Archive for the 'curtos' Category

Black Burning Heart

Forgotten my way home
Forgotten everything that I know
Everyday a false start, and it burns my heart
I know

Everything you said was right, and I suppose
Everything is here forever, ’till it goes

Historieta Curtita XVII

Entraram na casa dela e foram tropeçando em todos os móveis que havia no caminho para o quarto. Arrancavam a roupa desajeitadamente, com pressa, enquanto se engalfinhavam como dois gatos de rua.

Depois de derrubar um abajur, duma canelada, dele, em uma mesinha de cabeceira e dela quase mandar ao chão um espelho de parede, finalmente conseguiram chegar à cama. Ele lhe mordia o pescoço quando ela sussurrou em seu ouvido:

- Seus carinhos me enchem de desejo!

Ele parou. Olhou-a nos olhos.

- Como?
- Suas carícias me alucinam!
- Sério?

Ela, sentindo-se incentivada pelo clima, pela meia luz, pelo olhar que ele lhe lançava, continuou:

- Vem! Me faz ser sua!

Ele ainda a olhava quando redarguiu:

- Minha?
- Sua! Toda sua! Vem, vem ser meu homem!
- Seu homem?
- Anda! Me possui! Quero te sentir em mim, nossos corpos feitos um!

Ele se levantou. Subiu as calças, meio arriadas, e já estava fechando a camisa quando ela quis saber o que houve.

- Tua breguice cortou meu barato.
- Quê?
- É isso aí. Mas não se sinta mal. Você tem futuro como letrista de forró. Adeus.

Ele foi pra casa, dormiu o sono dos justos.
Ela se masturbou ao som de Calcinha Preta.

No cu, pardal.

Esse povo que diz que escreve porque isso ajuda a entender o mundo, pra poder compreender melhor como as coisas funcionam, porque é a forma que conhecem de dar sentido à vida e etc: essas pessoas mentem pra caralho.

Pra escrever você faz uso de coerência e coesão. Não existe porra nenhuma disso na vida.

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Meus melhores posts são os que não escrevo.

Wish You Were Here

So,
So you think you can tell
Heaven from Hell,
Blue skies from pain
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?

Did they get you to trade
Your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
Did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?

How I wish, how I wish you were here
We’re just two lost souls
Swimming in a fish bowl,
Year after year
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears
Wish you were here

Dos aniversários

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos
Eu era feliz e ninguém estava morto.

Tive o que fazer no 12 de dezembro durante 28 anos.

Quando não ocorria um evento no dia, acontecia alguns dias depois ou antes. A princípio eram festas com balões, brigadeiro, mirinda, bolo, primos, tios, avós e balão mágico ou trem da alegria tocando ao fundo. Com o tempo o teor foi mudando e passou, dessa farra infantil, para a típica comemoração adolescente, com música alta varando a madrugada e casaizinhos transbordando hormônios se pegando pelos cantos. Nos últimos anos os acontecimentos eram mais calmos, geralmente almoços ou jantares em família. Ano passado foi uma festa grande num sábado à tarde, com minha vó preparando uma tremenda feijoada para trocentos convidados que comeram até não poder mais. Foi divertido.

Esse ano terei o que fazer no 12 de dezembro, mas sem música e sem farra. Meu evento do dia 12 será diante de uma sepultura, com a inevitabilidade das coisas me pesando nos ombros e atos falhos me cutucando a consciência. O primeiro 12 de dezembro em 28 anos sem ouvir a voz da minha irmã.

Sei lá se isso vai soar como eu gostaria que soasse, mas sinceramente espero que seja o primeiro de poucos.




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