move as engrenagens.

Cheguei a essa conclusão vendo que pessoas sem a menor instrução, gente com 5, 10, 20 anos a mais que eu, que provavelmente não tinha lido metade do que eu já lera, um bando de semi-analfabetos (ou semi-alfabetizados, chame como quiser), tinha todos aqueles itens supostamente necessários para a plenitude e a felicidade: mulheres, dinheiro, iates, dinheiro, mansões, dinheiro, carrões, dinheiro. Dinheiro, enfim.

E eu, enquanto isso, mofava solitário, transbordando muco.

Me revoltei. Parei de ler. Concluí que literatos são todos uns [insira aqui uns 3 palavrões diferentes, ao seu bel prazer], que livros são umas [seja criativo e insira aqui mais 3 palavrões, de preferência diferentes dos anteriores]. Parti do preceito de que a leitura per se, ou seja, ler um livro por ler, sem qualquer finalidade, não por obrigação ou por necessidade, mas por gosto, era uma imbecilidade sem fim. Salvo raras exceções, não iria mais me sujeitar a isso.

Meu negócio seria internet, TV, quadrinhos. Fim.

Informei minha professora de português, com quem costumava ter longas conversas a respeito de literatura, da minha nova decisão. Ao que ela me perguntou por que eu não deixava de ver TV, ler quadrinhos e entrar na internet, já que, tal e qual a literatura, nada daquilo me rendia um centavo. Rebati dizendo que ler quadrinhos, ver TV ou navegar na internet não eram sinônimos de “inteligência”, que ninguém dizia de fulano ou beltrano “Esse sujeito é um intelectual, deve ler umas 15 revistas em quadrinhos por mês”. Quadrinhos, TV e internet eram apenas passatempos, seu caráter era simplesmente esse.

Eu queria, a partir de então, fazer parte da classe dos “ignorantes”, não dos “intelectuais”. Porque prefiro ser um sujeito sem um pingo de cultura com uma gorda conta bancária a saber coisas pra caralho e morrer na pobreza.

Seis anos depois, continuo pobretão. Então voltei aos livros, que pelo menos me ajudam a matar o tempo. Desde aquela época não lia mais de dois livros num mesmo ano. Nos últimos três meses li três. Assustador! Espantoso! Assombroso! Alarmante!

Voltei a ler, enfim. E os três últimos livros que me caíram nas mãos são dignos de nota: O Encontro Marcado, do velho (e agora morto) Fernando Sabino, o Germinal (do qual já falei aqui, cujo filme consegui encontrar, mas ainda não vi), do Emile Zola e, ontem, terminei Ser Feliz, do Will Ferguson. Que tem, aliás, um diálogo que me fez rir muito. É uma conversa de um editor de livros com uma bibliotecária. Duas pessoas - teoricamente - amantes do mundo literário. Pois subscrevo-o:

“Diga-me uma coisa”, disse Edwin, já se virando para sair, “a senhora já leu um livro chamado O que aprendi na montanha?
“Eu não leio”, respondeu ela com firmeza. “Ler livros é para mentes ociosas.”
Edwin sorriu. “Concordo inteiramente.”

Gostaria de transcrever o livro todo aqui. Infelizmente:
a) não posso
b) não quero
c) não tenho saco pra isso.

Então procure-o e leia-o-lhe.

Agora vou atacar A Guerra do Fim do Mundo, do Mário Vargas Llosa.