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Das definições

Eu poderia colar aqui uma letra do Matanza. Já fiz isso. Não quero ser repetitivo, vulgarmente direto. Serei elegante, porém breve, indo com um trecho de Lisbon Revisited, do Fernando Pessoa.

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

E ficamos com isso.

Salve!

Olá, amigos!

Hoje faz um mês que eu não escrevo nada aqui. Vejam só que relapso! Já tivemos até comentários com ataques de pelanca.

Vejam só que coisa triste! Igual chuva na fila, es mucho troco, etc.

The Puma Hard Chorus cantando Savage Garden

Quando colocam um bando de hooligans num bar, cantando uma das musiquinhas mais bichas da história da humanidade, você percebe que a internet cumpriu sua função.

Obrigado, internet. Pode desligar agora.

Do amor repentino

Engole isso: “declarações” só funcionam na ficção. Não existe tal coisa nesse mundo, de duas pessoas conviverem e nutrirem um enorme amor mútuo, e um dia, debaixo da chuva, uma delas - geralmente o homem - aparecer de repente, jogando pedrinhas na janela e se declarando, só pra ouvir “Eu te amo” de volta e abraçar sua amada sob a torrente, entre beijos e lágrimas e uma enorme dose de insulina pra ninguém morrer de diabetes com toda essa viadagem.

Isso só acontece em filmes ruins, livros estúpidos e na cabeça de gente idiota. Romantismo é um conceito babaca que deveria ter morrido com todos aqueles tuberculosos, mas infelizmente há quem insista em manter acesa essa idéia cretina e contraproducente. Pior: há quem ache que isso é importante, e que “mantêm acesa a chama” dos relacionamentos. Eu gostaria de poder dizer que sim, que relacionamentos duram sem isso e que precisam de outras coisas, e enumerá-las, esfregando na cara de todos esses débeis mentais, na sua cara, o quanto essas idéias são pueris e como sequer são válidas como roteiro de Malhação, mas o fato é que não interessa o que faz com que relacionamentos perdurem. A própria idéia de que um relacionamento é essa entidade, esse ser vivo que precisa ser alimentado freqüentemente, já é um conceito idiota e romântico. “Idiota e romântico” é pleonasmo, diga-se de passagem.

(A idéia era maior que isso, mas não tô mais a fim de desenvolver. Conclua disso o que quiser, ou não conclua nada, foda-se.)

Black Burning Heart

Forgotten my way home
Forgotten everything that I know
Everyday a false start, and it burns my heart
I know

Everything you said was right, and I suppose
Everything is here forever, ’till it goes

Historieta Curtita XVII

Entraram na casa dela e foram tropeçando em todos os móveis que havia no caminho para o quarto. Arrancavam a roupa desajeitadamente, com pressa, enquanto se engalfinhavam como dois gatos de rua.

Depois de derrubar um abajur, duma canelada, dele, em uma mesinha de cabeceira e dela quase mandar ao chão um espelho de parede, finalmente conseguiram chegar à cama. Ele lhe mordia o pescoço quando ela sussurrou em seu ouvido:

- Seus carinhos me enchem de desejo!

Ele parou. Olhou-a nos olhos.

- Como?
- Suas carícias me alucinam!
- Sério?

Ela, sentindo-se incentivada pelo clima, pela meia luz, pelo olhar que ele lhe lançava, continuou:

- Vem! Me faz ser sua!

Ele ainda a olhava quando redarguiu:

- Minha?
- Sua! Toda sua! Vem, vem ser meu homem!
- Seu homem?
- Anda! Me possui! Quero te sentir em mim, nossos corpos feitos um!

Ele se levantou. Subiu as calças, meio arriadas, e já estava fechando a camisa quando ela quis saber o que houve.

- Tua breguice cortou meu barato.
- Quê?
- É isso aí. Mas não se sinta mal. Você tem futuro como letrista de forró. Adeus.

Ele foi pra casa, dormiu o sono dos justos.
Ela se masturbou ao som de Calcinha Preta.