Arquivos de Dezembro, 2006

Desenterrando…

Minha página de edição no blogger é cheia de rascunhos que nunca tive coragem de publicar. Quaisquer que sejam os motivos, são coisas que pensei ser melhor não expor. Alguns traem certos aspectos da minha personalidade que prefiro não compartilhar com desconhecidos, outros fazem piadinhas que depois, pensando melhor, percebi não terem a menor graça. Há ainda os textos fictícios inacabados por falta de inspiração e as divagações que começam e não terminam porque concluí, no meio do processo de criação, que a argumentação toda era furada - por incompetência e/ou ignorância da minha parte - e que o resultado final seria uma merda vergonhosa.

São meus “abortos redativos”, como gosto de chamar.

Vasculhando essas porcarias, me deparei com o que vem logo abaixo. Lembro bem das circunstâncias que me levaram a escrevê-lo, mas não lembro o que me motivou a ocultá-lo. Se fosse refazer tudo hoje, provavelmente seria bem mais brando - o que é fácil de entender, considerando que estava visivelmente emputecido e rabisquei o pobre aborto à guisa de desabafo -, mas acabaria por manter certas “figuras de linguagem” que considero significativas.

Enfim. Chega de preâmbulos, segue o texto. E antes que alguns de vocês - em especial os que já se aventuraram a conversar comigo pelo meebo - imaginem que as próximas linhas são uma alfinetada para que me deixem em paz, adianto que essa não é minha intenção, até porque não sou homem de alfinetar ninguém, e os papos que tive com leitores desconhecidos até agora foram particularmente agradáveis.

“Brasileiro é um povo melindrado pra caralho. De verdade.
Um dos inúmeros exemplos que posso usar pra provar esse fato incontestável é um DVD que minha mãe comprou há algum tempo. Não interessa qual é o filme, já que essa informação provavelmente vai desviar a atenção de alguns para algo que não tem nada a ver com a história. O que importa é o menu do DVD.

O espectador tem a opção de escolher o menu em três idiomas: Inglês, espanhol e português. O botão em inglês diz ‘English - Press Here’. O botão para o menu em espanhol diz ‘Español - pressiona acá’ ou qualquer porra dessas, bem simples.

O botão em português diz ‘Português - por favor, pressione aqui’.

Esse é UM exemplo. Existem tantos outros… A fúria brasileira contra comunidades no orkut que questionam - apenas QUESTIONAM, não criticam nem nada - a invasão brasileira ao site de relacionamentos é outro exemplo muito bom. Um moleque que enviou uma carta indignada à revista Marvel Millenium Homem-Aranha reclamando de uma frase corriqueira dita pelo Aranha (’Acho que vou vomitar!’ ou algo assim) em solo brasileiro, tomando isso como uma ofensa imperdoável, como se fosse uma ameaça à soberania nacional, é outro.

Um com o qual eu me deparo freqüentemente é a algazarra que fazem alguns leitores quando eu digo que não vim aqui pra fazer amigos. Parece até que chutei a vó de alguém pelas costas, cuspi na cara da velha e depois levei embora seu dinheiro suado, merecidamente ganho após incontáveis partidas de bingo.

Nêgo age como se estivesse sendo pisado ou como se eu estivesse declarando ‘Sou melhor que você, seu inseto insignificante!’, quando minha intenção passa bem longe disso. Eu sei muito bem que existem centenas de milhares de pessoas extremamente interessantes por aí, cheias de coisas pra me dizer, lições pra ensinar, idéias pra compartilhar. Pessoas que podem se tornar grandes amigos, gente a quem talvez possa confiar minha vida sem risco algum. Gente íntegra, generosa, inteligente, divertida…

Eu sei disso.

Mas não quero conhecer essas pessoas. Porra, eu me reservo o direito INALIENÁVEL de NÃO QUERER CONHECER MAIS NINGUÉM! O que há de errado com isso? Heim? Existe alguma LEI, alguma PORRA de REGRA que diga que eu sou OBRIGADO a aturar a LADAINHA de todo mundo que chega querendo ser meu amigo? Há? Me mostrem essa porra, PROVEM que todo mundo - TODO MUNDO, sem exceção - segue tal determinação e pronto, serei mais um da companhia.

Até lá vão tomar no cu, não me encham o saco e me deixem ser sozinho.

E só pra constar: se você se ofendeu com essa minha política de não querer ser seu amigo - e de ninguém mais - então eu devo dizer que, sim, eu sou incomensuravelmente melhor que você apenas por saber que não se deve levar tudo pro lado pessoal.”

ATUALIZAÇÃO: Aliás, já sei por que não publiquei isso antes. Que treco agressivo, puta merda. Parece até a era pré-histórica desse blog.

Dando pinta

Pegando uma carona com a patroa até o trabalho, paramos num semáforo. Em seguida, um sujeito em uma Kawasaki Ninja ZX-12R (idênica a essa aí da foto) pára ao nosso lado.Na hora bate aquele Valdir e eu comento:

- Taquiupa! Olha que foda a moto do cara!
- É uma ninja?
- É! Sensacional!
- Uma beleza mesmo.
- Pô, a jaqueta dele também é muito massa.
- …
- E o capacete também é lindão.
- Tá se agradando das posses do moço, é?
- Porra, até o sapato dele é bonito. Ah, foda-se, eu vou lá fora dar pra esse cara!