Monthly Archive for April, 2009

Para as meninas que jogam:

(e pra qualquer um que se ofenda com facilidade)

Levar este blog a sério é uma besteira difícil de explicar. Não pra mim, mas pra quem te conhece. Não é preciso ter muitos neurônios pra sacar que pouco (ou quase nada) por aqui é suficientemente relevante pra ser considerado ao pé da letra. Eu adoro videogame e costumava considerar moças que também gostam desse passatempo mais “iluminadas” do que a maior parte da população feminina, que não dá a menor bola pra jogos eletrônicos (qualquer um que afirme o contrário é um idiota, porque a maioria das mulheres não colocaria um videogame em um Top 5 Minhas Melhores Opções de Entretenimento. Provavelmente nem em um top 10). Imaginei que essas mesmas gurias iriam rir ao perceber o tamanho do desatino que foi escrito.

Agora mudei de idéia. Mulheres que jogam podem ser tão melindradas quanto as que não jogam. É só fazer uma piada simplificando o que é complexo e pronto: acendem-se as tochas, armam-se as hordas, fervem os caldeirões de molho barbecue e vamos tostar o machista. Pelo amor de deus, larguem esse complexo de inferioridade. Vocês são uma casta rara, respeitem-se!

Mas enfim. A ironia é a roupa do rei. E só lamento pra quem é incapaz de vê-la e tem que ficar observando o saco do velhote. Há de ser feio pra caralho…

(será que terei que aturar comentários emputecidos por ter criticado os escrotos do monarca? Serei persona non grata nos bailes dos enxutos e nas ante-salas dos geriatras?)

Das Relações Análogas

Boa parte das mulheres olha para um controle de Playstation e não vê nada além de um aparelho eletrônico cheio de botões, utilizado para inserir comandos - freqüentemente complexos - em um jogo difícil de compreender. Na cabeça delas não faz o menor sentido as diferenças e sutilezas dos controles de um Street Fighter da vida, por exemplo. Como assim meia lua pra frente e X solta um Hadouken mais lento e meia lua pra trás e bola solta um tetsurugen mais rápido? Que negócio é esse de combo médio e combo forte? Por que às vezes ele pula só um pouquinho e de vez em quando ele salta como se não existisse mais gravidade?

Os homens, por outro lado, têm maior facilidade com esses sistemas de diferenciação de comandos por pura convivência. Mulheres são exatamente assim: cheias de botões - alguns em locais improváveis e de difícil acesso, qual um controle de Nintendo 64 -, e reagem de forma diferente dependendo da seqüência, freqüência e intensidade com a qual eles são pressionados. Existem as “cheatadas”, nas quais tudo o que é preciso fazer é mandar ver um R2+L2 pra soltar um especial e pronto, mas a maior parte exige um pouco mais de controle digital, coordenação motora e atenção do jogador, caso ele se interesse em estabelecer uma pontuação realmente alta de modo a deixar seu nome marcado no hall da fama. O fato é que depois que você aprende a manusear uma mulher de forma eficiente, vai por mim, não existe King of Fighters da vida que seja suficientemente desafiador.

É por isso que as fêmeas, em geral, sentem falta do bom e velho Atari. Apenas mexer um cacetinho de um lado pro outro e com isso controlar completamente um sistema faz muito mais sentido na cabeça delas…

Do excesso de carga

No meu mundo perfeito, o sofrimento seria uma coisa mensurável por uma razão bem simples: seria físico, visível, palpável. O seu sofrimento seria um fardo real, que você carregaria nas costas. Uma pessoa jamais poderia mascarar ou exagerar o próprio sentimento, todos poderiam ver se aquela reação era real ou não, pelo tamanho do saco de pedras preso às costas de quem se queixasse.

Com o tempo, essas pedras iriam diminuindo de tamanho até sumir e sua musculatura iria se acostumando ao peso, de modo que toda carga de sofrimento que você recebesse seria mais e mais tolerável. Simultaneamente, cada acontecimento desagradável faria surgir uma nova pedra, de tamanho e peso que iria variar de acordo com a intensidade do trauma.

Seu relacionamento acabou? Tome aqui uns dez quilos. Arranjou uma infecção urinária? Tome quarenta quilos. Alguém que você ama muito morreu inesperadamente em um acidente estúpido? Tome duzentos quilos. Quinhentos. Uma tonelada.

No meu mundo perfeito, eu poderia tirar esse fardo das suas costas e carregá-lo. E juro que faria todo o esforço do mundo pra te poupar disso, mesmo que só por algumas horas, mesmo que tivesse que passar um pedaço dele pra todo mundo que eu conheço e que sei que aceitaria ajudar. Porque é um fardo grande demais pra qualquer um.

Mas tudo o que eu posso fazer é te ouvir e falar com você, Gabi.
E torcer pra ser suficiente.

Tô aqui, não esquece.




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