Bah…

Não sou um cara ciumento.

Se um sujeito se aproximar da minha namorada e lograr levá-la embora, parabéns para ele. Ou é muito melhor do que eu - em alguns ou vários aspectos - ou é muito bom em fingir excelência. Ou - ainda há essa possibilidade - ela ficou tão pouco criteriosa que é justo deixá-la trocar gato por lebre.

Qualquer que seja a teoria certa, a verdade é: se alguém consegue levar sua mulher embora, provavelmente merece ficar com ela. E se ela resolveu ir, merece o sujeito pelo qual te deixou.

Ao contrário do que muitos homens acham, mulheres são seres dotados de vontade própria. Não são vacas ou outras criaturas nas quais você pode marcar na bunda, a ferro quente, suas iniciais, reclamando, assim, direitos irrevogáveis.

Por isso não é minha obrigação “proteger” minha namorada de gaviões, bajuladores e etc. Ela deve aprender a recusar esse tipo de gente ou ficar com eles. Meu papel na história é o de… bom, não tenho papel nenhum nisso. Gosto dela e quero que fique. E se ela quiser ficar, ficará. Se quiser ir, irá. Simples.

Mas meus livros, cara… ah, meus livros.

Meus livros são meus. MEUS. E nesse ponto sou extremamente egoísta, ciumento, possessivo. Por uma razão simples: livros são objetos inanimados (isso não é novidade para ninguém) e, como objetos inanimados, podem ser carregados para longe, sem esboçar a menor resistência, por qualquer imbecil descerebrado que tenha acesso a eles e se disponha a levá-los.

Perder uma mulher pode ser sofrido e desagradável, mas outras virão. Não vale a pena esquentar a cabeça por essas coisas.
Um livro perdido é irrecuperável. É esse tipo de coisa que me deixa profundamente chateado.

Perdi um, hoje.

E, sendo esta uma pátria de analfabetos funcionais, de fãs do Paulo Coelho, de leitores ávidos de porcarias como as escritas pelo Dan Brown, de consumistas pouco (ou nada) críticos de livros de auto-ajuda, é nula minha esperança de que alguém vá dar o mesmo valor que eu ao que tem em mãos…

12 Responses to “Bah…”


  1. 1 Melissa

    Sou ciumenta como você, Pedro!
    Não empresto, em hipótese alguma, meu livros queridos. Meu coração se despedaça só de pensar em ficar sem eles. Acho que é amor verdadeiro… rs

  2. 2 Guto

    Mah que livro foi, tchê?

  3. 3 daniel, o bastos

    imagine como você se sentiria ao aderir à tal campanha “livro livre”, que prega deixar um livro dedicado a quem encontrá-lo, em local público.

  4. 4 Pedro

    Um Estranho Numa Terra Estranha, cara. Aquele do qual eu tirei duas citações alguns dias atrás. =/

  5. 5 Leo Romano

    Faltou mencionar o maior sucesso de vendas: O Veneno do Escorpião - literatura de cabeceira de motel!

  6. 6 Aquino

    Uma linha de raciocínio exageradamente simplista para abordar um assunto de demasiada complexidade…

    …mujeres.

  7. 7 Pedro

    Às vezes não sou eu que simplifico, mas é você quem complica.

  8. 8 _g

    Dê me nomes, endereços, fotos e localização.

    O livro voltará em breve

  9. 9 Pedro

    Pô, cara, agradeço o auxílio detetivesco (pra não dizer mafioso), mas o livro foi deixado sobre um caixa eletrônico, no meio de um shopping aqui perto. Quando voltei, não estava mais lá.

    Pisada na bola minha, eu sei…

  10. 10 Aquino

    Às vezes…

  11. 11 Carol Bocage

    Nossa! Pegaram o livro? Sempre achei que ninguém se preocupava em carregar livros esquecidos, além de mim e mais alguns estranhos… Mas, com o seu, não tenho nada a ver.
    Adorei seu modo de ver um relacionamento. Geralmente, há até mesmo mulheres que gostam de ser tratadas como princesinhas a serem cuidadas ou cadelinhas numa coleira…brr.

  12. 12 Juliano

    Cara… concordo contigo em gênero, número e degrau!

    Livro jamais entra na classificação internacional VVV (vai e volta voando). Aliás, qualquer coisa que tenha letrinhas. A minha coleção de gibis é (aliás, foi…) um exemplo disso…

    ~*~

    Quanto aos ciúmes, de acordo também. O que realmente é nosso, fica - independentemente da nossa vontade. A liberdade de escolha não pode ser sufocada por um tal de ‘amor possessivo’, se é que isso um dia foi, verdadeiramente, amor.

    Grande abraço.

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