Arquivos de Outubro, 2005

Mainardi

O Diogo Mainardi, aliás, tornou-se o ser humano mais abjeto do planeta, pra mim, depois que tive a oportunidade de vê-lo umas duas vezes naquele Manhattan Conection.

Certa vez pensei até em mandar um e-mail àquele cidadão, dizendo que agora entendo que a paralisia cerebral do filho dele é herança paterna. Mas achei que seria crueldade com a criança.

Ainda assim, vira e mexe sou assaltado por esse pensamento.

Via de regra

Esse lance do referendo obviamente tá dando o que falar. E o que eu mais ouço, atualmente, é “auto-defesa”. Que querem tirar nosso direito de auto-defesa, que querem nos deixar à mercê de uma horda de bárbaros que está só esperando a população se desarmar pra invadir TODAS as casas, estuprar TODAS as mulheres diante de seus filhos/maridos/namorados/cachorros, pilhar tudo o que puder e depois tocar fogo no lugar.

Em primeiro lugar, devo advertir as pessoas que defendem essa tese de que os vikings já não existem mais.

Dito isso, só quero saber uma coisa: quantas pessoas você conhece que já foram assaltadas em casa? E quantas dessas sacaram uma arma e mataram/afugentaram o ladrão?

Esse papo de “tirar nosso direito de auto-defesa” é balela. Em primeiro lugar porque quem quer se defender caga e anda pra arma na mão do ladrão. E daí se o cara tem uma 45 engatilhada, pronta pra espalhar seus miolos pela parede e criar uma bela obra surrealista em tons de vermelho, cinza e branco? Você é rapidão, oras. Se é capaz de sacar seu 38 e perfurar o pulmão dele com chumbo quente antes dele ter o reflexo de puxar o gatilho, então também consegue pegar uma faca na cozinha e rasgar a jugular do cara, ou quem sabe estender a mão até um cabo de vassoura próximo pra partir o crânio do pústula, ou, talvez, correr até o armazém da esquina, comprar dois metros e meio de corda, fazer um laço, prender o cara e pendurar no poste da rua, pra que todo mundo veja.

Afinal de contas, você é veloz. Né não?

Já tem até quem fale em conspiração do governo pra desarmar a população e, assim, nos manter como cordeiros, sem a possibilidade da insurreição. Tá aí alguém que curte praticar aquele esporte radical de pular o corrégo de costas sem impulso, plantando bananeira e soletrando músicas típicas do folclore alemão. Como se o povo brasileiro fosse notório por sua capacidade de mobilização armada contra os desmandos do governo.

O grande lance é que reagir a um assalto, mesmo usando uma arma, é a coisa mais idiota que você pode fazer, e qualquer especialista em auto-defesa te diria isso. Além do mais, passar fogo no cara que invadiu a sua casa tá longe de ser solução pro problema da criminalidade. É como cortar um galho que invadiu sua janela, deixar a árvore lá e presumir que o problema está acabado.

Não está.

Óbvio que é mais fácil defender seu direito de ter uma arma e matar sabe-se lá quantos assaltantes daqui pro fim da sua vida. É muito mais difícil resolver fazer alguma diferença nessa porcaria toda que aí está e tentar mudar o quadro de abismo social, o que reduziria muito o problema da criminalidade.

É muito mais fácil ler as besteiras da veja e as imbecilidades do Diogo Mainardi e concordar com toda aquela cretinice.

Então a pergunta do referendo, no fim das contas, devia ser:

Você quer o caminho (aparentemente) mais fácil, mas que não resolve? Ou o caminho mais complexo, porém duradouro?

Conhecendo bem o povo brasileiro, iríamos todos pela primeira opção.

Faça parar! Faça paraaaaar!!!

Dor.
Meu braço esquerdo dói. Sei lá de onde vem isso. Sei que dói logo abaixo do ombro, bem no bíceps. Vou passar arnica.

E não venham dizer que é punheta, ok?
Eu sou destro.

(perceba que tô escrevendo qualquer coisa, porque eu realmente queria escrever alguma coisa e assunto não falta, só… vontade, acho)