Arquivos da categoria 'curtos'Page 2 of 30

No cu, pardal.

Esse povo que diz que escreve porque isso ajuda a entender o mundo, pra poder compreender melhor como as coisas funcionam, porque é a forma que conhecem de dar sentido à vida e etc: essas pessoas mentem pra caralho.

Pra escrever você faz uso de coerência e coesão. Não existe porra nenhuma disso na vida.

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Meus melhores posts são os que não escrevo.

Wish You Were Here

So,
So you think you can tell
Heaven from Hell,
Blue skies from pain
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?

Did they get you to trade
Your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
Did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?

How I wish, how I wish you were here
We’re just two lost souls
Swimming in a fish bowl,
Year after year
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears
Wish you were here

Dos aniversários

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos
Eu era feliz e ninguém estava morto.

Tive o que fazer no 12 de dezembro durante 28 anos.

Quando não ocorria um evento no dia, acontecia alguns dias depois ou antes. A princípio eram festas com balões, brigadeiro, mirinda, bolo, primos, tios, avós e balão mágico ou trem da alegria tocando ao fundo. Com o tempo o teor foi mudando e passou, dessa farra infantil, para a típica comemoração adolescente, com música alta varando a madrugada e casaizinhos transbordando hormônios se pegando pelos cantos. Nos últimos anos os acontecimentos eram mais calmos, geralmente almoços ou jantares em família. Ano passado foi uma festa grande num sábado à tarde, com minha vó preparando uma tremenda feijoada para trocentos convidados que comeram até não poder mais. Foi divertido.

Esse ano terei o que fazer no 12 de dezembro, mas sem música e sem farra. Meu evento do dia 12 será diante de uma sepultura, com a inevitabilidade das coisas me pesando nos ombros e atos falhos me cutucando a consciência. O primeiro 12 de dezembro em 28 anos sem ouvir a voz da minha irmã.

Sei lá se isso vai soar como eu gostaria que soasse, mas sinceramente espero que seja o primeiro de poucos.

Receita para fazer um Herói

Tome-se um homem,
Feito de nada, como nós,
E em tamanho natural.
Embeba-se-lhe a carne,
Lentamente,
Duma certeza aguda, irracional,
Intensa como o ódio ou como a fome.
Depois, perto do fim,
Agite-se um pendão,
E toque-se um clarim.

Serve-se morto.

(Reinaldo Ferreira)

Das passagens rápidas

Sei que não escrevo aqui há algum tempo e também não vim escrever nada hoje. Faculdade e trabalho me exaurindo. Mas achei justo deixar aqui esse trecho de um post do Branco Leone, que é foda (o trecho, no caso, mas o Branco também é) e se adequa a muita gente imbecil que andou dizendo muita imbecilidade por aqui recentemente:

(…) os comentários dos Defensores de Alguma Coisa (*), animais que hoje, graças à Internet, proliferam-se como ratos e tem por principal característica a incapacidade de identificar uma piada. Não seria preciso que a entendessem; bastaria que pudessem identificá-la. Mas isso, como se sabe, é algo que só acontece na estratosfera do pensamento humano, isto é, em altitudes superiores a QI 30.