Boboca é o caralho!

Nunca assisti Magnólia. E sempre me critiquei por isso. Já vi muita gente falando bem do filme, bem demais, como se fosse o tipo de coisa que não se deve deixar de ver, um daqueles filmes que mudam sua vida, sua concepção das coisas, sua forma de ver o mundo.

Andei pensando a respeito. Engraçado como as mesmas pessoas que elogiam Magnólia tendem a adorar Amélie Poulain e Encontros e Desencontros. Analisando dessa forma, acabei me questionando: será Magnólia essa farofa toda? Ou será que apenas segue o padrão das duas outras produções já citadas? Meu ânimo para alugar e assistir o filme diminuiu consideravelmente, ao pensar assim.

Porque Amélie Poulain e Encontros e Desencontros, apesar de todas as suas diferenças, carregam, em comum, uma característica que está em voga no momento, mas que eu, particularmente, desgosto: são filmes “inocentes”.

Não me agrada em nada a inocência, embora pareça ser idolatrada por todos esses indies pseudo-cinéfilos proto-intelectuais que pululam por aí. Não sei que beleza há em um ser humano que não tem coragem de esticar a mão e pegar o que quer, que prefere ficar vendo, com olhos dóceis, a vida passando por cima dele, sem reações intempestivas de qualquer espécie. Não sei onde está o aspecto virtuoso da paciência sem fim, da boa-vontade para com todos - até mesmo seus adversários - e da ausência de ímpeto combativo.

Mas é a moda agora. Pessoas adoram sair por aí bradando “eu que já não quero mais ser um vencedor”, acham lindo quando Marcelo Camelo classifica seus desafetos como “bobocas” e chegam ao ponto de subverter valores estéticos. Basta ver que a beleza é ilustrada com a foto de uma garota de all-star de cano longo, meia 3/4 listrada de preto-e-branco, minissaia de pregas, camisa social, gravata, jaqueta de vinil, óculos de aro grosso e franja. Me vem à mente, então, a típica frase de velhos: a vida anda em círculos. E me pergunto se estamos de volta ao começo do século passado, quando mulheres obesas eram o padrão de beleza vigente, se retornaremos à época dos heróis que vencem não pela malandragem, mas por pura sorte, já que são incapazes de mover uma palha contra seus antagonistas, principalmente por não enxergarem inimigos em lugar nenhum.

Me recuso a compartilhar de sentimentos tão esdrúxulos. Fingir que não guardo rancor? Limpar do meu vocabulário as ironias, as ofensas brutas aos meus desafetos, os palavrões? Fazer de conta que subrepujar meus semelhantes não é uma sensação agradável, que tanto faz ganhar ou perder? Agir como se a beleza estética não importasse? Sem chance!

Quero vencer a todo custo. Meus rivais merecem ser adjetivados com coisas muito piores que “boboca”. Gente feia existe, e não é pouca! Odeio algumas pessoas, e vou odiá-las até a morte. Perdão? É para os fracos de caráter. Amélie Poulain e Encontros e Desencontros? Filmes idiotas, pouco inteligentes, para gente idem.

Magnólia? Ainda não assisti, mas se seguir o mesmo princípio que seus camaradas de Top 3 Filmes Preferidos dos Indies, deve ser uma merda.

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