Archive for Dezembro, 2007

Jabazão descarado

Cada vez que um conhecido meu que não se rendeu ao estilo atual de escrever um blog mata sua página, morre um pedaço da pequena fé que eu tenho de que esse hábito um dia voltará a ser divertido, que esse não será um ambiente dominado por jornalistas fracassados e engenheiros sociais. Infelizmente isso tem sido muito freqüente nos últimos tempos.

Eventualmente, entretanto, surge gente que só quer rabiscar devaneios sobre amenidades. Temos três novos desses ali na lista de links:

1) Agateofobia, da senhorita M. M., quando eu a conheci, era uma menininha imberbe e recém-saída das fraldas. Muito esperta, porém, botava no chinelo boa parte dos marmanjos que eu conhecia quando a questão era argumentar sobre qualquer coisa. QUALQUER coisa, sério. Bom, talvez não sobre videogame, mas não me lembro de ter falado de Street Fighter com ela. Enfim. Certa vez até tivemos um blog juntos, eu, ela e o velho Ratamero, mas acabou não dando certo porque cada um já tinha um blog próprio, e nem eu, nem ela, nem o Ratamero escrevíamos no secundário. Acabamos perdendo contato quando ocorreu o êxodo do ICQ para o MSN, mas o orkut tá aí pra juntar as pessoas e disseminar o ódio entre elas, então nos reencontramos por lá. Ela permanece imberbe (felizmente) e tem um blog e… porra, vai lá ler e pronto.

2) Notas Frias, do NakedBoy. El Rapaz Desnudo, como é conhecido no México, onde vai para pegar dicas de beleza com seus amigos michês, é um antigo (nem tão antigo assim, na verdade) colega de trabalho. Sim, porque eu também já fui michê. Mas é um aspecto da minha vida do qual prefiro não falar, me traz lembranças dolorosas e assaduras. De todo modo, o Peladão é um mestre na arte de desenvolver textos que partem de nada e chegam a lugar nenhum, sem qualquer coesão ou coerência, porque coesão e coerência é coisa de vestibulando. Membro Fundador da clássica sociedade conhecida como Clube Irmão Caminhoneiro Shell, Mr. Desnudo sabe criar ofensas de extrema grosseria como poucos. Talvez esse lado do rapaz não transpareça em seu blog, mas tenhamos esperanças.

(só para soar clichê, e também porque é verdade, embora seja clichê)
Por último, mas não menos importante:

3) Carlota Polar, da Paula Groff. Paula Groff é uma daquelas raras pessoas que nascem em livros de ficção fantástica escritos por autores muito competentes. Todos os personagens, com exceção do protagonista, são criaturas bizarras, de hábitos absurdos, modos grotescos e, eventualmente, aparência incomum. Assim são os vizinhos e conhecidos da Paula, e digo isso assim, sabendo que ela vai ler, porque também sei que ela vai concordar com o que eu digo. É a mais pura verdade. Quando ela começou a me contar coisas a respeito da sua vida, cheguei a imaginar que se tratasse de uma mitômana, mas a verdade é que o mundo real pode ser muito mais escroto do que se imagina. Paula, além de ser bonita, escrever bem e ter um sobrenome muito bacanudo, joga RPG, Playstation 2, lê bons livros, ouve boas músicas e tem uma ironia fina, difícil de encontrar. E agora lá vai a horda de bárbaros, assediar a menina.

Cumprida minha má ação de hoje (jogar vocês, merovíngios, sobre essas pobres pessoas), retiro-me.

Incapacidades virtuais

Descobri que eu não sirvo para jogar em servidores PVP.

Ok, para a maioria dos leitores isso provavelmente soa como grego. Vamos ser mais específicos, assim poderemos iluminar seu parco conhecimento de MMORPGS, se você estiver disposta(o) (digo “dispostA(o)”, em vez de disposto(a), porque as mulheres são mais desligadas dessas coisas do que os homens) a aprender algo.

Comecemos pelo começo: O que é um MMORPG?
(se você já sabe, pode pular os próximos cinco parágrafos. Se você tá pouco se fodendo pra essa nerdice, pode pular esse texto e ir pro próximo. Se você quer que esse e todos os outros textos dessa página vão pra casa do caralho, se quer que a internet se exploda, que o mundo se acabe, se quer que vá todo mundo pra puta que pariu, então pode pular da última janela do prédio mais alto da sua cidade.)

MMORPG é a sigla para Massive Multiplayer Online Role-Playing Game. Ou seja, é um RPG online com gente pra caralho. Em um RPG você cria um personagem, escolhendo sua raça e classe. As raças, em um RPG de fantasia medieval - ou seja, que se passa numa época tecnologicamente atrasada, onde as armas de fogo não são muito comuns ou eficazes, além de haver quem seja capaz de disparar relâmpagos das mãos e fazer chover fogo sobre sua cabeça -, geralmente envolvem humanos, elfos, orcs, anões e algumas variáveis. Oras, todo mundo aí viu Senhor dos Anéis e tem uma idéia do que eu estou falando.

As classes, por sua vez, costumam ser guerreiro, mago, clérigo, ladrão e variáveis. Cada uma delas tem seus pontos fortes e fracos. Após decidir o que você é e o que faz, você começa o jogo no nível 1. Para subir de nível, precisa cumprir determinadas tarefas (encontrar alguém perdido, recuperar um item roubado, matar membros de um grupo rival que anda azucrinando sua cidade…) ou apenas matar inimigos ao acaso - a escolha é sua.

Ao mesmo tempo em que você faz isso, dezenas, centenas ou milhares de pessoas ao redor do mundo estão fazendo a mesma coisa, cada uma com um personagem. Você passa por jogadores em níveis estratosféricos e outros em níveis abaixo do seu. Pode fundar uma guilda - algo como uma associação de personagens, todos eles carregam o nome da guilda sob o nome do personagem e têm uma sala particular para conversar -, arranjar um grupo para se aventurar por zonas perigosas demais para desbravar sozinho ou simplesmente ficar zanzando pela cidade, procurando compradores para os itens que você angariou nas suas andanças pelo mundo.

Essa é uma descrição superficial da maioria dos MMORPGS. Alguns fazem muito mais do que isso, outros fazem menos. De todo modo, minha intenção era apenas situá-lo nesse novo universo de nerdice que vem se expandindo (nada) paralelamente aos (muitos) outros.

Agora que você já sabe que um MMORPG é um jogo no qual você cria um personagem para desenvolver à medida que vai jogando, vamos para o passo seguinte:

O que é um servidor PVP?

Ao contrário do que algumas pessoas acham, nossa sociedade é muito, muito pacífica. Não temos violência em nossas vidas, não vemos pancadaria em lugar algum, os indivíduos, individualmente ou em grupo, não querem escalpelar e comer uns aos outros de porrada e tudo sempre é resolvido na base do diálogo e do bom-senso. Sendo assim, algumas pessoas que jogam esses MMORPGs gostam, apenas a título de curiosidade, de baixar o cacete em outros jogadores - geralmente mais fracos - ao encontrá-los. Entendam: é um estudo antropológico de como seria a vida se os homens por acaso se agredissem.

Isso é um servidor PVP (sigla de Player versus Player): ao se conectar a um desses servidores, você está concordando com a possibilidade de ser brutal e subitamente espancado por um jogador adversário que porventura venha a cruzar seu caminho e sinta vontade de atrapalhar sua sessão de jogo por pura diversão.

É em um desses que eu jogo, mas não deveria jogar lá. O que nos remete ao começo do texto.

Eu sou um baita dum espírito de porco, portanto tenho essa mania irritante de deixar as pessoas em paz. Elas até reclamam comigo: porra, você nunca me atazana, que pé no saco, não posso ficar perto de você, ler perto de você, ouvir música, ver televisão, que você me deixa fazer tudo isso em paz, que coisa insuportável. Eu sei, é um hábito horrível, mas eu sou assim, fazer o quê? Em World of Warcraft isso já me rendeu sérias recriminações por parte de jogadores da mesma facção que eu.

Voltando às prolongadas e xaropes explicações, World of Warcraft é dividido em dois grupos distintos, de modo a organizar a pancadaria generalizada (se é que isso é possível): Aliança - grupo formado por humanos, anões, elfos escuros com pinta de viadinhos, gnomos e draeneis (não me pergunte que porra é essa!) - e Horda - formada por orcs, taurens, trolls, mortos-vivos e elfos branquinhos com pinta de viadinhos. Se você é da horda e esbarra com outro jogador da horda, só poderá sair na porrada com ele se propuser um duelo e ele aceitar. Se você é da horda e esbarra com um jogador da aliança, pode sentar o dedo e foda-se, não importa o que ele está fazendo. Essa, logicamente, é uma via de mão dupla.

Isso se constitui em verdadeira diversão para os sádicos de ambos os lados. Não é raro ver, nos canais de bate-papo da horda (sim, o jogo tem canais de bate-papo), alguém perguntando se algum ally (apelidinho carinhoso) foi visto por aí. Há quem ande pelo mapa sem razão alguma além de procurar adversários para espancar. Há quem mate adversários e fique próximo ao corpo, esperando que o espírito da pessoa retorne e ela ressuscite, só para matá-la de novo. Há quem faça isso por HORAS.

Já fizeram comigo.

O meu problema é que eu não curto muito essas coisas. Eventualmente, admito, me bate uma vontade de atacar os allys, mas eu imediatamente me repreendo, pensando que é outra pessoa que está jogando, que ela pode estar no meio de algo importante, que eu não fui incomodado e que seria injustiça atacar quem não me fez nada. Eu até enfiaria a porrada em todo mundo e partiria do pressuposto padrão da horda - a saber: todo Ally é um filho da puta que não merece mais do que a morte e não há como provar o contrário! -, não fosse pela elfa que, certa feita, me salvou da morte certa nas garras de três inimigos muito mais fortes do que eu, além de me dar cobertura até que eu conseguisse retornar à entrada da minha cidade.

Não saber se o jogador à minha frente é um crápula covarde que ataca pelas costas os personagens mais fracos ou se é alguém que está ali pra se divertir com amigos cuidando da própria vida me faz titubear sempre ao atacar alguém. Meus camaradas de horda vêem com desprezo e ironizam esse meu, nas palavras deles, escoteirismo. Apenas porque, se dependesse de mim, ficaríamos bebendo cerveja enquanto elfas negras com pouca roupa dançariam a dança de peixe na bunda da Alizée e seríamos todos amigos.

Menos os gnomos.

Esses eu passo logo no fio da espada.
Ô raça desgraçada! Quem joga com gnomo não pode ser boa pessoa!

Exceção

Não é do meu feitio fazer esses testes de internet, não, mas vi esse no blog do Pedro e tive que tirar a dúvida.

Quantas crianças de cinco anos você é capaz de encarar numa briga?


25

Eu mandaria vinte e cinco dessas pragas pro caralho antes de finalmente ser subjugado pela horda de pequenos miseráveis.

Queria saber como foi que o sujeito que bolou o teste calculou isso…
Aliás, queria saber como é que alguém bola uma idéia dessas!

Fado tropical

Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto
De tal maneira que, depois de feito,
Desencontrado, eu mesmo me contesto

Se trago as mãos distantes do meu peito
É que há distância entre intenção e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito,
Me assombra a súbita impressão do incesto

Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadura à proa
Mas o meu peito se desabotoa.

E se a sentença se anuncia bruta,
Mais que depressa a mão cega executa
Pois que senão o coração perdoa.

(Chico Buarque e Ruy Guerra)

Diversificando

Se este texto está no corpo do blog é porque consegui cumprir meu intento, a saber: colocar, em um só texto, o máximo possível de idéias sobre o máximo possível de assuntos, todos eles sem importância - provavelmente. É o maior gesto de revolta da minha parte contra essa apatia redativa da qual me vejo acometido nos últimos dias. Ou semanas. Ou meses. Acho que meses é mais adequado, mas quem quiser dizer “quinzenas”, fique à vontade. Porque não sei nem se já completou dois meses que eu não penso em porra nenhuma pra dizer em lugar nenhum, além desse texto aí embaixo, mas sei que já tem mais de duas quinzenas, até porque tem mais de um mês, e considerando que um mês tem duas quinzenas, concluímos, portanto, que duas quinzenas já se foram.

Duas quinzenas são trinta dias, para aqueles que não aprenderam matemática, apenas português. Mas não muito português, claro. Só um pouco. O suficiente pra ler essa droga aqui e achar que tá lendo alguma coisa bacana, quando, na verdade, tudo o que você está fazendo é correndo os olhos sobre palavras digitadas por um desocupado entediadíssimo, cuja missão, ao escrever isso aqui, era apenas roubar seu tempo. Se você chegou a esse ponto, acho que já estou sendo bem-sucedido.

Não que eu vá ganhar qualquer coisa com isso, claro.

Cês conhecem a Alizee? A Alizee, pra quem não conhece, é uma cantora francesa. Calma, não vá pro google ainda. Deixe-me continuar. Então. É uma cantora francesa que canta umas músicas meio xaropes. Ah, sim: é uma cantora JOVEM francesa. Alguém mais chegado a anglicismos diria “teen”, mas eu me recuso. Leia “teen”, em vez de “jovem”, se quiser, mas isso só significa que você é um imbecil. Ou não, sei lá. Tô sendo gratuitamente agressivo, que coisa feia. Nem é do meu feitio, esse tipo de atitude.

Pensando melhor, é do meu feitio, sim.

Mas então. A Alizée. O nome dela tem esse acento aí, que eu esqueci de colocar quando escrevi antes, sobre o primeiro e. Mas pronuncia-se Alizê, então eu bem poderia escrever Alizê e foda-se o caralho da grafia em francês. Mas a Alizée, como eu dizia, é uma cantora jovem francesa que canta musiquinhas pop em francês. Até aí, normal. Eu acho, sei lá. Nunca tinha ouvido falar em música francesa pop-jovem. Pra mim a última música feita na França tinha sido La Vie En Rose, e depois pronto, foda-se, temos aí um clássico, não precisamos compor mais nada, Edith Piaf vai gravar essa merda, depois Louis Armstrong - em inglês, porque é isso o que os americanos fazem, pegam as coisas dos outros e traduzem pro idioma deles, enquanto os outros, como idiotas que são, pegam as palavras deles e introduzem em seus idiomas -, e a música francesa será famosa por La Vie En Rose. E por Ne Me Quitte Pas, que vai tocar em Presença de Anita.

Mas eu falava da Alizée. A Alizée é gostosa pra caralho. PRA CARALHO, cê não tá entendendo. E tem esse vídeo dela, cantando “ao vivo” em um programa de TV (o “ao vivo” tá entre aspas porque ela tá fazendo playback - olha, uma palavra em inglês! Bastard! Asshole! -, o que será comentado daqui a pouco, seja paciente) uma musiquinha muito chicletenta, daquelas que grudam no córtex, chamada J’en Ai Marré. Sei lá se esse acento em Marré existe, mas o fato é que escrever Marré, que parece muito com Maré, sem acento me incomoda. Então o acento fica, os franceses que vão pro inferno comer queijo brie com o ACM.

E ela faz esse playback, como eu ia dizendo. E dança. E, PUTA QUE PARIU, vai ser gostosa assim na casa do caralho. De verdade, acho que nunca vi uma mulher TÃO gostosa. E o grande lance é que, dançando, ela uma hora vira de costas, daí dá pra ver que ela tem um peixinho vermelho na bunda. Não ENFIADO na bunda, é lógico, que o programa é um programa de família, o YouTube é um site de família, Alizée é uma moça de família e este é um blog de família. Algumas das famílias são meio problemáticas, mas isso não se comenta, que é de uma falta de discrição que beira a vulgaridade, e ser disfuncional, tudo bem, mas vulgar, não, peraí, aí é quase chamar a mãe de advogada, o pai de eleitor do PFL e o irmão de fã do jackass, e esse tipo de coisa não se faz.

Mas o peixe tá lá, vermelho, pendurado na roupa dela, um peixinho de um tecido qualquer que eu não sei o nome porque não sou viado. E é aí que você entende por que a guria tá fazendo playback. Porque tem dois sujeitos “tocando” violão atrás dela, assim, como se fossem eles tocando a música pra ela cantar. E é humanamente impossível se concentrar em qualquer coisa que não seja aquela maravilha de mulher dançando na sua frente com aquele peixe na bunda. Por isso o playback. Os caras iam tocar tudo errado, seria uma merda federal. Melhor botar um CD pra tocar, a gostosa pra dançar, e os caras ficam ali, com aquela visão privilegiada do peixe glúteo da moça.

Eu poderia colocar o link pro vídeo da Alizee aqui, mas nem vou. Vá pro YouTube e procure, depois diga se eu não tenho razão!

As mulheres não precisam se manifestar sobre a moça. Mulher não entende porra nenhuma de mulher. Todas as que eu conheço e que viram a menina botaram algum defeito. E todos os caras que eu conheço que a viram tiveram a mesma reação que eu: uma expressão boquiaberta, assim, de quem não acredita que aquilo existe de verdade, seguida por um sussurro caminhoneiro de estupefação, algo como “Caralho…” ou “Putaqueopariu…”.

A dança da guria é tão característica que foi colocada em World of Warcraft. Porque, quando você tá jogando World of Warcraft - que eu tenho jogado ultimamente, mas que, a despeito do que disse o Fredegoso, não tem nada a ver com o meu sumiço daqui - se digitar /dance, o seu personagem dança. Cada um faz uma dança diferente, a Night Elf faz a dança da Alizée. As danças são divertidas. Eu, particularmente, gosto da dança do Napoleon Dynamite, feita pelo Blood Elf, e da do Mc Hammer, feita pelo Orc. Esse vídeo aqui mostra algumas danças e suas fontes. Outras foram deixadas de lado, não sei por que razão (talvez porque o cara que fez não conseguiu encontrar um vídeo que desse pra sincronizar com as sprites retiradas do jogo?).

E a Peanut Butter Jelly Time simplesmente não me sai mais da cabeça, tá foda. E por “não me sai mais da cabeça” eu quero dizer “já me flagrei cantando e dançando essa porra algumas vezes”.

Então. Falando em música, mas sem tornar a mencionar peixes na bunda, até porque eu não teria mais nada a falar sobre isso, saiu o novo CD do The Killers, chamado Sawdust. O link pro download desse eu coloco, porque sou bacanudo e quero que todo mundo ouça Leave The Bourbon On The Shelf, que chuta bundas (com ou sem peixinhos, a escolha é sua).

Engraçado que duas bandas que eu gosto lançaram um CD de B-Sides esse ano. Cake e, agora, Killers. E nos dois CDs têm uma versão de Ruby, Don’t Take Your Love To Town. Esse do Killers tá massa, mas eu não sei dizer se é melhor ou pior ou igual ao Sam’s Town e ao Hot Fuss. Até porque só ouvi umas duas vezes, até agora, e num fone de ouvido que sofreu derrame ou coisa que o valha (aí só funciona o lado esquerdo), não deu pra fazer ainda uma idéia da qualidade da parada. Sei que eu gostei muito de Leave The Bourbon On The Shelf, que fecha a trilogia do assassinato (falo mais sobre isso depois, se rolar um interesse daí e uma vontade do lado de cá), embora seja a primeira música da trilogia, na verdade, Under The Gun é sensacional, mostra um lampejo de Hot Fuss e a versão Abbey Road de Sam’s Town também é muito legal. Sei lá, eu fiquei ainda mais fã da banda depois do show no Rio, que foi sensacional, então talvez minha opinião seja por demais parcial para ser levada em consideração.

Mas que se lasque. Se a Veja pode ser parcial pra caralho e ainda se declarar “a melhor revista semanal do país”, eu também posso ser parcial pra caralho e me declarar… hm, deixa ver, um título imponente… o melhor blogueiro bimestral do meu prédio.

É, dizer que eu sou o Bonaparte dos Baixos Trópicos talvez botasse mais moral.

Falando em Napoleão, Alizée e gostosas francesas com peixes na bunda, comecei a ler Os Miseráveis, do Victor Hugo. Antes dele li Crime e Castigo, do Dolsta, mas tô preferindo esse. Dostoiévsky era inteligente pra caralho, dava umas porradas servidas em determinados aspectos da sociedade, mas com toda a sutileza de um mestre Shaolin bicentenário que arranca seu olho sem te deixar perceber. Victor Hugo é mais jiujiteiro, chega enfiando a bicuda no joelho e leva pro chão pra finalizar. Sem sutileza, a sutileza que se foda. Nem cheguei na metade do livro, ainda, e se começar a transcrever aqui todos os trechos que sublinhei, fodeu-se, a Martin Claret vai acabar me processando. Depois coloco aqui o que achar mais importante. Falando também em Veja - desculpem por baixar o nível, prometo ser breve -, fico me perguntando se os mentecaptos que trabalham naquela bosta já leram tio Vitão. Porque não dá pra ler aquele livro e continuar um reaça escroto e socialmente desumano, que é o que são os “jornalistas” da Veja. O livro é ótimo e é necessário até hoje, o que é muito triste e muito preocupante. Me leva a crer que em 140 anos não crescemos nada.

O melhor personagem é um bispo que aparece no começo, monsenhor Bienvenu. Fosse eu um cristão, seria um cristão igual a ele. Porque cristianismo é um troço foda, não dá pra ser cristão e continuar vivendo como vivemos. É preciso abdicar de uma série de coisas em prol de outras, muito mais importantes. E não tô falando de parar de trepar, xingar e tomar goró pra entrar no céu, não. Isso é peixe pequeno - na bunda de francesas dançantes - perto das coisas que se deve fazer pra ser um cristão de fato. Eu sou meio extremista, não sei se já deu pra notar - eu sei que já deu pra notar, mas é bom fingir que não - e não saberia ser um cristão mais-ou-menos, desses preguiçosos, folgados, canalhas e escrotos que infestam a sociedade. Sabe, esses que usam a religião só pra justificar/expiar seus atos esdrúxulos. A maioria das pessoas faz as mesmas merdas repetidamente, pede perdão (os que pedem) e aí tornam a fazer. Ninguém realmente pára pra refletir, tenta evoluir um pouco, ser mais tolerante, essas porras todas que o cristianismo prega. Só sabe ficar naquela merda babaca que a igreja prega, de apontar pros outros dizendo “Cê vai pro inferno, pecador nojento, amante de Satanás! Você vai queimar na casa do capeta, bruxo do caralho, onanista filho da puta! Pagão maldito, deus te ama e vai te foder na outra vida até afiar as beiradas da sua bunda porque você não reza o mesmo tanto que eu, no mesmo lugar que eu, da mesma maneira que eu, pro mesmo cara que eu!”.

Religião é um assunto escroto e é um assunto extenso, mas infelizmente necessário e pouco discutido de forma apropriada. Eu devia escrever aqui algo sério a respeito, qualquer dia desses, coisa que costumava fazer há alguns anos. Mas sempre que essa idéia me ocorre, vem com ela a pergunta crucial que derruba minha vontade de fazer qualquer texto:

Pra quê?

Mas vale dizer que continuo achando que uma instituição que excomunga Leonardo Boff não pode representar nada de bom.

Sim, católicos, o que estou dizendo é que vocês servem a uma das instituições mais desumanas, ambiciosas, cruéis e maléficas do mundo. Entraria fácil num Top 5, com sérias chances de ganhar. E olha que a competição é acirrada: McDonalds e Coca-Cola estão no páreo (nem tenho nada contra a coca-cola ou mcdonalds, mas citar essas duas marcas como coisas “do mal” ajuda a manter a aura de comunistão que alguns acham que eu exalo).

Eu ia falar sobre qualquer outra coisa que nem lembro mais o que era, mas se você leu até aqui, acho que já deu pra encher seu saco, certo? Seja feliz com esse amontoado de besteiras. Se não conseguir separar nenhuma idéia, a partir de agora, pra fazer um texto sobre ela, e apenas ela, vou transformar numa prática comum isso de falar de tudo superficialmente. Ficarei, portanto, só na superfície.

Feito um peixe de bunda (virou idéia fixa, essa porra, não é possível!).

Náufragos

Conheceram-se aleatoriamente, em circunstâncias difíceis de explicar, mas a atração mútua foi imediata. Deram-se as mãos e caminharam por um cenário um tanto bucólico, até chegarem à beira de um lago. Encontraram ali um pequeno barco com dois remos. Resolveram dar um passeio entre os cisnes, passar sob aquela pontezinha em arco, quem sabe parar lá no meio e assistir ao pôr-do-sol.

Ele tomou os remos, ela insistiu para remar também. Remaram juntos, pois. A partir de um certo ponto, entretanto, ele se distraiu. Não fez por mal, era apenas de sua natureza voltar a atenção para outras coisas, eventualmente. E do mesmo jeito que seu foco mudava para uma ave que passava, ou um vulto de peixe movendo-se sob as águas, também retornava para ela e o que ela dizia.

Não foi o bastante. Aquelas doses de atenção não eram o que ela queria. Ela queria atenção total, queria vê-lo imerso em seu mundo. Ele não era de imergir em nada, simplesmente porque não era. Aos olhos dela, entretanto, era descaso, e vai explicar que focinho de porco não é tomada!

Ela começou a demonstrar certo aborrecimento, tristeza. Ele sorria e tentava tranqüilizá-la, mas aquele olhar fugidio que não permanecia fixo no dela era irritante demais. Percebeu então que remava sozinha. Ele estava absorto olhando para o céu, para nuvens, para pássaros.

Ela deu um chilique brusco e virou o barco.

Fodeu tudo de uma vez e pronto.