A inspiração, essa vagabunda

Não sou desses que afirmam morrer de amor pelas letras, que se declaram amantes dos livros, apaixonados pela escrita. Sabe, essas pessoas que devem se masturbar folheando dicionários? Então. Não faço parte da classe, até porque acho ridícula essa conversinha de “não sei viver sem meus livros, meus autores preferidos”. Coisa de pseudo-intelectual babaca, querendo pagar de “viciado em informação”.Mas desenvolvi o hábito de escrever. E não conseguir mais fazer isso com a mesma desenvoltura e freqüência, como conseguia há uns dois anos, dois anos e meio, me deixa tremendamente frustrado. É claro que tenho consciência de que aquele tipo de texto que eu fazia é muito fácil de escrever, que aquelas porcarias eu conseguiria, sim, produzir facilmente agora. Mas o grande problema é que eu não quero mais aquele padrão. Oras, de que me adianta ficar no mesmo patamar pro resto da vida? De que me serve fazer algo se eu não buscar melhorar? Quem fica parado é poste, e daí vem toda a minha insatisfação: o meu DESEJO de melhorar vai de encontro à minha capacidade de atingir esse objetivo. Juntemos a isso minha auto-crítica, e pronto.

O que acontece é que minha auto-crítica é uma desgraça: enquanto meu prazer em fazer algo aumenta em progressão aritmética, ela aumenta em progressão geométrica. Daí sempre fode tudo, porque eu me sinto desestimulado pra tocar qualquer coisa adiante, guiado pela certeza incontestável de que sou inapto pra sair da linha do medíocre (e isso acontece em tudo o que eu faço, não apenas com a escrita, é bom ressaltar).

O fato de uma ou outra pessoa lamber minhas bolas não ajuda nesse processo, infelizmente. Mas quando alguém que eu considero pouco (ou nada) inteligente me elogia, aí, sim, funciona: fico tão ofendido por uma pessoa daquelas concordar comigo que me sinto um lixo. Pois é, eu também não compreendi completamente como se dá o processo, mas o fato é que quando alguém me elogia eu não ligo, a menos que seja alguém de quem eu não gosto. Aí eu dou importância e me ofendo. Lamentável.

Claro que ser ofendido por alguém de quem eu não gosto e/ou que não considero inteligente o bastante apenas me incentiva a seguir em frente. Logo, se você não gosta de mim e vice-versa, é seu silêncio que me frustra. Manifestações de ódio surtem efeito contrário.

DICA:

Fique feliz, pois não é sempre que dou, de mão-beijada, uma fórmula pra me emputecer, mas aqui vai: faça comentários tremendamente imbecis nos meus textos, tipo “ahauheauheuahuea kRaAAaaI oOoOOoOW.. aDoLEiIIiiiII xEu bLoGxIInHuUuU… hauhUHUEHuhauheUHEUHu… rAxeI u biKu auheAUHEAUEauheAUHEAU…”, ou “You know, eu sempre pensei assim, mas nunca soube como dizer. Anyway, adorei o segundo parágrafo.” (não esqueça os estrangeirismos). Eu não vou gostar NADA de você, mas também não vou te tratar mal, já que você não está me ofendendo ou se metendo na minha vida ou qualquer coisa do tipo. E eu ainda sinto certo constrangimento se trato mal quem me trata bem (mas estamos trabalhando nisso).

FIM DA DICA

ABRE PARÊNTESES:

Se você está lendo o post até aqui, provavelmente quer saber o que a inspiração tem a ver com isso. Pra ser bem sincero, agora eu também não me lembro bem qual era a relação que ia estabelecer entre uma coisa e outra, mas como já comecei a criar uma tendinite braba digitando isso tudo, vamos em frente.)

Diga-se de passagem: sempre achei “parênteses” parecido com “parentes”, por razões óbvias. Quando meus professores, ditando alguma coisa, diziam “abre parênteses”, de imediato eu imaginava os consangüíneos de quem eu não gostava numa mesa de autópsia. Porque mentalidade sombria é isso aí.

FECHA PARÊNTESES

NOTA:

Chega de notas nesse texto. Já extrapolei a cota.

FIM DA NOTA

Olha eu fugindo totalmente do assunto. O que eu quis abordar desde o começo e não sabia como é o fato de que minha frustração com minha mediocridade, somada à minha falta de idéias, me manteve calado como estive nos últimos meses. É coisa rara ultimamente eu escrever em dois dias consecutivos. Mais raro ainda é sair mais de um texto meu por dia.

Por QUERER escrever mas não saber O QUÊ, concluí que o ideal seria recorrer a uma fonte infinita de idéias: o mundo do videogame.

- NÃO! POR FAVOR! NÃO ME DIGA QUE VAI ESCREVER OUTRO WALKTHROUGH!

Sem chance, calma lá! A idéia que eu tive foi um pouco diferente: vou narrar jogos. Como assim, você pergunta. Simples, eu respondo: pego um RPG qualquer e, ao mesmo tempo em que vou jogando, vou escrevendo textos narrativos contando a história. Claro que com minhas modificações aqui e ali. É idiota, eu sei, mas funciona. Supre minha vontade de escrever E minha falta de assunto. E, por increça que parível, ao desencanar do fato de que eu PRECISO escrever algo, acabo tendo uma ou outra idéia digna de ser desenvolvida. O que, geralmente, dá um texto.

Daí o título (lembrei!): é justamente quando você deixa de dar importância a ela que a inspiração resolve se esfregar na sua cara. Qualquer semelhança com as mulheres é mera coincidência, acho.

Então é o que eu tenho feito ultimamente: narrado jogos. E é incrível como, depois de passar pelos filtros da minha cabeça, fica tudo bem diferente do original. Estou me prendendo mais a temas como ficção científica ou magia-capa-e-espada, assuntos nos quais eu “me especializei” quando jogava RPG.

Tem sido divertido e, mais importante, está fluindo.
Pelo menos até agora.

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