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Vizinhança barulhenta

Então eu moro ao lado desse mercado (cujo nome não vou dizer pra não fazer merchandising de graça, porque sou um blogueiro com grande influência na meritocracia informal da internet, capaz de levar uma empresa de fundo de quintal a um lucro astronômico ou conduzir a Coca-Cola e o Mcdonalds à bancarrota. Megalomania, a gente vê por aqui.). Ao lado MESMO, não é liberdade poética, igual à utilizada pelo pessoal do Formule 1 da São João, alegando que o hotel fica “ao lado do metrô república”. Vai caminhar da estação até o hotel (ao lado, logo ali) carregando uma mala de 12 quilos, simpatia.

Ao lado fica o meu ovo esquerdo do ovo direito, isso, sim.

Mas então. Ao lado, como dizia, também fica o mercado. Desço do prédio, atravesso a pista, tô lá. Como se não bastasse, o troço funciona 24 horas. O que significa que se, às 4h18m da manhã, eu sentir vontade de comer um pacote de passatempo recheado tomando toddynho, cato aqui quaisquer cinco realidades, visto uma roupa - porque sou adepto do nudismo domiciliar, embora não possa praticá-lo tão livremente quanto gostaria -, vou lá e adquiro minha dose diária de alimentos de alta caloria e pouco valor nutricional.

Isso engorda e certamente fode minha saúde de alguma forma, mas quem precisa ser magro e viver pra sempre nos dias de hoje? Dois mil e doze tá aí e, apesar de no creer en brujas, vamos pela lógica de que si, las hay. Se não houver, dou um jeito depois. Ou morro, o que certamente vai acontecer um dia. Antes morrer cedo a me privar dessas pequenas satisfações. Imagine se um mundo cão desses merece de você, amigo, o sacrifício de largar seu passatempozinho com achocolatado, alimento padrão das madrugadas? Não merece, convenhamos.

Mas nem só de biscoito recheado e toddynho vive o homem. Ainda existem os miojos, os iogurtes, os isoporitos, as pizzas congeladas, os chocolates (e se você nunca comeu um lindt sozinho, de madrugada, assistindo corujão, repense essa vida cretina que vem levando), etc, etc, etc. De vez em quando passo até pela seção de hortifruti e, raridade das raridades, compro umas frutas. Existe vida fora dos industrializados, afinal.

É claro que nem tudo são flores e é claro que eu iria começar a reclamar em algum momento (e este momento é agora). Morar ao lado desse mercado tem seus reveses, como parece evidente. O maior deles, e que considerei bastante inusitado quando me dei conta de sua existência, é que na parte de trás do prédio onde o mercado se localiza há um galpão, ou coisa parecida, onde acontece o abastecimento da loja. Até aí tudo ok. O problema é que aos sábados sempre vem uma gritaria desse lugar que não tem explicação lógica. Aparentemente a empresa promove alguma atividade em grupo ali, e não sei ainda se é um torneio de queimada, vôlei, dominó, purrinha, truco ou um clube da luta.

Já pensei em perguntar aos funcionários, numa dessas madrugadas. Sutilmente, claro. Algo na linha de “Ei, que porra é aquela gritaria do caralho que ouço do meu apartamento todo sábado à tarde e, às vezes, até durante a semana, à noite, vinda do galpão de vocês?”. Mas se for um clube da luta acho que não vão me contar o que acontece, porque você não fala sobre o clube da luta e tal, a menos que queira o Tyler Durden nos seus calcanhares (e você não quer o Tyler Durden nos seus calcanhares, vai por mim).

Numa dessas madrugadas, por volta de uma da manhã, estive lá pra comprar pão, presunto e queijo, porque me bateu uma necessidade gestântica de comer um bom sanduíche. Peguei os protéicos na parte de frios e fui atrás do carboidrático na padaria. Chegando lá, pães de todos os tamanhos e tipos e marcas. Pão integral, pão com centeio, integral light, aveia light, sete grãos, multigrãos, pão de leite, pão de milho, pão de manteiga… pão com o caralho a quatro. Estavam todos lá, era praticamente a PãoCon 2010. Mas não havia pão de forma, daquele normal. Abordei o repositor da seção.

- Ô amigo, com licença. Tô procurando um negócio, mas não tô encontrando.
- Pois não, senhor?
- Não tem mais pão pra homem aqui?
- Pra homem?
- É. Pão de forma sem viadagem. Pra homem.
- O senhor quer dizer pão de forma puro?
- Isso. Pão pra homem, pô.

Ele observou as prateleiras por alguns instantes - coisa que eu já tinha feito e poderia fazer novamente, sem ajuda - e concluiu que não havia pão pra homem ali.

- Mas será que nem lá no seu estoque tem?
- Não, senhor. Os pães vêm direto pra cá.
- Mas que droga. Meu namorado só gosta desse.

Tive que voltar pra casa sem meu pão pra homem.

(E troquei o presunto e o queijo por um pacote de doritos)

Ah, e o mercado é um Pão de Açúcar. Já posso mencionar o nome, pois Tio Abílio acaba de me ligar informando que fez um depósito na minha conta pela menção. Chupa, Cardoso.

Advogando pelo diabo

Podia até existir alguma tolerância, da parte do altíssimo, em relação à humanidade. Até podia, ok? Não acho que esse seja um argumento que eu possa refutar desde sua criação, em sabe-se lá quando antes do JC nascer, crescer, virar hippie, surfar sem prancha e empacotar. Acredito que, até um certo ponto da nossa evolução, se deus existe, e se ele presta alguma atenção ao que fazemos - duas afirmações questionáveis, cada uma a seu modo, e por razões diferentes, mas aceitemos a hipótese de serem reais -, ele podia ter um certo carinho pelos homens.

“Sabe, são uns filhos da puta do caralho, traiçoeiros como poucas criaturas, mas olhe só que bonitinhos eles são, navegando nos fiordes.”
Deus, uma mulherzinha jogando SimCity.

O problema é que nós, seres humanos - e você, aí, que despreza a humanidade, TAMBÉM está incluído -, não sabemos quando parar. Criar a igreja e associar o pobre criador àquela atrocidade não foi o suficiente. Inventamos o café descafeinado, o leite sem lactose. Ofendemos o todo-poderoso uma vez atrás da outra. E ignoramos o alerta, quando Krakatoa foi pro vinagre. O sujeito explodir uma ilha inteira, como retaliação por qualquer merda, não nos desmotivou. Claro que não.

Insistindo em nosso comportamento suicida, em afrontar Javé, tínhamos que fazer o impensável, tínhamos que criar o Ades de Manga com Laranja.

A Face da Besta

Ok, aí está você, meneando a cabeça e resmungando “Você está exagerando, Pedrones” (pra não mencionar todas as ofensas à minha mãe, alusões pouco educadas ao meu brioco e idéias semelhantes). Mas na verdade não estou. Pensa aqui comigo: cê sabe QUANTAS frutas existem? TROCENTAS! Você tem idéia da dificuldade que deve ter sido criar cada uma delas? Você acha que teria sido capaz de pensar na jaca? Na sirigüela? No kiwi? Na fruta do conde? No caqui? Pensa na trabalheira do caralho que foi o processo de criação.

Aí uma criatura um dia acorda e diz “Foda-se isso tudo”. E, cagando pro trabalho de deus, pega a soja - SOJA!-, mói e faz um caldo. Joga ali algum produto químico escroto pra simular um gosto que não seja o gosto da soja - que, se fosse boa MESMO, não era comida de VACA - e chama de suco.

(O demônio, que nesse momento ocupava-se de alguma maldade menor, como a fome na África ou a guerra no Oriente Médio, sentiu um abalo na força, ouviu o berro da indignação divina estraçalhando as vidraças nos limites do universo, observou atentamente a última criação da humanidade e pensou “Caralho, como eu sou n00b!”. Entre lágrimas, escreveu sua carta de demissão, botou o tridente numa sacola e o rabo entre as pernas e mudou-se pra uma comunidade de hippies isolados em algum lugar na califórnia, onde espera pelo juízo final. True story!)

O Ades, por si só, é, como a cirurgia de redução de peitos, um desavergonhado tapa na cara de deus. E uma entidade que tem “O Senhor dos Exércitos” entre suas alcunhas claramente não é grande fã do perdão.

Essa nojeira feita de soja foi a pá de cal nas relações entre nós, pobres seres derivados de carbono, e o gerente desta birosca. Pense aí em todas as misérias que poderiam ter sido evitadas, fôssemos menos cretinos e, para fazer SUCO, espremêssemos FRUTAS em vez de moer grãos, seguindo o plano divino.

Rebolation, terremoto no Haiti, morte da Dercy Gonçalves… deus está pegando mais e mais pesado a cada dia que passa. Como o Joselito Original que é, YHWH não sabe brincar. E agora que provocamos o cara, quem terá piedade de nossas almas? Estamos fodidos.

Espero que, ao beber essa coisa asquerosa da próxima vez, você consiga pensar “Esta merda vale o sacrifício deste plano de realidade!”.

Contos Triviais I

Organizava sua salada com a dedicação e o esmero de um amante cuidadoso durante as preliminares de uma foda solene.

Sua técnica para montar o antepasto era, na pior das hipóteses, impecável. Uma sólida base de folhas de sabores, cores e texturas diferentes alternadas com maestria; rodelas rigorosamente selecionadas de tomate, pepino e cebola; pedaços desfiados de palmito e champignons picados com primor; espalhava com cuidado um pouco de cenoura e beterraba raladas e coroava a obra com uma ou outra azeitona, pedaços de tomate seco, tiras finas de frios leves e então, só então, partia para os temperos.

Conhecedor que era de azeites, sabia a dose exata necessária para, de acordo com a constituição de seu prato, realçar o sabor de cada alimento ali presente. A maneira como os dispunha tornava possível que até mesmo a menor quantidade do líquido derramado escorresse igualmente entre as camadas. Salpicava uma estudada porção de orégano e, com aparente displicência, algumas pitadas de sal. Umas gotas de aceto balsâmico e voilá: estava pronta sua obra de engenharia gastronômica.

O resultado de sua imersão - pois seria impossível classificar de outra maneira - nos bufês de verduras e legumes era desejosamente observado mesmo por quem não nutria especial predileção por saladas. Lembrava-se, divertido, do episódio no qual a gerente de um restaurante eximiu-o de pagar a conta caso cedesse seu prato para um fotógrafo de alimentos que se encontrava no local: queria aquela imagem na capa do novo menu. Diante de tão interessante proposta, não pensou duas vezes antes de aceitar e, estimulado pela possibilidade de comer de graça, preparou nova obra, magnífica, que superava com folga a anterior.

Certo dia, em casa, sentado diante do alimento e prestes a consumi-lo, ouviu, na tevê, reportagem sobre como portar-se à mesa. A especialista em etiqueta dizia que folhas de alface não deveriam ser cortadas, mas, com o auxílio de garfo e faca, enroladas como uma trouxinha e, só então, levadas à boca. Tal convenção social lhe pareceu disparatada.

Picotou tudo o que havia em seu prato e devorou às garfadas.

Sessão gastronomia. Ou gastroenteria, depende de quem come.

Sou assumidamente fresco com comida. Fresco mesmo, abicholado, viadinho, chato, sabe como é? Menino criado com vó, aí já viu. Não sou muito chegado em carne, por exemplo. Frango, só empanado. Em coxinhas e empadinhas também encaro. Vaca? Só os melhores pedaços. Sim, me refiro aos mais caros. E só se estiver assado. Gosto de churrasco, mas não como qualquer coisa. Carne de porco? Calabresa, salaminho e presunto. E olhe lá. Peixes e frutos do mar? São amigos, não comida. Abro uma exceção: gosto de patê de atum. Se dependesse de mim, só haveria pesca esportiva.

Também não sou chegado em salada. Folhas, em particular, me aborrecem. Agrião, rúcula, essas porcarias, pra mim é tudo comida de cavalo. Nabo, pepino e outros vegetais de duplo sentido também dispenso. Meu negócio é carboidrato e alimentos de qualidade (e valor nutritivo) questionável. Junk food, como gostam de chamar aqueles babacas que intercalam idiomas só pra mostrar que são letrados. Hambúrguer (sim, é carne, mas eu gosto… vai entender), salgadinhos, biscoitos, sucrilhos, iogurte, queijo, leite… aliás, leite e derivados de leite também chamam minha atenção. Falando sério: não sei como sou magro, comendo as coisas que como.

Sendo brasileiro, entretanto, não dispenso um bom prato de arroz, feijão, bife e batata frita. O bife sendo de filé, lógico.

Provavelmente você está pensando que isso me desabona pra sugerir bons lugares para comer. Eu gosto de pensar de forma diferente: como sou muito criterioso (chato!), exigente (chato!!) e seletivo (chato pra caralho!!!), os restaurantes/lanchonetes/quiosques/pé-sujo precisam se esforçar para passar pelo meu crivo e ganhar minha lealdade “enquanto a nível de” cliente.

Resumindo: se você quer comer porcarias deliciosas, vai em frente e segue meu roteiro. Se o seu negócio é nutrição, entretanto, vai caçar um restaurante natureba qualquer - coisa fácil de achar nesse detestável acampamento hippie urbano que é Brasília - e divirta-se comendo suas comidas “macrô” sem gosto.

***

Quando você não sabe pra onde ir, vai ao Giraffa’s. Essa rede de lanchonetes é uma sumidade por aqui. Qualquer beco de Brasília tem uma loja. É sério, são mais de 40 unidades no Distrito Federal, sendo umas 23 só no Plano Piloto. Pra você ter noção, conto 4 Giraffas num raio de menos de um quilômetro da minha casa.O grande problema é que nem todas as lojas estão em consenso. Meu prato preferido é o parmeggiana de frango com fritas e eu deveria fotografar as porções servidas por diferentes lojas da cidade para depois mandar as imagens para a central nacional da lanchonete. Algumas são extremamente generosas (como a da 209 norte), enquanto outras são de uma avareza judaica (a do Pátio Brasil é o melhor exemplo). A melhor em todos os quesitos, na minha opinião, é a da 302/303 norte. Podem perguntar ao Daniel: no horário de almoço, quando o movimento é mais intenso, você termina de pagar e eles servem seu prato antes que você tenha chance de se afastar do caixa. E sem murrinhagem, o que é melhor.

Como nem tudo é perfeito, a loja não funciona de madrugada. Mas se você quer encarar um sandubão depois de meia-noite, existem duas outras opções bem melhores que qualquer rede de lanchonete terminada em ’s:

O Marcão. Esse quiosque já é um clássico. Nas madrugadas, na entrada da 409 norte, eles servem os sandubas mais BRUTAIS da cidade. Não é à toa que batizaram suas criações com nomes sugestivos como “monstro”, “hulk”, “guloso”, “mal-educado”… O Hulk, minha opção-padrão no lugar, custa 5 reais e é maior que qualquer hamburguer do McDonald’s, Burger King ou Bob’s. QUALQUER UM! As pastas deles merecem menção honrosa. Mas se você tem estômago fraco e/ou não gosta de maionese, passe longe: a mistureba pode ser considerada pouco católica pelo seu sistema digestivo.

Se você mora na Asa Sul, nem tudo está perdido. Vá à barraquinha de cachorro-quente na entrada da 214 sul. Os preços não são os melhores, mas a pasta de alho dos caras é sensacional. Não recomendo, porém, comer um desses antes de cair na noitada se você tiver planos pra falar de perto com alguém.

Para os que preferem gastar com gasolina e poupar com comida, no Guará, perto do Pão de Açúcar - não sei o endereço exato, desculpe - tem uma lanchonete que vende um sanduíche homônimo sugestivamente chamado “A bomba”: um X-Tudo com refrigerante que sai pela bagatela de R$ 4,00. É possível encontrar semelhantes mais baratos na rodoviária do Plano Piloto, mas eu não recomendo. Ainda não entendi como a vigilância sanitária não fechou as barracas de lá.

Se o seu negócio é comer algo de dia e um pouco mais natureba, vá à Zimbrus, na 305 sul. Até eu gosto da salada de lá. Por R$ 10,90 é possível montar uma salada grande que alimenta duas pessoas normais. Se você é igual a mim e come com voracidade, como se estivesse amarrado há três semanas, coma sua folhagem sozinho. São 8 itens, mais 3 frios mais um molho. Eu geralmente peço alface, milho, ervilha, palmito, cenoura, beterraba, batata palha e croutons com mozarela de búfala, peito de peru e presunto. Como molho minha escolha é mostarda com mel.

Eu poderia viver só disso. Disse o cara que não é chegado em saladas.

Se você preferir alguma coisa não tão natureba, a Zimbrus também tem várias opções de sanduíches, massas, grelhados, sucos, vitaminas, etc, etc, etc. Eu gosto do açaí cremoso que fazem lá.

Mas se é pra tomar um açaí bom e barato, vá - às quartas-feiras - às lanchonetes que ficam na comercial da 706/707 norte, em frente ao McDonalds. Eles fazem promoção de açaí 500 ml a R$ 2,50. Compre para a semana inteira e mantenha na geladeira, se for muito viciado nesse tipo de coisa.

Pra poupar mais dinheiro ainda, ao pedir pizza ligue para a Pizzaria Genérica: 3347-0207. Pizza grande com boa diversidade de sabores a R$ 9,90 + taxa de entrega (acaba saindo por uns R$ 11,90, se você mora na Asa Norte).

Mas se você não tá tão na pindaíba assim e pode pagar uns R$ 25,00 numa pizza com molho de tomate (o que é surpreendente para os padrões de Brasília), vá à Baco da 409 sul. O sabor da sua pizza é o de menos, mas lembre-se de pedir a massa fina! Ao fim, coma a sobremesa deles chamada “Morangos Bêbados”.

Se não quiser cruzar o eixo monumental e ainda está a fim de curtir uma pizza decente, vá à Felicitá (306 norte) e peça uma de palmito, só para se surpreender ao ver que eles não economizam nos ingredientes. Aliás, se quiser levar sua namorada pra um jantar bacana E barato, lembre-se desse restaurante. Eles têm ótimas saladas (a Capricciosa em especial) e pratos muito, muito bons (eu recomendo o frango à parmegiana com talharim ao molho de alecrim).

Depois de comer tanto, se estiver a fim de um expresso, um capuccino, um café irlandês ou qualquer coisa relacionada a café, vá ao cyber café do posto da torre. E peça um pedaço da torta de chocolate deles, que merece mérito quádruplo: pelo sabor, pela quantidade de recheio, pelo tamanho da fatia e pelo preço.

Compre muitos engovs e bom apetite.

A Maravilhosa Cozinha de Ofélia Utopia

Viciados em internet são notórios por vários motivos, mas manter uma alimentação saudável está longe de ser um deles. Essas pessoas costumam comer todo tipo de porcaria - e geralmente na frente do computador: miojo, alimentos congelados, cup noodles e merda frita com orégano (aliás, ficará óbvio, depois de analisar a inteligência de boa parte dos integrantes desse nada seleto grupo, que a última iguaria é o prato predileto de 9 entre 10 internautas).

Eu não sou exceção (a não ser no caso da merda com orégano, claro. Esse tipo de excrescência alimentícia não me agrada o paladar). Sou um fanático pelo que costumo chamar de “comida fácil”. Aquela muito saborosa, muito gordurosa, muito rápida e nada saudável. Comida que vai te proporcionar muita gordura, um câncer aos 32 anos, um problema cardíaco grave aos 35 e, com sorte, uma morte rápida graças a um edema cerebral pouco antes dos 40. Porque ser sedentário é isso aí.

Claro que não são só a preguiça e a internet as culpadas pelos meus hábitos alimentares extremamente questionáveis. Minha total inabilidade culinária é um fator decisivo nessa equação. Ao contrário do santíssimo e reverendíssimo Padre Levedo, não levo o menor talento para as artes da cozinha e minhas chances de conquistar uma mulher pelo estômago são nulas. De todo modo, não me privo uma ou outra aventura na cozinha, ainda que minha coragem para esse tipo de coisa se manifeste quase sempre quando estou com a patroa. Mas admito que parto para a carreira solo de tempos em tempos, só para me lembrar que eu e o fogão somos incompatíveis.

Passarei agora a você, meu caro leitor solitário, uma receita que experimentei hoje e que deu muito, muito certo mesmo. Não espere nada complexo. Lembre-se que sou um exímio mestre nas Artes Sombrias da Culinária Maligna.

Prepare-se, pois, para a Pizza À Moda Utópica.

A primeira coisa que você tem que fazer é verificar se sua casa tem os seguintes ingredientes:

- Presunto
- Queijo muçarela ou prato
- Queijo cheddar
- Peito de peru
- Ervilha
- Milho em conserva
- Cebola
- Tomate
- Pimentão
- Azeitonas
- Azeite
- Orégano
- Molho de tomate
- Uma pizza congelada de muçarela (cê não pensou que eu ia te ensinar a fazer massa de pizza, né? Tá achando que eu sei fazer essas coisas?)

Com menos que isso a pizza poderá ser feita, mas o sabor nunca será igual. Então não custa nada dar um pulo no mercado mais próximo e adquirir os itens faltantes. Se você não tem dinheiro pra comprar comida, seu miserável faminto, por que diabos tem um computador, afinal? Tirou esta porra de máquina de onde? Do fulano com um gancho?

Enfim. Pegue uma panela, jogue o azeite, refogue uma cebola, jogue um pouco de molho de tomate em cima com um pouco de pimentão picado. Adicione sal, se te interessar, mas eu não recomendo muito. No máximo um pentelhinho. NÃO, NÃO UM PENTELHO SEU! Um pentelhinho é uma medida ínfima, quase um mícron, mas um pouco maior. Refoga isso por uns minutos e desliga o fogo. Aí liga o forno na potência máxima e marca 10 minutos.

Pega a pizza congelada, espalha o molho por cima dela. Depois umas fatias de queijo cheddar, presunto e peito de peru, nessa ordem. Coloque as ervilhas, o milho, rodelas de tomate, pimentão e cebola e as azeitonas. Agora jogue o azeite por cima. Ele faz o queijo de baixo borbulhar e ficar crocante, é sensacional.

Aí coloca por cima dessa monstruosidade mais umas fatias de muçarela, de modo que ele derreta e cubra os outros ingredientes. Isso vai impedir sua pizza de desmoronar a cada mordida.

Leve ao forno na intensidade média por 12 a 15 minutos.

Se eu tivesse uma máquina digital,
aqui você veria uma foto da pizza pronta

Agora boa sor... ehr... bom apetite com a sua pizza.

Utopia

No meu mundo perfeito seria obrigatória ao Giraffas a distribuição de parmeggianas para todas as pessoas, três vezes por semana.

E esses vegetarianos babacas seriam banidos da sociedade, porque não comer carne é traição, e traição…

…porra, leitor, você está cansado de saber.




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