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Ainda sobre as olimpiadas

Ainda falando desses eventos cheios de esportes que ninguém sabe de onde vêm, pra onde vão e por que existem, ano passado, durante os jogos Panamericanos, respondi, nos comentários de um blog que não vem ao caso, a uma pergunta interessante: como alguém descobre ter talento para salto com vara?

Ciente de que boa parte das pessoas não sabe como tal vocação é descoberta, deixo aqui a indicação, para aqueles que quiserem se aventurar a fazer o teste. A esses, desejo muito boa sorte.

O teste de talento para salto com vara é aplicado junto com o teste de talento para badminton, o teste de talento para esgrima e o teste de talento para ingrediente da bonguy.

Você solta uma criança, munida de um cabo de vassoura, em um quadrado com cerca de 2 metros de altura, na companhia de um rottweiler raivoso.

Se a criança utilizar o cabo de vassoura para pular a cerca, vai treinar salto com vara. Se esperar o ataque do cachorro e, brandindo o pedaço de pau, jogá-lo para o outro extremo do quadrado, nasceu para o badminton. Se estocar o cachorro e conseguir afastá-lo, é um esgrimista nato.

Se for dilacerado pelo bicho, nasceu mesmo pra ser parte integrante de ração canina. Os restos são recolhidos e enviados para uma fábrica nas proximidades, onde serão devidamente processados.

Mais alguma dúvida?

O inquisitivo Doda também demonstrou uma dúvida, em seu blog, relativa às aplicações práticas e às regras da luta greco-romana. Explico, pois, como se dá tal modalidade do esporte: como vocês puderam notar - aqueles que perderam tempo assistindo a esse evento específico, logicamente -, os rounds na luta greco-romana começam de forma… hm… peculiar: um dos homens de colante prostra-se em decúbito ventral, ou assume uma postura acocorada, enquanto o outro, igualmente de colante, acochambra o primeiro carinhosamente. Quando o juiz apita, ambos começam a se debater. Vence, ao fim, o que for enrabado o menor número de vezes. Como tira-teima, a Organização Mundial de Luta Grego-Romana sugere que seja feito o teste da farinha.

A exemplo do que ocorre no jiu-jitsu, essa “luta” nada mais é do que o ritual de acasalamento dos homens sem-camisa. Os dois lutadores, atracados em posição de cópula, procuram decidir quem fará o papel de fêmea. A luta greco-romana, entretanto, leva certa vantagem, visto que os contendores alternam as posições, executando o tal troca-troca, tão rotineiro nas relações homossexuais.

Mas não falo por experiência.

Cromossomos X

A primeira foi minha professora da primeira série, acho. Tinha cabelos pretos compridos, era cheia de atenções e, deus!, como me parecia esperta, aquela mulher! Era muito mais velha que eu, lógico, mas no auge da maturidade permitida a uma criança de sete ou oito anos isso simplesmente não fazia diferença. O importante era que ela ria das minhas piadas, me tratava com muito carinho e entendia que meu distanciamento das outras crianças se devia ao fato de estar muitos passos à frente daquelas criaturas insuportavelmente barulhentas e desorganizadas.

A segunda foi uma menina do Marista, logo na segunda série. Seus longos cabelos castanhos chamaram minha atenção no primeiro dia de aula. Achava que era lindíssima (embora fotos das minhas turmas dessa época provam que meu padrão estético devia ser um tanto rasteiro). Seu sorriso era uma graça, sua voz era adorável e - o mais importante para tornar interessante uma garota de 8 anos aos olhos de um menino da mesma idade - me ignorava completamente.

No ano seguinte fomos para turmas diferentes, aí conheci aquela que seria minha musa nos próximos três anos. Emanuelle! Até o nome era lindo (assim achava na época, hoje me soa um tanto cafona). Sempre tão quieta, fazendo seus deveres, com aqueles cabelos presos em rabos-de-cavalo impecáveis. Também não me dedicava um mísero segundo de atenção por dia, o que a tornava irresistivelmente atraente aos meus olhos pueris. Na quarta série passamos a nos cumprimentar diariamente e na quinta já conversávamos. Um dia, para meu estupor, viu uma foto minha e fez um elogio. Senti vontade de sair correndo, mas ela se retirou antes, com a elegância que lhe era peculiar. Achei que meu mundo estava completo!

E foram cinco longos anos sem outras admirações platônicas, até que em 1998, no segundo ano do segundo grau, conheci aquela moça morena de olhos claros. Sem exagero algum: um arrepio me subiu pelo corpo e fiquei sem reação quando a menina, mirando meus olhos castanhos com suas duas esferas de azul brilhante, sorriu o sorriso mais bonito que eu vira até então. E devo ter feito uma expressão de espanto maravilhado, como quem acaba de descobrir o sentido da vida, pois ao sorriso seguiu-se uma risada deliciosa. Levei mais da metade do primeiro semestre até ter coragem de lhe dirigir a palavra. Ainda assim, sempre a abordava com ressalvas. De vez em quando ainda nos encontramos fortuitamente nesse ovo que é Brasília, e a mulher continua uma escultura, mas já não me causa estremecimentos.

Já aos 18, achando que o avanço da idade havia me tornado imune a esse tipo de sentimento, vi a professora de química pela primeira vez. Ainda me lembro tão claramente do momento em que lhe pousei os olhos pela primeira vez que fica fácil descrevê-lo. Ela caminhava em direção às janelas da sala. A luz do sol, filtrada pelas persianas, parecia estar ali com a finalidade específica de iluminá-la, como aquelas luzes que, no teatro, seguem os protagonistas de um lado a outro. O vento que soprava contra seus cabelos tornava cinematográfica a cena. De repente, não se ouvia mais as vozes masculinas que antes tomavam a sala. Tudo isso durou menos de cinco segundos, mas era uma imagem do tipo que fica marcada na sua mente de forma indelével.

Nenhuma delas foi minha, e talvez por isso sejam lembranças tão agradáveis…

Dragonballzices

O amor é como um Sayajin: se for brutalmente espancado até a beira da morte e sobreviver, vai retornar mais forte do que antes.

Até que a morte os separe

Tem um trecho de um stand-up do Chris Rock que acho tão importante ressaltar que vou colar aqui, em bom português:

“Casamento é difícil, cara. Casamento é difícil pra caralho. Casamento é tão difícil que Nelson Mandela se divorciou! Nelson Mandeia pediu a porra do divórcio! Nelson Mandela passou VINTE E SETE ANOS em uma prisão sul-africana. Foi surrado e torturado todos os dias, durante vinte e sete anos, e passou por isso sem problema. Foi forçado a fazer trabalhos pesados no calor sul-africano de 40 graus por vinte e sete anos e passou por isso sem problemas. O cara sai da prisão, depois de vinte e sete anos de tortura, passa seis meses com a mulher dele, e diz: ‘Não agüento mais essa merda!’”

Interlúdio

Ai! Se sêsse!…

Se um dia nós se gostasse;
Se um dia nós se queresse;
Se nós dois se impariasse,
Se juntim nós dois vivesse!
Se juntim nós dois morasse
Se juntim nós dois drumisse;
Se juntim nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse?
Mas porém, se acontecesse
qui São Pêdo não abrisse
as portas do céu e fosse,
te dizê quarqué toulíce?
E se eu me arriminasse
e se tu insistisse,
prá qui eu me arrezorvesse
e a minha faca puxasse,
e o buxo do céu furasse?…
Tarvez qui nós dois ficasse
tarvez qui nós dois caísse
e o céu furado arriasse
e as virge tôdas fugisse!!!

Zé da Luz

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Historieta Curtita XII

Depois de três horas de bate-papo ininterrupto pela internet, incluindo aí mais de meia-hora de sacanagens, a curiosidade falou mais alto e marcaram de se encontrar. Ele ia com uma jaqueta preta com o símbolo da Cyclone nas costas, ela com uma calça jeans azul clara e uma blusa rosa de alcinhas com a hello kitty no peito. Eram feitos um para o outro.

Ele tomava uma soda com gelo e limão na praça de alimentação do shopping quando ela chegou. O coitado acabou engasgando com o refrigerante, seus olhos esbugalharam, a boca se abriu de espanto. O coração disparou e a respiração mudou de ritmo.

Por alguns momentos que pareceram horas, ficou estático, pensando em alguma coisa bacana pra dizer. Por fim, sem conseguir se conter, acabou expressando seus sentimentos da maneira mais sincera possível, tal e qual iam pelo seu coração, sem medir as conseqüências:

- CACETE! VOCÊ É FEIA COMO O DIABO!

Não foi lá um relacionamento muito longo, mas foi intenso.