Archive for Abril, 2008

…a bonança

Pronto. A onda de irascibilidade passou.

Desculpas envergonhadas aos que foram tão duramente atacados sem qualquer razão aparente durante minha fase viking. Gostaria de dizer que isso não vai se repetir, mas não tenho cara-de-pau suficiente pra contar uma mentira tão deslavada. Enquanto durar minha medicação, entretanto, prometo ser mais ponderado.

Os feeds voltaram ao que eram, não precisam mais vir aqui. Fiquem com seus readers fedorentos.

No mais, sem mais. Essa semana viajo, volto ali pelo dia 21 de abril. Não que você esperem atualizações diárias neste front, mas achei justo informá-los. Desejem-me boa viagem (não precisa ser nos comentários, intimamente já está de bom tamanho, os comentários servem pra quem quer me mandar tomar no cu). Voltando, prometo superar essa descomunal preguiça que me assola e escrever - talvez, a menos que o distanciamento acabe por jogar uma luz nas minhas idéias, apresentando-as como merdas sem precedentes - os dois textos que vêm circulando pela minha cabeça nos últimos dias semanas meses.

Até lá.

Notícia pros usuários de feed

Os posts agora aparecem no rss apenas até um certo ponto. Se quiser ler o resto, venha ao blog.

Ou não venha, vá pro caralho, vá ler outra coisa. Tô pouco me fodendo.

A opção é sua, tô cagando pra ela.

::Utopia Dilucular::
Trabalhando acintosamente para pior atendê-lo.

Sim, eu ando muito agressivo esses dias.

One More Shit Day

AVISO: Este texto contém spoilers (que podem te fazer poupar dinheiro, caso seja um leitor das histórias do Homem-Aranha e um comprador assíduo das revistas do herói, então leia assim mesmo).

Indo contra todas as recomendações do bom-senso, baixei - e li, porque se é pra ser idiota, deve-se ao menos fazer um esforço para atingir um nível mais elevado - a próxima “grande saga” do Homem-Aranha, a ser lançada aqui no Brasil talvez no fim desse ano, começo do ano que vem: One More Day.

Para os que não lêem os quadrinhos e ainda assim estão lendo esse texto - duvido que sejam muitos, se é que há alguém que faça isso -, o que ocorre é que após os eventos da Guerra Civil, Tia May acabou sendo baleada por um assassino contratado pelo Rei do Crime para matar Peter Parker (que levou sua identidade secreta - que já não era TÃO secreta assim, convenhamos - a público). Foragido da justiça por ir contra a lei de registro após notar que o Homem de Ferro na verdade é um escroto, sem ter a quem recorrer e vendo sua tia morrer, o Homem-Aranha, desesperado, foi providencial e inesperadamente auxiliado pelo Mefisto - que é, na Marvel, algo como uma versão (menos poderosa, pra poder levar porrada do Thor quando necessário) do canho, do demo, da cascavel das sete ventas.

Como o sulfuroso nunca trabalha de graça, ofereceu um acordo: Tia May seria salva em troca do amor de Peter Parker e Mary Jane. Lógico que a coisa não caminharia como no mundo real, onde o amor entre pessoas casadas de fato acaba, mas elas continuam vivendo juntas, ainda assim, transformando suas vidas - e a de todos os outros ao seu redor - no mais completo e irremediável inferno. Os termos, no caso de Peter e MJ, foram outros: uma ligeira mudança no plano da realidade, nada muito drástico, e eles nunca foram casados. Nunca. Ele não se lembra de ser casado com ela, nem ela de ter sido casada com ele. Ninguém lembra deles como um casal, porque eles nunca foram um.

One More Day

Você não está sozinho: “Minha nossa, que solução de merda!” é um pensamento que também me passou pela cabeça ao saber da história. E muitas vezes mais, enquanto lia a história.

O problema da identidade do Homem-Aranha ser conhecida também foi resolvido, assim como outras mudanças que a Marvel fez no herói de alguns anos para cá, que causaram nos leitores aquela sensação de “No que diabos eles estavam pensando?”: os disparadores de teia voltaram, Harry Osborn está vivo, Tia May não faz idéia que o sobrinho dela é o escalador de paredes.

Tudo bem que foram mudanças que também não me agradaram, na época em que foram feitas (nem muito tempo depois, mas relevaremos esse aspecto), e é lógico que seria ótimo dar um jeito de voltar atrás, mas teria que ser um jeito um pouco menos picareta, canalhão e safardana. Nunca esse… esse… esse cop out escroto de “trato com o demo/mudança na realidade como a conhecemos”. Porra, isso foi um chute no saco aplicado por um cobrador de faltas da seleção brasileira, ex-jogador de rúgby na Austrália, usando uma bota com bico fino de ferro, pelo amor de deus!

Agora o que me aborrece mais, o que me aborrece mais do que todas essas picaretagens descritas nos parágrafos anteriores, é que as histórias da saga do Homem-Aranha pós-One More Day, Brand New Day, estão boas pra caralho. Mostram um fôlego que eu só vi nas histórias do personagem quando Ultimate Spider-Man começou a sair! Eu queria MUITO, vocês não sabem o quanto, poder vir aqui e dizer “Foi uma solução horrível que conduziu a uma fase horrorosa”, coisa que diria facilmente na época da Saga do Clone, por exemplo, quando todas as soluções conduziam a situações piores do que a anterior, mas não é o caso. E eu não posso me permitir uma injustiça dessas. Não queria que tivesse acontecido e me envergonho profundamente disso, mas gostei das histórias.

Brand New Day

Entretanto, é lógico que há um problema. Algum problema teria que existir. E o problema é esse: Peter Parker está irreconhecível.

Porque, veja, Joe Quesada, o editor da Marvel, resolveu dar essa… hm… eu não quero dizer “cagada”, então vou usar “reviravolta”, mas pode ler “cagada”, se você preferir… então. Joe Quesada resolveu dar essa reviravolta na vida do Aranha porque ele gosta MESMO do Peter Parker do final da década de 70, começo da década de 80, vivendo sozinho, quebrado, desempregado e sem saber o que fazer da vida, tendo seu alter-ego heróico como a causa de toda sua satisfação e desgraça, simultaneamente. Com uma vida amorosa deprimente ou inexistente, uma tia decrépita com a saúde oscilando entre “ruim” e “ainda pior”, crente que ele é um pobre e frágil rapazote, levantando grana apenas o suficiente pra pagar - com atraso - o aluguel de um cafofo asqueroso no bairro mais pobre de Manhattan.

Ok, eu também gosto desse Peter Parker. Gosto tanto que, de tempos em tempos, releio minhas revistas dessa época. Gosto dele porque ele era divertido e, apesar de ter tudo pra ser o sujeito mais carrancudo e rancoroso do mundo, preferia o humor à depressão. Esse Peter era um sujeito bacana, esforçado, azarado pra caralho, mas boa-gente. Livre pra ir lutar, sem muitas preocupações, numa batalha do outro lado do universo, arquitetada por um semideus que sentiu vontade de testar os bons e os maus elementos desse planeta, colocando-os uns conta os outros num mundo montado às pressas com pedaços de outros corpos celestes.

Mas me acostumei com o outro Peter, mais responsável, mais sério e com outros compromissos além de si mesmo. Preocupado em não chegar tão tarde em casa pra patroa não arrancar os cabelos, sofrendo com a interferência de assuntos externos na sua vida conjugal, tentando não surtar porque não tinha grana e, caso fosse despejado, seriam ele e a mulher no meio da rua. Acompanhei ESSE Peter por mais tempo do que acompanhei o outro e, mesmo que me identifique mais com o outro, era ESSE que eu tinha me acostumado a ver.

Então vê-lo de volta ao que era é tão… irreal. É como se você voltasse pro colégio! Imagine-se de volta ao colégio, depois de tantos anos de faculdade/trabalho. O colégio era legal, mas não é mais pra você. Então esse novo Homem-Aranha é divertido, mas é divertido de uma forma amarga. É como um momento de saudosismo que te joga de volta ao passado: você se lembra com carinho daquele lugar, mas não é mais SEU lugar. Seu lugar é aqui e agora. Lá você fica deslocado, soa bobo, infantil e até meio babaca.

Nessa nova fase, o Homem-Aranha está bom como não vinha sendo há muito.
Peter Parker, por outro lado, tá soando meio babaca. Dá vontade de dar um pescotapa no sujeito e dizer “Mermão! Tu ainda tá nessa? Vai tocar essa vida adiante, caralho!”.

Agora que a Marvel descobriu essa saída espertona pra todas as cagadas que faz, vai ficar fácil encontrar solução pra outras idiotices cometidas pela Casa das Idéias. Por exemplo:

1) Sharon Carter faz um trato com Mefisto. Ela e Steve Rogers esquecem um do outro. Em troca, o Capitão América volta à vida.

2) Tony Stark faz um trato com Mefisto. Ele perde toda a sua fortuna e vira um sem-teto numa armadura multimilionária (o poderoso Homendigo). Em troca, deixa de ser um babaca.

3) SpeedBall faz um trato com Mefisto. Ele fica na puberdade por mais uns trinta anos, em troca os Novos Guerreiros voltam a existir e a Guerra Civil nunca aconteceu.

Mas o que eu queria MESMO era fazer um trato com Mefisto: ele leva toda a minha coleção de revistas e, em troca, eu esqueço que dei tanto dinheiro pra Marvel, ajudando a contratar essa cambada de idiotas incompetentes incapazes de escrever uma história que preste.

P.S.: Rola um boato que o Straczynski pediu pra retirarem o nome dele dos créditos da história, ao saber qual seria o fim da saga One More Day. Não sei se é verdade ou mentira, mas o fato é que o nome dele está lá, ao lado do de Joe Quesada. Culpo ambos, portanto.

Surto repentino

Mas dessa vez não é meu. O Daniel voltou a escrever com certa regularidade no blog, o que quer dizer que agora ele não faz apenas três posts por semestre. Sendo assim, me vejo na situação de colocá-lo ali na barra lateral e de volta no google reader.

Não sei se é um acontecimento passageiro, como um ataque de hiperatividade após muitas doses seguidas de café expresso, ou se é algo permanente, como uma resolução de ano-novo que será seguida à risca. Torço pela segunda. Mas, por enquanto, aproveitem a falastrice do cidadão.

Como eu ia dizendo…

…tenho até 31 de maio pra escrever alguma coisa ficcional que preste. QUE PRESTE, veja bem. Nada dessas porcarias que eu publico aqui - salvo uma ou outra, que fica apresentável. Pode parecer muito tempo, mas conhecendo minhas ondas de inspiração - e minha indolência - como conheço, é um prazo bastante apertado.

É nessa hora que apelo pra vocês. Da última vez que fiz isso, saiu um texto até bacanudo e tal, baseado numa idéia do Daniel. Então, sei lá, comecem algo aí nos comentários. Vai que algo dispara um gatilho aqui dentro e me dá um surto escrevístico do qual brota alguma coisa interessante? Prometo que dou um presente pro responsável, caso aconteça e renda frutos.

Agradecido.

Do incompreensível

Por que alguém diz que leu ou lê algo que não leu e não lê?

Exposta assim, a pergunta é muito ampla, então vamos simplificar. Eu compreendo por que alguém diria que leu um livro que nunca leu, por exemplo. Ainda mais quando é uma coisa dessas que todo mundo parece ter lido. Indo a um modelo de explicação meramente ilustrativo, mas que deve ser mais comum do que se imagina, entendo por que uma pessoa que gosta de ler, mas nunca leu James Joyce - porque James Joyce é um saco e tem nome de mulher - diria, numa roda de amigos que já leram James Joyce, que também leu. Ficam todas aquelas pessoas ali, arrotando conhecimento, falando que leram James Joyce como quem aponta uma gostosa e diz “Já comi”, logo o cara se sente meio assustado quando percebe que, em matéria de James Joyce, ele é o único cabaço. Então entra no wikiquote, procura trechos legais de qualquer merda escrita pela nossa querida Joice, e cita vários nas conversas com seus amigos. Isso lhe dá algum status no meio do grupo.

Também entendo o que faz alguém que nunca leu jornais dizer que lê jornais. A gente vê em todo lugar, o tempo todo, várias pessoas “importantes” dizendo como é “importante” ser “bem-informado”. Daí queremos ser “bem-informados”. Ser “bem-informado” é cool. Alguém de repente te pergunta as horas e você, como criatura “bem-informada” que é, faz logo uma preleção a respeito do atual estado político da Namíbia e do que está acontecendo com o grupo separatista Basco. Conclui dizendo que a hora não importa mais, pois já é muito tarde para os ativistas nepalenses contra a dominação chinesa, donde segue-se outro discurso inflamado a respeito da postura do Dalai Lama e dos planos da ONU diante desse quadro. A pessoa sai sem perceber que não foi respondida, boquiaberta com sua sapiência e achando que você é maluco. Veja só como é legal ser “bem-informado”.

Mas o que faz alguém dizer que lê um blog que não lê? Não pro dono do blog, pois isso poderia ser, sei lá, uma forma de gentileza. É como dizer “Gostei do seu chapéu”, quando tudo o que você quer é dizer “Teu chapéu é ridículo”: uma daquelas fronteiras sociais que poucos têm coragem de atravessar, porque conduz a caminhos muito, muito solitários (e, dependendo do tamanho do dono do chapéu, muito doloridos, também). Mas no caso do dono NUNCA ter perguntado se você lê, nunca ter PEDIDO pra você ler. O blog simplesmente está lá e você não lê. Pra quê colocar um link? Pra fazer “parceria” eu entenderia - seria desprezível, mas eu entenderia -, mas e quando não é o caso?

É possível argumentarem que eu não sei se a pessoa em questão lê o blog ou não, ao que eu contra-argumento que sei, sim. Porque analisemos o caso do utopia: mudou pra este endereço há quase um ano. No antigo reduto em que permaneceu por tanto tempo, e que agora é uma url abandonada, há apenas uma mensagem direcionando os que lá chegarem para cá. E ainda assim há quem coloque links pra lá. E você vem me dizer que uma pessoa dessas LEU o que está escrito? Não leu, não há o que discutir. Por uma razão qualquer incompreensível, algumas pessoas não abandonam URLs mortas. Ainda colocam links pra elas. Continuam visitando, mesmo que elas não existam mais.

E é ISSO que eu não entendo.

Porque, pense comigo, essa pessoa não lê o blog, e está tudo bem em não ler um blog como este. Este é um blog pequeno, um beco escondido e intencionalmente sujo e mal-iluminado na gigantesca palhaçada que é a blogosfera. E é assim porque eu quero assim, porque eu gosto assim, porque quero os palhaços fora daqui, quero que seja sombrio e desagradável. Quero que as pessoas tenham receio, nojo, desprezo por este gueto imundo e malcheiroso. Enquanto os outros lutam, mordem, latem e babam pra levar seus escritos à luz, pra ter seus textos disseminados, espalhados por intermináveis correntes de e-mail, quiçá rodando a web em arquivos .pps, eu quero os meus aqui, esquecidos. Aqui, e em nenhum outro lugar.

Então este não é um blog que você diz que não lê e outros blogueiros te olham com uma pontada de desprezo, muito pelo contrário: você diz “eu leio” e periga rirem da sua cara. É como, numa mesa em que se discute Dostoiévsky, você perguntar se alguém leu “O Segredo”. Eu não sou um Polzonoff, um Soares Silva, um Pedro Dória, e deus me livre e guarde disso. No dia em que perder meu bom-senso a esse ponto, peço encarecidamente pra que alguém tenha a decência de me dar um tiro no meio da cara, assim poderei levar para o túmulo o que me resta de dignidade.

Ou seja, não sendo esse um blog “importante”, um blog “grande”, um blog “informativo”, um blog de “credibilidade”, ou qualquer porra dessas, retorno então à questão que abre este texto: por que alguém diria que lê isso aqui, sem ler? Não é como se eu fizesse questão. Aliás, dependendo de quem for, eu até faço questão que não leia.

Infelizmente, minha compreensão das motivações alheias não atinge abismos tão profundos. São por demais bizarros e fora de lógica para que eu possa alcançá-los.