Arquivos de Setembro, 2006

Pedintismo

Volto do Pátio Brasil depois do meu almoço. Uma senhora que deve estar de saída da casa dos 60 me aborda:

- Moço, tô voltando do HRAN*, não comi nada até agora. Me dá um trocado pra eu almoçar?
- Ô, senhora, infelizmente não tenho dinheiro nenhum aqui comigo agora, mas podemos ir àquela loja
- aponto a loja de conveniência de um posto de gasolina a uns 20 metros de onde estamos - e eu te compro algo pra comer.
- Ah, não dá, minha filha tá me esperando ali embaixo, muito obrigado, viu?
- De nada.

Heh.
Palavras sábias de Homem-Cueca: “Esperto é o gato, que já nasce de bigode”.

* O HRAN é um hospital público que fica relativamente perto do meu trabalho.

Reparamentos

Cê já reparou que, ao passar de ônibus na frente de uma igreja, tem sempre um imbecil que faz o sinal da cruz?

E já reparou que, ao fazer um comentário irônico numa conversa com muitas pessoas, tem sempre um imbecil que não entende e leva a sério?

E já reparou que, ao navegar na internet, tem sempre um imbecil chamando os outros imbecis de imbecis?

Já reparou que nesse blog o imbecil chamando os imbecis de imbecis sou eu?

Não?

Seu imbecil!

É foda!

As pessoas fodem como preás enlouquecidos à beira da morte nas festividades de fim de ano, e em setembro a lista de aniversariantes do orkut fica gigantesca.

Mas pelo menos é possível dar uma boa desculpa pro seu filho:

- Que merda, guri: eu e tua mãe enchemos a cara de cidra cereser naquela festa de natal na casa da sua tia e fomos trepar completamente alcoolizados. A coisa tava tão feia que eu tomei o anticoncepcional e ela colocou a camisinha em lugares que prefiro nem mencionar. Resultado? Após todos esses anos, ainda sou obrigado a sustentar um traste velho igual a você.

É duro de ouvir, mas pelo menos é sincero.

O problema é ter nascido em julho, como eu, e ter que perguntar pra sua mãe:

- Velha, o que diabos você e meu pai estavam fazendo, fornicando em OUTUBRO?

Fraternidade escrota

- Cara, sabe o que eu acho bacana na amizade masculina?
- O quê?
- Esse lance fraterno da não-censura, manja?
- Tô sacando.
- Isso da gente poder conversar sobre qualquer merda, tá ligado?
- Sei como é!
- É massa poder falar de todos os assuntos possíveis e imagináveis com alguém, né não?
- Pode crer.
- Podemos falar daquela guria lá, aquela dos peitões…
- Ô, se podemos!
- Podemos discutir política…
- Um bom assunto sempre.
- Podemos comentar futebol…
- Clichê, porém válido.
- A gente pode falar até de roupas.
- Somos homens modernos, atentos à necessidade de uma boa apresentação.
- É, é mais ou menos por aí.
- Cê tem razão, cara.
- Eu sei que tenho.
- Podemos mesmo falar de qualquer coisa.
- Qualquer coisa, velho.
- Porque amizade masculina é assim, a gente não fica se julgando.
- Ah, que nada. Isso é coisa de mulher.
- Pois é. Não ficamos aguardando o momento mais apropriado pra cravar o punhal pelas costas do outro.
- De forma alguma.
- Nem somos fura-olho.
- Código de ética masculino.
- Seguido à risca.
- Digo mais: seguido À RISCA, em maiúsculas e negrito!
- Nunca tinha visto as coisas por esse ângulo.
- Agora vê.
- Qualquer assunto, cara.
- Qualquer um.
- Então, tá ligado quando você tá dando aquela raspada nos pêlos do saco com o prestobarba e…?
- Ih, vai começar a viadagem. É minha deixa. Fui!
- Ô, peraí… ei! VOLTAQUI, CARALHO! QUALQUER ASSUNTO, PORRA!
- Isso aí já é informação demais pra minha cabeça. BICHONA!
- Filho da puta.

Interlúdio II

De agora em diante
Não quero teu tédio
No meio
No fundo
No centro
Gozar é o remédio.

Pára de fingir que é santa, que é boa!
Pára de fingir que aceita a divisão de bens! Pára! Pára!

Eu só quero o meu lençol de casal!
(O resto fica com você)
Eu só quero o meu lençol de casal!
(Burocracia é com você)
Eu só quero o meu lençol de casal!
(Armas de fogo é com você)

Parece loucura brigar por lençol
Mas esse foi costurado
Por minha tia mongol.

Pára de fingir que é santa, que é boa!
Pára de fingir que aceita a divisão de bens! Pára! Pára!

Eu só quero o meu lençol de casal!
(O resto fica com você)
Eu só quero o meu lençol de casal!
(Burocracia é com você)
Eu só quero o meu lençol de casal!
(Armas de ponta é com você)

O hálito roça o dente
O dente roça o pêlo
O pêlo roça a pele
A pele roça o corpo
O corpo roça a alma
E a alma roça o mundo

E esse negócio de alma na alma é profundo.

É o téte no téte
Debaixo da lua
Da noite
Do sol
Da manhã
Da bomba nuclear
Eu só quero um amor e um lençol

O mundo pode acabar!

Pára de fingir que é santa, que é boa.
Pára de fingir que aceita a divisão de bens!

Eu só quero o meu lençol de casal!
Eu só quero o meu lençol de casal!
Eu só quero o meu lençol de casal!

(Zéu Britto - Lençol de casal)

Figaro!

Tivessem certas invenções da humanidade sido idealizadas mais cedo e muitas das guerras narradas pela história nunca aconteceriam. Tome como exemplo o creme de barbear mentolado. Poucas coisas são melhores que creme de barbear mentolado (e incluem-se, entre elas, as cuecas boxer).

Aliás, fazendo um top 5, provavelmente ficaria assim:

1. Cuecas boxer
2. Creme de barbear mentolado

Os outros três itens ainda estão em fase de discussão, mas a idéia é mais ou menos essa.

É claro que nem todos os inventos são tão bacanas. Outros parecem ter sido bolados mais ou menos exatamente para disseminar a desgraça, espalhar as moléstias, trazer dor e sofrimento e dar cabo de toda a alegria e regozijo entre os povos.

Nessa lista, como não podia deixar de ser, está a informática. E antes ainda, a Internet. A informática foi inventada para que pudessem criar a infernet e então sacanear alguém. É lógico! É mais que óbvio! A infernet é a maior piada de mau-gosto já feita por alguém (que depois veio a se tornar um estrondoso depósito de pornografia, onde é possível, com alguma tenacidade e muito tempo livre, encontrar qualquer filme ou foto de safadeza já concebida nesse planeta). Não bastasse isso, é também é o lugar que velhas idosas, deficientes, solitárias e neurastênicas - com delírios jornalísticos - encontraram pra expor todos os seus pensamentos estapafúrdios. Esses dinossauros, nas horas vagas, tentam processar jovens que fazem piadas com suas asneiras e absurdos.

Mas a vida é assim, e assim é a vida na Nova Internet® (incautos, tremei!).

O fato, como eu dizia, é que creme de barbear mentolado - o da Bozzano em especial - dá um alívio e um frescor (viadagem detectada) que nenhum sabonete dá. De verdade. Mulheres, vocês são muito mais sensíveis a isso: depilem a virilha esquerda com creme de barbear mentolado e a direita com sabão, depois digam de que lado a experiência foi mais agradável (se é que dá pra usar a palavra “agradável” e a expressão “depilar a virilha” na mesma sentença).

O creme de barbear mentolado só tem um problema: a publicidade (na verdade a publicidade é um problema em si só, mas enfim, não vamos entrar nesse mérito), que passa uma idéia enganosa sobre o ato de se barbear. Veja aquelas propagandas da Gilete. É sempre um sujeito que acaba de ter sua barba feita pelo melhor barbeiro do mundo, com uma navalha que poderia circuncidar um mosquito (que, apesar da circuncisão, não é judeu, nem infantilóide, nem deficiente, tampouco neurastênico, ao contrário de algumas velhas desocupadas da infernet), retirando uma enorme capa de ESPUMA do rosto com uma lâmina de barbear que poderia muito bem estar cega. Aliás, que poderia muito bem nem existir, já que espuma de barbear dá pra tirar com a mão!

Barbear-se é um processo relativamente demorado, particularmente chato e enfadonho de tão repetitivo: é preciso passar a lâmina várias e várias vezes sobre o mesmo ponto, primeiro em um sentido, depois em outro - a isso chama-se “escanhoar” -, para remover dali todos os resquícios de pêlos, que estarão de volta em alguns dias (dependendo do nível de parentesco que o cidadão tenha com o Tony Ramos, até mesmo em alguma horas).

Mas minhas reclamações sobre o barbear diário páram por aqui. Até porque eu só faço a barba uma vez a cada duas ou três semanas (a preguiça me consome). Sem contar que, como já disse antes, não me dou o direito de reclamar dessas pequenas tarefas masculinas para manter o asseio e a boa aparência, visto que mulheres passam por uma sabatina bem mais pesada, e sei reconhecer todo o esforço que elas fazem para tornar seu corpo simiesco o menos peludo possível.

Além do mais, nós temos creme de barbear mentolado para ajudar nesse processo complexo de tosar os pêlos da cara. Elas têm o quê? Na melhor das hipóteses, cera quente.

É uma situação injusta, convenhamos.

Mas eu não gostaria de entrar no banheiro e ver minha mãe, ou minha namorada, ou mesmo minha irmã, com a cara cheia de espuma de barbear, prestobarba em punho, escanhoando a bigodeira enquanto ouve os resultados do jogo do “framengo” contra o “curintcha” pelo brasileirão.

Seria um choque traumático demais!

P.S.: Se você é neto ou filho de alguma velha judia neurastênica e deficiente, por favor, empurre a cadeira de rodas dessa miserável para longe do computador. Tal presença nefasta começa a tornar a internet um lugar inabitável!

Obrigado.