Monthly Archive for January, 2009

The Killers - Read My Mind

The good old days, the honest man
The restless heart, the Promised Land
A subtle kiss that no one sees
A broken wrist and a big trapeze

Oh well, I don’t mind if you don’t mind
‘Cause I don’t shine if you don’t shine
Before you go, can you read my mind?

It’s funny how you just break down
Waiting on some sign
I pull up to the front of your driveway
With magic soaking my spine

Can you read my mind?
Can you read my mind?

Da civilidade

Nêgo insiste em querer “conversar civilizadamente” comigo. “Vamos conversar civilizadamente”, dizem. O que eu sou, cacete? Um merovíngio? Um nortista bárbaro e cabeludo, seminu, brandindo uma espada, cercado por espólios de batalha e vítimas desmembradas?

Nunca levei jeito pra esses lances schwarzeneggerianos. Essa vida de Conan não é pra mim.

Mas admito que civilidade não é meu forte, pelo contrário: me saio muito melhor em situações nas quais a educação já virou as costas e, colocando na cabeça seu belo chapéu social de feltro, abandonou o recinto, despedindo-se discretamente na saída. Tão discretamente a ponto de ninguém notar. Comigo, a educação funciona assim: quando você se dá conta, ela já não está mais presente. No lugar daquela figura agradável, simpática e dócil há um hooligan grosseiro, meio bêbado, entoando gritos de torcida e babando um palavreado capaz de fazer um irmão caminhoneiro se sentir desconfortável.

De todo modo, o que eu imagino que as pessoas querem dizer quando me pedem pra “conversar civilizadamente” é “pega leve, ok?”. E por “pega leve”, concluo que estão querendo estabelecer cinco regras básicas. Mais ou menos assim:

1. Favor não escarnecer
2. Utilize palavrões o mínimo possível
3. Evite suas analogias irônicas
4. Não seja cruel
5. Sinceridade em doses homeopáticas, por gentileza

Ou seja, “Não seja tão você”.

Não escarnecer, não usar palavrões, não fazer analogias irônicas, não ser cruel e não ser brutalmente sincero. Porra. Querem conversar a respeito DO QUÊ? Do tempo lá fora? Porque é impossível discutir um problema de relacionamento sem uma boa dose de análise, e eu não sei ser analista se não for incisivo. Sofro dessa deficiência.

Notas:

Gabi e Leonardo, nos comentários do post abaixo, parecem acreditar que é possível agir de forma amotinada impunemente nesta baiúca (notem o acento - chupa, reforma ortográfica!). Num dia normal eu consideraria com prazer a idéia (impraticável, principalmente pela distância) de deslocar quatro ou cinco juntas desses vermes e deixá-los curtindo a sensação de ter vidro moído entre as articulações. Hoje é um dia normal. Mas a idéia, já disse, é impraticável. Portanto vou me resignar a rebater as baboseiras ditas, só por esporte: os feeds não eram regulados para que alguém viesse até aqui ver o layout do blog, até porque uma pessoa que adiciona esta porcaria em seu agregador (nota mental: usar isso como analogia para mandar alguém introduzir algo em algum orifício) precisa, antes, passar aqui e ver a aparência. E a aparência nunca foi o forte desta página - em um claro reflexo de quem escreve -, o que interessa aqui é o… o… hm. Então. O que interessa aqui é a… aquele… o… essa…

Bom, nada, eu acho.

Continuando. A limitação dos feeds era, além de uma forma divertida de incomodar os leitores e mostrar quem manda nesta porra - hábito que alimento desde meu primeiro blog, o bom (figura de linguagem, apenas) e velho (interneticamente falando, claro) Butequim -, também um jeito de mantê-los coerentes.

A meu ver, a incoerência em relação a feeds é que as pessoas dizem usar esse recurso para “poupar tempo”. Dentro da minha percepção das coisas, você precisa administrar seu tempo de forma produtiva e agilizar suas atividades diárias quando - e apenas quando - tem uma agenda tão apertada que não pode perder 5 minutos da sua existência navegando a esmo por uma página, buscando o texto que quer ler. Uma pessoa ocupada a tal ponto, sinceramente, sequer deveria estar lendo blogs. Ainda mais ESTE blog, que não tem qualquer relevância na Meritocracia Informal da Internet®. Logo, nenhum dos meus leitores é TÃO ocupado, e tamanha resistência a clicar em um link pra ler o texto completo é apenas um sintoma do mal secular ao qual dá-se o nome de preguiça.

Meu uso de feeds é meramente para fins organizacionais. Não me preocupo com tempo, mas tenho memória de peixe e sei que esqueço de verificar páginas com regularidade. Então uso o Google Reader pela praticidade de chegar em casa à noite, depois do trabalho, e saber quem atualizou o quê. A partir daí, abro todos os links em abas e leio cada blog em sua respectiva página. Por isso o corte no rss do utops: para forçar todo mundo a agir da mesma forma que eu. É ditatorial, eu sei, mas se você não tem tempo para clicar em um link e ler com cuidado, não leia. Vá fazer outra coisa com seu preciosíssimo tempo e sua ocupadíssima vida. Juro que não vou chorar sua ausência.

Em suma: não dou a mínima pra contadores, pra aparência do blog, pra nada disso. Meu prazer é incomodar vocês.

Jaime avisa que atualizará essa joça. Jaime sabe o que faz, portanto não me meto, deixo as decisões a critério dele. O que faço aqui é escrever, apenas, portanto escrevo. O layout deste blog não é importante (tampouco os textos, mas não consideremos isto), já que vocês curtem um feedzinho babaca, bando de preguiçosos que são. Mas aviso apenas para os que se surpreenderem ao esbarrar com mudanças por aqui: não se surpreendam, pois. O K2 - esse layout (não a segunda maior montanha do mundo, no Himalaia, com 8.611 metros de altura) - é bacanudo em sua organização e tal, mas tem que sair, porque é totalmente psicótico e neurastênico (combinamos, eu sei) e surta com tudo.

Sério que alguém ainda acha essa coisa nojenta chamada de “tiopês” minimamente engraçada? Alguém ainda ri de “pegael”, “meldels” ou da batidíssima “comofas”? Alguém mais aí enxerga que isso é “humor” (perdoem pelo uso leviano do termo) de Praça É Nossa, que são chavões sem nenhuma graça repetidos ad nauseam por gente que não sabe ser espontânea, mas não se conforma? Vai ser preciso alguém criar um personagem no Zorra Total que fale “q”, “brinks” e assemelhados pra vocês se darem conta do quanto suas risadas espasmódicas são deploráveis e forçadas?

Mulheres, pelo amor de deus, PAREM de falar como os viados! Parem de usar gírias de viados, de usar expressões como “Mara!”, chamar umas às outras de “bee” ou se referir a homens como “bofe”! Ok, o time masculino vem diminuindo consideravelmente nos últimos anos, muitos dos nossos membros passaram a integrar o lado róseo da força recentemente, outros tantos estão encaminhados. Entendo esse esforço que vocês fazem, procurando parecer interessantes a quem já está com um pé do outro lado da linha, mas lembrem-se que muitos ainda estão aqui, honrando a camisa e mantendo um legítimo e intenso interesse no sexo OPOSTO. E quando o sexo oposto começa a falar e se portar como as criaturas do mesmo sexo, qual é a graça? Se querem imitar os gays em alguma coisa, comecem a dar a bunda com desenvoltura. O resto, por favor, é assunto deles.

Declarações do óbvio

Amigos e irmãos.
Namastê.
Paz e Luz.
Yakshemash.

Uns dois ou três dos cinco leitores deste gueto cibernético asqueroso devem ter notado que os feeds foram novamente liberados para quem quiser ler direto pelo agregador.

Agradeçam à Gabi Fróes e a todas as cavalares doses de encheção de saco via MSN.
E ao meu espírito magnânimo, que resolveu ajudá-los em sua preguiça imunda de clicar num maldito link pra entrar numa porra duma página, seus preguiçosos do caralho.
Sou ou não sou um sujeito gentil?

Eu sei que sou, putos.

Pequenas igrejas…

- Nossa, você não bebe?
- Não.
- Por quê?
- Sou abstêmio.
- É o quê?
- Abstêmio.
- O que é isso?
- É a minha religião.
- Nunca ouvi falar.
- Porque você é beócio.
- O que é isso?
- É como os da minha religião chamam os não-iniciados.

Das inevitabilidades da vida

Sempre me impressionei com esse negócio dos quadros. Estão lá em cima há anos, então, sem que aconteça nada, mas eu digo nada mesmo, fran, caem. Estão ali, amarrados ao prego, ninguém lhes faz nada, mas eles, a um certo ponto, fran, caem como pedras. No silêncio mais absoluto, com tudo imóvel em volta, nenhuma mosca voando e eles, fran. Não existe uma razão. Por que exatamente naquele instante? Não se sabe. Fran. O que acontece com um prego para decidir que não pode mais com ele? Tem uma alma, ele também, pobrezinho? Toma decisões? Discutiu o assunto longamente com o quadro, tinham dúvidas sobre o que fazer, falavam disso todas as noites, durante anos, então decidiram uma data, uma hora, um minuto, um instante, é aquele, fran. Ou já o sabiam desde o início, os dois, já estava tudo combinado, olha, eu largo tudo dentro de sete anos, para mim está bem, okay então, entendido, em 13 de maio, okay, lá pelas seis, digamos cinco e 45, de acordo, então boa noite, ‘noite. Sete anos depois, 13 de maio, cinco e 45: fran. Não dá para entender. É uma daquelas coisas em que é melhor nem pensar, ou se fica maluco. Quando cai um quadro. Quando você acorda, uma manhã, e não a ama mais. Quando abre o jornal e lê estourou a guerra. Quando vê um trem e pensa devo ir embora daqui. Quando você se olha no espelho e percebe que está velho.

Trecho de Novecentos: Um Monólogo, de Alessandro Baricco. Entra no meu Top 5 de livros preferidos na vida. E eu não ganho nada se você comprar o livro clicando nesse link do Submarino (recomendo muitíssimo). Assim como também não ganho nada se você quiser pagar metade do preço cobrado pelo Submarino comprando aqui, na Estante Virtual (recomendo ainda mais).




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