Monthly Archive for October, 2005
Oh simple thing, where have you gone?
I’m getting old and I need something to rely on
So tell me when you’re gonna let me in
I’m getting tired and I need somewhere to beginSo if you have a minute why don’t we go
Talk about it somewhere only we know?
This could be the end of everything
So why don’t we go somewhere only we know?
Tentei ler Guerra e Paz. Admito, envergonhado, que sem sucesso. A culpa foi minha, claro, mas apenas em parte.
Explico: pedi ao meu pai que trouxesse, ao comprar o livro, uma tradução respeitável, em dois volumes, fiel ao original. Nada dessas edições dos grandes clássicos lançadas atualmente, totalmente retalhadas, que estão mais para resenhas muito longas do que para versões muito curtas. E pedi assim porque sabia que este seria um livro extenso e era isso o que eu estava querendo. Mas me ferrei.
O velho trouxe uma versão de 1958. Tem até uma dedicatória, e tenho quase certeza que todas aquelas pessoas (a que ganhou o livro e o casal que presenteou) já estão mortas.
A tipografia dos volumes é tão pitoresca que dá pra sentir o relevo das (minúsculas) letras nas páginas. Além do mais, o português usado é relativamente arcaico, o que me força a reler alguns trechos uma vez e outra até entendê-los.
Mas minha culpa termina aí. A responsabilidade, a partir de então, é do véio Tolsta (só pros íntimos).
Como disse antes, eu sabia que o livro era extenso, mas presumi que fosse um daqueles volumes extensos-porém-fluidos, i.e. cuja história, apesar de longa, transcorre de forma dinâmica, mantendo a atenção do leitor. Mas não: é um livro extenso-porque-minucioso, ou seja, de cada três parágrafos, um é realmente útil para a história. O resto é apenas o autor discorrendo sobre a decoração do local, o clima, a roupa e a fisionomia de cada uma das pessoas - embora boa parte delas mal participe da ação.
Aliás, “ação” é um pouco forte da minha parte, já que o começo do livro não tem ação alguma. Nada que pareça ser REALMENTE relevante (e admito que essa é uma conclusão um tanto sem embasamento da minha parte, já que não passei da 50ª página e todas aquelas conversas enfadonhas podem acabar se apresentando como sendo pontos-chave para a história algumas páginas adiante). Apenas burgueses russos em reuniões da alta sociedade trocando gentilezas apenas por educação e falando de amenidades.
O problema é que, depois de ler o Germinal, ando tomado por um leve torpor socialista, o que me deixa sem paciência pra esse tipo de narrativa.
A soma de todos esses fatores me fez encostar o Guerra e Paz por algum tempo. Acho que ainda não estou pronto pra ele, que também não está pronto pra mim. Vou partir para outro (Memórias de Adriano, talvez) e depois tento de novo.
Na comunidade História, do Orkut, um sujeito começou um tópico bastante… hm… controverso. Perguntava por que essa atual “supervalorização” dos negros.
Um cara chamado Leandro deu a resposta definitiva. Depois dela, deviam ter fechado o tópico pra novas mensagens (se fosse possível). Transcrevo, pois:
“Também me incomoda essa supervalorização. Já não basta todos os presidentes do país terem sido negros, já não basta que 87% do Congresso brasileiro é de negros, já não basta que o governo só escuta religiões afro-brasileiras e não dá a mínima bola para bispos católicos brancos em greve de fome, já não basta a maioria dos universitários serem negros, os negros viverem mais do que os brancos e serem menos vítimas de violência e quase toda propaganda ser estrelada por modelos negros e mais, eles controlam 72% do PIB brasileiro. Não agüento mais os negros controlando a FIESP em Sp e que tenhamos que estudar só História da África na escola e nada de Europa branca. Não agüento estes feriados por Oxalá, Ogum e Iemanjá. Chega! Vamos nos unir e lutar pelos brancos neste país de exclusão dos brancos! Chega da polícia só bater nos brancos! Chega de negros reitores, governadores, delegados, bispos e papas! Basta do Imperialismo de Gana, Senegal e Angola! Todo poder aos excluídos!!! O governo Lula deveria indicar ao menos um branco para seu governo! Abaixo a discriminação. Vamos levantar a moral dos brancos humilhados e explorados por este domínio de 500 anos! Os brancos devem ter direito a morar nos Jardins, no Leblon e em outros bairros de elite também!“
- Doutor Figueiredo, Doutor Figueiredo.
- Pois não?
- Terminou a necrópsia do meu pai, Doutor?
- Terminei, sim.
- E, afinal de contas, qual a causa mortis?
- Nenhuma.
- Como?
- Nenhuma. Nenhuma causa.
- Está me dizendo que não existe razão nenhuma pro meu pai ter morrido?
- Absolutamente. Existia uma razão para ele morrer.
- Qual?
- Estava vivo.
- Mas… heim?
- Exatamente. Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa de Massachussets revelou que 100% das mortes ocorrem apenas em seres que antes estavam vivos.
- Espera aí, Doutor. Você deve estar brincando.
- Ainda não. Eu estava fazendo uma necrópsia. Estou indo pro meu escritório brincar agora. Instalei SimCity 4000 na minha máquina. Meu sonho sempre foi fazer administração, mas tive que seguir essa porcaria de medicina, pra deixar meu pai satisfeito, sabe como é. Jogando SimCity me sinto realizado. Agora, com licença.
- Não vai embora, não. Me explica direito isso. Como assim meu pai morreu por nada?
- Rapaz, ainda nesse assunto? Que idéia fixa. Entenda, amigão: seu pai não tinha qualquer problema, entendeu? A saúde dele estava 100%.
- Não foi ataque cardíaco?
- Não.
- Insuficiência respiratória?
- Não.
- Derrame cerebral?
- Não.
- Falência múltipla dos órgãos?
- Não.
- Mas, doutor, precisa ter acontecido algo!
- Amigo, contente-se com isso: o corpo do seu pai está perfeito. Totalmente utilizável. Nada ali deixou de funcionar, ele tem uma saúde de ferro. Em teoria, seu pai está vivo. Mas, na prática, está morto! Agora com licença que eu vou jogar.
(Tenho a continuação disso aqui em algum lugar, mas não quero procurar agora. Fico devendo, pois.)
Se o resultado do referendo for a maioria a favor da proibição do comércio de armas e munições no país, só a venda vai ser proibida. Não sejam retardados. Ninguém vai ser desarmado. A votação não é pelo desarmamento.
Direito adquirido é direito adquirido e quem tem o direito de portar armas vai continuar a tê-lo. Vai poder manter seu tresoitão em casa, atirar nuns meliantes, dar à filha depressiva a chance de estourar os miolos e ao filho playboy a chance de carregar a arma pro colégio e, se exibindo, crivar de balas um colega de classe que não tinha nada a ver com a história. Até vai poder renovar seu porte de três em três anos, veja só que beleza.
Não vai rolar pente fino pra tirar a arma de quem já tem. Só não vão mais vender.
Agora parem de repetir essa imbecilidade.
