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Top 5 Celebridades que deveriam pagar peitinho de uma vez:

(antes de entrar no assunto, uma curiosidade: TODO post que começa com TOP 5 no título, tem a fonte zoada no corpo do texto. Por que será?)

Peitos são como materiais radioativos, amigo: atraem atenção, podem salvar sua família ou destruí-la – se utilizados de forma irresponsável – e, mais importante, têm meia-vida. Os maiores, mais desenvoltos, mais imponentes são justamente os primeiros a cair, a murchar, a perder o vigor. Isso implica dizer que aqueles peitos fantásticos daquela guria de 18 anos, ainda que permaneçam notáveis 5 anos depois, terão apenas um mero resíduo de seu potencial original. Assim sendo, precisamos encostar na parede todas essas celebridades femininas que, ignorando o clamor das massas, escondem seus peitos de nós, enquanto eles perdem o viço. Vamos a elas:

5) Jennifer Love-Hewitt

Jennifer Love-Hewitt

Jennifer Love-Hewitt está longe de ser uma estrela de primeiro escalão de Hollywood. Famosa pela série de filmes Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado, Eu Ainda Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado, Eu Não Esqueci O Que Vocês Fizeram No Verão Passado, Tô Ligado Da Parada Lá Do Verão Passado e Foda-se O Verão Passado, Saporra Já Tem Uns Dez Anos, Bora Sentar No Boteco E Relembrar Os Velhos Tempos Tomando Uma Gelada?, a atriz caiu no esquecimento depois dessas porcarias. Ok, ela faz Ghost Whisperer, mas você conhece alguém que assista essa série? Nem eu. O que falta à moça pra subir na vida e conseguir um bom papel num filme de grande orçamento e com promessa de sucesso? Pagar peitão, oras.

Bora, Jennifer. Libera aí essas potestades!

4) Yvonne Strahovski

Yvonne Strahovski

Yvonne Strahovski (apelidada StraHOTski, por motivos óbvios) é uma loira que certamente ficaria gostosa até virada do avesso e faz par com o protagonista da série Chuck. Outra que eu não conheço ninguém que assista, mas gostaria de assistir, admito, e só não o faço porque sou muito enrolado e procrastinador. Enfim. Yvonne, essa maravilha de ascendência polonesa, tem toda essa pujança que, por pudor ou coisa que o valha, continua a esconder dos homens de bem. Falha que considero terrivelmente contraproducente.

3) Kaley Cuoco

Kaley Cuoco

Kaley Cuoco (que não é parente do Chico Cuoco, eu presumo) é a loira burra de The Big Bang Theory – aquela série que é bem legal, mas não chega aos pés de How I Met Your Mother. Ok, ela está no topo agora e aparentemente chegou lá sem precisar tirar o sutiã. Mas a verdade é que os peitos dessa moça, ainda com 25 anos, já mostram, em várias fotos, severos sinais de estar cedendo à gravidade. Apresse-se, mulher, e mostre-nos essas belezas, antes que a natureza cumpra seu papel e ninguém mais queira ver essas muchibas.

E se você acha que isso não acontece, pergunte à Gal Costa se alguém ainda se interessa em vê-la pelada.

2) Katy Perry

Katy Perry

Katy Perry, a irmã gata da Zooey Deschanel, é uma daquelas cantoras gostosonas que vale a pena você assistir um clipe, nunca ouvir o CD. Se puder ver o clipe no mute, com um Motley Crue tocando ao fundo, pode até imaginar que a moça está te servindo uma boa lap dance e ser mais feliz, porque essas atrocidades musicais que ela insiste em cometer grudam no cérebro com a competências das boas músicas ruins.

Ela anda muito em alta nos últimos tempos – em parte, acredito, por se recusar a mostrar o que todo mundo quer ver, embora viva insinuando. Sendo bem sincero, de todas as mulheres desse top 5, ela e a Yvonne são as únicas que eu acredito ainda terem peitos firmes. Ela vem à frente porque os dela são maiores e porque ela é morena (e morenas são melhores do que loiras). Isso a torna mais gostosa que a Strahotski. Desculpe, polonesa, mas é verdade.

Bora, Katy, liberte seu(s) potencial(is)!

A próxima você JÁ SABE quem é, amigo, não se faça de rogado:

1) Scarlett Johansson

Scarlett Johansson

A (agora) eterna Viúva Negra e atual queridinha de Woody Allen, Scarlett Johansson vem mantendo a expectativa de nos apresentar sua PUJANÇA há anos. Metida a intelectual, curte trabalhar em uns “filmes de arte”, onde TODO MUNDO aparece pelado, menos ela. Posição meio reacionária pra alguém que se mostra tão dedicada ao trabalho de atriz. Desde que Brittany Murphy partiu pro mundo das trevas, ando preocupado com a recusa dessa moça em nos deixar conhecê-la melhor. Seria uma pena se algo acontecesse e nos privasse desses peitos pro resto da vida. Vamos lá, Scarlett, deixe-nos algo que possamos mostrar às próximas gerações! Nos dê algo que faça valer sua conversa pretensiosa e a atrocidade que você fez com as músicas do Pete Yorn!

Não queremos que você bote pra fora o que te vai na alma. O que está no seu sutiã é suficiente.

HORS CONCOURS:

Esqueci (mea maxima culpa) de incluir a Christina Hendricks nesse Top 5. Mas oras, seria maldade com as outras competidoras. Ela tem méritos tão grandes que ganharia com folga.

Christina Hendricks

De cinema, futuros alterados, respeito tecnológico e outras viagens…

Em 1990, eu era um guri de 9 anos, sobrinho de uma moça que trabalhava na cabine de projeção de um cinema. Na época – que nem vai tão longe assim, convenhamos, são “só” 20 anos -, existiam cinemas na rua: salas que não ficavam dentro de shoppings, mas “soltas” no meio da cidade, entre outros comércios. As pessoas saíam pra ir ao cinema, não pra ir ao shopping ver um filme. Não que fosse melhor ou pior, só era uma experiência diferente, que não se tem mais (ao menos em Brasília), porque igrejas evangélicas – a Universal, em particular -, como se arrancassem jerusalém das mãos dos sarracenos, empreenderam uma cruzada pra comprar todas essas salas e transformá-las em centros de gritaria.

(O que esses crentes não entendem é que não adianta berrar, chorar, arrancar os cabelos, dar chilique e fazer escândalo: se deus existe, é suficientemente sábio para nos ignorar e parece levar tal política bem a sério. Não posso culpá-lo. Eu também não ia querer conversa com a galera que trucidou meu filho.)

Dentre as várias vantagens de ter uma tia que trabalhava num cinema, a maior delas era que eu podia ver o filme quantas vezes quisesse. Se você acha que seu filho, sobrinho, irmão ou primo pode passar dias diante de um DVD, imagine se esse pivete tivesse à disposição uma sala de cinema inteira, com pipoca, doces e o diabo a quatro na bomboniere; com o som do projetor; com as poltronas confortáveis; com a tela que é maior do que o mundo; com o som que te faz mergulhar no filme; com tudo, tudo mesmo, até lanterninha, essa raça em extinção. Eu tinha. E, se deixassem, moraria lá dentro.

Aliás, a censura não era levada a sério na época. Não existia isso de vetarem a entrada de crianças por causa de uma besteira como “classificação indicativa”. Se ocorria, de algum modo sempre passei incólume pela regra, desde antes de ser sobrinho da moça da sala de projeção. Sendo o tal sobrinho, nem preciso mencionar.

Então, numa certa tarde de 1990, depois do colégio, minha mãe precisou comparecer a algum compromisso e me deixou com a tia Yone, que me recebeu na porta do cinema e me levou até a sala, já escura, recomendando que me comportasse. Quando relaxei no encosto da cadeira e olhei para a telona, a cena que se desenrolava prendeu minha atenção de imediato. O que começou com uma velha atravessando a rua tornou-se um assalto, seguido por um assalto ao assaltante, passando, daí, para a cena de um bando de sujeitos roubando uma loja de armas e metralhando impiedosamente um carro da polícia que se aproximou para impedir.

Era Robocop 2.

Devo ter assistido o filme de ponta a ponta umas três vezes. E diversas vezes mais nos dias seguintes. E, vendo Robocop 2 hoje, é curioso como tudo aquilo fazia sentido na época, mas fica fora de contexto atualmente. Todo o clima cyberpunk, com a cidade dividida entre os criminosos – querendo ver o oco -, a grande corporação – topando ver o oco, desde que possa lucrar com isso – e a população no meio, tendo que conviver com as putas, os motoqueiros, os bêbados, mendigos e baderneiros, procurando ajuda do governo, que se omite porque é corrupto, decadente e vendido a preço baixo para os executivos da OCP. Havia toda uma sinceridade nos filmes futuristas da década de oitenta que não existe mais hoje.

Entendam o que chamo de sinceridade como essa projeção pessimista do futuro, com a criminalidade atingindo níveis impensáveis e tornando um inferno a vida do cidadão comum, enquanto alguns poucos, abençoados com as graças da corporação, levam uma vida de luxo e tranqüilidade. Não se vê mais essa abordagem. O conceito futurista que temos, hoje, é das pessoas se tornando mais e mais inúteis em um mundo controlado por máquinas, e só.

“Matrix”, “Eu, Robô”, “Surrogates”… todos esses filmes retratam a mesma idéia, cada um a seu modo: as pessoas serão dominadas no futuro de maneira a não pensar por si mesmas, apenas reproduzir o que lhes é imposto, seguir sem questionar. Essa ameaça à liberdade individual é tão subjetiva que não há um levante criminoso, ou seja, não existe “o submundo”. Há – e sempre deve haver, ou não teríamos filme – algum(s) membro(s) da sociedade que se opõe(m) à ordem estabelecida. Mas é ridicularizado, via de regra, ainda que tenha (e sempre tem) razão. Assim, a divisão social torna-se clara, perde-se a área cinzenta. De um lado as pessoas normais, em seu comportamento de rebanho. De outro, excluído, uma pessoa ou grupo de pessoas. Some aquele grupo meio marginal, meio mainstream, aquele povo levando a vida no limite entre as contravenções e a ordem, sendo tolerado pela polícia apenas porque a situação é tão caótica que não vale a pena perder tempo com eles.

É curioso pensar que não é o estágio tecnológico que conduz as previsões desse tipo, mas o momento social e político. Por isso é difícil apontar outra possibilidade de futuro sem ser considerado pessimista ou utópico, da mesma maneira que, acredito, era complicado para os teóricos dos anos 80 desenvolver uma possibilidade que não envolvesse altos índices de criminalidade, ou para alguém da década de 50 pensar no futuro sem imaginar desastres atômicos e mutações causadas pela radiação decorrente.

Ainda assim, a tecnologia tem sua parcela de “culpa” nessas idéias. Se não estivéssemos tão sujeitos às máquinas como estamos agora, seria mais fácil conceber uma realidade na qual travássemos uma guerra furiosa com elas – como em Exterminador do Futuro – do que uma na qual elas nos dominam sem dificuldade, como em Matrix. O fato é que cientistas já identificaram positivamente que, à medida em que nos acostumamos às novas tecnologias, nossas capacidades vão diminuindo. Uma pessoa que tem todos os telefones que precisa anotados em seu aparelho celular tem menor capacidade de memorização do que alguém que não dispunha de tal recurso, há 20 ou 30 anos atrás. À medida em que as novas gerações têm maior facilidade para operar e entender novos equipamentos, terão maior dificuldade para operar e entender maquinário obsoleto.

O que quero dizer é que aquele teu primo molecote pode ser capaz de compreender e utilizar o telefone celular mais avançado da atualidade com uma mão nas costas, mas bota esse pequeno pústula pra operar o tracking de um vídeo-cassete e vamos ver se ele se sai tão bem.

Mexer em um sistema operacional com interface gráfica é mole. Quantas linhas esse inseto consegue avançar em um MS-DOS, se precisar operar um prompt de comando?

Até meu pai consegue jogar Wii. Pede pro seu irmão de 12 anos descobrir qual é o objetivo no ET ou Superman do Atari.

(note que essa previsão de um futuro limpinho e organizado funciona se considerarmos que os roteiros dos filmes são escritos e pensados em países limpinhos e organizados, ok? um roteiro futurista que se passasse no Brasil, por exemplo, escrito por um brasileiro, seria completamente cyberpunk oitentista, dada a situação que vivemos por aqui)

Do fim de semana cinéfilo

Esse foi um fim de semana bastante prolífico em matéria de filmes. Fiz o impensável para um pirateador imundo como eu – de acordo com o que pregam as agências antipirataria -: fui a uma locadora e aluguei títulos que vinha enrolando há eras pra assistir. Seguem minhas impressões dos filmes. Vagas, superficiais e que não devem ser levadas em consideração, por uma série de motivos que não vêm ao caso.

SIM, SENHOR!:

Em primeiro lugar, finalmente consegui ver na Zooey Deschanel (ainda que brevemente) o que tanta gente parece ver o tempo todo: toda a beleza irretocável, o charme irresistível e etc. Até então a achava bastante sem-graça. Furável, apenas. Ainda acho que cantando ela é tão legal quanto um coice de asno no testículo esquerdo, e seria preferível que o diretor tivesse o bom-senso de não utilizar “músicas” dela na trilha sonora. Nesse sentido sou muito mais a irmã-gêmea-separada-no-nascimento dela, Katy Perry (não gosto das músicas de nenhuma das duas, mas entendo por que a carreira musical da Katy Perry deslancha, enquanto a da Zooey não sai do lugar. Acho que só a Zooey não entende, o que mostra que ela precisa de amigos mais sinceros). Mas, em matéria de beleza e capacidade de atuação, ela já não deixa mais tanto a desejar.

Jim Carrey, por outro lado, faz nesse filme o tipo de papel que faz melhor: o tipo espasmódico. Parece que tem eletrodos ligados nos bagos e, por isso, não consegue manter suas expressões faciais dentro de um limite civilizado, executando caretas impensáveis a cada dezessete segundos e meio. Tudo bem, ele é um bom ator e pode fazer papéis normais, sem surtos repentinos freqüentes, como em Cine Majestic, por exemplo (filme que tem uma das melhores trilhas sonoras que já ouvi, a qual nunca consegui encontrar, uma das minhas maiores frustrações nos amplos reinos da Infernete). Mas são filmes como O Máskara e Ace Ventura (e depois roteiros com potecial mal-desenvolvido, como O Mentiroso e Todo-Poderoso) que o tornaram famoso.

Sim, Senhor quase vai pra mesma categoria desses últimos. Mas não achei o roteiro mal-desenvolvido e toda aquela pieguice envolvida nos outros filmes foi espertamente ignorada. Eles têm o Danny Masterson com um bigodão respeitável, o que é legal, mas também há uma cena totalmente dispensável com uma velha, então esses dois aspectos bacanas meio que se anulam. Entretanto, tocam DUAS músicas do The Eels, sendo uma delas minha preferida (Your Lucky Day In Hell). Então leva aí sessenta cabritos, numa avaliação final.

GRAN TORINO:

Perdão pela obviedade, mas Clint Eastwood é Clint Eastwood, e por isso já tenho respeito suficiente. Clint Eastwood bancando uma versão velha do Dirty Harry é meu herói, indubitavelmente. Sou um grande fã do House, mas o médico manco, perto de Walter Kowalsky, é uma bichinha. Greg House choraria copiosamente depois de conversar por três minutos com o veterano da guerra da Coréia. Mas além da boa atuação do velho Clint existem as ótimas revelações do filme, como aquela chinesinha engraçada parecida com o Zacarias, e a relação dele com a matriarca dos vizinhos hmong. Sem contar os diálogos sensacionais, o tipo de coisa capaz de fazer alguém que escreve se morder de inveja. A história, apesar de partir pra um viés imaginativo, se mostra muito mais real do que qualquer um esperaria. E por isso pode desagradar os mais inventivos. Os cínicos por natureza, de todo modo, vão aproveitar, sem dúvida.

Enfim, ainda não assisti um filme dirigido pelo Homem Sem Nome que fizesse eu me arrepender pelo tempo gasto, todos me deixaram satisfeito ao final. Esse não foi diferente. Classifico facilmente como digno de quatro mil caramujos.

X-MEN ORIGENS: WOLVERINE:

Não sou um grande fã do Carcaju. Até entendo o valor exagerado que a Marvel dá a ele: vem de toda a babação que os fãs de quadrinho devotam ao personagem. Deve haver algo de encantador em um nanico canadense peludo com garras de metal retráteis, caninos e péssima atitude, mas não sei apontar o quê. Sei que se tem algo sobre o Wolverine que deve ser respeitado é seu cinismo. Nenhum dos filmes dos X-Men respeita muito isso. Origens foi o primeiro a levar isso – ainda que remotamente – em consideração. Sério, expliquem pra mim qual o problema que Hollywood tem em dar a seus protagonistas uma boa dose de sarcasmo. Vejam o velho Kowalsky! Ele é muito pouco afável, e ainda assim é perfeitamente possível simpatizar com ele. Custa fazer o mesmo com o carcaju? Não custa.

Além do mais, é uma regra simples: enfie personagens demais em um blockbuster que preza mais pelas cenas de ação do que pelos diálogos e você terá vários personagens mal-desenvolvidos. Wade Wilson – que ganhou meu respeito com o passar dos anos – podia render um personagem tão legal… e no fim virou aquela… aquele… aquilo! A relação com o Dentes-de-Sabre ficou superficial e mal-explicada. A passagem pelas guerras merecia muito mais do que apenas os créditos do filme. Gambit sem sotaque cajun é nhé. Toda a história com a Arma X foi afável demais. Chris Claremont deve estar se revirando no túmulo!

Ok, ele não morreu, e isso torna tudo pior: podiam ter consultado o cara.

As cenas de ação são legais, ao menos. As lutas são moderadamente bem coreografadas. O excesso de cromaqui me incomodou. Aquela moça que faz o papel de mulher do Logan parece ser bonita, mas é feia. O filme não é bom, mas é divertido. Ah, quer saber? Dou a esse treze jabuticabas. Sendo generoso!

007 – QUANTUM OF SOLACE:

Que me perdoem os puristas, longe de mim fazer pouco do personagem em sua melhor encarnação (e me refiro a Sean Connery), mas essa versão brucutu do agente inglês é sensacional. Daniel Craig merecia uma medalha de irmão caminhoneiro por esse papel: total falta de sutileza, gadgets são para mocinhas mimadas, o que não se pode resolver no charme vai na porrada mesmo – e pouquíssimas coisas são resolvidas no charme.

E, apesar de toda a brutalidade, grosseria e falta de parcimônia, o sujeito é extremamente inteligente e pensa muito, muito rápido (se assim não fosse, morreria rapidamente no ramo de negócio que resolveu seguir). Judi Dench não me agradava como M. nos filmes com o Pierce Brosnan – na verdade, nada me agradava nos filmes do 007 com o Pierce Brosnan -, mas agora tenho bastante simpatia por ela.

PORÉM – aqui há um porém, que em relação a Casino Royale não havia – o roteiro é bastante confuso e não dá pra saber exatamente atrás de quem ou o quê James Bond está seguindo. A princípio é uma organização, depois é só um cara, e depois é uma organização de novo, que torna a ser apenas um sujeito. Além do mais, é difícil identificar se o que ele busca é vingança ou completar um serviço. E eu entendo que o roteiro faça isso intencionalmente, até porque alguns personagens do filme precisam ficar em dúvida quanto às motivações do 007. Mas uma coisa é confundir personagens. Confundir a platéia – sem depois explicar direito o que houve e amarrar as pontas soltas – são outros quinhentos. Num apanhado geral o filme é bom, diálogos legais, porradarias que lembram muito a trilogia Bourne, além de boas cenas de ação e acidentes de carro sem explosões (coisa que respeito). Duzentos e cinqüenta torrones pra ele.

MARCAS DA VIOLÊNCIA:

Eu disse que vinha enrolando há eras pra ver alguns dos filmes. No caso me referia a esse, de 2005. A única coisa que já vi com o Virgo Mortensen foi Senhor dos Anéis, que não me agrada muito, mas não é minha intenção caçar briga com fãs do Tolkien aqui. Isso pode ficar pra depois.

A história parte de uma idéia que ninguém poderia chamar de original. Já foi desenvolvida antes em diversas ocasiões. É o mesmo conceito do qual parte Os Miseráveis, por exemplo, ou Cowboy Bebop, ou Estrada Para Perdição. Apesar de ser um assunto já trabalhado, ainda pode render abordagens originais, como é o caso aqui. Toda essa idéia de que um homem não pode se livrar de seu passado, ainda que queira, de que sempre vai aparecer alguém que te conheceu numa outra etapa da sua vida e tentar te levar de volta àquilo, de que é impossível deixar claro para essas pessoas que você agora as ignora, que rompeu com elas, que elas representam algo que você era e não quer tornar a ser… Jean Valjean sabe o que é isso. Michael Sullivan sabe o que é isso. Spike Spiegel sabe o que é isso. Tom Stall também sabe.

Há momentos desnecessários no filme, e há aqueles brilhantes, pelo apego aos detalhes. Mas é a história e seu desenvolvimento que chamam mais a minha atenção. É a idéia de que talvez seja impossível seguir com sua vida, quando há ao seu redor gente querendo te lembrar daquilo que é preciso esquecer pra ir adiante. E às vezes é preciso romper com essas pessoas de forma brutal, quando não dá para levar esse processo de maneira sutil. Quando elas se recusam a te deixar em paz.

Pra esse vão cento e vinte maçaricos e meio, mas admito que pode haver aí um certo puxa-saquismo da minha parte, já que gosto do David Cronenberg e de seu apego por detalhes aparentemente irrelevantes (e também de ver a Maria Bello pagando peitinho).

Por fim, deixo claro que essas são MINHAS impressões, não suas. Crie as suas, ignore as minhas. Não seja um influenciavelzinho de merda. E gosto se discute, sim. Então fiquem à vontade pra apedrejar, se sentirem necessidade.

Você é Sancho?

- Qual é seu nome mesmo?
- Eu sou Sancho.
- Olha, eu recebo candidatos pra testes o tempo todo. O que faz você pensar que é bom o bastante pra pornografia?
- Eu sou Sancho.
- Isso é ótimo, mas… o que você faz?
- O que eu faço? Eu sou Sancho!
- E…?
- E existem muitos Jeffs no mundo, e muitos Toms, também. Mas eu… sou Sancho!
- E…?
- Você é Sancho? Não, não é. Tampouco Scott Baio é Sancho. Frank Gifford não é Sancho. Mas eu…
- Você… é Sancho!
- Exatamente!
- Ok, está contratado!
- É claro!

Do Crepúsculo (da literatura, da cinematografia, dos critérios)

As grandes tragédias se aproximam sem aviso prévio. É impossível vê-las chegando. Vão se acercando de você silenciosamente, como feras atrás de uma presa distraída. Quando a pobre vítima dá por si, o bote já está em curso e não existe mais pra onde correr. O negócio é agüentar a bordoada no peito e torcer para que os danos sejam mínimos (ou ao menos por uma morte rápida e indolor).

Infelizmente não recebi clemência. Tive que passar por doses homéricas de sofrimento, náusea, torpor mental, convulsões e espasmos de riso nervoso intercalados com mergulhos profundos em abismos de vergonha alheia.

Assisti Crepúsculo.

Que porra é essa?
- Caralho, foderam minha lenda!
- É trágico, Vlad, é trágico!

Sim, foi uma decisão consciente. Estúpida, porém consciente. Gostaria de poder dizer que não estava em posse de minhas faculdades mentais ao tomar tal decisão, mas seria mentira. Não tinha idéia, entretanto, do erro que cometia ao levar tal plano a cabo. A história me fará justiça! Acompanhe a cadeia de acontecimentos e note como fui atraído para uma armadilha que deixou severas cicatrizes no meu córtex:

Há cerca de duas semanas, ouvi uma música de uma banda desconhecida numa rádio qualquer. Gostei. Anotei mentalmente um pedaço da letra e fui atrás assim que pude botar as mãos em um computador com acesso ao google. Descobri que a canção se chamava Decode e que o nome da banda era Paramore. Baixei a mp3, coloquei no celular. Como a voz da cantora muito me agradou, fui atrás do clipe (precisava conferir se a aparência da moça fazia jus ao que eu imaginava). O clipe tinha lampejos de um filme no qual um cara parava uma van desgovernada com as mãos.

Pois é. Me deixei levar por tão pouco. Imaginei que pudesse ver ao menos boas cenas de ação vindas de um filme desses. Ah, a ingenuidade…

Não existe NADA em Crepúsculo que justifique o filme. Nem o roteiro, os diálogos ou os efeitos especiais. A presença da Kristen Stewart, apesar de tudo, é incapaz de tornar a experiência menos desagradável. E para as fãs do Robert Pattinson, ele TAMBÉM não colabora, ok? Em 90% do filme você fica se perguntando por que caralhos o sujeito usa tanta maquiagem a ponto de parecer que contrataram um pedreiro pra aplicar uma demão de argamassa na cara dele. Nos raros momentos em que as sete toneladas de pó-de-arroz do cidadão não gritam “ALGUÉM NOS TIRE DESSE ROTEIRO HORROROSO!”, a atuação dele é tão deplorável que faz qualquer um com ganas de trabalhar em Hollywood pensar “Véio, eu preciso contratar o agente DESSE cara!” Essa pessoa faz milagres! Quem consegue encaixar alguém tão despreparado como protagonista num filme*, caro shakespeariano wannabe, arranja um papel pra qualquer um! (qualquer um que se disponha a fazer a sobrancelha e passar batom, claro)

Crepusculo
- Bee, você usa maquiagem demais e esse batom não valoriza seus olhos!

Mas vamos por partes, porque se é pra convencer vocês a não verem o filme* (ou ao menos a não verem aquilo levando a sério), precisamos ir um pouco mais fundo nos aspectos falhos. Ah, deus, tanta coisa pra tratar e tão pouco tempo…

Comecemos do começo. Pegue seu saco de vômito, pois estamos prestes a analisar a obra* de Stephenie Meyer.

O roteiro*

A jovem Bella Swan (Kristen Stewart <3) vai morar com o pai em uma cidadezinha do interior dos Estados Unidos. No colégio conhece o jovem Edward Cullen. Estabelece-se um romance e ela descobre que ele é um vampiro.

...

Não, espera. Colocando dessa forma, fica parecendo que a história tem alguma linearidade, quando isso definitivamente não é verdade. Faltam alguns detalhes aí. Vamos de novo:

A jovem Bella Swan vai morar com o pai porque a mãe e o atual marido viajam demais e não têm tempo pra ficar pajeando uma guria de 17 anos. O pai é policial em uma cidadezinha do interior dos EUA que mais parece estar localizada no interior da Inglaterra, pois é tomada por uma névoa profunda o ano inteiro. Chegando lá conhece os amigos índios do pai, que não têm NENHUMA relevância na história, mas deixam um desagradável gancho para um segundo filme, o que soa muito mais como ameaça do que como esperança. No primeiro dia de aula a moça, carne nova e civilizada no pedaço caipira, vira a tauba de tiro ao Álvaro de qualquer um no colégio que aprecie um par de peitos, causando ciúme nas outras gurias (algumas delas bem mais gostosas, é preciso admitir), mas não é hostilizada como se esperaria. A única pessoa que a trata mal - e digo TERRIVELMENTE mal, do tipo "Saia de perto de mim, mulher, você faz meu café da manhã de ontem tentar escalar meu esôfago como sir Edmund Hillary ao Monte Everest!" - é um rapaz que usa quilos de maquiagem e tem um cabelo tremendamente escroto: Edward Cullen.

Vinte minutos depois eles já estão profundamente apaixonados, e não existe razão nenhuma pra isso, sinceramente.

Com o tempo, o comportamento, a aparência e certos fatos escrotos sobre o sr Cullen - como a habilidade de parar vans desgovernadas com as mãos, percorrer distâncias assombrosas em um piscar de olhos e ler os pensamentos de todo mundo ao redor - deixam a menina desconfiada. É quando o filme tenta criar um clima de suspense. E não consegue, mas cria um clima soporífero que é muito agradável. Insones, assistam! É melhor que aqueles leilões de jóias que passam na TV a cabo!

Pesquisando no Google, ela descobre que ele na verdade é um vampiro. Que a família toda dele é formada por vampiros. Enquanto isso, pessoas na cidade começam a ser atacadas por vampiros. E eu repeti o termo vampiros vezes demais em um parágrafo só. Ficou até cacofônico, tantos vampiros juntos. Parece a convenção dos vampiros. Não agüento mais escrever vampiros. Porra, vamos em frente!

Vocês percebam que nossa heróica Stephenie Meyer é uma pessoa muito criativa e não precisa se prender a arquétipos e padrões criados por escritores* menores, como Bram Stoker. Seguindo a linha iniciada por Anne Rice, piorada pelos jogos recentes de Castlevania, mas levando o conceito* muito, muito além, essa moça conseguiu a proeza de transformar uma das lendas mais interessantes do século XIX em uma das coisas mais intoleráveis e abicholadas dos tempos modernos: emos. Os vampemos, diferentemente de suas versões transilvanescas, BRILHAM sob o sol. Não morrem: BRILHAM. Imagine alguém coberto por purpurina. Essa é a aparência que eles têm quando ficam expostos ao astro-rei. Considerando o grau de viadagem e aquela regra que diz que bicha não morre, vira purpurina, alguém até poderia dizer de um deles: "Ele está morrendo!". Mas se é verdade, então o processo é bem demorado, o suficiente pra não causar o alívio imediato de ver aquelas bichas de cabelo escroto desintegrando-se sob raios UV.

A partir do momento em que a verdade sobre Edward Cullen vem à tona - porque até então era um GRANDE mistério! -, o suposto suspense ganha ares de comédia romântica adolescente. Daí temos direito a cenas dos dois indo à casa dele para que ela possa conhecer a simpática família vampira que, em uma obra decente, tentaria transformá-la em jantar; dos dois saltitando por árvores na floresta; de ambos deitados sobre a relva, olhando-se embevecidamente. Até mesmo um jogo de beisebol entre a vampirada acontece - e é o único momento em que o nababesco orçamento de 37 milhões de dólares se justifica.

Esse tempo todo e tudo o que o jovem Cullen faz com a curvilínea Bella é observá-la com indecisão, sem saber se deve comê-la num sentido literal ou lúdico. É feio brincar com a comida, vocês sabem.

Mas aí, pra não deixar tudo muito mamão-com-açúcar (como se fosse possível reverter tal efeito a essa altura do campeonato), surgem os outros vampemos, os que andaram matando pessoas pela cidade nos últimos dias. Daí temos sanguessugas saindo na porrada e o filme, até nisso, mostra uma total incapacidade de ter alguma graça.

Os efeitos especiais*:

“Isso” – você pensa – “deve ser legal. Com os recursos que os estúdios têm à mão hoje em dia e com TRINTA E SETE MALDITOS MILHÕES DE DÓLARES os efeitos devem ser respeitáveis!”. Porra nenhuma. Só faltou deixarem as cordinhas expostas nas cenas dos saltos. E os momentos em que os vampiros usam sua “supervelocidade” são tão bons quanto aqueles cortes de câmera usados em Chaves & Chapolin para fazer algo aparecer/desaparecer.

A maquiagem, como eu não canso de falar, é horrível. Todos os desmortos lembram fãs do Teatro Mágico. Em certos momentos a barba do Robert Pattinson surge sob a grossa camada de pó-de-arroz e ele mais parece um travesti relapso do que um vampiro. Na cena em que Bella diz a Ed que já sabe o que ele é, inclusive, esse teria sido o diálogo capaz de tornar o filme interessante:

Bella: Eu sei o que você é.
Edward: Diga.
Bella:
Edward: Em voz alta.
Bella:
Edward: Diga.
Bella: Um traveco!

A visionária Stephenye Meyer infelizmente não é tão visionária assim.

Miss Meyers
Miss Meyers, entre dois fags espadaúdos, os vampiros de seu próximo livro.

Enfim. Se você é dessa geração de mente podre, que cresceu achando que Harry Potter é literatura, Senhor dos Anéis é um clássico, Power Rangers é tokusatsu e Naruto é um bom anime, Crepúsculo foi feito pra você. Leia os livros, veja os filmes, seja feliz. Se qualquer merda te agrada, isso não vai ser diferente. Mas se você é dessas aberrações que gostam de roteiros bem-amarrados, curtem boas justificativa pra existência dos personagens, apreciam diálogos minimamente lógicos e acham que o vilão merece aparecer no filme por mais de 15 minutos, em vez de surgir no fim da história com o único objetivo de ser desmembrado e morto, não veja Crepúsculo.

Se realmente fizer questão de acompanhar uma trama adolescente à lá Malhação, com mocinhas de olhar assustado e protagonistas machões superpoderosos, atormentados por sua natureza super-humana, ignore Crepúsculo e veja Smallville. Super-Homem é bem mais legal que vampiros emos, até porque não usa tanta maquiagem.

Trinta e seis milhões de dólares que poderiam ter sido usados pra alimentar trocentas criancinhas na África durante um porrilhão de anos jogados fora, que tragédia. Eu sei que poderia ser pior e o dinheiro poderia ter caído nas mãos de Uwe Boll. Sou grato por não ter sido esse o destino da verba. Mas todo o celulóide usado pra filmar esta bomba seria melhor aproveitado se fosse dado aos meus desafetos para ser usado como papel higiênico. Seriam eles a sofrer e eu a me divertir, e não o contrário.

O fato é que até duas semanas atrás eu não sabia que esse filme existia ou quem era Stephenye Meyer. Eu era mais feliz há duas semanas.

*Os termos marcados com um asterisco estão sendo usados com bastante liberdade poética, embora o texto esteja em prosa, e só foram empregados na falta de nome melhor.

Das razões para se perdoar alguém

Jules: You read the Bible, Ringo?

Ringo: Not regularly, no.

Jules: Well, there’s this passage I got memorized, Ezekiel 25:17:

“The path of the righteous man is beset on all sides by the inequities of the selfish and the tyranny of evil men. Blessed is he who, in the name of charity and good will, shepherds the weak through the valley of darkness. For he is truly his brother’s keeper and the finder of lost children. And I will strike down upon thee with great vengeance and furious anger those who attempt to poison and destroy my brothers. And you will know I am the Lord when I lay my vengeance upon you.”

I’ve been sayin that shit for years. And if you heard it, that meant your ass. I never gave much thought to what it meant. I just thought it was some cold-blooded shit to say to a motherfucker before I popped a cap in his ass. But I saw some shit this morning that made me think twice. See, now I’m thinkin… maybe it means you’re the evil man, and I’m the righteous man. And Mr. 9mm here, he’s the shepherd protecting my righteous ass in the valley of darkness. Or it could mean, you’re the righteous man, and I’m the shepherd, and it’s the world that’s evil and selfish. I’d like that.

But that shit ain’t the truth. The truth is: you’re the weak. And I am the tyranny of evil men. But I’m trying, Ringo. I’m trying REAL HARD to be the shepherd.

Não interessa quantas merdas o Samuel L. Jackson faça na vida, quantos Swats, Triplos X’s, Snakes On A Plane ele cometa em sua carreira: esse filme, essa cena, esse diálogo sempre será razão mais do que suficiente para perdoá-lo e tornar a dizer que não existe Bad Motherfucker mais fodão do que ele no cinema atualmente.

E eu, que já publiquei a parte do monólogo aqui, em português, agora coloco em inglês e com direito a vídeo. Sem legendas. Assiste quem quiser (o trecho sensacional transcrito acima começa aos 7m15s).