Archive for Agosto, 2007

Blog Day

Vejam só. Hoje é o blogday. No blog day, todo mundo que dá o cu tem blog deve indicar cinco outros arrombados blogs/blogueiros.

Então…

…foda-se. Eu gosto pra caralho de contrariar e não perderia uma oportunidade como essa por nada no mundo. Amanhã, não sendo blogday (caralho, como soa viado esse nome, puta que pariu!), eu talvez até recomende cinco blogs. Mas hoje, não.

Sabe como é, eu tenho um nome a zelar.

Jornalismo por retardados, para retardados

Leiam esta notícia e contem quantas vezes o cara tem a manha de repetir “Austin, Nova Iguaçu, Baixada Fluminense”.

Deve ter sido escrita pelo cara que dublou o Coringa no filme do Batima. “Eu sou o palhaço, o coringa, o joker, o palhaço, o coringa, o joker, o palhaço, o coringa”.

Cake - Guitar

I’m sitting by the window of your thirty-second floor apartment
Waiting for your phone calls all to end.
I’m sitting watching wind blow
Watching time go
Watching cars go by
I’m waiting for these memories to begin

If I threw my guitar
Out the window, so far down
Would I start to regret it
Or would I smile and watch it slowly fall?

(…)

Essa música é foda.
E Cake chuta bundas com força e com vontade.

Atos revolucionários:

A terceira leva de emparedados, após estourar a revolta que há de socializar os meios de produção, as máquinas de fliperama e as gostosas de propaganda de cerveja, será formada por pessoas que usam letras escrotas e emotícones bizarros no MSN.

Fiquem cientes.

Cenas do livro que não escreverei nunca:

(Capítulo 2, página 59.)

Ele arrumava a mala, assoviando qualquer coisa que parecia ser do Chico Buarque. O amigo observava, após largar em um canto a revista que folheava.

- Então você vai mesmo?
- É claro. Você acha que eu estou fazendo as malas por esporte?
- Mas será que vale a pena? E não me venha com Fernando Pessoa!
- Eu não vou, embora ele bem coubesse como resposta a essa sua pergunta. Mas a verdade é que…

Parou para procurar algo, andou em silêncio pelo quarto durante alguns minutos. Revirou o que estava sobre a cama até encontrar alguns papéis, que rapidamente introduziu em um bolso da valise. Só então retomou o raciocínio.

- …o que eu dizia mesmo? Ah, sim. A verdade é que é justamente para saber se vale a pena que eu vou até lá.
- Diga sinceramente. Ela é bonita?
- Beleza não tem nada a ver com isso.
- Então ela é feia?
- Não foi o que eu disse.
- Te conheço há tempo suficiente para saber que, se você não usou um palavrão, a mulher, ao menos fisicamente, não vale muita coisa.
- Você é simplista.
- Sou?
- É! Simplista e superficial. - ele fechou a mala e virou-se para o amigo com ar enfastiado, sentando-se na cama - Certo, ela talvez não seja bonita, num sentido estrito do termo. Mas isso, sinceramente, não faz diferença alguma. Quer saber se eu olharia para ela duas vezes, se nos cruzássemos na rua e fôssemos completos desconhecidos? Provavelmente não. Mas talvez olhasse, porque há nela alguma coisa, qualquer coisa indefinível, que me chama a atenção de tal maneira que conduziu a situação a esse ponto. - apontou a mala pronta e as passagens no bolso.
- Não sei se entendo isso.
- Eu não espero que entenda. Eu acho que você precisa aprender a ver outras coisas nas mulheres além da beleza física. É lógico que há algo de recompensador em levar para a cama uma mulher que fica ainda melhor sem roupas do que vestida com seu sutiã de levantar peitos, calça de empinar bunda e calcinha de ajustar cintura. Nada melhor do que ter à disposição um exemplar de fêmea digna de posar para fotografias de parede de oficina mecânica. Mas mulheres assim te impedem de ver além, porque, ao andar pelo quarto só de calcinha e camiseta, elas simplesmente obliteram a possibilidade de análise de qualquer outra coisa.
- Você sabe que isso não faz sentido?
- Faz, sim. Talvez não faça para você e seu superficialismo ferrenho. Mas faz. Essa mulher que eu vou ver, por exemplo: não foi capaz de nublar minha mente com os oferecimentos mais simples - peitos fartos, barriguinha travada com piercing no umbigo, boca carnuda lambuzada de gloss… -, mas, justamente por isso, teve que fazer um esforço extra. E deu certo. Essas mulheres assim, sem atrativos visíveis logo de cara, essas que não parecem ser interessantes são, geralmente, as melhores. E costumam ter seu charme. Um jeito diferente de gesticular quando falam, uma risada mais melíflua, uma maneira de olhar mais intensa, um cheiro mais gostoso nos cabelos, uma técnica especial ao ficar por cima, um gemido mais gostoso ao ficar por baixo.
- E o que é que essa que você vai ver tem?
- Além da ótima conversa e de uma voz capaz de enlouquecer o padre mais empedernido durante uma confissão? É o que vou conferir.
- Então você vai viajar tanto por uma mulher feia?
- Defina assim, se preferir. Vou viajar tudo isso por uma mulher que mexe comigo, independentemente de sua aparência física. Eu conheço aquela tua frase sobre beleza não pôr mesa…
- …mas abre o apetite.
- Essa mesma. Abre o apetite, é verdade, mas o fato é que ela abre meu apetite, mesmo sem nunca ter estimulado quaisquer dos meus órgãos sensoriais, além dos ouvidos. Ela é inteligente e a conheço há tempo bastante para saber quando gostou ou não de algo apenas pelo tom de voz. Sabe o que, quando e como dizer as coisas. Você precisa abandonar esses seus critérios baseados só em estética, de verdade. Largar essa idéia adolescente de pegar mulher pra contar pros amigos e começar a considerar a possibilidade de ir atrás do que te atrai de verdade.
- Eu realmente não te entendo.

Ele sorriu. Calçou os sapatos, alcançou a carteira e as chaves, jogando-as nos bolsos da jaqueta.

- Já disse que não espero que você entenda. Te chamei aqui pra me levar ao aeroporto.

(Livro chato do caralho…)

Lisonja espertinha

Mas vejam só vocês, caros sete leitores desta budega bem-freqüentada: fui “convidado” por e-mail para o concurso de contos e poesias de uma editora totalmente desconhecida. Que bonito! Que lisonjeiro! Que… que… que belíssimo pega-trouxa esses caras armaram!!!

Analisem o caso comigo: qual é o princípio de qualquer golpe? Oras, até o mais incompetente estelionatário sabe que o grande lance para tirar dinheiro de um otário é fazê-lo crer que, na verdade, o esperto é ELE. Pegá-lo pelo ego, ou pela ganância, é sempre a melhor saída. Pegá-lo pelo ego E pela ganância, então, torna quase qualquer golpe infalível.

Pois bem. Então é assim que funciona: você tem uma editora pequena. Desconhecida. E tá precisando de grana. Como arranjar um dinheirinho sem fazer esforço? Oras, fácil! Siga um passo-a-passo simples:

Saia por aí navegando a esmo em blogs. Encontrando um ou outro cujo autor, em seus arroubos de escrevice, divulgue qualquer coisa parecida com um conto. Qualquer texto ficcional - ou mesmo histórias reais narradas de forma pseudo-literária - já é um bom indício. Se tiver poesias, então, tá no papo. Alguém suficientemente desprovido de bom-senso a ponto de publicar quaisquer rimas capengas que tenha conseguido “bolar”, ainda que sejam apenas frases aleatórias terminadas em gerúndio, provavelmente não está acostumado a fazer auto-avaliações e embarca em qualquer furada. Porque, sim, 99% dos “poetas” da internet são tão bons com poesias quanto eu sou jogando Counter Strike, e, cara, eu sou ruim PRA CARALHO no Counter Strike.

Aliás, uma comparação melhor: 99% dos “poetas” na internet são poetas tão bons quanto eu. Mas, oi?, eu sou um poeta de merda. Aliás, não sou um poeta, porque compreendo minha ausência de talento. Por duas vezes, e duas vezes apenas, publiquei qualquer coisa remotamente parecida com um “poema” por aqui. Ambas a título de troça e o texto era INTENCIONALMENTE ruim. Até porque não saberia fazê-lo de outro modo. Batizei-os, inclusive, de POEMAS ESCROTOS. E não estava sendo irônico.

Poesia é pra quem PODE, não é pra quem quer. Infelizmente muita gente quer e pouca gente pode. Daí temos esse festival de poemas medíocres escritos por cafonas incapazes, sem vocação e - o que é pior para um poeta - de vocabulário dolorosamente limitado. Seria triste, se não fosse patético. Pensando bem, é triste, além de patético. Mas dá pra rir muito, com alguma boa-vontade e certa dose de sarcasmo no sangue. Sério. Tente.

Mas continuando. Daí, depois de identificar os troux… as vít… os possíveis candidatos, dentre aquela corja ignara cujo blog é uma extensão de seus delírios literários, envie e-mails para eles começando com algo como “Parabéns, você foi selecionado para o concurso literário da EDITORA XxXxXx” etc, etc, etc. É importante frisar que você representa uma EDITORA. O termo EDITORA vai ao encontro de toda a pretensão literária do matut… ehr… do futuro escritor. Aumente o texto prometendo um prêmio em dinheiro - nada muuuito significativo, lógico -, além das costumeiras fama, fortuna, glória e mulheres, na forma da frase “o texto vencedor será publicado em livro”.

Depois de explicar minuciosamente como o seu grande concurso funciona, só então deixe claro que será necessário pagar uma taxa - não tão simbólica - por cada “conto” e outra por cada “poema ou poesia”. Não esqueça de ressaltar que quanto mais textos forem cadastrados, maior é a chance do “competidor” ganhar. Claro que isso pode ser interpretado como “quanto mais grana você nos mandar, melhor será nossa opinião a respeito do que você escreve”. Mas, creia, a essa altura do campeonato o mané já está crente que seu “concurso”, mesmo não tendo o menor renome, mesmo não significando NADA num mercado editorial tão superlotado de editoras quanto o nosso, é o destino sorrindo para seu “talento” literário.

Vai por mim: uma incontável leva de otários vai achar que essa é a grande chance que tem de subir na vida. Você vai levantar uma grana fácil, a troco de nada, nas costas de um monte de trouxas. Tudo o que terá de fazer será escolher uma porcaria qualquer, enviar para o campeão dentre os trouxas uma parcela - ínfima - do dinheiro que você conseguiu tão facilmente, enviar e-mails para os trouxas que perderam informando que, embora não tenham sido os campeões, eles ainda poderão concorrer nos anos seguintes e pronto.

No ano que vem é só fazer outro “concurso”.

Sério mesmo, eu conheço um ou outro blog cujo dono, um perfeito imbecil, entrou nessa e está empolgadíssimo porque “passou para a segunda fase”.

Diz aí. É ou não é a maneira mais fácil de ganhar dinheiro que você já viu? Ad-sense? Que ad-sense que nada! Isso é para os fracos!