Arquivos da categoria 'dialogos'Page 4 of 8

Reminiscências

- Ei!

Olhei bem pra cara do cidadão.

- Aí, a gente não estudou junto?

Sim, e eu já tinha percebido. Achei que o fato de não me manifestar a respeito fosse deixar a situação bem clara.

- É. No JK. Segundo ano. Em noventa e oito.
- É, eu tô lembrado de você. Pedro, né?
- Eu também lembro de você. Na lista de sujeitos mais babacas que eu conheci, acho que ficaria em segundo ou terceiro lugar.
- HAHAHAHA Você continua revoltado.
- E você continua um merda.
- …
- …

Percebendo que eu não sorri nem por um segundo e notando que eu não estava brincando, ele preferiu se afastar. Ótima idéia.

Pedro Nunes.
Fazendo amigos e influenciando pessoas.

Dicionáricos

- Oxigênio!
- Oxímoro!
- Oxiúros!
- Occipital!
- Calma lá! Esse último não vale!
- Como não, se tem o mesmo som? Também começa com “ocsi”!
- Mas é escrito com ó, dois cês e i, e não com ó, xis e i.
- Mas é parecido, o trato era usar verbetes parecidos.
- Não, o trato era seguir o mesmo RADICAL!
- Radiola!
- Radioterapia!
- Radiação!
- Radiante!
- Esse aí também não vale.
- Como assim, não vale?
- Radiação e radiante. Praticamente a mesma palavra.
- É vingança pela derrota passada! Você Inventa essas regras só para poder ganhar.
- Como se você fosse capaz de me subjugar.
- Não me subestime.
- Então submeta-se.
- Não tem cabimento esta sublevação.
- Sou subversivo.
- Está claro que tudo isso não passa de subterfúgio.
- Apenas no seu subconsciente.
- Não queres admitir, mas está subentendido.
- Só se for por você, seu suburbano!
- Agora tentas fugir da contenda de modo pouco honroso. Sub-reptício, até.
- Não me amole, subalterno.
- Desces tanto que já o vejo no subsolo!
- Cansei.
- Canastrão.
- Canalha.
- Canário.
- Cangote.
- Perdeu de novo. Cancelamos?
- Por esse seu vocabulário, um dia hão de canonizá-lo.
- Mas que observação canhestra!
- Já disse: estou cansado.
- Então chega, antes que comeces com a cantilena.
- Você não vai parar nunca?
- Só depois que você admitir derrota.
- Então admito.
- Estou admirado!
- Chega! Você prometeu!
- …
- Ou serei obrigado a admoestá-lo!
- Oras, não acho que seja admissível!…

Tendências suicidas

Meu pai conversava com uma amiga a respeito de um cunhado dela que foi escalar a pedra da gávea sem equipamentos de segurança e caiu de 20 metros. Não sofreu nenhum ferimento grave, apesar disso. Meu pai, mau-humorado por ter acordado muito cedo, não perdôou:- Que gênio, hein? Quando ele melhorar, mande subir na pedra de novo.
- Com os equipamentos de segurança, né?
- Nããão! Sem!
- Mas… sem? Ele subiu sem e quase morreu!
- E vai subir de novo, não duvide. Einstein já dizia que existem duas coisas infinitas: o universo e a estupidez humana…

Nessa hora não me contive e resolvi intervir.

- Pai, você fuma!
- Ué. E daí?
- Você TAMBÉM tá se matando, assim como ele. Só que cada um a seu modo. Isso te tira o direito de criticar a estupidez alheia.

Dando pinta

Pegando uma carona com a patroa até o trabalho, paramos num semáforo. Em seguida, um sujeito em uma Kawasaki Ninja ZX-12R (idênica a essa aí da foto) pára ao nosso lado.Na hora bate aquele Valdir e eu comento:

- Taquiupa! Olha que foda a moto do cara!
- É uma ninja?
- É! Sensacional!
- Uma beleza mesmo.
- Pô, a jaqueta dele também é muito massa.
- …
- E o capacete também é lindão.
- Tá se agradando das posses do moço, é?
- Porra, até o sapato dele é bonito. Ah, foda-se, eu vou lá fora dar pra esse cara!

Fraternidade escrota

- Cara, sabe o que eu acho bacana na amizade masculina?
- O quê?
- Esse lance fraterno da não-censura, manja?
- Tô sacando.
- Isso da gente poder conversar sobre qualquer merda, tá ligado?
- Sei como é!
- É massa poder falar de todos os assuntos possíveis e imagináveis com alguém, né não?
- Pode crer.
- Podemos falar daquela guria lá, aquela dos peitões…
- Ô, se podemos!
- Podemos discutir política…
- Um bom assunto sempre.
- Podemos comentar futebol…
- Clichê, porém válido.
- A gente pode falar até de roupas.
- Somos homens modernos, atentos à necessidade de uma boa apresentação.
- É, é mais ou menos por aí.
- Cê tem razão, cara.
- Eu sei que tenho.
- Podemos mesmo falar de qualquer coisa.
- Qualquer coisa, velho.
- Porque amizade masculina é assim, a gente não fica se julgando.
- Ah, que nada. Isso é coisa de mulher.
- Pois é. Não ficamos aguardando o momento mais apropriado pra cravar o punhal pelas costas do outro.
- De forma alguma.
- Nem somos fura-olho.
- Código de ética masculino.
- Seguido à risca.
- Digo mais: seguido À RISCA, em maiúsculas e negrito!
- Nunca tinha visto as coisas por esse ângulo.
- Agora vê.
- Qualquer assunto, cara.
- Qualquer um.
- Então, tá ligado quando você tá dando aquela raspada nos pêlos do saco com o prestobarba e…?
- Ih, vai começar a viadagem. É minha deixa. Fui!
- Ô, peraí… ei! VOLTAQUI, CARALHO! QUALQUER ASSUNTO, PORRA!
- Isso aí já é informação demais pra minha cabeça. BICHONA!
- Filho da puta.

Na academia

- E essa toalhinha aí?
- O que tem?
- Pra quê?
- Como, pra quê? Pra botar como enchimento dentro da cueca e parecer que o que me falta em musculatura sobra em dotação, talvez?
- Não, eu sei que é pra secar o rosto. Mas não vejo razão pra isso.
- Claro que não vê. Você tem preparo físico. Eu tô suando mais que um porco caminhando em direção ao abatedouro.
- Mas aí é que tá! O negócio é ficar suado mesmo.
- E, por via das dúvidas, com que finalidade EXATAMENTE eu deveria manter o suor escorrendo pelo rosto em vez de secá-lo?
- A mulherada gosta.
- De suor?
- De homem suado.
- É claro que gosta! Aliás, adora. Acho que era por isso que todas as meninas que eu já marquei de encontrar me pediram encarecidamente para ir ao local caminhando ou correndo, de modo que chegasse lá pingando por todos os poros. De preferência sem desodorante, porque mulher gosta mesmo é do cheiro natural que o macho exala após o exercício. Cê manja mesmo de gostos femininos. Sério, escreve um livro!
- Você que não sabe de nada. A mulherada se amarra em me ver suando, de preferência em cima delas.
- Cara, essa tua afirmação diz muito sobre você.
- É?
- Claro. Em primeiro lugar diz que você não entende nada de mulher. Em segundo, que você ou tem pouca imaginação ou é muito ortodoxo, quando não as duas coisas, por usar o termo “em cima” - e não “ao lado”, ou “atrás”, ou “embaixo”, ou até mesmo “em volta” - pra fazer uma referência sexual de péssimo gosto. Seja qual for o caso, significa que você é muito ruim de cama.
- Vai me dizer, seu babaca, que você realmente acha que qualquer mulher aqui recusaria o Gianecchini, por exemplo, se ele aparecesse todo suado na frente dela?
- Putz! Mas fica cada vez pior! Cê tá mesmo se comparando ao Gianecchini?
- Oxe. Ele não tem nada que eu não tenha!
- Rapaz, só quem pode te responder isso é uma mulher, já que eu não fico fazendo comparações entre homens. Mas garanto que qualquer guria dessa academia que você abordar com essa pergunta vai ficar completamente sem fôlego de tanto rir e vai precisar interromper a série de exercícios pra tomar ar. Pra não correr o risco de atrapalhar a malhação alheia, eu te peço encarecidamente que guarde a questão apenas pra você.
- Você é todo espertinho, né?
- Comparado com você isso tá longe de ser um desafio.