Arquivos de Julho, 2007

Priscas eras I

Texto resgatado de um período do Vida + ou - já esquecido pelo homem:

Prezada Editora,

Foi com imensa satisfação que vi a coleção “Shakespeare Hoje”, na qual vocês publicam peças de Shakespeare com linguagem atual e moderna. Acredito que o objetivo de levar suas histórias ao público mais jovem será alcançado, graças à primorosa adaptação feita por vocês, como pude perceber no seguinte trecho de Hamlet:

BERNARDO
Kra, eu vi u seu pai!!!

HAMLET
o.O !!!

BERNARDO
\o/ !!!

HAMLET
Mew, komo??????????

BERNARDO
Kuando eu tava di guarda, vi u ispiritu dele!!!!!!!!!!

HAMLET
I u ki ki ele disse?

BERNARDO
Disse…. tipo….. “mew, kd u meu filhuuuuu????”

HAMLET
:************ !!!!!!!!!!!!!!!

Espero que a coleção continue. Estou ansioso para ler a versão moderna de “Ricardo III”, que me disseram ser dos mesmos produtores de “Ricardo I” e “Ricardo II”.

Grato,
Daniell.

Ignorância orgulhosa

- Aí a gente fomos…
- Nós fomos.
- Não, você não tava junto.
- Tománoseucu! Quero dizer que o certo é NÓS FOMOS, e não “a gente fomos”. Retardado.
- Sifudê. Então nós foi lá e cheguemo…
- CHEGAMOS!
- …e cheguemo tarde. Ela não quis ir com nós…
- CONOSCO!
- Pára de interromper, viado! Ela não quis ir com nós porque tava meia cansada…
- Da cintura pra cima ou da cintura pra baixo? Lado esquerdo ou lado direito?
- Que merda, não dá pra te contar nada.
- Dá, se você não falar feito um imbecil analfabeto. Sério, cara, você estudou nos mesmos colégios que eu. Seus pais pagaram uma nota pra sua educação e você me usa um “nós cheguemo”? “Ir com nós”? “Meia cansada”? Porra, é de cair o cu da bunda!
- Você e suas regrinhas de português.
- Não é questão de “regrinhas de português”, é questão de fazer valer o investimento dos seus velhos.
- Não ligo pra isso, eles pagaram porque quiseram. E, seje como for…
- SEJA!
- …seje como for, nunca fui bom em português, tão pouco…
- TAMPOUCO, CARALHO!
- …tão pouco tô ligando pra estética das minhas mensagens.
- Olha só. “Estética”. Daqui a pouco vai até saber o que é um polissílabo.
- Cara, eu não sou burro. Só não sou chegado nesse teu purismo lingüistico.
- Não sou purista.
- É, sim.
- Não sou.
- É, sim.
- Não sou.
- É, sim. E se você tivesse menas preocupaç…

[Sangue e vísceras]

Bah…

Não sou um cara ciumento.

Se um sujeito se aproximar da minha namorada e lograr levá-la embora, parabéns para ele. Ou é muito melhor do que eu - em alguns ou vários aspectos - ou é muito bom em fingir excelência. Ou - ainda há essa possibilidade - ela ficou tão pouco criteriosa que é justo deixá-la trocar gato por lebre.

Qualquer que seja a teoria certa, a verdade é: se alguém consegue levar sua mulher embora, provavelmente merece ficar com ela. E se ela resolveu ir, merece o sujeito pelo qual te deixou.

Ao contrário do que muitos homens acham, mulheres são seres dotados de vontade própria. Não são vacas ou outras criaturas nas quais você pode marcar na bunda, a ferro quente, suas iniciais, reclamando, assim, direitos irrevogáveis.

Por isso não é minha obrigação “proteger” minha namorada de gaviões, bajuladores e etc. Ela deve aprender a recusar esse tipo de gente ou ficar com eles. Meu papel na história é o de… bom, não tenho papel nenhum nisso. Gosto dela e quero que fique. E se ela quiser ficar, ficará. Se quiser ir, irá. Simples.

Mas meus livros, cara… ah, meus livros.

Meus livros são meus. MEUS. E nesse ponto sou extremamente egoísta, ciumento, possessivo. Por uma razão simples: livros são objetos inanimados (isso não é novidade para ninguém) e, como objetos inanimados, podem ser carregados para longe, sem esboçar a menor resistência, por qualquer imbecil descerebrado que tenha acesso a eles e se disponha a levá-los.

Perder uma mulher pode ser sofrido e desagradável, mas outras virão. Não vale a pena esquentar a cabeça por essas coisas.
Um livro perdido é irrecuperável. É esse tipo de coisa que me deixa profundamente chateado.

Perdi um, hoje.

E, sendo esta uma pátria de analfabetos funcionais, de fãs do Paulo Coelho, de leitores ávidos de porcarias como as escritas pelo Dan Brown, de consumistas pouco (ou nada) críticos de livros de auto-ajuda, é nula minha esperança de que alguém vá dar o mesmo valor que eu ao que tem em mãos…

Decisões acertadas

Escrevi uns três parágrafos explicando, de forma mais didática e bonitinha, o que quis dizer no post intitulado “fogo cerrado”, alguns dias atrás. A indignação, os comentários mal-criados e recorrentes afirmações, por parte dos leitores, da minha “não-argumentação” fizeram-me duvidar se fui suficientemente claro no que disse, se dava para entender, pelo que escrevi, que minha intenção não é livrar a cara do governo - nem do Lula -, inocentá-lo de culpa. Apenas ridicularizar a pressa da imprensa - e, por conseqüência, da população sem o menor bom-senso - em apontar culpados antes que sejam esclarecidas as causas do acidente.

Mas desisti.

Não vale a pena explicar ironias. O máximo que isso causa é uma aproximação amigável dos idiotas.

E, ainda que isso me torne persona non grata perante a Estupidocracia, os idiotas estão, em relação a mim, na posição que eu quero que fiquem: a de antagonistas.

Saudação às boas novas

Como a vida não é feita apenas de notícias ruins, ACM está esperando o elevador que vai conduzi-lo, sem sombra de dúvida, ao andar de baixo.

Consta que o canalha está implorando aos médicos para que não o deixem morrer. Provavelmente está ciente de seu destino: ir pro inferno lamber o saco do capeta.

O ditado já diz, entretanto, que vaso ruim não quebra. Para colocar tal afirmação à prova, no melhor estilo Mythbusters, acho que seria prudente ir ao Incor, munido de uma marreta, para aliviar o crápula de seu sofrimento (e garantir que toda minha esperança não seja em vão)…

[Atualização]: HAHAHAHAHAH MORREU!!!
Porra! Isso que é presente de aniversário!!

Cultura pop

Hoje aprendi uma nova palavra numa revista em quadrinhos.

Palimpsesto.

Deixem seus filhos lerem quadrinhos em paz, vermes!