Arquivos de Março, 2007

Salve, simpatia!

- E aí, Pedrão, onde você comprou essa camiseta tinha pra homem? HAHAHAHA.
- Tománocu com areia.

***

- Cara, acho que não vou te devolver aquele CD que você me emprestou, não. Hehehehe.
- Vá se foder com pedrinhas.

***

São essas manifestações espontâneas de afeto e carinho pelos meus semelhantes que me tornam um sujeito tão querido e cheio de amigos.

Mas quem precisa de popularidade é candidato a deputado distrital, então que se foda.

Com pedrinhas.

A cessão sistemática…

Em idos de 2002, quando todos os blogs eram linkados uns nos outros em posts, barras laterais, gifs piscantes, fotos, quando a putaria rolava solta, enfim, e havia uma enorme promiscuidade blogueira na rede, quando pessoas (quase) normais escreviam porque gostavam e não havia essa gigantesta leva de jornalistas e literatos frustrados sem qualquer destaque na mídia convencional caçando hordas incontroláveis de fãs na internet, certo dia me dei conta que esse blog aqui tinha links DEMAIS ali do lado direito.

(Se bem que na época acho que era do lado esquerdo, mas isso não vem ao caso.)

Mandei pra cuias vários deles. Alguns voltaram depois, quando retomei minhas atividades por aqui, após me cansar do heterônimo (o Mr. Hyde era tão diferente que chamá-lo de “pseudônimo” não lhe faz justiça). Outros até hoje estão sumidos.

Chega então o momento em que me deparo com uma enorme lista de links para blogs. Minha decisão de manter um seleto grupo de cinco ou seis páginas favoritas já foi pro caralho há muito tempo. O número de endereços ali do lado está beirando 20 e a última adição foi o nashblog. De um cara que eu nem conheço, mas que chuta bundas.

Se sofrer novo surto de seletividade e resolver dar cabo do povo que está ali - mas que, na realidade, não me interessa -, tenho certeza que o endereço dele é um dos poucos restará. Sério. Vá até lá e receba sua dose diária de sarcasmo (mas do bom, puro, límpido, direto da fonte, nada dessa ironia podre e transgênica que distribuo por aqui).

Paralelices

Nesse blog, como na vida real, muitas vezes simplesmente não tenho nada pra dizer. Fico procurando assuntos, revirando minha mente, tentando pensar em algo que valha a pena ser mencionado. Ou, se não for o caso, pelo menos que possa ser dito de maneira a soar interessante. Porque isso, no fim das contas, é o mais importante.

Aqui, assim como pessoalmente, acabo dizendo muito sem dizer nada realmente relevante. Faço considerações e teço comentários a respeito das coisas, sem nunca me aprofundar no assunto. Permaneço na superfície, arranho de leve o pouco que sei. Pelo receio de ser chato. Porque temo ser enfadonho.

Nos textos e nas conversas, geralmente falo sozinho. Engato discursos pra mim mesmo, imaginando interlocutores que provavelmente mereceriam ouvir o que digo, e destilo rancores antigos e amarguras alimentadas após anos e anos convivendo com minha leve dose de paranóia.

Escrevendo, tal e qual falando, me pergunto, ao terminar, se não disse muita bobagem. Fico pensando que ficar quieto teria sido melhor. Imagino que talvez devesse dar um basta, botar um ponto final, acabar com o que quer que seja que eu tenha com quem recebe minhas palavras. Me afastar, ir embora, sumir, sei lá. E me pergunto se o interesse demonstrado por quem ouve e lê é legítimo. Se não passa de falsidade de alguém querendo tirar proveito sabe-se lá do quê, sem saber que não tenho nada que possa interessar. E esqueço palavras. E mostro irritação. E sou incapaz de manter o foco.

Nesse blog e na vida real, afinal de contas, sou a mesmíssima coisa: um bobalhão tímido que não tem o que dizer e esconde toneladas de insegurança atrás de boa dose de agressividade e umas pitadas de sarcasmo.