Barrow-on-Furness

Sou vil, sou reles, como toda a gente
Não tenho ideais, mas não os tem ninguém.
Quem diz que os tem é como eu, mas mente.
Quem diz que busca é porque não os tem.
É com a imaginação que eu amo o bem.
Meu baixo ser porém não mo consente.
Passo, fantasma do meu ser presente,
Ébrio, por intervalos, de um Além.
Como todos não creio no que creio.
Talvez possa morrer por esse ideal.
Mas, enquanto não morro, falo e leio.
Justificar-me? Sou quem todos são…
Modificar-me? Para meu igual?…
— Acaba lá com isso, ó coração!

(Fernando Pessoa)

Encontrei aqui.

2 Responses to “Barrow-on-Furness”


  1. 1 Melissa

    Ah, Fernando Pessoa e suas personalidades poéticas, sempre refletindo sobre a relação entre a verdade, a existência e a identidade. Não é a toa que é um (uns)dos meus poetas preferidos. Esse texto caiu como uma luva no contexto do blog, Pedro.
    Beijos pra você!

  2. 2 Will

    Esse sangue-truta-mano-joe era firmeza!

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