Arquivos de Agosto, 2007

Tu és deus! (2)

Como disse no post anterior, finalmente terminei o livro do Robert Heinlein, Um Estranho Numa Terra Estranha. Mas acho melhor explicar que utilizo o termo “finalmente” porque foi muito difícil terminá-lo, mas não pelos motivos que se espera - o livro ser chato ou a história ser ruim - que dificultem a leitura de alguma coisa. Minha dificuldade foi outra, bem mais complicada: cometi a proeza de perder o livro num shopping perto do trabalho.

No mesmo dia, porém, entrei no Mercado Livre atrás de um volume idêntico, da mesma edição, e encontrei. Mas só chegou na minha casa uns 15 dias depois. Um lapso e tanto pra uma leitura, mas o livro é tão, mas tão bom que nem me importei.

É difícil dizer o que o torna tão genial. Simplesmente acho que não poderia tê-lo lido em época mais propícia. Há alguns anos provavelmente me irritaria com o agnosticismo condescendente de Jubal Harshaw, ou não saberia compreender determinados aspectos de um relacionamento que levaram Robert Heinlein a fazer tamanha crítica à forma como as pessoas se “comprometem” umas com as outras. Talvez por isso todas as minhas tentativas anteriores de sair do primeiro capítulo tenham falhado: eu ainda era apenas um ovo não estava pronto.

Não imaginei que um dia fosse encontrar, em um livro, tantas idéias e princípios que fossem de tal forma ao encontro das minhas idéias e dos meus princípios, sinceramente. Excetuando-se o fato de ser advogado, médico e careca, Jubal Harshaw é, para mim, um modelo a ser seguido. Seu cinismo, ceticismo, individualismo e inteligência; seu desprezo por telefones e televisores, sua rebeldia contra todos esses “meios de comunicação” usados pelos canalhas, inconvenientes e intrometidos para monitorar e escravizar os outros; sua vastidão de conhecimentos, nunca usados para diminuir ninguém, a menos que seja estritamente necessário; está tudo na medida certa pra fazer dele um dos (se não o) personagens mais notáveis com quem já tive contato.

São dele as melhores falas do livro e a história toma fôlego e dispara, prendendo a atenção do leitor, apenas após seu surgimento. Suas idéias são sempre notáveis, sua percepção da sociedade, das instituições, das pessoas, do mundo em geral, é espantosamente ampla e todos os seus movimentos, com o perdão do “chapolinismo“, são friamente calculados. Ele não queima um cartucho à toa durante o livro todo.

Enfim. Jubal grokka. Eu sou apenas um ovo.

Se Heinlein era - ainda que vagamente - parecido com Jubal, devia ser um sujeito do caralho e não vejo a hora de ler seus outros livros. É uma pena que o autor e suas obras sejam praticamente desconhecidos por aqui. Com exceção do Jaime e do meu tio, que me deu o livro, não conheço quem o tenha lido, apesar da afirmação na capa, dizendo que trata-se da “mais famosa novela de fantasia de todos os tempos”. Esse foi outro motivo que me levou a postergar a leitura, aliás: presumi ser uma obra menor, um daqueles livrecos de pouca importância, mas cheios de si. O fato é que a história é realmente fantástica (em todos os sentidos), divertida e avassaladora.

Suas críticas à política, ao direito e aos poderosos são pungentes, mas a maneira como o autor destrói as religiões e os relacionamentos baseados em ciúme com categoria e argumentos incontestáveis me chamou a atenção o tempo todo. Tenho muito o que refletir a respeito do que esse livro me ensinou, muitos raciocínios para reler, diálogos a digerir e idéias para internalizar. Preciso louvá-lo, afagá-lo e grokká-lo em toda a plenitude.

E preciso ligar para meu tio e agradecer pelo livro, embora faça 5 anos que ele me foi presenteado.

*****

Publiquei aqui, há alguns meses, dois trechos de Um Estranho (…). Eram, até então, o ápice de semelhança que havia entre o livro e eu. Outros trechos surgiram, todavia, e transcrevo-os aqui embaixo:

O ciúme é uma doença e o amor é saudável. A mente imatura confunde, muitas vezes, um com o outro, ou pensa que quanto maior o amor, maior o ciúme. Na realidade, são incompatíveis. Uma dessas emoções não deixa lugar para a outra.

O desenho abstrato é bom… para papel de parede ou linóleo. Mas arte é o processo de evocar a piedade e o terror. O que os artistas modernos fazem é masturbação pseudo-intelectual. […] A pessoa tem de aprender a olhar uma obra de arte. Mas é o artista que tem de usar uma linguagem compreensível. A maioria destes palhaços não quer usar uma linguagem que você ou eu possamos aprender. Preferem zombar da gente porque não “conseguimos” ver o que eles querem dizer. […] A obscuridade é o refúgio da incompetência. […] Um artista subvencionado pelo governo é uma prostituta incompetente.

É possível que uma dessas mitologias seja a palavra de deus… que deus é, na realidade, uma espécie de paranóico, que estraçalha quarenta e duas crianças por estarem importunando seu sacerdote.

São tantos, tantos outros, que se eu resolver publicá-los vou acabar tendo que digitar metade do livro, ou talvez mais. Melhor deixar claro que recomendo muito a leitura. Se algum de vocês, num surto de boa-vontade, resolver ler, me avise ao terminar. Vai ser bom grokkar novos irmãos de água andando por aí.

Minha dúvida agora é qual o próximo livro a ler. Crime e Castigo, do véio Dolsta, ou Os Miseráveis, do Vitão Hugo?

Tu és deus

Finalmente terminei de ler Um Estranho Numa Terra Estranha. Escreverei aqui minhas impressões - considerando que interessam a vocês, embora isso não faça muita diferença, pra ser bem sincero -, mas não agora.

Antes, preciso grokkar a plenitude.

Mas o Jaime tinha razão.
O livro é sensacional.

Toma.

Com a finalidade de criar em vocês algum tipo de critério literário - pelo menos no que se refere a blogs e infernet em geral -, coloquei hoje mais três blogs ali na lista de links: Ressaca Moral (já mencionado no post anterior), Bloda e Contraditorium.

Sarcasmo em doses cavalares é sempre o remédio mais indicado para a construção do bom-senso (ou a destruição da auto-estima, o que vier primeiro).

Musicovery

Para os que se sentem meio órfãos desde que o Pandora restringiu suas atividades, para quem procura uma rádio online fácil de “programar” ou até pra quem só curte sites interessantes com bons projetos gráficos, fica aqui a minha sugestão: Musicovery. Uma rádio online toda em flash e com interface extremamente intuitiva. A qualidade das músicas, pra quem quer ouvir de graça - e sei que esse é seu caso, seu brasileiro sovina -, não é muito alta, acho que são 32kbps. Mas já dá pra quebrar um galho, considerando que você não vai gravar um CD.

A configuração da rádio pode ser tão específica ou ampla quanto você preferir. São 18 categorias diferentes (pop, vocal pop, rock, metal, blues, classical, gospel, etc), cada uma com uma cor, de modo que você saiba exatamente o que está selecionando quando os artistas e as músicas forem oferecidos na tela. Além de escolher o estilo, você também pode selecionar de acordo com o seu humor, optando entre músicas agitadas ou tranqüilas, positivas ou “dark”. Como se não bastasse, também dá para limitar de acordo com o ano de lançamento, para os modernosos/saudosistas, e se foram um hit em sua época ou se são mais “obscuras”, para os pops/indies. Assim é possível não só ouvir coisas que você já conhece e gosta como também descobrir novos artistas.

É possível ouvir as coisas mais incompatíveis. De Creedence Clearwater a Jimmy Cliff, de Laura Pausini a Beethoven, de Johnny Cash a Avril Lavigne. Misturando direito as opções, dá para criar rádios de sonoridades tão específicas quanto a Antena 1 (”Aqui música chata não entra, só fica”) ou tão absurdas quanto as Jovem Pans, Transaméricas e Mix FM’s da vida.

Para os generosos abastados dispostos a pagar uns merréis a fim de ouvir as músicas em melhor qualidade, o preço não é muito salgado: 2 euros por um mês, 4 euros por três meses e dez por um ano de canções em alta definição. É o tipo de site bom pra manter aberto enquanto você cata no Soulseek*, Limewire ou outro programa de p2p as faixas que te agradam mais. Ou sujeite-se à moralidade capitalista-cristã da indústria fonográfica e compre os álbuns e as faixas clicando nos links já existentes no musicovery, que levam ao ebay, à Amazon.com e ao iTunes.

A única desvantagem, na minha opinião, é a ausência de um campo de procura para artistas ou músicas específicas. Mas o sistema é esperto o suficiente pra identificar seu gosto e te oferecer coisas semelhantes.

Vá e divirta-se, gafanhoto.

P.S.: Aliás, seguindo uma lista obscura de links de blogs hoje de manhã, caí no Ressaca Moral e me deparei com o sensacional Grande Mapa Cartográfico da Música Brasileira, publicado na esteira do Mapa Dahmer da Blogosfera ou Coisa Que o Valha. Ri por um bom tempo ao ver Chorão, CPM 22 e Detonautas constituindo o “triângulo das bermudinhas”. Foda!

Se for baixar o Soulseek, pegue a versão 156c. Se já tiver essa versão do programa instalada aí, adicione-me à sua lista de contatos (elnunes é meu nome de usuário) e deixe um aviso. Compartilhamento é a base da Nova Internet®, oras.

Boomerang

Algumas pessoas assistiram Jetsons demais durante a infância…

Infelizmente a indústria automobilística ainda não foi capaz de fazer aquele carro que se transforma numa maleta. A Gurgel bem que tentou fazer um caixote que funcionasse como carro, mas não deu muito certo…

Pessoas, blogs e links…

Sobre o texto do suicida:

O texto me pareceu muito mais, não digo uma apologia do suicídio, mas do livre arbítrio. Ou seja, o suicida da história foi frustrado em sua tentativa de morrer, que, para ele, era a vida e acabou nas sessões de eletrochoques e doses cavalares de remédios que, no fim, representaram sua “morte”, sua anulação. Eu prefereria ter morrido também.

Por essas e outras é que gosto dessa moça (sendo “essas” sua inteligência e “outras” suas fotos de biquíni em poses lascivas postadas em seu blog com legendas capazes de causar paudurescências irremediáveis até mesmo em estóicos ascetas). E lá vai a horda - masculina - de bárbaros em peso para o blog da Carol…

Liz retornou à fogueira das vaidades. Muito bom, muito bom. Espero que para ficar. Torçamos.

Adicionei ali na barra lateral, não sem alguma vergonha por tantos meses (anos, até) de injustiça, o blog do Biajoni. Sempre via referências a ele no Bunker, do Renmero, e no blog do Branco Leone, mas nunca tinha clicado nos links por pura teimosia. Culpa dessa minha neofobia, acho, que me faz rejeitar imediatamente aquilo que não conheço.

Por fim: nos últimos dias recebi alguns e-mails de outros donos de blogs, perguntando se tenho interesse em “firmar parceria” ou coisa que o valha. Em primeiro lugar, esse lance de ter parceiros é linguagem de gay pra denominar namorado. Não, eu não quero ter “parceiros”. Em segundo lugar, todos aqueles links ali na lista são de blogs que eu leio, de fato, com certa freqüência. Não adiciono links para receber links de volta, meu interesse não é esse. É apenas compartilhar com os leitores dessa budega leituras que, acredito, são suficientemente boas para valer seu tempo online. Sei que essa postura não combina com meu cinismo e desdém por quem lê isso aqui, mas a verdade é que eu não desrespeitaria vocês oferecendo um monte de blogs de qualidade e conteúdos duvidosos simplesmente porque eles me ofereceram visitas de volta.

Então, não. Não quero trocar links, não quero estabelecer parcerias. Insistir é traição, traição é punida com a morte. Ou com cabo de enxada.