Estou acostumado a ser mal-interpretado. E não, não culpo os leitores por esse tipo de problema. Meus textos muitas vezes necessitam mais clareza. É lógico que às vezes o leitor simplesmente não presta atenção no que está escrito ou interpreta de forma errônea por manter certas idéias pre-concebidas que vão de encontro ao que está dito, mas prefiro achar que esses casos são minoria.
Uma das coisas que eu faço desde antes desse blog existir, quando ele desexistia e também quando existia antes da desexistência (???), é reclamar que as pessoas são burras. Que as pessoas não pensam, que não se informam, que não se mobilizam, etc e tal. Todo esse papo que pode soar hipócrita (não faço parte de qualquer ong, não leio jornais diariamente, não fico de olho nas atualidades políticas…), mas na verdade não é. Não espero que ninguém vire um ativista por qualquer coisa que seja, até porque isso TAMBÉM é idiotice. Quando digo essas coisas na verdade estou reclamando de quem diz coisas impensadas. De quem comete imposturas. Ou, como diz o livro do Harry G. Frankfurt, de quem “fala merda”.
Meu problema é com ESSAS pessoas: as que falam merda. Porque uma coisa é você não correr atrás de informação, não ser um leitor assíduo das folhas do país, não se manter ligado nos movimentos da política, não ajudar as obras sociais do seu bairro, da sua cidade, do seu estado, do seu país, não colaborar com nada e ficar na sua. É um direito seu. Bom pra você. Parabéns, seja feliz.
Outra coisa é agir como exemplificado no parágrafo acima e ainda assim sair por aí dizendo um monte de merdas, como se soubesse tudo de tudo e fosse o ser humano mais consciente da atualidade.
Mas o ponto onde queria chegar, na verdade, é que não sou um “infólatra”. Não troco um episódio de As Aventuras de Billy & Mandy por meia hora de Discovery Channel, por exemplo.
A menos que esteja passando Planeta Terra.
É difícil explicar o que essa série de documentários tem de mais. Bom, na verdade não é, não. Difícil é saber por onde começar, então vou logo para o ponto mais chamativo: as imagens. Não sei se dão oscars para produções televisivas - acredito que não -, mas essa merecia. Merecia muito. Porque as imagens são cinematográficas. Tudo em todas as cenas parece ter sido programado de antemão pra deixar o telespectador boquiaberto. As cores, os movimentos, os cenários, tudo. Como se um cenógrafo tivesse ido aos lugares antes do cinegrafista para organizar os elementos na tela.
A narrativa é boa! A NARRATIVA! Não existe nada mais enfadonho do que narrativa de documentário televisivo e finalmente temos uma série que rompe tal limitação, acabando com uma tradição que dura gerações. Vai por mim: seus pais viram documentários cuja narrativa dava sono no colégio. Você viu. E seus filhos verão, a menos que assistam Planeta Terra.
Sendo sincero, não sei se é o texto que é realmente bom ou se é porque as imagens são tão magníficas que qualquer merda dita pelo narrador simplesmente não fará diferença. Ele poderia ler o resultado de um exame de sangue enquanto a câmera focaliza quadro a quadro - quadro a quadro MESMO - um gavião morcegueiro caçando morcegos em Bornéu e ainda assim você sentiria um arrepio na espinha. Porque tudo na tela é tão assombrosamente bonito que a série é capaz de transformar o mais empedernido capitalista poluidor da natureza em um ferrenho militante do Green Peace.
E se tudo o que já foi dito a respeito não for convincente o suficiente pra você sentar a bunda diante da televisão por uma hora, todas as terças, às 22h, aqui vai o que eu consideraria o argumento supremo:
A música de abertura é do Sigur Rós.
Eu ODEIO Sigur Rós.
E não consigo parar de ouvir Hoppipolla há três dias.
Sério, assista.

