Arquivos da categoria 'curtos'Page 4 of 30

Das inevitabilidades da vida

Sempre me impressionei com esse negócio dos quadros. Estão lá em cima há anos, então, sem que aconteça nada, mas eu digo nada mesmo, fran, caem. Estão ali, amarrados ao prego, ninguém lhes faz nada, mas eles, a um certo ponto, fran, caem como pedras. No silêncio mais absoluto, com tudo imóvel em volta, nenhuma mosca voando e eles, fran. Não existe uma razão. Por que exatamente naquele instante? Não se sabe. Fran. O que acontece com um prego para decidir que não pode mais com ele? Tem uma alma, ele também, pobrezinho? Toma decisões? Discutiu o assunto longamente com o quadro, tinham dúvidas sobre o que fazer, falavam disso todas as noites, durante anos, então decidiram uma data, uma hora, um minuto, um instante, é aquele, fran. Ou já o sabiam desde o início, os dois, já estava tudo combinado, olha, eu largo tudo dentro de sete anos, para mim está bem, okay então, entendido, em 13 de maio, okay, lá pelas seis, digamos cinco e 45, de acordo, então boa noite, ‘noite. Sete anos depois, 13 de maio, cinco e 45: fran. Não dá para entender. É uma daquelas coisas em que é melhor nem pensar, ou se fica maluco. Quando cai um quadro. Quando você acorda, uma manhã, e não a ama mais. Quando abre o jornal e lê estourou a guerra. Quando vê um trem e pensa devo ir embora daqui. Quando você se olha no espelho e percebe que está velho.

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Da esperança perdida

Achar que trocadilhos com “inove” não seriam feitos nessa virada de ano seria esperar DEMAIS das pessoas.

É difícil, é difícil. É graças à excessiva tolerância com recursos de linguagem ridiculamente fáceis como esse que abominações como aquela corja que se intitula “Teatro Mágico” conseguem alguma notoriedade. Fôssemos um pouco mais exigentes e esse tipo de criatura não receberia nada além da execração pública, do mais puro opróbrio.

Dois mil e nove já começa difamado. Pobre ano infeliz…

Esforço recompensado

- Uma bicicleta!
- …
- É sua?
- …
- …?
- É.
- Você comprou?
- NÃO! ROUBEI DE UM MOLEQUE ALI NA ESQUINA AGORINHA MESMO! (eu penso, mas não digo. Respondo com um simples “Foi”.)
- Pra pedalar?
- Não, não. Pra lamber o quadro dela, morder o selim, acariciar os pedais, chupar a catraca. Bicicleta é um troço que me deixa num tesão de touro maluco, só de pensar numa magrela e meu pau levanta que não quer mais abaixar. Um negócio furioso.

Tolerância a pergunta idiota tem limite, afinal.

TANK!

Porque nada define Cowboy Bebop melhor do que esse comecinho de Asteroid Blues (bom, talvez o final de The Real Folk Blues II, mas aí já é spoilear a parada…)

Bola pro mato que o jogo é de campeonato

Aos flamenguistas: sintam-se livres para dizer que só o flamengo é penta. Desculpem por esse um ano de concorrência nos cinco títulos brasileiros.
Aos gremistas: reitero aqui minha posição: torço para a seleção do nono círculo do inferno, torço até para os argentinos, se estiverem jogando contra vocês. Torço para vê-los na segunda e depois na terceira divisão. Até lá, chupem!
A todos os outros que torceram contra: juntem-se aos gremistas e chupem também.

Aos Sãopaulinos: Parabéns pelo seu hexacampeonato, tricampeonato em seqüência.

Dos paradigmas inesperadamente quebrados

Essa primeira música do Perfect Symmetry, cd novo do Keane, é de longe a coisa mais bicha que eu já ouvi.

[Atualização:] Quem duvida de minhas afirmações peremptórias ou apenas deseja saciar sua curiosidade pode ouvir a música aqui.