Nesse blog, como na vida real, muitas vezes simplesmente não tenho nada pra dizer. Fico procurando assuntos, revirando minha mente, tentando pensar em algo que valha a pena ser mencionado. Ou, se não for o caso, pelo menos que possa ser dito de maneira a soar interessante. Porque isso, no fim das contas, é o mais importante.
Aqui, assim como pessoalmente, acabo dizendo muito sem dizer nada realmente relevante. Faço considerações e teço comentários a respeito das coisas, sem nunca me aprofundar no assunto. Permaneço na superfície, arranho de leve o pouco que sei. Pelo receio de ser chato. Porque temo ser enfadonho.
Nos textos e nas conversas, geralmente falo sozinho. Engato discursos pra mim mesmo, imaginando interlocutores que provavelmente mereceriam ouvir o que digo, e destilo rancores antigos e amarguras alimentadas após anos e anos convivendo com minha leve dose de paranóia.
Escrevendo, tal e qual falando, me pergunto, ao terminar, se não disse muita bobagem. Fico pensando que ficar quieto teria sido melhor. Imagino que talvez devesse dar um basta, botar um ponto final, acabar com o que quer que seja que eu tenha com quem recebe minhas palavras. Me afastar, ir embora, sumir, sei lá. E me pergunto se o interesse demonstrado por quem ouve e lê é legítimo. Se não passa de falsidade de alguém querendo tirar proveito sabe-se lá do quê, sem saber que não tenho nada que possa interessar. E esqueço palavras. E mostro irritação. E sou incapaz de manter o foco.
Nesse blog e na vida real, afinal de contas, sou a mesmíssima coisa: um bobalhão tímido que não tem o que dizer e esconde toneladas de insegurança atrás de boa dose de agressividade e umas pitadas de sarcasmo.