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Esse texto é muito longo! Bota umas figuras!

Sou um cético com tendência ao ateísmo, um agnóstico dado a heresias, um piadista que prefere irritar a fazer rir, um leitor que enriquece seu vocabulário a cada livro, mas prefere usar palavrões por acreditar que ser chulo é mais legal do que ser prolixo, um cínico que elogia pra não xingar e xinga elogiando, um grosseiro bem-educado que é ríspido por opção, um sujeito amigável que não quer fazer amigos, um cara cheio de amigos que raramente vê, porque gosta mais deles assim. Apesar de tantas contradições, há um aspecto em tudo isso que é bastante coerente: eu não faço o que se convencionou chamar de “engenharia social”. Não me relaciono com ninguém por qualquer outra razão que não seja o fato de querer ver a pessoa, ir com a cara dela, gostar de suas idéias ou da maneira como ela as desenvolve. É tudo muito simples, de verdade: se te elogio de forma direta, brutal, rude, é porque de fato gosto de você. Se te elogiar com um belo vocabulário, com afetação, me certificando de elevar à enésima potência todos os seus atributos - inclusive os que você não tem - estou sendo irônico.

Sou contra essa brincadeirinha atual, essa regra não declarada, de ser simpático, gentil, polido, educado e politicamente correto. Muito, muito contra. Não admito quem seja simpático com todos, quem é amigo de todos, quem convive bem com todos, simplesmente porque uma coisa dessas não é humanamente possível. Não admito quem dobra a verdade, a distorce ou fecha os olhos em face dela para manter a “boa convivência”. Não acredito que seja certo sair por aí com suas verdades, esfregando-as na cara dos outros, colando-as nas costas dos outros como se fossem etiquetas, também, mas daí a ignorá-las para evitar o atrito? Oras, é preciso ter critérios. Preconceitos são uma falha horrorosa, mas não ter conceito algum não é menos medonho.

Saber fazer ouvidos moucos às suas verdades, aos fatos desagradáveis sobre as pessoas que você conhece; saber ignorar o que te desagrada e demonstrar falsa simpatia; se aproximar sorrindo para conseguir simpatia; ser gentil e cordial, solícito e prestadio, porque assim te parece mais vantajoso. Isso não é “ser bom” e está longe de ser “ser justo”.

Isso é ser político.

Vai daí que uma das minhas aversões à política - nos dois sentidos - que se instaurou entre os blogs atuais seja justamente em relação a esse ponto. As “parcerias”, como gostam de chamar. Me aborrece saber que o autor de um blog que eu leio me recomenda, em sua lista de links, com direito a posto privilegiado para dar mais visibilidade, o site de alguém apenas porque o determinado site prometeu mais visitas, o que significa mais pageviews, o que significa mais dinheiro vindo do google adsense. Não há um critério que justifique aquela indicação além desse: quantas ovelhas você pode mandar para o meu rebanho, quantas posso mandar para o seu? É o toma-lá-dá-cá.

Muitos desses sites não têm um texto mais elaborado escrito pelo autor (perdão por usar o termo levianamente). As idéias do “autor” não estão ali. Provavelmente nem existem. São apenas amontoados de notícias, comentadas superficialmente. São a mesma coisa que você leria se entrasse em qualquer site de notícias, mas geralmente focadas em esquisitices ou curiosidades. Porque linkar notícias políticas e comentá-las com propriedade exige muito mais raciocínio e bom-senso do que falar de um novo tipo de camiseta, de cortes de cabelo ou de mortes, casamentos, gravidezes (??) de famosos. Porque ser racional (mas nem precisa ser muito), lógico (ainda que de forma esquisita) e articulado (sem ser prolixo) é muito difícil. Contar as coisas, em vez de comentá-las, analisar as coisas, no lugar de mostrá-las, examinar as coisas, e não apenas apontá-las, puxa, tudo isso dá um trabalho miserável.

É uma era maldita. Computadores eram essencialmente baseados em leitura. A web era essencialmente leitura! Não tinha muito a se fazer na internet além de ler e escrever. Páginas eram puro texto, só html e imagens. À medida que a tal “inclusão digital” foi se expandindo, o formato da mídia também foi. Por que ler, se você pode ver um vídeo? Por que ler, se você pode ver figuras? “Esse texto é muito longo. Cadê os vídeos engraçadinhos?”. “Esse blog tem muitas letras. Distribui umas imagens para fazê-lo mais didático”. “Você escreve demais. Coloca aí uma figura com uma piada”. Daí o sucesso indiscutível de kibe loco e assemelhados, daí o fato de todos - eu não digo alguns, digo TODOS - os blogs que se proclamam “veículos de informação” serem apenas montes de links para notícias com comentários superficiais. Nenhuma opinião que saia do padrão, nenhuma piada que aquele seu tio que pergunta se “É pavê ou pacomê?” não pudesse fazer melhor.

Por que ler um blog, afinal, se você pode apenas VER um blog?

Tudo isso vai lentamente me empurrando porta afora desse tipo de coisa. Porque, quando o assunto é blog, sou um reacionário. Eu gosto de pensar, eu gosto de ler coisas novas. Gosto de me deparar com textos de caras que sabem pra caralho, mas que não são prolixos e não arrotam conhecimento - como os jornalistas que escrevem por aí - e pensar “Mas veja você, eu nunca tinha visto as coisas por esse ângulo!”. Os - poucos - blogs que me conduzem a isso, que me fazem pensar “Não sei por que ainda escrevo, esse cara fala tudo com muito mais categoria do que eu” estão lentamente sendo sugados para a propaganda desesperada e a “busca por parcerias”, porque o autor resolveu que quer viver disso e está trabalhando em seu projeto de engenharia social.

Odeio ser um conservador, mas é como me sinto. Como um desses sujeitos que resistem ao que se conhece como “modernização”. Sou desapegado, “pouco profissional” com essa ferramenta, teimoso, pouco sociável. E por quê? Porque não quero ganhar dinheiro, porque quando alguém paga suas contas, restringe sua liberdade de opinião. Porque não quero me encher de leitores, porque não quero milhares de comentários e milhares de opiniões dispensáveis espalhadas aos pés dos meus textos, que, embora não sejam grande coisa, são bons demais para coisas do tipo “ahuehauehaueh mt rox”. É como se eu tivesse um filho: ainda que não quisesse superprotegê-lo, também não seria certo deixar que se tornasse um escravo, um submisso ou um retardado.

Resumindo, para quem tem preguiça de ler, Saramago diz mais ou menos o mesmo que eu, embora com outro foco (e com muito mais categoria):


(E se você teve preguiça de ler, não sei por que continua vindo aqui…)

Eu também cansei

Eu não penso em mim como um sujeito de esquerda ou de direita. O conceito que faço de mim mesmo não é tão limitado. Se for questionado a respeito das minhas convicções políticas, também não sei o que responder. Mas convenhamos, que tipo de pergunta é essa, afinal?

Se tiver que escolher um lado, entretanto, se não houver opção, se for preciso definir “o que” eu sou, acho que diria que sou de esquerda. O que eu não diria, nunca, é que sou de direita. Primeiro porque não vejo como seria possível ser de direita em um país de terceiro mundo. Acredito que quem se diz de direita, no Brasil, simplesmente não faz idéia do que está dizendo. Isso é como afirmar que acha que tudo por aqui está muito certo e caminhando muito bem; que devemos ter gente nas ruas pedindo dinheiro e cidadãos morrendo de fome; que é justo que nossa economia seja explorada e é certo nos sacrificarmos pra manter a riqueza dos outros. É o mesmo que dizer “Sim, eu gosto de ser feito de capacho!”.

Porque é isso que latino-americano de direita é: o peixe pequeno que aplaude o tubarão que o devora.

A direita gosta de sugerir que ser de esquerda é ser ditador, genocida, ter mau-hálito e coisa e tal. Eu não vou negar, dizendo que nunca houve um regime de esquerda ditatorial nesse planeta porque seria uma mentira deslavada, mas a verdade é que, por mais que regimes de esquerda tenham matado pessoas e mantido genocidas tirânicos no poder, o que dizer das ditaduras de direita? Some aí todas as mortes causadas por Hitler e pelas ditaduras militares na América Latina, em Portugal e na Espanha e volte a dizer que os governos de esquerda mataram mais pessoas. Volte a dizer que a esquerda é desumana e cruel, enquanto a direita é a manifestação política do desejo divino. Não que um erro maior torne um erro menor um acerto, é claro, mas usar os dedos sujos para apontar a sujeira dos outros é uma idéia pouco recomendável. Sem contar que Bush é um presidente de direita. Entre ele e sua política externa e Fidel e sua política interna, fico com o segundo de bom grado.

Além do mais, que publicação é o expoente maior da direita nacional, atualmente? A revista Veja. E a Veja é uma piada! Não digo isso por “ser de esquerda”. É, aliás, para não ser interpretado dessa forma que não digo que sou de esquerda: vestir um rótulo traz determinadas interpretações por parte dos que vestem rótulos diferentes que torna impossível uma discussão honesta, pacífica e com tendência ao consenso.

A Veja já era uma piada quando eu me dizia apolítico. A Veja manipula, mente, fabrica informações. E isso não é implicância, mas mera questão de raciocínio lógico! Apenas compare a quantidade de “denúncias” feitas por eles durante o governo FHC, por exemplo, e a quantidade feita durante o governo Lula. Note a enorme diferença na quantidade, na postura, nos argumentos. Não é questão de ser “Lulista” ou “PeTralha” - como eles gostam de definir, em sua fúria maniqueísta fascistóide de “comigo ou contra mim”, todos os que criticam a revista -, é questão de ser justo. Acho certo que se noticie a picaretagem, que se aponte os canalhas, que se execre publicamente os corruptos, que sejamos firmes e inabaláveis na pregação da moralidade, mas não podemos fazer isso apenas com aqueles que estão do lado oposto ao nosso.

É muito fácil dizer, com base em todas as denúncias atuais contra o governo Lula, o que a direita tanto gosta de bradar: “Nunca se roubou tanto na história desse país”. É fácil, mas não sei se é certo. Ninguém sabe se é certo, por uma simples razão: porque quando quem estava no poder eram aqueles apoiados pela maioria esmagadora dos veículos de comunicação, não havia denúncia. Não havia investigação. Não havia Mainardi e seus livros de títulos engraçadinhos. Onde estava todo esse faro jornalístico do Diogo Mainardi para as fraudes e os roubos quando da privatização das teles? Nessa época - e eu falo com propriedade a respeito, pois assinávamos a revista aqui em casa - esse grande Paladino da Moral, esse Cruzado da Ética, o Vingador da Boa-Fé e Campeão da Boa-Índole falava de quê? Discutia se devia ou não haver uma orquestra sinfônica em São Paulo, divagava a respeito de palavras que existem apenas na língua portuguesa, argumentava sobre o erro que é a existência das instituições de caridade.

Não sou “Lulista”, não sou “PeTralha” e não sou “de esquerda”. Se tenho que me dar um título, que seja este: sou justo. Se vamos apedrejar, apedrejaremos todos. Se vamos passar a mão na cabeça, passaremos na cabeça de todos. Nada de ladrar para adversários e balançar o rabo para os seus. Não existe moralidade relativa, não existe honestidade relativa, não existe justiça relativa.

É isso que me leva a não gostar da Veja e de seu séquito. Não é o fato de serem “de direita”, entreguistas, neoliberais, desumanos. São posturas detestáveis, é verdade, mas ser desagradável é um direito inalienável de cada ser humano. Tenho minha cota de posturas insuportáveis, não estou em posição de desmerecer ninguém por isso. O que eu não admito, não aceito, não permito e não tolero é canalhice.

Aí já é demais. Cansei, tô cansadinho.

Desenvolvedores pouco desenvolvidos

Imagine que você comprou um carro. Um carro novo, de uma marca nova, que você nunca usou, que já tem alguma história no exterior, até um certo renome, mas que não existia aqui no Brasil. Aliás, ainda não existe, pelo menos não oficialmente. Você mandou importar esse seu carro. Custou uma baba, mas, oras, lá fora falam tão bem dele. Por que não ter um igual aqui?

Quando o seu carro chega, você nota que ele é diferente. Bem diferente do que você está acostumado. Não tem volante, por exemplo, o que te leva a ficar por muitos minutos tentando descobrir como é que se controla o troço. A ignição também se dá de maneira diferente. Você não tem que enfiar uma chave em um buraco e rodar, apenas botar a bunda no assento três vezes após iniciar o processo de reconhecimento. O carro sincroniza com a impressão nadegal da tua bunda e te reconhece a partir disso. Da mesma maneira, os pedais - que existem, mas em maior quantidade - ficam numa ordem inusitada. Existe um acelerador apenas para a ré, por exemplo.

Diz pra mim se vale a pena comprar um carro desses. Você passa anos - ANOS! - se acostumando a um determinado desenho, a uma certa configuração que sempre deu certo. É aquela que você usa, é a que você se acostumou a usar. É simples, é intuitiva. Não requer grandes esforços, muito estudo. Pisa aqui, muda ali, agora pisa lá. Pronto, esta merda está andando.

Não existe nada - e eu disse NADA - na informática mais simples do que arrastar-e-soltar. Qualquer criança sabe usar arrastar-e-soltar. Qualquer MACACO usa arrastar-e-soltar, se receber como recompensa uma fruta bonita o suficiente. Por isso mp3 players deveriam ser assim: você conecta o apetrecho na tua máquina, abre-se uma nova pasta, correspondente a ele. Você clica nos arquivos de música que quer transferir, arrasta e solta lá dentro da pasta.

Diz pra mim: QUÃO difícil pode ser isso? NÃO É DIFÍCIL!!

Mas, oras, por que a Apple vai se render a isso? Por que a Apple iria se sujeitar a esse conceito besta, a essa idéia ultrapassada, demodé, obsoleta, anacrônica de que as coisas podem ser simples? A apple não precisa ser simples, a Apple é a Apple. Se ela fosse simples, não seria a Apple. Seria uma empresa dessas menores, que fazem coisas feias, desenvolvem programas toscos, não primam pela beleza, pelo design, pela estética. Seria… sei lá… a Microsoft?

Porque, por mais escrota, estúpida e errada que seja, a empresa do tio Gates SABE desenvolver aplicações intuitivas. Os caras sabem pensar - talvez porque de fato pensem - como um usuário idiota pensaria. Conheço pessoas que me surpreendem ao mostrar que sabem amarrar os próprios sapatos, mas não por saber entrar no MSN e iniciar uma conversa com vídeo. Cadarços não são coisas intuitivas. O MSN é. Pra caralho. Temos que dar esse crédito à microsoft. Ela sabe criar programas que você domina, ao menos no nível básico, em menos de 5 minutos.

A Apple não sabe. A Apple cria o iPod, cuja lista de méritos é tão longa que eu prefiro não escrever, mas têm a maravilhosa habilidade de cagar no pau JUSTAMENTE no aspecto que deveria ser o mais simples, mais ridículo, mais rasteiro, mais usual: na hora de definir as transferências de arquivo.

Porque, veja, você NÃO PODE clicar nas suas músicas, copiá-las e então colá-las no diretório do seu iPod, após conectá-lo ao seu computador com um cabo USB. Não pode, não é assim. Que tipo de empresa a Apple seria se não desenvolvesse uma aplicação complexa, feia, NADA intuitiva e que NÃO TE RESPONDE PORRA NENHUMA DO QUE VOCÊ QUER SABER? Oras. Seria uma empresa inteligente. A Apple não quer ser inteligente, a Apple quer ser bonita. Se a Apple quisesse ser inteligente, já teríamos iPhones à venda em todos os buracos desse planeta. Se a Apple fosse inteligente, o iTunes seria OPCIONAL, e não OBRIGATÓRIO na hora de administrar o seu maldito mp3 player. Até a FOSTON faz melhor que a Apple nesse sentido, não sei se dá pra cair mais do que isso…

Abusando um pouco dos paralelos, a Microsoft é uma moça de aparência mediana, com arroubos inesperados de beleza, mas que ao menos tem uma conversa bacana, que pode ser mais profunda, se você quiser, mas que também sabe ser superficial o bastante pra não te confundir com virtuoses técnicas. Passar os olhos sem muita atenção é o suficiente pra saber o que há com ela.

A Apple é uma mulher bonita pra caralho, mas burra feito uma porta e fútil até o limite da superficialidade.

Sinceramente, eu optaria por comer a primeira.

Jornalismo por retardados, para retardados

Leiam esta notícia e contem quantas vezes o cara tem a manha de repetir “Austin, Nova Iguaçu, Baixada Fluminense”.

Deve ter sido escrita pelo cara que dublou o Coringa no filme do Batima. “Eu sou o palhaço, o coringa, o joker, o palhaço, o coringa, o joker, o palhaço, o coringa”.

Lisonja espertinha

Mas vejam só vocês, caros sete leitores desta budega bem-freqüentada: fui “convidado” por e-mail para o concurso de contos e poesias de uma editora totalmente desconhecida. Que bonito! Que lisonjeiro! Que… que… que belíssimo pega-trouxa esses caras armaram!!!

Analisem o caso comigo: qual é o princípio de qualquer golpe? Oras, até o mais incompetente estelionatário sabe que o grande lance para tirar dinheiro de um otário é fazê-lo crer que, na verdade, o esperto é ELE. Pegá-lo pelo ego, ou pela ganância, é sempre a melhor saída. Pegá-lo pelo ego E pela ganância, então, torna quase qualquer golpe infalível.

Pois bem. Então é assim que funciona: você tem uma editora pequena. Desconhecida. E tá precisando de grana. Como arranjar um dinheirinho sem fazer esforço? Oras, fácil! Siga um passo-a-passo simples:

Saia por aí navegando a esmo em blogs. Encontrando um ou outro cujo autor, em seus arroubos de escrevice, divulgue qualquer coisa parecida com um conto. Qualquer texto ficcional - ou mesmo histórias reais narradas de forma pseudo-literária - já é um bom indício. Se tiver poesias, então, tá no papo. Alguém suficientemente desprovido de bom-senso a ponto de publicar quaisquer rimas capengas que tenha conseguido “bolar”, ainda que sejam apenas frases aleatórias terminadas em gerúndio, provavelmente não está acostumado a fazer auto-avaliações e embarca em qualquer furada. Porque, sim, 99% dos “poetas” da internet são tão bons com poesias quanto eu sou jogando Counter Strike, e, cara, eu sou ruim PRA CARALHO no Counter Strike.

Aliás, uma comparação melhor: 99% dos “poetas” na internet são poetas tão bons quanto eu. Mas, oi?, eu sou um poeta de merda. Aliás, não sou um poeta, porque compreendo minha ausência de talento. Por duas vezes, e duas vezes apenas, publiquei qualquer coisa remotamente parecida com um “poema” por aqui. Ambas a título de troça e o texto era INTENCIONALMENTE ruim. Até porque não saberia fazê-lo de outro modo. Batizei-os, inclusive, de POEMAS ESCROTOS. E não estava sendo irônico.

Poesia é pra quem PODE, não é pra quem quer. Infelizmente muita gente quer e pouca gente pode. Daí temos esse festival de poemas medíocres escritos por cafonas incapazes, sem vocação e - o que é pior para um poeta - de vocabulário dolorosamente limitado. Seria triste, se não fosse patético. Pensando bem, é triste, além de patético. Mas dá pra rir muito, com alguma boa-vontade e certa dose de sarcasmo no sangue. Sério. Tente.

Mas continuando. Daí, depois de identificar os troux… as vít… os possíveis candidatos, dentre aquela corja ignara cujo blog é uma extensão de seus delírios literários, envie e-mails para eles começando com algo como “Parabéns, você foi selecionado para o concurso literário da EDITORA XxXxXx” etc, etc, etc. É importante frisar que você representa uma EDITORA. O termo EDITORA vai ao encontro de toda a pretensão literária do matut… ehr… do futuro escritor. Aumente o texto prometendo um prêmio em dinheiro - nada muuuito significativo, lógico -, além das costumeiras fama, fortuna, glória e mulheres, na forma da frase “o texto vencedor será publicado em livro”.

Depois de explicar minuciosamente como o seu grande concurso funciona, só então deixe claro que será necessário pagar uma taxa - não tão simbólica - por cada “conto” e outra por cada “poema ou poesia”. Não esqueça de ressaltar que quanto mais textos forem cadastrados, maior é a chance do “competidor” ganhar. Claro que isso pode ser interpretado como “quanto mais grana você nos mandar, melhor será nossa opinião a respeito do que você escreve”. Mas, creia, a essa altura do campeonato o mané já está crente que seu “concurso”, mesmo não tendo o menor renome, mesmo não significando NADA num mercado editorial tão superlotado de editoras quanto o nosso, é o destino sorrindo para seu “talento” literário.

Vai por mim: uma incontável leva de otários vai achar que essa é a grande chance que tem de subir na vida. Você vai levantar uma grana fácil, a troco de nada, nas costas de um monte de trouxas. Tudo o que terá de fazer será escolher uma porcaria qualquer, enviar para o campeão dentre os trouxas uma parcela - ínfima - do dinheiro que você conseguiu tão facilmente, enviar e-mails para os trouxas que perderam informando que, embora não tenham sido os campeões, eles ainda poderão concorrer nos anos seguintes e pronto.

No ano que vem é só fazer outro “concurso”.

Sério mesmo, eu conheço um ou outro blog cujo dono, um perfeito imbecil, entrou nessa e está empolgadíssimo porque “passou para a segunda fase”.

Diz aí. É ou não é a maneira mais fácil de ganhar dinheiro que você já viu? Ad-sense? Que ad-sense que nada! Isso é para os fracos!

Resumo:

Colocando em uma linha o que eu levaria uns quatro parágrafos pra escrever:

Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro.

Ê, Mário Quintana véio de guerra.