Sou assumidamente fresco com comida. Fresco mesmo, abicholado, viadinho, chato, sabe como é? Menino criado com vó, aí já viu. Não sou muito chegado em carne, por exemplo. Frango, só empanado. Em coxinhas e empadinhas também encaro. Vaca? Só os melhores pedaços. Sim, me refiro aos mais caros. E só se estiver assado. Gosto de churrasco, mas não como qualquer coisa. Carne de porco? Calabresa, salaminho e presunto. E olhe lá. Peixes e frutos do mar? São amigos, não comida. Abro uma exceção: gosto de patê de atum. Se dependesse de mim, só haveria pesca esportiva.
Também não sou chegado em salada. Folhas, em particular, me aborrecem. Agrião, rúcula, essas porcarias, pra mim é tudo comida de cavalo. Nabo, pepino e outros vegetais de duplo sentido também dispenso. Meu negócio é carboidrato e alimentos de qualidade (e valor nutritivo) questionável. Junk food, como gostam de chamar aqueles babacas que intercalam idiomas só pra mostrar que são letrados. Hambúrguer (sim, é carne, mas eu gosto… vai entender), salgadinhos, biscoitos, sucrilhos, iogurte, queijo, leite… aliás, leite e derivados de leite também chamam minha atenção. Falando sério: não sei como sou magro, comendo as coisas que como.
Sendo brasileiro, entretanto, não dispenso um bom prato de arroz, feijão, bife e batata frita. O bife sendo de filé, lógico.
Provavelmente você está pensando que isso me desabona pra sugerir bons lugares para comer. Eu gosto de pensar de forma diferente: como sou muito criterioso (chato!), exigente (chato!!) e seletivo (chato pra caralho!!!), os restaurantes/lanchonetes/quiosques/pé-sujo precisam se esforçar para passar pelo meu crivo e ganhar minha lealdade “enquanto a nível de” cliente.
Resumindo: se você quer comer porcarias deliciosas, vai em frente e segue meu roteiro. Se o seu negócio é nutrição, entretanto, vai caçar um restaurante natureba qualquer – coisa fácil de achar nesse detestável acampamento hippie urbano que é Brasília – e divirta-se comendo suas comidas “macrô” sem gosto.
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Quando você não sabe pra onde ir, vai ao Giraffa’s. Essa rede de lanchonetes é uma sumidade por aqui. Qualquer beco de Brasília tem uma loja. É sério, são mais de 40 unidades no Distrito Federal, sendo umas 23 só no Plano Piloto. Pra você ter noção, conto 4 Giraffas num raio de menos de um quilômetro da minha casa.O grande problema é que nem todas as lojas estão em consenso. Meu prato preferido é o parmeggiana de frango com fritas e eu deveria fotografar as porções servidas por diferentes lojas da cidade para depois mandar as imagens para a central nacional da lanchonete. Algumas são extremamente generosas (como a da 209 norte), enquanto outras são de uma avareza judaica (a do Pátio Brasil é o melhor exemplo). A melhor em todos os quesitos, na minha opinião, é a da 302/303 norte. Podem perguntar ao Daniel: no horário de almoço, quando o movimento é mais intenso, você termina de pagar e eles servem seu prato antes que você tenha chance de se afastar do caixa. E sem murrinhagem, o que é melhor.
Como nem tudo é perfeito, a loja não funciona de madrugada. Mas se você quer encarar um sandubão depois de meia-noite, existem duas outras opções bem melhores que qualquer rede de lanchonete terminada em ‘s:
O Marcão. Esse quiosque já é um clássico. Nas madrugadas, na entrada da 409 norte, eles servem os sandubas mais BRUTAIS da cidade. Não é à toa que batizaram suas criações com nomes sugestivos como “monstro”, “hulk”, “guloso”, “mal-educado”… O Hulk, minha opção-padrão no lugar, custa 5 reais e é maior que qualquer hamburguer do McDonald’s, Burger King ou Bob’s. QUALQUER UM! As pastas deles merecem menção honrosa. Mas se você tem estômago fraco e/ou não gosta de maionese, passe longe: a mistureba pode ser considerada pouco católica pelo seu sistema digestivo.
Se você mora na Asa Sul, nem tudo está perdido. Vá à barraquinha de cachorro-quente na entrada da 214 sul. Os preços não são os melhores, mas a pasta de alho dos caras é sensacional. Não recomendo, porém, comer um desses antes de cair na noitada se você tiver planos pra falar de perto com alguém.
Para os que preferem gastar com gasolina e poupar com comida, no Guará, perto do Pão de Açúcar – não sei o endereço exato, desculpe – tem uma lanchonete que vende um sanduíche homônimo sugestivamente chamado “A bomba”: um X-Tudo com refrigerante que sai pela bagatela de R$ 4,00. É possível encontrar semelhantes mais baratos na rodoviária do Plano Piloto, mas eu não recomendo. Ainda não entendi como a vigilância sanitária não fechou as barracas de lá.
Se o seu negócio é comer algo de dia e um pouco mais natureba, vá à Zimbrus, na 305 sul. Até eu gosto da salada de lá. Por R$ 10,90 é possível montar uma salada grande que alimenta duas pessoas normais. Se você é igual a mim e come com voracidade, como se estivesse amarrado há três semanas, coma sua folhagem sozinho. São 8 itens, mais 3 frios mais um molho. Eu geralmente peço alface, milho, ervilha, palmito, cenoura, beterraba, batata palha e croutons com mozarela de búfala, peito de peru e presunto. Como molho minha escolha é mostarda com mel.
Eu poderia viver só disso. Disse o cara que não é chegado em saladas.
Se você preferir alguma coisa não tão natureba, a Zimbrus também tem várias opções de sanduíches, massas, grelhados, sucos, vitaminas, etc, etc, etc. Eu gosto do açaí cremoso que fazem lá.
Mas se é pra tomar um açaí bom e barato, vá – às quartas-feiras – às lanchonetes que ficam na comercial da 706/707 norte, em frente ao McDonalds. Eles fazem promoção de açaí 500 ml a R$ 2,50. Compre para a semana inteira e mantenha na geladeira, se for muito viciado nesse tipo de coisa.
Pra poupar mais dinheiro ainda, ao pedir pizza ligue para a Pizzaria Genérica: 3347-0207. Pizza grande com boa diversidade de sabores a R$ 9,90 + taxa de entrega (acaba saindo por uns R$ 11,90, se você mora na Asa Norte).
Mas se você não tá tão na pindaíba assim e pode pagar uns R$ 25,00 numa pizza com molho de tomate (o que é surpreendente para os padrões de Brasília), vá à Baco da 409 sul. O sabor da sua pizza é o de menos, mas lembre-se de pedir a massa fina! Ao fim, coma a sobremesa deles chamada “Morangos Bêbados”.
Se não quiser cruzar o eixo monumental e ainda está a fim de curtir uma pizza decente, vá à Felicitá (306 norte) e peça uma de palmito, só para se surpreender ao ver que eles não economizam nos ingredientes. Aliás, se quiser levar sua namorada pra um jantar bacana E barato, lembre-se desse restaurante. Eles têm ótimas saladas (a Capricciosa em especial) e pratos muito, muito bons (eu recomendo o frango à parmegiana com talharim ao molho de alecrim).
Depois de comer tanto, se estiver a fim de um expresso, um capuccino, um café irlandês ou qualquer coisa relacionada a café, vá ao cyber café do posto da torre. E peça um pedaço da torta de chocolate deles, que merece mérito quádruplo: pelo sabor, pela quantidade de recheio, pelo tamanho da fatia e pelo preço.
Compre muitos engovs e bom apetite.