Arquivos mensais para February, 2008

Loucuras do wp

Se, quando você comenta aqui, tudo o que recebe do Wordpress é um aviso de erro, eu solicito, por gentileza, que você copie essa mensagem e me mande por e-mail, ou que ao menos me informe do ocorrido. Se quiser, pode até enviar seu comentário junto que eu faço questão de postá-lo por você, no lugar certo.

Meu emelho é pedroamnunes no yahoo.com.br, no gmail e no hotmail.

- Posso te adicionar no msn?

Não, não pode. Serei escrotamente estúpido. Por e-mail eu garanto que serei delicado como a flor silvestre que perfuma os campos (reintegro!), mas pelo msn eu não perdôo. Dar as caras por lá é pedir pra receber maus tratos.

Obrigadinho.

Das últimas idas ao cinema

Época de Oscar é uma maravilha, vai dizer? Tu olha praquela lista de filmes no jornal e tem vontade de ver uma porrada. Muito filme bacana, coisas de diretores consagrados, os melhores atores em cartaz, a crítica se desfazendo em elogios rasgados a uma caralhada de gente. Daí tu tem que ir ao cinema umas três vezes por semana pra assistir tudo, antes que o que te interessa dê lugar a uma porcaria pré-adolescente qualquer.

Da mesma maneira que sai muita coisa bacana, sai muita podreira. Sai também muita podreira travestida de coisa bacana, o que é o pior que pode acontecer: ler uma crítica positivaça a respeito de alguma coisa, chegar no cinema e ter uma puta decepção com o filme. Muito mais legal é ver uma crítica que esculacha a parada, chegar lá e curtir pra caramba. Melhor se surpreender pra melhor do que pra pior, como parece evidente.

Mas enfim. Fui ver, nos últimos dias, alguns filmes que me interessavam há tempos, mas que eu não tinha ido ver porque sou um procrastinador compulsivo. Segue a lista e minhas considerações a respeito:

Onde Os Fracos Não Têm Vez, dos irmãos Coen, foi o primeiro deles. Os Coen são uma dupla que eu respeito pra caralho. Gostei bastante de todos os trabalhos deles que eu vi: Arizona Nunca Mais, E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?, Fargo, O Grande Lebowsky. Os caras simplesmente têm um péssimo senso de humor, uma satisfação mórbida em azucrinar, torturar, maltratar, esculhambar os personagens. Ao mesmo tempo, são muito justos: todo mundo, em algum ponto da trama, se fode - em maior ou menor grau -. Sem discriminações com os infortúnios. Traço narrativo que eu aprecio, principalmente quando o sofrimento dos personagens beira o Hitchcockianismo (e se o termo não existe, está cunhado a partir de agora).

E aí os caras me fazem um filme absurdamente promissor. Colocam o Javier Bardem fazendo o que eu chego ao ponto de dizer que foi o melhor papel que ele fez na vida, sacam o Josh Brolin de algum limbo de famosos-pero-no-mucho, apresentam um Woody Harrelson fazendo o papel que ele faz melhor, o mesmo com o Tommy Lee Jones. Não escrevem UM, nem mesmo UM diálogo que soe despropositado ou fora de lugar ou forçado ou qualquer coisa dessas. Fazem uma história simples e com poucas variáveis, com bons personagens e com bons diálogos, enfim, mas erram no foco. E errar justamente no foco pode transformar a experiência em um puta coito interrompido, que é o que Onde Os Fracos Não Têm Vez acaba sendo. Um filme sensacional, que tropeça justamente por um foco impensado, um desenvolvimento pouco trabalhado. É triste, mas é fato. Não dá pra detestar o filme ou dizer que ele é ruim. Seriam duas grandes injustiças. Mas afirmá-lo perfeito também é forçar muito a barra. Fico com a pergunta indignada que li em um fórum no qual uns caras discutiam cinema:

“Qual o problema em acabar o filme com um final? É burguês? Ou é plebeu demais? É muita farinha na ‘média cultura’?”

Eu Sou A Lenda, se não é um primor de roteiro, ao menos é bem-amarrado. Admito que tenho uma certa atração por filmes que apresentam a solidão na sua forma mais crua: toda a humanidade foi pro caralho, você é o último representante da sua espécie. Se a definição de paraíso é uma coisa particular, então essa é a minha. O bairro todo só pra mim. A cidade. O mundo. Ir onde quiser, quando quiser, como quiser, sem o risco de esbarrar com alguém no caminho, sem ter que tolerar outros seres humanos, sem mais ninguém além de mim e dos meus pensamentos. Entrar nos supermercados e comer o que der vontade. Ver os filmes que quiser. Ler os livros que quiser. Morrer sozinho, tendo, como companhia, no máximo um cachorro, talvez nem isso. Se existe felicidade mais completa, não me ocorre agora.

Com isso em mente, fui ver Eu Sou A Lenda, como fui ver Extermínio, como assisti Vanilla Sky - só por causa daquela cena com o Tom Cruise sozinho em Times Square. Mas só o filme do Will Smith conduz essa possibilidade de uma maneira que se aproxima do que eu gostaria de ver. Justamente por isso, é um roteiro bastante ousado. Se apóia apenas na capacidade do protagonista de conseguir simpatia do público. Um ator menos carismático ali e ninguém teria saco pra aguentar quase duas horas de um sujeito andando sozinho numa Nova Iorque deserta. Não sei se só eu tive essa impressão, mas aquelas criaturas com as quais ele briga parecem muito os robôs de Eu, Robô feitos de carne. Aliás, ato falho do filme: não havia razão para colocar as criaturas como CG’s. É lógico que certas cenas demandam efeitos especiais, mas por que fazer tudo em computação gráfica? Com exceção disso - e do destino do cachorro, que me incomodou profundamente -, é um filme que eu recomendaria. Não é UM FILMAÇO, CACETE, QUE FILME FODA, PUTAQUEOPARIU! e tal. Mas é um bom filme, que vale a pena ser visto no cinema, como acontece com os bons filmes de ação.

Já com Cloverfield eu sou mais cuidadoso na hora de recomendar. Em primeiro lugar, não achei um filme ruim, como acharam algumas pessoas que viram comigo no cinema e saíram indignadas, reclamando por terem dado dinheiro para aquela abominação cinematográfica. Pelo contrário, achei até bem divertido. Valeu a meia-entrada que paguei para ter um período curto de diversão. Como eu disse para alguns conhecidos no cinema, “se teu negócio é filme de arte, você não deveria ter visto isso”. É cinemão pipoca na sua forma mais pura. Nada de análises psicológicas profundas dos personagens, nada de grandes moralismos ou idealismos vazando por entre os diálogos, nada de grandes críticas ou odes à natureza humana. Se a premissa - um monstro gigante devastando Nova Iorque - te incomoda, então, sério, não vá ao cinema. Pra você vai ser um desperdício de tempo e dinheiro. Mas se a idéia te agrada, então vá. E tente desvendar como, anatomicamente, é a tal criatura. Eu infelizmente não posso dizer que consegui.

Também vi P.S.: Eu te amo e Gângster, ontem.

Mas sobre esses eu não tenho nada a dizer. Um é uma comédia romântica. Arranca algumas risadas, em certos pontos, e pode até comover os mais sensíveis, em outros. Não é divertidíssimo, mas também não é sem-graça, não é extremamente tocante, mas também não é meloso. Pra uma comédia romântica, ficar no meio-termo, assim, já é um avanço e tanto. E Gângster, porra. Denzel Washington chuta bundas, como é de seu feitio. Russel Crowe também, como de costume. Josh Brolin eu nem menciono. Por que esse cara ficou na surdina até agora? Puta perda pro cinema. Ridley Scott é um cara que parece caminhar entre diferentes extremos pros fãs de cinema. Há quem ame tudo o que ele fez, há quem odeie. Não amo nem odeio, mas foram poucos os filmes dirigidos por ele que me decepcionaram. No geral, saio com aquela sensação de ter gasto meu dinheiro corretamente, sensação que se repetiu ontem.

Não vou dar estrelas ou pontuar minhas opiniões de um a dez, um a trinta, noventa e sete a dois mil, setecentos e oitenta e três. Leve minhas considerações em conta na hora de escolher o que assistir ou não leve. Crítica cinematográfica é uma coisa imbecil mesmo, já que a experiência varia de pessoa pra pessoa, então tudo o que eu disse aí não vale de porra nenhuma. Da mesma forma, não vale nada o que dizem no jornal da sua cidade, da minha cidade ou de qualquer outra cidade.

Vá ver o que te atrair e crie sua própria opinião.

Via crucis

Nuno diz:
hey jesus

Pedro diz:
Diga, meu filho.

Nuno diz:
jesus, como tao as coisas?

Pedro diz:
Ah, eu tô meio pregado.

Nuno diz:
normal

Nuno diz:
tava putao outro dia ae

Pedro diz:
Pois é, tem um camarada meu que é meio judas.

Nuno diz:
bora juntar galera

Nuno diz:
e esquartejá-lo

Pedro diz:
Nada. Deixa quieto que o cara vai se enforcar com a própria corda.

Nuno diz:
q q rolou ae?

Pedro diz:
Ah, uns caras me pegaram pra cristo e foram fazer minha caveira pra um pica-grossa daqui. Eu, crente que o sujeito ia me ajudar, ele foi e lavou as mãos.

Palavras de R

- [...] Só existe uma realidade: beber! [...] Vocês me perguntaram do bulevar, do cortejo, et coetera. Então, quer dizer que ainda vai haver uma revolução? Essa indigência de meios por parte do bom deus me espanta. A todo instante ele precisa tornar a untar o encaixe dos acontecimentos. Tudo emperra, a coisa não vai para frente. Rápido, uma revolução! O bom deus está o tempo todo com as mãos pretas desse sebo horrível. No lugar dele, eu simplificaria; não tornaria, cada vez, a montar minha mecânica, trocaria o gênero humano sem hesitação, tricotaria os fatos malha por malha, sem romper os fios, não teria nenhum expediente para imprevistos, nem repertórios extraordinários. O que vocês chamam de progresso funciona com dois motores, os homens e os acontecimentos. Mas, coisa triste, de tempos em tempos, o excepcional se faz necessário. Tanto para os homens como para os acontecimentos, a trupe comum não basta; entre os homens, é preciso haver gênios, e entre os acontecimentos, revoluções. Os grandes acidentes são a lei; a ordem das coisas não pode prescindir deles; e, em vista da aparição de cometas, seríamos tentados a crer que até mesmo o céu precisa de atores para suas representações. Quando menos se espera, deus prega um meteoro na muralha do firmamento. Uma estrela esquisita surge, sublinhada por uma cauda enorme. Isso faz César morrer. Brutos o ataca com um punhal, e deus com um cometa. Zás! Eis uma aurora boreal, eis uma revolução, eis um grande homem; 1793 em grandes letras, Napoleão em destaque, o cometa de 1811 no topo do cartaz. Ah! O belo cartaz azul, todo cravejado de fulgores inesperados! Bum! Bum! Espetáculo extraordinário. Levantem os olhos, palermas. Tudo está desgrenhado, tanto o astro como o drama. Bom deus, é demais, e não é o bastante. Esses recursos, tirados da exceção, parecem magnificência, mas são pobreza. Meus amigos, a Providência está reduzida aos expedientes. Uma revolução prova o quê? Que deus está na penúria. Dá um golpe de Estado porque há solução de continuidade entre o presente e o futuro, e porque ele, deus, não conseguiu equilibrar o orçamento. Na verdade, isso confirma minhas conjecturas sobre a situação da fortuna de Jeová; e, em vista de tanto apuro, lá em cima e cá embaixo, de tanta mesquinharia e avareza e sovinice e miséria, no céu como na terra, desde a ave, que não tem um grão de quirera, até mim, que não tenho cem mil libras de renda; em vista do destino humano, bastante deteriorado, e até do destino real, em situação embaraçosa, como testemunha o Príncipe de Condé enforcado; em vista do inverno, que nada mais é do que um rasgo no zênite por onde o vento sopra; em vista de tantos farrapos, mesmo na púrpura novinha em folha da manhã, no alto das colinas; em vista das gotas de orvalho, essas pérolas falsas; em vista da geada, esse diamante fingido; em vista da humanidade esfarrapada e dos acontecimentos remendados; e de tantas manchas no sol, e de tantos buracos na lua; e em vista de tanta miséria por toda parte, suspeito que deus não seja rico. Aparenta ser, é verdade, mas percebo suas dificuldades. Dá então uma revolução, do mesmo modo que um negociante, cujo caixa está vazio, esbraveja. Não se deve julgar os deuses pela aparência. Sob o dourado do céu, entrevejo um universo pobre. Até na criação há bancarrota. Por isso estou descontente. Vejam vocês, hoje é cinco de junho, já é quase noite; desde esta manhã espero que o dia chegue, e ele não chega, e aposto que não vai chegar. É uma falta de pontualidade de caixeiro mal pago. Sim, está tudo mal organizado, nada se ajusta a nada, esse velho mundo está completamente empenado, vou me encaixar na oposição. Tudo anda torto; o universo está implicante. É como os filhos: os que os desejam, não os têm, os que não os desejam, os terão. Em suma: isso me irrita. Além do mais, me dá aflição ver Laigle de Meaux, esse careca. Fico humilhado de pensar que sou da mesma idade que esse “joelho”. De resto, eu critico, mas não insulto. O universo é aquilo que é. Falo aqui sem más intenções e para desencargo da minha consciência. Recebei, padre eterno, os protestos de minhas sinceras considerações. [...]

E pensar que comecei esse trecho pensando “E lá vem Grantaire com outro discurso xarope e enfadonho”. Acabou me fazendo rir descontroladamente em público, herege miserável. É dos poderes de Victor Hugo fazer com que os leitores apreciem ainda mais as passagens com as quais concordam pouco (ou nada).

Top 5 Batidas Mais Grudentas

1. O teclado chiclete de Take On Me (A-Ha)
2. A guitarra de caixinha de música d’O Rock Acabou (Moptop)
3. O guitarrão motoqueiro de Legacy (The Gone Jackals)
4. O baixo muito doido de Crazy (Gnarls Barkley)
5. A guitarra arrependida de All These Things That I’ve Done (The Killers)

E no teu córtex, o que é que gruda?

(Pensei em colocar aqui nomes de pessoas pra quem eu gostaria de perguntar isso, mas algum idiota poderia chamar esta porra de “meme” e sair espalhando, então é melhor deixar que responda quem quiser, aí nos comentários ou onde achar melhor)

O texto é velho, a música é nova. O sentido se mantém.

[Cena: Uma cobertura de um prédio de classe média-alta. Alta madrugada. Um rapaz recolhe copos e garrafas de Smirnoff Ice (pausa para o Merchandising). Seu passo um tanto trôpego acusa que já bebeu um tanto além da conta. De súbito, uma luz intensa o ilumina. Em seguida, um ser de baixa estatura, crânio avantajado, membros esguios e compridos, pele muito branca, trajando uma roupa esquisita que nenhum ser humano em seu juízo perfeito seria capaz de usar se aproxima, enquanto a luz diminui gradativamente]

- ƒÄ£æ! ×Þ
- Putz! Um… um emo!
- ¬¬ ??ö ? ??? þ??, ???Ðø!
- Caralho, mano. Sou eu que tô muito bêbado, ou tu não tá falando coisa com coisa mesmo?
- ©º®?… pronto. Desculpe, esqueci de ligar o tradutor universal.
- Ah, beleza. Mas e aí, o que te traz por essas bandas?
- Leve-me ao seu líder!®
- Nossa! Baita frase clichê, hein?
- É, eu sei. Mas tá no Manual de Primeiro Contato, sabe. Sou um novato, baixa patente, tô sendo monitorado pelos veteranos. Tenho que seguir o regulamento à risca.
- Ah, tu é um etê?
- Um etê aspira.
- Nossa. Pé-no-saco, hein?
- Total.
- Mas diga lá, o que cê quer por aqui?
- Eu e meu povo estamos singrando o espaço. Indo onde nenhum Inca Venusiano jamais esteve. Em busca de novos mundos. Novas civilizações…
- Argh. Cê tá batido, etê. Só falta me dizer que seu nome é Spock.
- Não, nem é.
- Ufa.
- É Kirk.
- Putz! Numa boa, cara, você tá precisando de uma reciclagem.
- Sério?
- Sério. Esse papo aí de “leve-me ao seu líder”, “buscar novos mundos”, “novas civilizações”, “incas venusianos”, etc. Isso tá tudo batido.
- Pô. Mas meu computador me informou que você reconheceria essa linguagem.
- Reconhecer, eu reconheço. Mas é obsoleta. Aposto que teu computador é um IBM.
- Como descobriu?
- Tinha que ser mesmo. Escuta, eu vou te inteirar das novidades…
- Legal.
- O lance por aqui deu uma melhorada desde que vocês colheram essas informações aí.
- Melhorada, é?
- Pois é. Tá muito mais sinistro.
- Hm… mas… sinistro não é ruim?
- Ah, não. Sinistro é bom.
- Na minha língua, sinistro é ruim.
- Mas aqui na nossa, sinistro é bom. Sinistro é… cabuloso.
- Ca… cabuloso?
- É. Cabuloso.
- Não existe esse termo no meu idioma.
- Pô. Não me admira você ser tão out, cara. Nem sabe o que é ser cabuloso. Nem sabe o que é ser sinistro. Vou te apresentar um lance sinistramente cabuloso, então.
- Hm. Manda brasa seja lá o que for isso.
- Se prepara.
- Tô preparado.
- Tu vai balançar até cair!
- Álcool eu já conheço e dispenso, obrigado. Tô a serviço.
- Não, cara, esse é um batidão!
- Pô, não precisa ser violento!
- Cacete, etê, cala a boca e ouve!
- Toca logo essa porra, então!

PÁ DANÇAR CRÉU TEM QUE TER DISPOSIÇÃO
PÁ DANÇAR CRÉU TEM QUE TER HABILIDADE
PORQUE ESSA DANÇA, ELA NÃO É MOLE NÃO
EU VENHO TE FALAR QUE SÃO CINCO VELOCIDADES

[Pausa para a guerra interplanetária que trará a aniquilação da humanidade como a conhecemos]

(eu editei o texto um bocado, mas tudo bem: 99% das pessoas que visitam isso aqui não conheciam esse blog quando ele foi publicado da primeira vez, em eras antediluvianas)