Monthly Archive for August, 2006

Dúvida

Se eu me sentasse diante de qualquer loja pra entregar aos transeuntes listas de coisas que eu gostaria que comprassem pra mim, seria um pedinte, certo?

Certo.

Se eu parasse no meio da rua para fazer observações impertinentes aos brados e, entre um disparate e outro, pedisse dinheiro aos passantes, seria um mendigo, certo?

Certo.

E quem faz isso no orkut ou em blogs? É o quê?

(As perguntas desse post são retóricas)

Desbravadores da ciência

Caríssimos,

Não se culpem, ninguém teve culpa. Admito que cometi esse – aparentemente – impensado ato por motivos puramente egoístas: movido pela mais legítima curiosidade científica.

Façam o favor de consultar um daqueles discípulos de Chico Xavier em algumas semanas e peçam a ele para transcrever minhas impressões do pós-vida.

Mas atentem: se ele não começar a psicografar a mensagem escrevendo “parangaricotirimirruaro”, trata-se de um charlatão. Não paguem ao pulha um centavo sequer!

Desejem-me sorte indo onde nenhum homem (vivo) jamais esteve.

Extreme (pero no mucho) makeover

Fiz umas modificações leves no layout desta bagaça. A única visível a olho nu é a distância que existe agora entre o topo do blog e aquela barra azul ali em cima. Tá vendo a barra azul ali em cima? Então.

Quando você ler esse post ela provavelmente estará preta. É que eu tô escrevendo logo antes de mudar a cor. Mas é aquela barra mesmo, a cor é o de menos.

As outras modificações só podem ser vistas pelos inteligentes, o que significa que eu não as enxergo. Nem vocês, provavelmente. Mas se alguém entrar aqui e o blog estiver… sei lá… rosa, por favor, me avise.

Isso significa que você é inteligente.
Ou viado. Eu não saberia dizer.

Os sábios usuários do google

Eu não sou muito de ficar fazendo posts sobre procuras do google que trazem pessoas ao meu blog (embora encontre algumas muito bizarras), até porque o Rafael Galvão tem uma sessão só disso e o cara é genial nesse quesito. Dá até vergonha tentar brincar disso depois dele.

Mas de vez em quando aparece uma ou outra pessoa que eu sinto o DEVER de ajudar. Até por uma questão de karma. Não que eu acredite em karma, mas cautela e caldo de galinha…

Enfim. Um tempo desses o sitemeter acusou que veio a este blog um cidadão procurando “fotos de pessoas que pularam o World Trade Center“. Pra ser bem sincero, eu não tenho a menor idéia de como essa pessoa chegou até aqui, visto que o utopia sequer consta entre as quarenta e poucas páginas listadas pelo google como possíveis resultados para essa pesquisa importantíssima.

Mas tomarei a inexplicabilidade do fato como milagre. O google escreve certo por pixels tortos.

E pra você, meu amigo, minha amiga, que tá aí em casa querendo desesperadamente ver fotos de pessoas que pularam o World Trade Center, eu não posso afirmar com certeza QUEM já fez isso, mas tem alguns que eu desconfio que seriam bem capazes de tal ato tresloucado.

A começar por esse aqui.

E esse aqui.

Esse também é um forte candidato.

E um monte desses outros.

Espero de coração que minha ajuda tenha sido válida.
Vão com o google.

Amigos! Amigos!

Cada dia que passa eu noto quão ingênuo fui em já ter achado possível fazer amigos nesta baiuca que é a internet.

Tenho, no máximo, estourando, forçando muito a barra e olhe lá, conhecidos longínquos. Gente com quem tenho a mesma intimidade e por quem demonstro tanta afeição quanto a um daqueles primos de oitavo grau que você vê uma vez por década, no enterro de algum parente velho que permanecia como um dos últimos elos entre as facções há muito separadas da família.

Quando e se nos encontramos, apenas sorrimos, dizemos “Há quanto tempo!” e a conversa termina aí.

Se uma das duas partes desaparece ou morre, a vida prossegue sem maiores dramas que não um “Veja só que pena…” dito entre um comercial e outro do Jornal Nacional.

Amizades na internet são como sites na internet.
Surgem aos borbotões e desaparecem rapidamente e sem deixar vestígios. Às vezes, com sorte, pode-se encontrar antigas referências a elas no cache do google.

Veja só meus grandes amigos da panelinha, por exemplo.

Hoje eu quero mais é que boa parte deles se foda.

Começo, meio e fim

Eu não tenho qualquer problema em admitir que existe uma grande possibilidade da minha vida ser incompleta, já que não pretendo ter um filho, não vejo propósito algum em plantar uma árvore e escrever um livro está longe de figurar entre meus objetivos. Prefiro dar ênfase a planos mais audaciosos, como dominar o mundo ou bater o record mundial de maior número de linhas em um único parágrafo de abertura (mas nesse segundo quesito estou perdendo de longe para o José Saramago).

Não quero ter filhos por um sem número de razões que não vale a pena destrinchar (novamente) aqui, não vou plantar árvores porque não me interesso por plantas e, mais importante, não vou escrever um livro porque – além da minha óbvia incompetência redativa – tenho um sério problema em desenvolver miolos de histórias.

Admito, sem qualquer traço de modéstia, que tenho boas idéias para começos e finais. Mas somente com isso: abertura e encerramento. Tipo Amélie Poulain ou os filmes do Vin Diesel. O começo é extremamente promissor, o miolo não vale um centigrama de subnitrato de pó de peido e o final dá aquela sensação de “graças a deus acabou”.

De todo modo, essa minha habilidade em começar textos ainda há de render alguma coisa. Quem sabe um dia eu não ganhe dinheiro escrevendo ganchos para escritores com bloqueio? Acho que ainda não existe nenhum estelionat… ehr… espert… ahn… ser humano solícito e altruísta que tenha tomado para si essa árdua tarefa de dar o pontapé inicial ou fechar com chave de ouro o trabalho alheio. Poderia render uma grana.

Eu teria um enorme calhamaço. Aliás, dois: um com começos e um com finais. E as pessoas poderiam visitar meu escritório e folhear à vontade, até encontrarem uma primeira frase ou uma citação final que se encaixasse perfeitamente em seu conceito de romance ideal.

As idéias seriam mais ou menos assim:

INÍCIOS

“Setenta e sete gerações depois, o ódio ainda era o mesmo. E se as razões banalizavam-se mais e mais cada vez que o sangue era herdado, a intensidade e a violência do sentimento cresciam exponencialmente com a linhagem.”

“Aquela imagem dela sentada sob o sol – cobrindo os olhos com as mãos enquanto tentava segurar os cabelos lambidos pelo vento – seria sempre a mais bela lembrança de sua infância.”

“Seus passos eram pesados e suas roupas estavam gastas, mas a energia e o entusiamo de sua voz não arrefeciam, quaisquer que fossem as provações.”

- Que porra é essa?
Embora fosse totalmente pertinente, a pergunta dita assim, em voz alta e naquele ambiente, tornou-se mais chocante do que realmente era e arrancou exclamações de espanto entre os convivas.

FINAIS

“Apesar das preocupações com o futuro que os aguardava, ela ainda lhe sorria aquele mesmo sorriso bonito e misterioso e com a promessa de felicidades vindouras.”

“Abraçados, enfim, caminharam juntos. E, ainda juntos, caíram mortos a cem metros dali.”

“Tragou longamente. Sentiu a fumaça entorpecer os pulmões, a nicotina tomar o céu da boca e causar na língua uma sensação de formigamento. Jogou no chão o que restava do cigarro e pisou em cima.

- Esse foi o último. Esses filhos da puta não tiram de mim nem um centavo a mais.

Escarrou um catarro escuro, como que para selar a promessa que acabara de fazer, foi à padaria e deu três tiros na cabeça do homem do caixa.”

E por aí vai.

O grande lance seria cobrar uma taxa mínima pela colaboração, algo simbólico mesmo, só pra fazer valer os cinco minutos de esforço que eu gasto pra bolar essas porca… ehr… obras de arte. E, claro, uma porcentagem – dessa vez não tão simbólica – dos lucros do livro, filme ou o que quer que fosse que o trou… cof, cof… cliente desenvolvesse a partir disso.

Seria inteligente colocar no meio alguns começos e finais famosos de livros já conceituados. Quando um cliente perguntasse “Ei, isso aqui não é o começo de ‘Cem Anos De Solidão’?“, eu poderia responder “Aquele viado do Gabo até hoje não me pagou um centavo por essa merreca aí que emprestou de mim naquele pulgueiro em Cuzco!“.

Ia dar a maior moral.