Arquivos de Julho, 2007

Arquivos

Sabe, tem aquele site, o web.archive.org, onde vou com certa freqüência para reler coisas que gostava de ler há alguns anos e que, infelizmente, por capricho de quem escrevia ou por chiliques de servidores, não podem mais ser encontradas nem no cache do google.

Mas então. Por lá é possível ver desde o nascimento de deus até arquivos ruins de blogs que, com o tempo, deixaram de ser tão ruins (embora não tenham se tornado exatamente bons, porque aí leva um tanto mais de tempo).

Como esse aqui, por exemplo.

Dá pra ler por lá meus chiliques homéricos em 2002. Os comentários não podem ser acompanhados, (in)felizmente.

Quem quiser que procure. Mas não recomendo.
Se quiser algo antigo e de qualidade pra ler, vá atrás dos arquivos do Genérico Incolor, procurando por generico.blogspot.com, ou do Não Vá Se Perder Por aí (naovaseperder.blogspot.com).

Ou desligue esse computador e vá ler qualquer coisa do Júlio Verne. Melhor opção, aliás.

Surto

Daí que hoje tô a fim de escrever veleidades sobre assuntos pífios.

- Isso é o que você faz sempre.

Oras, cale-se!

Aleatoriedades musicais

Lá no Last.FM, que cria gráficos do que eu mais ouço e menos ouço (no que se refere a música, claro, nada a ver com vozes na cabeça e esquizofrenias afins), consta que minha música mais ouvida, desde que o perfil foi criado, é All These Things That I’ve Done, dos THE Killers. Odeio esse THE que algumas bandas colocam no começo do nome, porque nunca sei se devo ou não suprimi-lo. Então uso sempre e chamo de THE Killers. Chamar só de “Killers” soa muito… muito… informal pro meu gosto.

Mas então. Eu gosto dos THE Killers, gosto muito. Quero dizer, não deles, claro, porque nem conheço os caras e não sou chegado em tietagem. Gosto muito das músicas que eles tocam, do som que fazem e essas coisas todas, apesar do primeiro CD, Hot Fuss, ser incomensuravelmente melhor que o segundo, Sam’s Town, na minha humilde, pequena, restrita e muito, muito válida opinião. E olha que não sou chegado nessas bandas que tocam de terninho e com ar Blasé. Salvo os THE Strokes, que, embora não toquem de terninho, tem o tal ar blasé, mas eu acho que é só porque os sujeitos usam tantas drogas e têm tanto cabelo caindo sobre os olhos que fica difícil enxergar qualquer coisa além de um palmo do nariz, daí ficarem olhando pro infinito o tempo todo e sem expressão, porque determinados narcóticos fazem isso mesmo, dão aquele ar “vacal” (ou bovino, como preferirem).

Mas, como eu dizia, essas bandinhas que tocam de terno e com jeitão de “foda-se o público, o sucesso não nos interessa” não me interessam. Não é que eu queira ver músicos com pinta de mendigo - como os caras do Hurra Torpedo - e/ou que parecem perseguir a fama inescrupulosamente - como um monte de gente que prefiro nem citar pra não ter problemas com os fãs das bandas (é, Pedrão, quem te viu e quem te vê…). Mas, pô. As coisas têm limite. Quando colocar terninho e subir ao palco com olhos pintados e com cara de viado metido a besta virou comportamento padrão, deu no saco.

De todo modo, comecei falando que gosto de The Killers e que All These Things That I’ve Done é minha música preferida, segundo o audioimbróglio. E é mesmo, eu acho, porque ouço esse troço há anos e não me lembro de uma ocasião, até hoje, na qual tenha conseguido ouvi-la apenas uma vez. Sempre preciso repetir. Isso deve significar qualquer coisa. Sei lá, devo ter a consciência pesada ou qualquer porra dessas.

E sabe o que vai pesar ainda mais na minha consciência? Hein? Hein?

- Sei!

Cala a boca, sabe porra nenhuma. Mas vou dizer: publicar esse texto capenga.

Fogo cerrado

Hoje um motoqueiro quase me atropelou na calçada e fiquei me perguntando se seria possível, caso tivesse sido atingido, jogar a culpa no Governo. No Lula, mais especificamente, porque o presidente é o governo e o governo é o presidente e vice-versa.

Da mesma maneira, tenho absoluta convicção que aquele avião caiu graças às atitudes do governo brasileiro, i.e., do Lula. Tivéssemos nós bombardeado a porcaria da Bolívia e imposto àqueles bugres nossos conceitos civilizados de grande nação soberana; tivéssemos crucificado Renan Calheiros em praça pública; tivéssemos arrancado a cabeça do Lula com um ancinho e colocado numa estaca defronte o Palácio do Planalto, com uma placa com os dizeres “Deixai toda esperança, vós que entrais”; tivéssemos arrastado por 1 km de asfalto fumegante aqueles criminosos que mataram o garoto no começo do ano; tivéssemos, diante da “crise da aviação”, fechado todos os aeroportos e aceitado de bom grado viajar de ônibus; se tivéssemos, enfim, sido suficientemente decentes para eleger Geraldo Alckmin nas últimas eleições, nenhum acidente aconteceria jamais em nosso maravilhoso espaço aéreo. Uma revoada de tucanos teria ajudado o piloto do airbus da Tam em sua tentativa de arremeter em Congonhas, no último dia 17.

O fato do piloto ter entrado na pista com muito mais velocidade do que deveria não há de ser relevante neste caso. Disse e repito: é culpa do Lula, que não foi, ele mesmo, ferramentas em punho, como o proletário que é - uma vez proletário, sempre proletário -, fazer as malditas ranhuras no asfalto da pista de pouso.

Mas, a essa altura, Inês é morta.
Ela e mais umas 200 pessoas.

Esforço recompensado

Atendia pessoalmente aos telefonemas, se estivesse por perto, porque cada chamada dava-lhe a possibilidade de ser grosseiro com um estranho por ter ousado invadir sua vida particular sem motivo. ‘Motivo’ no modo de entender de Harshaw.

Se deus existisse (assunto a respeito do qual Jubal mantinha-se neutro) e se ele queria ser adorado (coisa que Jubal considerava improvável, mas, apesar de tudo, possível, considerando sua própria ignorância no assunto), então parecia improvável que um deus capaz de moldar galáxias pudesse se satisfazer com a algazarra maluca que os Fosteritas chamavam de ‘adoração’.

Por isso que, apesar de toda a minha indisposição para ler livros, ainda me forço a manter esse hábito: é possível encontrar passagens notáveis e capazes de traduzir suas idéias de forma surpreendentemente fiel mesmo quando a história leva quase 100 páginas para começar a te interessar.

(Trechos retirados de Um Estranho Numa Terra Estranha, de Robert Heinlein.)

Vão com as outras…

Queria saber até quando o populacho imbecil dessa budega de quinta que chamamos de “país” - e aí incluo vocês também, que lêem este blog - vai continuar comprando essa história cretina e escrota de que Hugo Chávez e Fidel Castro são ditadores antidemocráticos, tirânicos e que têm parte com o demônio.