Archive for Dezembro, 2006

Dicionáricos

- Oxigênio!
- Oxímoro!
- Oxiúros!
- Occipital!
- Calma lá! Esse último não vale!
- Como não, se tem o mesmo som? Também começa com “ocsi”!
- Mas é escrito com ó, dois cês e i, e não com ó, xis e i.
- Mas é parecido, o trato era usar verbetes parecidos.
- Não, o trato era seguir o mesmo RADICAL!
- Radiola!
- Radioterapia!
- Radiação!
- Radiante!
- Esse aí também não vale.
- Como assim, não vale?
- Radiação e radiante. Praticamente a mesma palavra.
- É vingança pela derrota passada! Você Inventa essas regras só para poder ganhar.
- Como se você fosse capaz de me subjugar.
- Não me subestime.
- Então submeta-se.
- Não tem cabimento esta sublevação.
- Sou subversivo.
- Está claro que tudo isso não passa de subterfúgio.
- Apenas no seu subconsciente.
- Não queres admitir, mas está subentendido.
- Só se for por você, seu suburbano!
- Agora tentas fugir da contenda de modo pouco honroso. Sub-reptício, até.
- Não me amole, subalterno.
- Desces tanto que já o vejo no subsolo!
- Cansei.
- Canastrão.
- Canalha.
- Canário.
- Cangote.
- Perdeu de novo. Cancelamos?
- Por esse seu vocabulário, um dia hão de canonizá-lo.
- Mas que observação canhestra!
- Já disse: estou cansado.
- Então chega, antes que comeces com a cantilena.
- Você não vai parar nunca?
- Só depois que você admitir derrota.
- Então admito.
- Estou admirado!
- Chega! Você prometeu!
- …
- Ou serei obrigado a admoestá-lo!
- Oras, não acho que seja admissível!…

Tendências suicidas

Meu pai conversava com uma amiga a respeito de um cunhado dela que foi escalar a pedra da gávea sem equipamentos de segurança e caiu de 20 metros. Não sofreu nenhum ferimento grave, apesar disso. Meu pai, mau-humorado por ter acordado muito cedo, não perdôou:- Que gênio, hein? Quando ele melhorar, mande subir na pedra de novo.
- Com os equipamentos de segurança, né?
- Nããão! Sem!
- Mas… sem? Ele subiu sem e quase morreu!
- E vai subir de novo, não duvide. Einstein já dizia que existem duas coisas infinitas: o universo e a estupidez humana…

Nessa hora não me contive e resolvi intervir.

- Pai, você fuma!
- Ué. E daí?
- Você TAMBÉM tá se matando, assim como ele. Só que cada um a seu modo. Isso te tira o direito de criticar a estupidez alheia.

Tópicos

Quando entro no painel de edição de comentários do Yaccs, costumo dar uma conferida nas páginas recém-comentadas à esquerda. Foi assim que encontrei, entre outros, o blog da minha antagonista cibernética, uma mulher que é o oposto de tudo o que eu represento. As ondas de zanga, pessimismo, chatice e agressividade que se manifestam no utopia são imediatamente bloqueadas pelo blog dela, que emana uma aura de tranqüilidade, otimismo, alegria incondicional e compaixão. Não houvesse meu blog, a internet seria um antro rosa, fofo e cuti-cuti, com espasmos hello kittyanos. Não houvesse o blog dela e a rede virtual de computadores não passaria de um buraco negro resmungão, capaz de estilhaçar brutalmente mesmo as menores demonstrações de boa-vontade.

Nessa minha onda de fuçar a esmo, acabei caindo no blog Histórias Massa. Gostei pra caralho e pensei em adicionar aos links, mas antes quero ver se ele é atualizado, já que o último link que coloquei na barra lateral entrou em pausa uns dois dias depois de ter seu endereço divulgado aqui. Como bom esquizofrênico, preciso saber se as pessoas não estão me boicotando. Meu psiquiatra não apóia esse comportamento, mas tudo bem, ele é imaginário.

Outro dia o sitemeter acusou que eu fui linkado por um blog chamado “Os Ganso Gracioso”. Na verdade o nome do blog é em inglês. Como o(a) dono(a) da página não publica seu nome e parece manter o endereço disponível apenas para uns poucos amigos, não vou avacalhar o esquema expondo-o(a) a vocês, bando babento de bárbaros bestiais. Só achei que seria divertido fazer uma gracinha com o nome do blog. Percebo agora que não teve a menor graça. Deixarei aí, entretanto, para que a execração pública caia sobre mim como a foice fatal do ceifador sinistro. Ou não.

E o Branco Leone trocou de endereço. Eu tava pra falar disso há tempos, mas não conseguia escrever um texto à altura do cara. Ainda não consigo, mas foda-se. Tá atualizado o link dele, que continua chutando o balde com toda a elegância e categoria. É dele, aliás, uma frase que penso seriamente em mandar colocar na minha sepultura: “Se conteúdo fosse importante eu não gostava tanto de bunda”. Genial!

Também deixei anotado aqui pra falar a respeito (sim, estou desenvolvendo uma série de tópicos que deixei como lembrete nos rascunhos do blogger) dos blogs que não estão ali na lista lateral mas que linkam essa porcaria. Deveria agradecer aos que não só têm a falta de bom-senso de visitar sempre o utopia como também disseminam essa praga pela internet e citar os que encontrasse no sitemeter cometendo tal abominação. Mas não tô a fim de procurar os endereços de vocês agora. De todo modo, fica meu agradecimento. Queria dizer que é pra vocês que escrevo, mas na verdade não é. Ainda assim fico feliz que tenha realmente quem leia isso aqui. Não é um indicador confiável de se estou ou não fazendo um trabalho decente, mas tenho certeza que é um indicador de alguma coisa que ainda não consegui descobrir.

Bíblia - Director’s cut

E Deus criou o ornitorrinco. E, olhando atentamente para o animal no qual soprara a vida, notou que o bicho não era ave nem mamífero. Tampouco poderia ser definido como terrestre, aquático ou anfíbio. Em sua voz tonitruante, o todo-poderoso exclamou, ao se espantar com tamanha versatilidade:

- Que porra é essa?

E deus viu que o ornitorrinco era escroto.

Gênese 1:26½

Dá um beijinho!

Porra, melhor propaganda que eu vejo na tevê em… em… cara, em MUITO tempo. Essa vai ser memorável, como aquele velho comercial da Honda, com o gordinho cantando que acordou e tirou o pijama e… pô, queria ver de novo, será que tem no youtube?

É impressão minha ou o sujeito que leva as peixadas na cabeça é o Marco Aurélio?

[ATUALIZAÇÃO] TEM! =D

Conselho Tutelar

Comprei o DVD de Encontrando Forrester outro dia, nas Americanas, por módicos R$ 12,90. Uma pechincha, considerando o quanto gosto do filme e como estaria disposto a pagar bem mais por ele.

Admito que boa parte do meu apreço pela película vem da profunda inveja que sinto do personagem Jamal Wallace. E não é por ser um sujeito com uma mente aguda, inteligência afiada e extremamente talentoso na hora de escrever.

Ok, na verdade isso também me causa inveja. Mas não é o fator principal. Minha inveja deriva do fato dele achar alguém que é reconhecidamente grandioso no trato com as letras e desse homem aceitar, de bom grado (na medida do possível), lapidar o potencial do rapaz. Aquela cena em que ele recupera os cadernos e encontra anotações do William Forrester é o melhor exemplo que posso citar aqui.

Antes de mais nada, devo explicar que considero “talento” uma palavra forte demais. Talento para a música tem um moleque que escreve uma sinfonia aos 8 anos. Talento tem um cara que ignora a esmagadora maioria das normas gramaticais - em especial quanto à pontuação - e lança um livro que, apesar de sua estrutura difícil de acompanhar, é indiscutivelmente genial. Enfim. Talento é uma daquelas palavras que deveriam ser aplicadas de forma parcimoniosa, mas acabam sendo vulgarizadas por quem não pesa bem o que diz. O que tenho com a escrita é, no máximo, certa facilidade - o que não pressupõe competência, ressalto.

Talvez eu fosse capaz de sair da linha do medíocre, não fosse tão indolente e indisciplinado. Indolente por jamais reescrever o que faço. Refazer, refazer, refazer e refazer, até sangrar os dedos no teclado, provavelmente me levaria a resultados melhores. Mas fico com medo de apagar o trabalho já pronto na tentativa de aprimorá-lo e acabar com um resultado pior do que o anterior.

Indisciplinado por não ser capaz de me forçar a escrever, por me sujeitar a arroubos de inspiração, essa força esquisita, volúvel e traiçoeira, que só se aproxima nos momentos em que você não tem como agarrá-la pelo pescoço e espremê-la até não sobrar nada, até secar a fonte. Se essa presença inconstante me leva a produzir rabiscos interessantes ao se aproximar, também me leva a redigir textos patéticos quando parte.

Nesse ponto, alguém como Willian Forrester seria capaz de me ajudar. Ao reler meus escritos e apontar os trechos incoerentes, as passagens interessantes, os argumentos falhos, os pontos regulares e as partes sofríveis, ele me forçaria a repensar minhas estruturas redativas. Além do mais, alguém com anos de escrita nas costas sempre poderia contribuir com algum cacoete que ajudasse a aumentar a fluidez das palavras.

Era disso que eu precisava. Alguém com conhecimento, moral e bagagem suficientes pra analisar o produto do meu esforço e dizer, de uma vez por todas, se sou um inapto lutando contra moinhos de vento ao tentar melhorar ou se realmente há, sob toda essa lenga-lenga, a probabilidade de um dia eu chegar ao ponto em que pense “Ok, eu sou bom nisso. Posso arranjar um trabalho nessa área e receber dinheiro pelos meus textos sem peso na consciência.”.

O problema é essa maldita síndrome de George McFly que não me permite sondar a opinião dos que sabem mais que eu.