Arquivos de Outubro, 2006

Ode à brevidade

Hoje vamos nos ater aos posts curtos, certo?

Certo.

Cromossomos X

A primeira foi minha professora da primeira série, acho. Tinha cabelos pretos compridos, era cheia de atenções e, deus!, como me parecia esperta, aquela mulher! Era muito mais velha que eu, lógico, mas no auge da maturidade permitida a uma criança de sete ou oito anos isso simplesmente não fazia diferença. O importante era que ela ria das minhas piadas, me tratava com muito carinho e entendia que meu distanciamento das outras crianças se devia ao fato de estar muitos passos à frente daquelas criaturas insuportavelmente barulhentas e desorganizadas.

A segunda foi uma menina do Marista, logo na segunda série. Seus longos cabelos castanhos chamaram minha atenção no primeiro dia de aula. Achava que era lindíssima (embora fotos das minhas turmas dessa época provam que meu padrão estético devia ser um tanto rasteiro). Seu sorriso era uma graça, sua voz era adorável e - o mais importante para tornar interessante uma garota de 8 anos aos olhos de um menino da mesma idade - me ignorava completamente.

No ano seguinte fomos para turmas diferentes, aí conheci aquela que seria minha musa nos próximos três anos. Emanuelle! Até o nome era lindo (assim achava na época, hoje me soa um tanto cafona). Sempre tão quieta, fazendo seus deveres, com aqueles cabelos presos em rabos-de-cavalo impecáveis. Também não me dedicava um mísero segundo de atenção por dia, o que a tornava irresistivelmente atraente aos meus olhos pueris. Na quarta série passamos a nos cumprimentar diariamente e na quinta já conversávamos. Um dia, para meu estupor, viu uma foto minha e fez um elogio. Senti vontade de sair correndo, mas ela se retirou antes, com a elegância que lhe era peculiar. Achei que meu mundo estava completo!

E foram cinco longos anos sem outras admirações platônicas, até que em 1998, no segundo ano do segundo grau, conheci aquela moça morena de olhos claros. Sem exagero algum: um arrepio me subiu pelo corpo e fiquei sem reação quando a menina, mirando meus olhos castanhos com suas duas esferas de azul brilhante, sorriu o sorriso mais bonito que eu vira até então. E devo ter feito uma expressão de espanto maravilhado, como quem acaba de descobrir o sentido da vida, pois ao sorriso seguiu-se uma risada deliciosa. Levei mais da metade do primeiro semestre até ter coragem de lhe dirigir a palavra. Ainda assim, sempre a abordava com ressalvas. De vez em quando ainda nos encontramos fortuitamente nesse ovo que é Brasília, e a mulher continua uma escultura, mas já não me causa estremecimentos.

Já aos 18, achando que o avanço da idade havia me tornado imune a esse tipo de sentimento, vi a professora de química pela primeira vez. Ainda me lembro tão claramente do momento em que lhe pousei os olhos pela primeira vez que fica fácil descrevê-lo. Ela caminhava em direção às janelas da sala. A luz do sol, filtrada pelas persianas, parecia estar ali com a finalidade específica de iluminá-la, como aquelas luzes que, no teatro, seguem os protagonistas de um lado a outro. O vento que soprava contra seus cabelos tornava cinematográfica a cena. De repente, não se ouvia mais as vozes masculinas que antes tomavam a sala. Tudo isso durou menos de cinco segundos, mas era uma imagem do tipo que fica marcada na sua mente de forma indelével.

Nenhuma delas foi minha, e talvez por isso sejam lembranças tão agradáveis…

Dragonballzices

O amor é como um Sayajin: se for brutalmente espancado até a beira da morte e sobreviver, vai retornar mais forte do que antes.

Tops 2

TOP 5 RAZÕES PELAS QUAIS EU NÃO COMERIA A EVANGELINE LILLY:

5. Ela tem namorado.
4. E ele é um hobbit!
3. Ela tem tanta cintura quanto a Letícia Spiller (que deve ter, de cintura, o mesmo que que o Brad Pitt, que, por sua vez, não tem uma cintura bacana, logo…)
2. Os bíceps dela são maiores que os meus (e maiores que os seus também, provavelmente).
1. Ela nunca daria pra mim.

TOP 5 DIÁLOGOS (alguns talvez sejam monólogos, mas tanto faz) PREFERIDOS DO CINEMA:

5. O Demolidor:

“Veja só, de acordo com o plano do Cocteau, eu sou o inimigo porque gosto de pensar. Eu gosto de ler. Sou a favor da liberdade de expressão e da liberdade de escolha. Eu sou o tipo de cara que gosta de sentar em uma birosca gordurosa e pensar ‘Puxa, devo pedir o bife de T-Bone ou a promoção gigante de costelas com molho de churrasco com fritas ao molho pra acompanhar?’ Eu QUERO colesterol alto. Eu quero comer bacon e manteiga e baldes de queijo, ok? Quero fumar charutos cubanos do tamanho de Cincinnati na seção de não-fumantes. Eu quero correr pelas ruas pelado com geléia verde espalhada pelo corpo lendo revista de mulher pelada. Por quê? Porque de repente posso sentir vontade, cara. Eu vi o futuro. E quer saber como é? É uma virgem de 47 anos sentada com seu pijama bege, bebendo um shake de banana com brócolis, cantando ‘Eu quero um cachorro-quente’. Você pode viver lá em cima seguindo as ordens do Cocteau: o que ele quiser, quando ele quiser, como ele quiser. Sua outra opção? Vir aqui pra baixo e talvez morrer de fome.”

4. Se7en:

“- Peraí, achei que tudo o que você fez foi matar gente inocente.
- Inocente? Isso era pra ser engraçado? Um homem obeso, um homem asqueroso que mal conseguia ficar de pé; um homem que, se você visse na rua, iria apontá-lo para seus amigos, para se juntarem a você e sacaneá-lo; um homem que se você visse durante uma refeição não conseguiria terminar de comer. Depois dele escolhi o advogado - e eu sei que vocês dois devem me agradecer secretamente por isso. Aquele era um homem que dedicou sua vida a ganhar dinheiro mentindo sem parar pra manter assassinos e estupradores nas ruas! (…) Uma mulher tão feia por dentro que não conseguiria viver se não pudesse ser linda por fora. Um traficante de drogas, um traficante pederasta, na verdade! E não podemos esquecer a puta disseminadora de doenças! Só em uma merda de mundo como esse você poderia ousar dizer com essa cara séria que essas pessoas eram inocentes. Mas é esse o ponto! Nós vemos um pecado capital em cada esquina, em cada casa. E toleramos. Toleramos porque é comum, é trivial. Toleramos pela manhã, à tarde e à noite. Bom, não mais. Estou dando o exemplo. O que eu fiz será decifrado e estudado e seguido… pra sempre.”

3. Clube da Luta:

“Cara, eu vejo no Clube da Luta os homens mais fortes e espertos que já viveram. Eu vejo todo esse potencial, e vejo ócio. Diabos, uma geração inteira enchendo tanques, servindo mesas. Escravos de colarinho branco. A publicidade nos faz perseguir carros e roupas, trabalhar em empregos que odiamos para que possamos comprar merdas que não precisamos. (…) Não temos nenhuma Grande Guerra. Nenhuma Grande Depressão. Nossa grande guerra é espiritual, nossa grande depressão é nossa vida. Fomos todos criados pela televisão na crença de que um dia seríamos milionários, deuses do cinema e estrelas do rock. Mas não somos. E lentamente nos damos conta desse fato. E estamos muito, muito putos da vida.”

2. O Grande Ditador:

O discurso final. É grande pra caralho, não vou colar aqui. Procure no Google.

1. Pulp Fiction:

“Tem uma passagem que eu memorizei. Ezequiel 25:17:

‘O caminho do homem de bem é cercado por todos os lados pelas iniqüidades dos egoístas e a tirania dos maus. Abençoado aquele que, em nome da caridade e boa-vontade, pastoreia os fracos pelo vale das trevas. Pois é verdadeiramente o guardião de seus irmãos e salvador dos filhos perdidos. E irei cair com grande vingança e ira sobre todos os que tentarem envenenar e destruir meus irmãos. E você saberá que eu sou o Senhor quando minha vingança o abater’.

Venho dizendo essa merda por anos. E se você chegou a ouvir, significa que ia morrer. Nunca parei pra pensar no significado. Achava que fosse uma daquelas coisas que mostram sangue-frio, pra se dizer a um filho da puta antes de encher o rabo dele de balas. Mas eu vi uma merda hoje de manhã que me fez pensar duas vezes. Agora eu estou pensando: isso poderia significar que você é o mau. E eu sou o justo. E o senhor 9mm aqui é o pastor protegendo meu rabo justo pelo vale das trevas. Ou poderia significar que você é o justo e eu sou o pastor. E é o mundo que é mau e egoísta. Eu gosto dessa versão. Mas essa merda não é verdade. A verdade é: você é o fraco. E eu sou a tirania dos maus. Mas estou tentando, Ringo. Estou tentando DE VERDADE ser o pastor.”

Daquelas nem tanto…

O pacote de isoporitos tá custando R$ 0,99 no Extra. Minha vontade é ir até o lugar com uma nota de R$ 50,00 e comprar tudo dessa porcaria. Quem sabe eu não consigo completar minha coleção de montáveis dos X-Men? Taí uma coisa que me faria feliz…

Aliás, dia desses abri um pacote desses cancerígenos e encontrei não um ou dois, mas SEIS montáveis. E todos diferentes. Fiquei exultante. Sou daqueles idiotas que se comprazem com pouco.

Semana passada conversei com uma pessoa que se recusava a acreditar que não sou português. Acho que foi o melhor elogio que já me fizeram.

Assisti “O Diabo Veste Prada”. Considerações a respeito do mercado de “moda” à parte, sinto-me na obrigação de dizer que a Anne Hathaway é uma versão bonita da Liv Tyler. Bonita e gostosa, aliás, pois me lembro bem dos peitos dela, vistos de relance em Brockeback Mountain (um aparte machista apenas para não deixar em dúvida a caminhoneirice de quem escreve - e também porque, ora bolas, a mulher tem peitos definitivamente muito bonitos, é preciso dar-lhe algum crédito por isso).

Hoje, a caminho do trabalho - e em parte por minha culpa, admito, que andava pela calçada distraído, rindo de panfletos do Alckmin que me foram entregues diante do Pátio Brasil - uma mulher me deu um esbarrão daqueles feios. Quase fui ao chão. Ela foi. Ajudei a moça a se levantar e ela ainda foi extremamente mal-educada. Agora, fosse a vida uma comédia romântica, eu descobriria que ela é minha nova colega de trabalho ao chegar à minha sala. Durante alguns meses ela pensaria que sou um palerma estúpido, enquanto eu iria acha-la uma megera das piores. Com o tempo descobriríamos qualidades um no outro. Ela iria me mostrar um lado dócil e carinhoso e perceberia que há em mim mais inteligência do que o esperado. Mas a vida não é uma comédia romântica, então, após a descortesia da mulher, limitei-me a dizer um desaforo à la “Filme do Batiman” em retorno e seguir meu caminho. Velha mal-educada do caralho!

Comprei um Playstation 2 e descobri o que é a felicidade.

O Júlio - que vai ali pra barra lateral assim que eu terminar essa porcaria - me intimou a entrar naquele lance de escrever seis tópicos a respeito de si. Eu não sei mais falar a meu respeito tem um bom tempo, a menos que sejam essas baboseiras superficiais aí em cima. Então ficam essas baboseiras superficiais aí em cima como resposta à solicitação do cara. Entenda, mano velho: é o mistério que garante minha fama de mau.

Das coisas importantes:

- Os paulistas elegeram Paulo Maluf pra câmara dos deputados. Paulo Maluf! Um notório, convicto, irreparável ladrão. Não digo “corrupto”, porque é abrandar o inabrandável: digo ladrão mesmo, safado, criminoso, mafioso, picareta, pústula, canalha, crápula, facínora, etc, etc, etc.

- Os alagoanos, por sua vez, não querendo ficar atrás da imbecilidade política paulistóide, fizeram questão de alçar Fernando Collor ao senado federal. Fernando Collor! Imagino o que não fariam se Paulo César Farias ainda fosse vivo…

- Mas os paulistas não gostam de ficar pra trás. Em sua infinita arrogância, em seu incontrolável desejo de se afirmar como a população mais QUALQUER COISA que você disser, também deram um cargo a Enéas. E um ao Clodovil. Porque esse povinho bunda, cretino, ridículo, patético e muito digno de ser triturado por PCCs da vida, acha que política é brincadeira. Paulista leva futebol a sério e política na brincadeira. Eles têm mais é que se foder mesmo. E de verde e amarelo, porque são o melhor retrato do Brasil.

- Do Brasil que elegeu QUATRO governadores do PFL. QUATRO. Do Brasil que, levando essa porra toda na sacanagem, como sempre, achando que política é igual samba que é igual a bunda que é igual a uma grande cagada, elegeu José Sarney e sua filha. Elegeu Paulo e Jaqueline Roriz. E elegeu Joaquim Roriz senador.

- Eu queria muito ter moral suficiente pra dizer que vivo no meio de um povo que sabe votar. Não precisava ser num PAÍS que sabe votar: só dizer que minha cidade sabe eleger seus representantes me deixaria feliz. Mas quem será o governador nos próximos 4 anos? Arruda. E seu vice? Paulo Octávio. E quem ficou em segundo lugar? Abadia. E quem foram os deputados federais vencedores? Fraga, Bispo Rodovalho e Tadeu Filippelli.

Vocês merecem se foder um monte.
O governo só reflete a ausência de bom-senso do povo desse país.