Não sou um cara ciumento.
Se um sujeito se aproximar da minha namorada e lograr levá-la embora, parabéns para ele. Ou é muito melhor do que eu - em alguns ou vários aspectos - ou é muito bom em fingir excelência. Ou - ainda há essa possibilidade - ela ficou tão pouco criteriosa que é justo deixá-la trocar gato por lebre.
Qualquer que seja a teoria certa, a verdade é: se alguém consegue levar sua mulher embora, provavelmente merece ficar com ela. E se ela resolveu ir, merece o sujeito pelo qual te deixou.
Ao contrário do que muitos homens acham, mulheres são seres dotados de vontade própria. Não são vacas ou outras criaturas nas quais você pode marcar na bunda, a ferro quente, suas iniciais, reclamando, assim, direitos irrevogáveis.
Por isso não é minha obrigação “proteger” minha namorada de gaviões, bajuladores e etc. Ela deve aprender a recusar esse tipo de gente ou ficar com eles. Meu papel na história é o de… bom, não tenho papel nenhum nisso. Gosto dela e quero que fique. E se ela quiser ficar, ficará. Se quiser ir, irá. Simples.
Mas meus livros, cara… ah, meus livros.
Meus livros são meus. MEUS. E nesse ponto sou extremamente egoísta, ciumento, possessivo. Por uma razão simples: livros são objetos inanimados (isso não é novidade para ninguém) e, como objetos inanimados, podem ser carregados para longe, sem esboçar a menor resistência, por qualquer imbecil descerebrado que tenha acesso a eles e se disponha a levá-los.
Perder uma mulher pode ser sofrido e desagradável, mas outras virão. Não vale a pena esquentar a cabeça por essas coisas.
Um livro perdido é irrecuperável. É esse tipo de coisa que me deixa profundamente chateado.
Perdi um, hoje.
E, sendo esta uma pátria de analfabetos funcionais, de fãs do Paulo Coelho, de leitores ávidos de porcarias como as escritas pelo Dan Brown, de consumistas pouco (ou nada) críticos de livros de auto-ajuda, é nula minha esperança de que alguém vá dar o mesmo valor que eu ao que tem em mãos…