Monthly Archive for May, 2007

Mais uma baixa.

Ralph conduziu prematuramente o Ópio a seu destino inexorável.

Façamos silêncio em face desse triste acontecimento.

Historieta Curtita XVI

Depois de tanto ouvir falar, finalmente conseguiu criar um orkut. Adorou saber que estava conectado a 54.676.737.234.796.658 pessoas por intermédio de 3 amigos. Logo na primeira meia hora, adicionou cerca de setenta desconhecidos e entrou em centenas de comunidades.

Aquilo era incrível, todo mundo parecia saber exatamente do que ele gostava! Ele também odiava acordar cedo, adorava sexo, curtia mulheres de bunda grande e tinha pegada, ele também sofria as agruras de ser inteligente, não se abalava com críticas e não se iludia com elogios. Ele era o que era, não o que pensavam dele (achou essa uma sacada tão genial que colocou em sua descrição). Odiava aquilo, amava aquilo outro e dormia com o celular do lado.

Passou a enviar, por scratches, scrapts, scrats e recados, as mensagens engraçadinhas e/ou edificantes que recebia em seu outlook. Escreveu diversos testemunhals para seus amigos, sempre começando com “o que falar sobre fulaninho(a)?”. Uma miguxa fez invasão em seu perfil e escreveu maravilhas a respeito dele. Discutiu com pessoas que passavam por sua página sem se dar o trabalho de deixar uma mensagem, participou de jogos onde beijou, foi beijado, defenestrou e casou-se com a pessoa acima. Escreveu em tópicos com os cotovelos, com o nariz e com a testa. Que divertido era tudo aquilo! Como vivera até então sem tal ferramenta de inclusão social?

A parte que mais gostou foi aquela que definia sua “sorte de hoje”. Entrava sempre, antes de sair de casa, para saber o que aconteceria. Um dia, antes de sair de balada, leu:

Sorte de hoje:
Você é o centro das atenções de todos os grupos.

Achou bastante auspicioso (embora sequer soubesse o que era auspício). Tomou banho, vestiu-se (não sem antes tirar uma foto no espelho do banheiro para colocar em seu perfil e fotolog), passou bastante gel e espetou bem os cabelos, calçou os all-stars surrados, vestiu a camisetinha regata colada e foi curtir a night.

A caminho da boate passou no meio de uma pancadaria entre punks e skinheads. Apanhou indiscriminadamente de carecas e dorme-sujos.

Impressionante como o orkut nunca errava!

Simplificando.

Pelos comentários do post passado, parece ser consenso, entre quem tem o salutar hábito de botar os neurônios pra funcionar, que grande maioria da população sofre de uma séria deficiência, principalmente no que tange a compreender ironias.

Sugiro, então, que toda vez que alguém escrever algo irônico em um blog, sinalize.
Assim, por exemplo:

Isso poderá (talvez) servir para refrear (parte d)o ímpeto dos idiotas.

Das blasfêmias - Parte 2

(Se você acompanha quadrinhos, mas não o suficiente para saber do desenrolar de Guerra Civil, cuidado: este post contém spoilers!)

Em junho de 2002 (aqui no Brasil), terminando um árduo ciclo de absurdos, finalmente Howard Mackie se despediu das revistas do Homem-Aranha. No lugar dele entrou J. Michael Straczynski. E as primeiras histórias escritas por ele foram sensacionais. Provavelmente, se parar para relê-las agora, não me parecerão tão boas, mas compreenda: depois de cinco ou seis anos tendo em mãos porcarias que seriam capazes de afundar qualquer título - não fosse o Homem-Aranha tão popular -, qualquer história de nível médio para bom seria um colírio em olhos cansados.

Nessa época, graças a uma série de fatores, estava voltando a me empolgar com os quadrinhos. O primeiro, mais importante, eram as histórias do ultiverso. Por aqui estávamos, talvez, na oitava ou nona edição da Panini, mas eu já tinha lido até a décima, ou décima quinta, disponível gratuitamente no site da Marvel (essa mamata terminou, infelizmente). O trabalho de Brian Michael Bendis era novidade para mim (mas não o traço de Mark Bagley) e lembrou-me de uma sensação, à época, já esquecida: a ansiedade pela próxima edição. Também foi quando começou a sair Vagabond por aqui. O mangá de Takehiko Inoue, embora seja cada vez mais infreqüente - para dizer o mínimo -, ainda figura entre minhas revistas favoritas.

Também passei a comprar a revista do Demolidor, graças ao nome de Bendis, no começo de 2003. Mais ou menos pela época em que Straczynski começou a cagar no pau. Surgiu um tal Ezekiel, que tinha os mesmo poderes do Peter. Em seguida, começaram a ser cada vez mais comuns as insinuações de que os poderes aracnídeos seriam, na verdade, dons enviados por um tal tótem da aranha. Papo místico vem, papo místico vai, passei a me perguntar se o que tinha em mãos era uma revista do Homem-Aranha ou do Dr. Estranho. Então apareceu um tal Morlun, Peter foi brutalmente espancado, conseguiu derrotá-lo (de maneira mal explicada, mas conseguiu) e tia May descobriu sobre a identidade secreta de seu sobrinho. Peter, algum tempo depois, virou uma aranha gigante. Quando voltou ao normal, passou a produzir teia organicamente - como nos filmes - e seus lançadores foram aposentados.

Então Straczynski deu o golpe final. Criou uma história maluca na qual Gwen Stacy e Norman Osborn tiveram um casal de gêmeos em Paris. Por qualquer péssima e inverossímil - mesmo para uma história em quadrinhos de super-heróis - razão, dentro de cinco ou seis anos eles já tinham atingido tamanho adulto e, logicamente, foram para Nova York matar Parker. Achei essa uma idéia tão boa que deveria ter sido publicada na época da saga do Clone. Fez com que me perguntasse se Howard Mackie REALMENTE havia deixado de participar da revista do Aranha.

Enquanto isso, no Ultiverso, Brian Bendis começou a pisar fora da linha. Em suas mãos, o pobre Peter Parker de 15 anos sofria mais e mais para manter a identidade em segredo. Nick Fury mostrou saber exatamente quem estava por trás da máscara vermelha e cheia de teias do amigão da vizinhança abordando o garoto em seu colégio. Mary Jane já sabia. O Rei do Crime já o havia desmascarado, embora não soubesse quem era o rapaz sob a máscara. A idéia de que o Homem-Aranha era incapaz de ocultar sua identidade civil tornou-se lugar-comum.

E isso tomou parte também no universo 616 (a versão “padrão” da Marvel). De repente, todos os outros heróis sabiam exatamente quem era o sujeito sob a máscara. Antigamente, apenas Wolverine, o Demolidor e a Gata Negra tinham essa informação. Sem explicação alguma, Nick Fury também passou a tê-la. E o Capitão América. E os Vingadores. Parece que apenas J. Jonah Jameson não sabe que Parker e o Aranha são a mesma viscosa pessoa.

Estamos chegando onde quero, mas calma lá! Os disparates não param por aí. Na última saga publicada pela revista, chamada O Outro, Morlun voltou. Peter morreu. Retornou. E agora tem novos poderes. Como atualmente faz parte dos vingadores, o Homem de Ferro desenhou para ele um uniforme novinho.

Esse:

“Novo” Aranha

Certo. Lembrem-se que eu não sou um fã xiita e coisa e tal, mas, puta que pariu, se é pra avacalhar, porque não fizeram logo um uniforme rosa, sem estrelas e sem listras pro Capitão América? Quem sabe se trocassem a roupa do Homem de Ferro por um penico na cabeça e um cinturão de garrafas de água com gás para a propulsão do vôo?

Até a roupa do Ben Reilly era melhor, e olha que os lançadores de teia eram externos!

E, aqui no Brasil, é nesse pé que as coisas estão. O Homem-Aranha agora é uma subdivisão do Homem de Ferro, com um uniforme que imita as cores e funções da armadura de seu “tutor”. Como Peter Parker, tornou-se um garoto de recados de Tony Stark, um pau-mandado, um lambe-botas.

Guerra Civil vem aí. Nessa saga, o governo americano vai sancionar uma lei exigindo que todo vigilante mascarado se apresente para o governo e se cadastre, sob pena de ser preso como fora-da-lei. Alguns heróis serão contra essa medida, liderados pelo Capitão América. Outros vão se mostrar a favor. Liderados pelo Homem de Ferro. Entre eles, o Capacho-Aranha.

Seguindo a sugestão de seu “chefe”, Peter Parker vai se desmascarar em rede nacional de TV. A identidade “secreta” do Homem-Aranha, cada vez menos respeitada, vai desaparecer.

E eu não sou um fã xiita, mas a Marvel FINALMENTE conseguiu cruzar uma linha que eu não tolero. Não admito super-heróis com identidade pública. Por isso nunca gostei muito do Quarteto Fantástico, por isso nunca gostei muito do Capitão América. Por isso sempre gostei do Batman, essa é toda a graça do Super-Homem. Vou continuar comprando Homem-Aranha até o final de guerra civil. Até o final de Back in Black.

A partir daí, novas edições só em sebos.

A partir de dezembro, 14 anos depois da minha primeira revista do amigão da vizinhança, chega de quadrinhos do aranha pra mim.

Das blasfêmias - Parte 1

Não sou um fã xiita de quadrinhos. Por fã xiita, compreenda-se aqueles caras que não aceitam, de maneira alguma, qualquer mudança no personagem, que reagem intempestivamente à menor menção de alteração, seja qual for o aspecto. Não sou desses.

Fãs xiitas se manifestaram duramente contra a modificação do uniforme do Homem-Aranha, em meados da década de 80, durante as famigeradas Guerras Secretas. A decisão da Marvel de alterar o clássico uniforme do herói, a princípio repudiada pelos adoradores do escalador de paredes, desencadeou um arco de histórias tão vasto que só foi terminar, em 1988, com o surgimento de Venom, pelas talentosas mãos de Todd McFarlane e David Micheline. Com o tempo, vários daqueles que reagiram mal à simples idéia do Aranha passar de vermelho e azul para preto e branco perceberam que, no fim das contas, os resultados foram muito bons. Muitas daquelas histórias são, atualmente, lembradas com carinho como grandes clássicos. Histórias que definem quem o personagem é, qual o seu caráter e, portanto, devem ser lidas por qualquer um disposto a entrar no vasto clube de fãs de Peter Parker.

Depois disso, ainda fazendo uso de sua postura reaça, fãs xiitas reclamaram do casamento de Peter e Mary Jane. Era inconcebível, para eles, que o personagem, antes um solteirão convicto, preso a problemas pessoais que, em geral, diziam respeito apenas a ele - eventualmente também à sua tia -, passasse a ter alguém com quem dividir a vida. Novamente a sensação de desconforto e desaprovação foi embora de vez quando a dupla Micheline e McFarlane adotou o título.

Sem causar nenhuma mudança significativa no personagem, os dois conseguiram catapultar as vendas da revista. Apenas fizeram uso dos grandes recursos que o Homem-Aranha sempre teve à sua disposição. Poucos, depois de Stan Lee e Steve Ditko, souberam compreender e, por conseqüência, desenvolver de forma tão admirável o personagem. Michelin e MacFarlane são alguns desses.

Nenhuma das alterações acima me aborreceu. Embora tudo isso já tivesse acontecido à época em que comecei a ler os quadrinhos do Aranha, só fui tomar conhecimento dessa “nova” vida do personagem quase dois anos depois de comprar minha primeira edição. Eu lia apenas A Teia do Aranha, que publicava histórias antigas, geralmente do meio para o fim da década de 70 e começo dos anos 80, com roteiros de Gerry Conway, Jim Shooter, Bill Mantlo, Tom DeFalco. Às vezes encontrava até uma ou outra história do próprio Stan Lee e foi também onde tive os primeiros contatos com roteiros de Peter David e Frank Miller.

Quando passei a comprar, além da A Teia do Aranha, também as edições de Homem-Aranha, foi depois da saída do MacFarlane. As histórias ainda eram escritas pelo Micheline e os desenhos ficavam, em sua maioria, a cargo de Erik Larsen ou Sal Buscema. Venom já existia. Peter e Mary Jane já eram casados. Um ou outro vilão escapava ao meu (pouco) conhecimento. Fora isso, ainda era o mesmo herói piadista que bancava o fotógrafo freelancer enquanto, nas horas vagas, tentava cuidar da tia velha.

O Homem-Aranha, enfim.

Então a Abril resolveu sincronizar os dois títulos. Homem-Aranha e Teia do Aranha teriam histórias recentes. David Micheline cedeu o posto de principal roteirista a J. M. DeMatteis, que era (e ainda é!) muito bom. A abordagem deste era sensivelmente diferente daquela usada por seu predecessor. Enquanto Micheline valorizava a ação, DeMatteis impregnava as histórias com uma carga emocional mais intensa. Foi mais ou menos nessa época que o aranha se tornou um vingador reserva. Foi por aí, também, que Venom ressurgiu, apareceu o Carnificina e os dois se tornaram presença constante. As histórias ainda eram boas, porém, e eu não era um fã xiita, como já disse.

Daí DeMatteis e Micheline trouxeram de volta os pais de Peter Parker. E, apesar do meu pouco conhecimento, notei que alguma coisa ali fedia. Não me pareceu uma boa idéia, como não parece até hoje. Ressuscitar os pais de Peter Parker seria como trazer de volta seu tio morto. Essas decepções construíram a personalidade do Homem-Aranha, são traumas que fizeram dele o que é. Não se pode simplesmente contornar coisas assim, sob o risco de estragar completamente as bases que fundamentam todos os acontecimentos subseqüentes na vida dele. Mas eu não mandava em nada, como ainda não mando. Era apenas um leitor, o que que ainda sou.

O ‘Aranha Escarlate’…

A partir daí tudo degringolou. DeMatteis e Micheline, com sua cagada imperdoável, deram espaço para que Howard Mackie fizesse todos os estragos que queria. Mas não sozinho. Os dois ainda participavam, embora menos ativamente, das histórias do Aranha e esse trio matou os pais ressuscitados, colocou May Parker em coma e transformou o Aranha, de um herói bem-humorado e prestativo, em um sujeito tão violento, sombrio e pouco sociável que faria o Batman sentir inveja. Para fechar com chave de ouro tantos acontecimentos desastrosos, eles terminaram por trazer de volta, do limbo do esquecimento, de uma história escrita quase 20 anos antes por Gerry Conway (se não me engano), um clone do escalador de paredes. Até mesmo Conway mostrou surpresa com a decisão da Marvel e tenho certeza que, em seu íntimo, deve ter pensado “Mas que ideiazinha de merda!”.

Mas Gerry Conway, como eu, não apitava nada na Marvel. E foi lançada a saga do clone.

Surgiu Ben Reilly, vulgo “Aranha Escarlate”.Tia May morreu. Mary Jane ficou grávida. Com o “Aranha Escarlate” (deus do céu, que nome patético, impressionante como soa cada vez mais e mais ridículo com o passar dos anos!) veio uma nova leva de personagens e supervilões, todos com origens e poderes “indeterminados”. O tipo de absurdo que você sabe que o roteirista ainda não tem como explicar, mas, na cabeça dele, está bolando qualquer porcaria que julga ser “plausível”.

Parker foi preso. O Chacal voltou. Peter foi solto e então foi revelado que aquele Peter Parker que todo mundo conhecia, que todo mundo acompanhava há 20 anos era, na verdade, o clone. Ben Reilly era o verdadeiro. E Peter abriu mão do uniforme, mudou-se de NY com sua mulher grávida. Ben passou a ser o Homem-Aranha, com um novo uniforme e histórias cheias de personagens totalmente desconhecidos. Enquanto isso, Peter perdeu os poderes. Voltou para NY. Morreu. Voltou na história seguinte.

O “Sensacional” Homem-Aranha…

As lambanças sucediam-se de tal maneira que era difícil acompanhar. E eu continuava lá, todo mês, desembolsando alguns dos meus poucos reais para levar para casa as revistas do aranha e passar raiva. Não sou um leitor xiita, mas sabia que aquilo ali era lixo, do legítimo. Um especialista em lixo provaria e diria, com um aceno de cabeça, que ali estava uma safra campeã. Howard Mackie fazia todos os absurdos que queria. Então matou o clone, trouxe Norman Osborn de volta à vida, revelou que toda a história do Peter ser falso não passava de uma enorme conspiração de seu arquiinimigo (supostamente) morto, desapareceu com o bebê que Mary Jane esperava e, para finalizar a onda de morre-mas-volta, tia May retornou para o mundo dos vivos.

Um tempo depois os roteiristas mataram Mary Jane. Mas ela voltou.

E eu passei por tudo isso. Com raiva, sim. Mas passei. Até que, no começo da década, aparentemente alguém soprou novo ar nos pulmões combalidos da Marvel. E então veio uma leva de novos roteiristas, novos artistas e novas histórias. Brian Michael Bendis recriou genialmente o universo Marvel em sua versão Ultimate. Mark Bagley uniu-se a ele para escrever o novo começo do Aranha (que não apaga o começo original, é uma versão paralela). Surgiram os Ultimates (Supremos, aqui no Brasil), que é a melhor coisa que alguém pode encontrar em quadrinhos nos tempos atuais. Brian Bendis também resolveu que era hora de alguém, 20 anos depois de Frank Miller, fazer jus ao Demolidor.

Enquanto isso as histórias do Homem-Aranha deram a impressão que iam sair da poça de lama também, principalmente quando Howard Mackie foi, FINALMENTE, substituído por J. Michael Straczinsky. E as primeiras edições foram ótimas, se comparadas com o que havia antes. Bastante promissoras.

Mas as coisas não continuaram assim por muito tempo…

Matrix preloaded




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