Eu não acho que tudo precisa de uma razão. Acho, aliás, que é babaquice achar que tudo precisa de uma razão. E não tenho razão alguma pra achar isso, além de achar.
O negócio é que tem quem ache que é preciso justificar tudo, explicar tudo, expor as razões de tudo. O problema é que nem tudo tem razão, nem tudo tem motivo. Certas coisas acontecem porque sim e pronto. Fazemos algumas coisas porque sim e pronto. E não gostamos de outras porque não.
E pronto.
Sexo é o treco mais sem justificativa do mundo. E (quase) todo mundo faz. Porque sim, ué. Porque dá vontade. Porque é bom. Porque quer. Ou não faz porque não quer. Violência é mais ou menos assim, também. Mas é mais difícil de entender. Não que dê pra entender, claro. Não que deva ser entendido, lógico.
Mas o princípio é o mesmo.
Então tem aquelas coisas das quais eu gosto porque gosto e pronto. Os motivos são bestas? São. Mas eu gosto, pô, vou fazer o quê? Não tô fazendo mal pra ninguém em gostar ou não do que eu gosto ou não, então me deixa aqui na minha, vai cuidar da tua vida.
Mas eu acho - e aí meio que é só porque eu gosto de achar, e gosto porque gosto, porque sim e pronto - que algumas coisas precisam de um motivo. E fico querendo encontrar uma razão pro irracional. O que já é irracional em si, mas eu fico ali, tentando arranjar uma explicação pra coisas inexplicáveis, porque eu sinto que preciso explicar.
E sinto porque sim. E pronto.
É óbvio que não encontro razão nenhuma. E é lógico que, por mais que quebre a cabeça tentando chegar a alguma conclusão, não concluo nada.
Mas invento uns motivos e crio umas razões baseadas em argumentos absurdos e em princípios deturpados que até funcionam pra apaziguar minha mente. Eu fico bem feliz quando isso acontece.
E depois não quero mais pensar naquilo.
Porque não.