Arquivos de Setembro, 2005

Publiciotários

Dá licença? Né por nada não, mas, porra, alguém pode me explicar porque é que o mercado publicitário adora fazer alusões pouco lógicas com papel higiênico? Sempre colocam cachorrinhos, coelhinhos e outros bichinhos “inhos” como símbolo de maciez.

Alguém aí já limpou o rabo com um coelho, pra poder dizer se determinada marca de papel oferece ou não sensação semelhante?

Porque ISSO, sim, é róquenrrol.
Perto disso, arrancar cabeça de morcego com os dentes é coisa de fã dos Loser Manos (ou da Avril Lavigne, acaba sendo a mesma coisa).

Contato

Pô, eu detesto ter que escrever esse tipo de coisa, mas parece que de tempos em tempos torna-se necessário bater nessa tecla. Preciso encontrar um código qualquer em javascript ou coisa que o valha que republique isso de seis em seis HORAS, pra mensagem se manter fresca na cabeça dos leitores antigos e ficar sempre à disposição dos novos.

Bom, vamos lá que, se não escrever isso rápido, desisto, já que já repeti a mesma coisa tantas vezes que fica até difícil contar:

Em primeiro lugar: o meu mote é NÃO VIM AQUI PRA FAZER AMIGOS. Não é que eu despreze ninguém, eu só não me interesso em conhecer outras pessoas. Nada pessoal. Não se ofenda (ou se ofenda em silêncio, porque eu não tenho saco pra agüentar gente choramingando).

Em segundo lugar: se você tem algo a me dizer MANDE-ME UM E-MAIL! Depois de trocarmos alguns e-mails, aí, sim, você poderá me adicionar no MSN. Se você tá entediado e quer alguém pra conversar, contrate um psicólogo, compre um papagaio, sei lá. É problema teu. Mas eu não sou pastor do Fala Que Eu Te Escuto, não tô aqui pra ficar dando atenção pra ninguém.

Se, ainda assim, você me adicionar no MSN, saiba de duas coisas:
- A primeira mensagem que eu vou te mandar é um inamistoso “Quem é você?” seguido, talvez, de “O que você quer?”, então saiba o que responder. As duas perguntas são eliminatórias.

- Não mantenho na minha lista nem gente que já encontrei pessoalmente mais de uma vez, que dirá desconhecidos com quem troco duas ou três frases a cada era glacial. Se eu achar que teremos conversas interessantes, você fica. Se achar que não, você vaza.

Em terceiro lugar: você ser um LEITOR não é o mesmo que ser um AMIGO, então NÃO ME ADICIONE NO ORKUT a menos que já tenhamos trocado algumas palavras (e por algumas palavras leia-se “nos conhecemos, ainda que ‘virtualmente’, há algumas SEMANAS e estamos mantendo contato”, e não “trocamos três recados no orkut, pode me adicionar”).

Enfim. Eu sou chato pra caralho. A melhor coisa que você pode fazer é não tentar ser meu amigo.

Beijos na bunda.

Há dois anos…

Historieta Curtita IX

Adorava casais. Adorava, independentemente da idade, classe social, orientação sexual, aparência. Venerava a manifestação do amor mútuo. Alguns dias, saía às ruas munido de uma câmera, flagrando momentos de afeto. Um toque no rosto, um afago nos cabelos, um deixar estar de olhos fechados, rostos próximos, mãos unidas, olhares embevecidos, sorrisos bobos.

Colava as imagens na parede do quarto e olhava para elas por horas e horas. Não deixava que ninguém mais visse aquilo. Todos os amantes eram seus, todos os amores eram seus, todas as lágrimas vertidas por olhos apaixonados eram suas. Era tudo seu. Tudo. Deitava-se sozinho e perdia as horas fitando as imagens, reparando em detalhes, decorando nuances, mentalizando rostos.

Sentindo-se solitário, arranjou uma namorada. Mas o amor com ela não era o mesmo. O toque das mãos não era tão aconchegante, o brilho nos olhos não era tão intenso, a doçura no sorriso não era tão sincera. Nada parecia ser como nas fotos. Qual era o problema? Qual?

O movimento, descobriu dias depois. O movimento era o problema. O instante vinha e passava, muito rápido. Evanescia nas brumas da memória, obliterava-se no esquecimento.

Agora ela está empalhada na sala de sua casa. Os olhos eternamente meigos. O sorriso infinitamente amável. A expressão imutavelmente carinhosa.
Assim como nas fotos.