Arquivo da categoria 'antiguidades'

Dos áureos tempos…

Intermezzo para diversões telefônicas - I

(trim, trim)
Checo o BINA, não conheço o número.
(BAD MOOD MODE ON)
- Alôurgh!
-Oi. É que mandaram um cartão não solicitado em nome de Euvilásia Pedrovania e eu queria cancelar o cartão.
(hum…)
(BAD MOOD MODE OFF)
(CRAZY GUY MODE ON)
- Pois não, senhor. O senhor poderia me dizer o nome do banco, a bandeira do cartão e o numero do do mesmo?
- Bandeira?
- Visa, mastercard, amex…
- Ah! É Mastercard do Itau e o numero é 1234 5678 9012 3456.
- Ok, senhor. Nome impresso no cartão e data de validade, por favor.
- Euvilásia Pedrovania , 03/05.
- Correto, senhor. Infelizmente não é possivel cancelar esse cartão senhor, pois ele foi parte de uma promoção do seu banco e não é possivel cancela-lo por 3 anos, senhor. Eu aconselho o senhor a procurar o PROCON.
- E é isso mesmo que eu irei fazer, pois isso é uma pilantragem!
- Eu concordo com o senhor! Todo dia ligam pessoas aqui com a mesma reclamação que o senhor. Isso é um ABUSO! UMA FALTA DE RESPEITO, PRATICAMENTE UM ESTELIONATO! ELES FATURAM MILHÕES ASSIM, DE PESSOAS HONESTAS E TRABALHADORAS QUE PAGAM A CARTÕES QUE NÃO PEDIRAM E EXTORQUINDO COM SEUS JUROS INDECENTES! EU TO CANSADO DE TRABALHAR PARA ESSES LADRÕES! E VOCÊ AI, SEU SUPERVISOR DE MERDA, TA OLHANDO O QUE? EU QUERO QUE ESSA PORRA SE FODA, ESTELIONATÁRIOS DO CARALHO. ENFIEM ESSE EMPREGO DE MERDA NO CU! ME SOLTA! ME SOLTA! LADRÕES FILHOSD (click).
Inacreditavelmente, 40 segundos depois o cara liga novamente e eu continuo…
- O QUE VOCÊS PENSAM, QUE PODEM VIVER ABUSANDO DA INOCÊNCIA ALHEIA ASSIM? EU VOU BOTAR A BOCA NO MUNDO E LEVAR TODOS OS CARTÕES DE CRÉDITO A JUSTIÇA. O PRESIDENTE LULA OUVIRÁ O MEU BRADO POR JUSTIÇA SOCIAL. O POVO UNIDO JAMAIS SERA VENCIDO! O POVO UNIDO JAMAIS SER…(click).
(hum, agora ele desiste…)

(Puta saudade da época em que o Jaime escrevia o Vanitas…)

Poema Escroto

Em meados de 2002, quando comecei este blog, havia uma onda de poemas escrotos. Na época, os blogs não ignoravam a existência uns dos outros e era tudo bem mais divertido. E acredito ter sido o Rafael Capanema - do saudoso Sutil Como Um Paquiderme que, se você não conhece, devia ler os arquivos pra ver o que é um blog legal DE VERDADE - que lançou a moda. O guri era bom nisso.

Enfim. Um dia resolvi fazer um poema escroto, mas fiquei muito frustrado porque disseram que o negócio era bom. Porra, não era bom. Era uma merda! Vejam:

Por trás
Trava-se
A tragédia atroz

Atrás das cidades
Atrocidades.

Podre, hein? Mas ainda assim o puto do Thiago Capanema precisava cortar meu barato e elogiar o negócio. Aquilo me tolheu, me fez sentir incompetente e eu tirei o corpo fora da brincadeira.

Até que agora, quase 4 anos depois, finalmente criei coragem para publicar OUTRO poema escroto. Esse, sim, tenho certeza que é ruim até não mais poder. Dessa vez não vai haver equívocos: o negócio é de doer na alma até do mais embrutecido Irmão Caminhoneiro Shell!

Então eu orgulhosamente apresento meu mais novo Poema Escroto, nascido trásdontonte, enquando escovava os dentes:

O Tempo

Foi-se o tempo…
Foi-se. O tempo.
Foi. Se o tempo…
Foice, o tempo.

Que venham os apupos, tomates e ovos podres.

Pseudo-estoicismo

O lado estranho dessa onda de aversão aos emos que vem rolando atualmente é a falta de auto-crítica de quem embarca na campanha de ódio sem se perguntar direito se tem embasamento moral pra isso, porque, no fim das contas, todo mundo é emotivo, oras. Diz pra mim: quantas pessoas você conheceu que realmente poderiam ser classificadas como seguidoras do estoicismo? Que procuravam sempre manter a razão acima dos sentimentos e ignorar as sensações do momento em prol de uma capacidade maior de discernimento do que é realmente importante?

Ok, emos usam roupas e cabelos ridículos. Certo, mas e daí? Indies também, e nem por isso sofrem tal retaliação pública. Além do mais, se fosse pra apedrejar todo mundo que acha bonito ser feio, ficaria impossível desviar dos cadáveres lapidados espalhados pela rua, mesmo num percurso ridículo como o da sua casa até a padaria. O mundo seria um caos! Eu mesmo criaria umas três ou quatro turbas de linchamento diferentes, dispostas em locais estratégicos da cidade e com instruções claras de caçar todos que usassem All-Star ou que acreditassem nessa baboseira atual de que Havaianas são - nas palavras daquela franco-brasileira xarope - “bonitas e confortable”.

UM ADENDO SOBRE HAVAIANAS, AS LEGÍTIMAS! AS LEGÍTIMAS HAVAIANAS.

Sério, quando foi que deixamos a propaganda chegar ao ponto de minar nosso bom-senso? Então uma indústria de sandálias descartáveis diz que os gringos estão adorando o produto deles e aí todo mundo acredita e passa a usar?

Até onde me lembro, Havaianas eram o ápice da pobreza de calçados. Quando você não tinha grana pra comprar um par decente de chinelos, tipo um Raider, juntava alguns trocados, procurava por moedas esquecidas pela casa - atrás do sofá sempre tem uma, lembre-se disso, pode salvar sua vida - e ia lá comprar uma droga dum par de Havaianas por uma quantia quase tão irrisória quanto a durabilidade e o grau de conforto provido por aquelas tiras de borracha mal e porcamente dispostas de modo a encaixarem no seu pé.

Todo mundo sabia, ao adquirir um par daquilo, que aquela merda iria estourar antes do próximo fim-de-semana, mas tudo bem: seria o suficiente pra um feriado prolongado numa praia paulista. E uma praia paulista num feriado prolongado é a visão mais próxima do inferno que você pode ter antes da morte, com aquele povo feio da cidade de São Paulo mandando ver na farofada, falando com aquele sotaque e gírias mais asquerosas de que se têm notícia. Em um cenário desses, alguém usando havaianas é normal e corriqueiro. Bonito, até, mas apenas numa situação extrema como essa, que - comparativamente falando - é pouco menos dantesca que uma cidade superpopulosa recém-bombardeada com mísseis carregando uma bactéria potentíssima, capaz de derreter a epiderme das pessoas.

De todo modo, ao retornar à civilização, era consenso: seria melhor comprar um par de calçados decentes e se dar o devido respeito.

Mas hoje em dia, não. A qualidade e o conforto dos chinelos continuam na mesma, mas agora a fábrica se preocupa em usar cores diferentes e colocar desenhos de florzinhas e outras viadagens na parada, e o impensável se torna verdade: usar havaianas é “cool”. Tem gente que vai à TV - à TV! Diante de MILHARES de outros seres humanos - e diz que havaianas são “bonitas”. Sem sofrer qualquer sanção, legal ou espontânea.

Certo. Pode me levar, deus. Eu já vi de tudo. Assina o ofício pra eu pegar o elevador pro andar de cima - ou de baixo, tanto faz -, porque de agora em diante a tendência é piorar. Perdeu-se completamente a vergonha.

CHEGA DE HAVAIANAS

De todo modo, o lance aqui são os emos. Que se vestem mal pra caralho, sim. Mas, de acordo com o exemplo das havaianas ali, essa não é uma característica sobre a qual eles possam reclamar propriedade. E têm um péssimo gosto musical, ok. Certo. Mas essa é uma posição bastante questionável e que varia de pessoa pra pessoa. Segundo meu ponto de vista, um fã de Pearl Jam é bem menos digno, no que se refere a música.

O que parece incomodar as pessoas, no fim das contas, é uma certa sinceridade que o grupo gosta de demonstrar com relação a seus sentimentos (ou o fato de que muitos simulam sensibilidade para se encaixar no rebanho). Como eu disse, a menos que você seja realmente estóico, não tem o direito de criticar ninguém por dar vazão aos sentimentos em maior grau que você.

Pode - e deve - criticar a idiotice que é mudar seu pensamento, sua forma de se vestir e de se comportar só pra ser igual aos outros. Se tornar uma pessoa homogeneizada. Isso, sim, é imbecil. Mas, novamente, não é exclusividade desse grupo. É um problema bastante amplo e atinge boa parte da população, em especial os adolescentes. E adolescentes, como todo mundo sabe, são criaturas desprezíveis. Estúpidas. Não prezam pela inteligência. A adolescência é tipo o escarro da nossa existência. Uma época plena de muco mental, em que tudo o que sai do nosso cérebro deve ser visto com reações de repulsa e asco.

Só mesmo a Globo pra dar a adolescentes o direito à palavra. E eu ainda acho que isso devia ser considerado crime contra a humanidade.

Enfim. Entre a disseminação da “ideologia” emo (cujos seguidores são mais propensos a chorar, cortar os pulsos e desmoralizar uns aos outros ouvindo o que ouvem e vestindo o que vestem) e a disseminação dos “garotos brother” - a explicação do termo constava num antigo e sensacional texto do Alexandre que, infelizmente, acabou por se perder nas brumas da internet -, que preferem criar pitt-bulls e dar porrada nas pessoas por motivos pífios, eu opto pelos primeiros, que pelo menos são inofensivos.

Na verdade, eu optaria pela abolição desses rótulos e pelo cultivo da individualidade e da inteligência, mas oras, é pedir demais, convenhamos.

Paráfrase

Saiba, ó Leitor, que, entre os
anos quando a decadência tragou o
Desembucha e os anos quando se
levantaram os filhos de Looser,
houve uma era inimaginável repleta
de blogs esplendorosos que se
espalharam pela internet como
sopas de letrinhas sob o manto
negro da microsoft…

Nessa época nasceu Utopia, o Dilucular, de layout tosco, posts ferozes, ofensas à mão, um blog, uma grande porcaria, uma página de debates incendiados, com gigantescas crises de melancolia e grande senso de humor, que veio para incomodar com mensagens raivosas os fracos de opinião.

Você vê os arquivos apenas da fase pós-exílio, por isso pode pensar que esse blog é recente, breve, com pouco mais de ano e meio de vida. Não é. Isso aqui já tem quase quatro anos, se contarmos os períodos de silêncio. E olhando os arquivos REAIS da página, do começo até hoje, fica difícil acreditar em quanto tempo eu passei escrevendo.

Se tivesse me dedicado a criar galinhas, atualmente teria uma granja das grandes! Veja só que desperdício de potencial.

Déjà vu (re-republicação)

- Pra onde você tá indo?
- Tô saindo.
- Pra onde?
- Vá se foder.
- Pra onde, porra?
- Adeus.
- Volta aq…

A porta batendo calou a voz dela. Segui rápido pelo hall e desci correndo os degraus que me separavam da portaria, e da rua, por conseqüência. Ainda consegui ouvir aquela megera abrindo a porta para me procurar, mas eu já havia sumido escada abaixo.

Não sei onde estava com a cabeça quando aceitei viver com aquela mulher. A gente comete uns erros na vida, sabe? Decisões que não deveríamos tomar, mas o calor do momento toma por nós. Somos substituídos - nossa mente, consciência, raciocínio e princípios - por nossos hormônios, nosso tesão e nossos arroubos juvenis de contradizer tudo o que nossos pais nos ensinaram só pelo prazer da rebeldia e pelo gosto de contestar. A vida sem emoção não tem graça. Pois no cu a emoção. No cu de quem disse isso. No cu. A vida com emoção realmente é muito engraçada: te transforma num palhaço, e todo mundo pode rir de você depois.

Saí e resolvi andar pela cidade. Acendi um cigarro e fui caminhando. Crepúsculo. Qualquer um diria que eram 17:30, mas os relógios marcavam quase 19:00. Odeio horário de verão. Odeio.

A cidade fedia. Fedia e fede. A óleo diesel queimado e concreto quente. Porque concreto quente fede pra caralho. Os outros não acreditam quando eu digo, falam que é maluquice minha, que é impressão, eu falo Vai tomar no cu, porra. Fede e fede muito!. Pois fede e fede muito. Não dá pra sentir, a maioria não sente, porque vive aqui, enfurnada nessa porra urbana e totalmente cimentada. Pra esse povo a grama é a exceção, a grama é o espaço raro. O que impera mesmo é o asfalto e o concreto, os dois fedorentos. Eu também vivi aqui, na cidade, a vida inteira, no meio do asfalto e do cimento. Não devia saber que concreto fede, mas eu sei. Acordei um dia sentindo um cheiro estranho. Mãe, que cheiro é esse? Que cheiro, menino? Não tem cheiro nenhum, Tem sim, eu tô sentindo, Cê tá louco! Senta e toma seu café. Tomei o café todo, e o cheiro me dando náuseas. Fui pro colégio, com o cheiro me dando náuseas. Meu colégio, eu ainda lembro perfeitamente, tinha um enorme pátio cimentado, onde os moleques sempre destruiam seus joelhos em acidentes sem nenhuma importância. O cheiro que vinha do pátio era insuportável. E ninguém sentia.

Vomitei várias vezes esse dia. Vomitei muito por muito tempo, até me acostumar com o cheiro. E vomito até hoje, de vez em quando. Acho que vou vomitar hoje. O cheiro está muito forte mesmo. E os carros passando no asfalto e levantando mais fedor… odeio carros. Odeio essa cidade. Vou pra algum lugar sem isso tudo, algum dia.

Calçada. As pessoas na calçada parecem não ver os outros, passam esbarrando, empurrando. Eu empurro e esbarro também. Quase derrubo um guri, ele pede desculpas e continua seu caminho. Desculpas. Desculpa é o caralho, moleque, pensei em dizer, mas não disse. Quando eu era moleque pedia desculpas também. Desculpa é o caralho. Passa uma loira por mim, com grandes peitos e um belo decote. Não dá pra não dizer nada. Gostosa, e dou um sorriso safado. Vai te foder!, Já fodi com tua mãe, vagabunda!. Puta metida a difícil. Pior raça que tem. Se não quisesse levar pica não vestiria uma roupa daquelas, um cara comenta do meu lado, na faixa de pedestres. É!, falo, seco, querendo matar a conversa. Odeio gente que não conheço puxando conversa comigo.

Passo por mais dois quarteirões e chego a uma pracinha. Os cachorros e as crianças se multiplicam pelo local, eu me sento num banco e começo a olhar em volta. Só tem velha nessa porra, não dá pra puxar conversa com ninguém. Nem quero conversar também. Apago o cigarro mas torno a colocá-lo na boca. Fico tragando o filtro, pensando em nada. Até que sinto um calor na batata da perna. Uma porra de um desses cachorros de madame mijou em mim! Mijou em mim! A mulher vem chegando, gritando o nome do animal dela. Duque, ou alguma coisa assim, Não faz xixi no moço, Duque!. O cachorro fica me cheirando e eu ali, de pé, levantei sem me dar conta. Olho pra mulher, pro cachorro dela, pra ela de novo. Ela falando com o cachorro, brigando com ele, como se fosse uma criança, diz pra mim que ele é muito levado, assim mesmo, Ele é muito levado, moço!. A mulher deve ter uns sessenta anos. Velha escrota, deve morar sozinha com esse cachorro, colocá-lo pra lamber a boceta dela. Escrota desgraçada. Mas a situação é ridícula. A mulher fala comigo, e fala com o cachorro. Não dá pra não rir, e eu começo a gargalhar. Uma gargalhada incontrolável, nervosa. Ela também ri, deve pensar que eu estou achando graça. Estou com ódio. Tanto ódio que não dá pra pensar em mais nada além do quanto somos patéticos. Quando o cachorro dela se aproxima eu aplico um chute certeiro, na cara do animal. Ele gira no ar e cai alguns metros adiante, imóvel, e eu espero que esteja morto, enquanto a velha grita o nome dele, histérica, e me olha, atônita. Páro de rir, acendo outro cigarro e vou caminhando.

- Duque! Duque! Ei, você, seu filho da puta! Onde você vai?
- Vou embora.
- Onde você vai?
- Vá se foder!
- Volta aqui!
- Adeus.

Dejà vu.

***

Gosto desse texto. Foi escrito numa tarde de trabalho em que me encontrava profundamente entediado e irritadiço. Embora eu não fume (nem sinta cheiro de concreto e asfalto), o personagem principal é a transcrição mais fiel que já fiz de mim e da maneira como meu cérebro processa informações.

Não é a primeira vez que republico esse texto e duvido que seja a última. Ele me lembra de uma época em que meus textos, ainda que de forma fortuita, me traziam alguma satisfação. Em algum ponto de lá pra cá essa sensação foi embora e não reapareceu.

De todo modo, acho que devo um aviso aos leitores que conheceram esse blog na época em que ele valia alguma coisa e não estão no meu MSN: acabei criando um daqueles “msn spaces” para publicar velharias, pra não dizerem que eu só coloco texto antigo aqui e vivo de passado. O endereço é esse (qualquer dia coloco o link ali na barra lateral).

Há um caralhão de tempo, tanto que já nem me lembro mais…

- Doutor Figueiredo, Doutor Figueiredo.
- Pois não?
- Terminou a necrópsia do meu pai, Doutor?
- Terminei, sim.
- E, afinal de contas, qual a causa mortis?
- Nenhuma.
- Como?
- Nenhuma. Nenhuma causa.
- Está me dizendo que não existe razão nenhuma pro meu pai ter morrido?
- Absolutamente. Existia uma razão para ele morrer.
- Qual?
- Estava vivo.
- Mas… heim?
- Exatamente. Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa de Massachussets revelou que 100% das mortes ocorrem apenas em seres que antes estavam vivos.
- Espera aí, Doutor. Você deve estar brincando.
- Ainda não. Eu estava fazendo uma necrópsia. Estou indo pro meu escritório brincar agora. Instalei SimCity 4000 na minha máquina. Meu sonho sempre foi fazer administração, mas tive que seguir essa porcaria de medicina, pra deixar meu pai satisfeito, sabe como é. Jogando SimCity me sinto realizado. Agora, com licença.
- Não vai embora, não. Me explica direito isso. Como assim meu pai morreu por nada?
- Rapaz, ainda nesse assunto? Que idéia fixa. Entenda, amigão: seu pai não tinha qualquer problema, entendeu? A saúde dele estava 100%.
- Não foi ataque cardíaco?
- Não.
- Insuficiência respiratória?
- Não.
- Derrame cerebral?
- Não.
- Falência múltipla dos órgãos?
- Não.
- Mas, doutor, precisa ter acontecido algo!
- Amigo, contente-se com isso: o corpo do seu pai está perfeito. Totalmente utilizável. Nada ali deixou de funcionar, ele tem uma saúde de ferro. Em teoria, seu pai está vivo. Mas, na prática, está morto! Agora com licença que eu vou jogar.

(Tenho a continuação disso aqui em algum lugar, mas não quero procurar agora. Fico devendo, pois.)